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O dilema dos conservadores

por Luís Naves, em 05.09.18

As eleições de domingo na Suécia ilustram o dilema dos partidos de centro-direita europeus, que se arriscam a ficar afastados do poder se mantiverem a recusa em negociar coligações com os populistas, sendo a alternativa fazer alianças perigosas com a sua direita e adoptar temas controversos, como por exemplo restrições à imigração. A questão lembra o provérbio brasileiro: se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come. O actual governo sueco é de esquerda e minoritário, coligação entre social-democratas e verdes, dois partidos que vão ser muito penalizados nas urnas. Ficarão provavelmente na oposição. A acreditar nas sondagens, a soma das duas formações descerá de 38% em 2014 para menos de 30%. O maior dos partidos conservadores, por seu turno, recebe uma sova eleitoral da mesma ordem de grandeza, mas o bloco de quatro partidos pode somar 35%, o que só dá para um governo minoritário instável. A transferência de votos beneficia o partido Democratas Suecos (SD, populismo de extrema-direita), que surge nas sondagens com valores entre 17% e 19%, mas também o Partido da Esquerda (extrema-esquerda), que pode duplicar a sua votação, para mais de 11%. Um em cada três suecos votará num destes dois partidos radicais, sinal da paisagem tradicional totalmente transformada. Em 2010, havia na Suécia dois blocos políticos, agora há quatro: populistas, centro-direita, centro-esquerda e esquerda marxista, com os dois do meio a registarem enormes perdas. A confirmarem-se as sondagens, estas eleições podem resultar num governo minoritário (de esquerda ou de direita) ou numa coligação centrista, mas as duas soluções juntam partidos penalizados nas urnas e que continuarão no poder a ser cortados às postas. Neste cenário, os conservadores do bloco de centro-direita terão a tentação austríaca de se juntarem aos populistas. O problema vai colocar-se também em França para os Republicanos, cuja derrota se deveu à rivalidade com a Frente Nacional. Em Itália, a fusão entre populistas e conservadores já está a concretizar-se, pois a Liga de Mateo Salvini (origens na extrema-direita) continua a avançar no eleitorado do centro, com as intenções de voto já acima de 30%. A Forza Italia de Berlusconi, que teve 14% nas eleições de Março, está reduzida a metade. Nas eleições europeias veremos mais episódios do problema da direita conservadora: como lidar com o avanço dos populistas? Fazendo alianças ou mudando os temas de campanha?


13 comentários

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De Luís Lavoura a 05.09.2018 às 13:57

o problema da direita conservadora: como lidar com o avanço dos populistas?

Não é um problema exclusivamente da direita conservadora. Trata-se de um problema de todo o sistema político, quando um sistema dominado por dois grandes partidos se transforma num sistema com quatro partidos mais ou menos com a mesma força. Esse problema já hoje se observa em Espanha.

Fazendo alianças ou mudando os temas de campanha?

Ambos os métodos vão desembocar no mesmo - os objetivos da direita nacionalista são conseguidos, ou bem porque ela entra no governo fazendo parte de uma coligação, ou bem porque não entra mas os seus temas são adotados pelos partidos originariamente não-nacionalistas.

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