Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Um dos aspectos mais perturbadores de alguns testemunhos vistos nas televisões é o da incapacidade que temos para reconhecer a barbárie quando nos cruzamos com ela. Uma das pessoas referia que esperou uns momentos para ver se as balas eram a sério. Outra dizia que lhe parecia estar a assistir a um filme. Esta é simultaneamente a melhor homenagem que podemos fazer àquilo a que chamamos Ocidente e a nota que revela a nossa maior fragilidade. Há, certamente, violência nas nossas sociedades. Mas essa violência é marginal nas nossas vidas. Marginal no sentido que não toma conta do nosso dia-a-dia. Marginal no sentido de que a consideramos inadmissível. Em geral, para nós, "parisienses", a violência é a dos filmes. A dos filmes a que assistimos desde crianças e que os nossos pais, para nos sossegarem, nos diziam que era a fingir. Como eram a fingir os tiros que dávamos uns aos outros nas lutas de índios e cowboys com que entretínhamos as tardes dos Verões em que éramos meninos. Ou as pistolas de fulminantes que tu e eu tivemos ou as Nerfs que demos aos nossos filhos. Temos a felicidade (tivemos?) de viver num tempo e numa época em que a violência é (foi?) de tal forma distante e inofensiva que fizemos dela parte das nossas ficções e brincadeiras.É por isso que estamos tão indefesos quando ela nos rebenta à porta de casa. Não acreditamos, sequer, que seja possível. Viola não só as nossas regras, os nossos códigos, como, sobretudo, a nossa experiência de vida. Não é por acaso que alguns de nós só se apercebem da gravidade real da situação, ou melhor, da grave realidade que ela tem, quando constatamos, chocados, que hoje em Paris, por causa dos maus, nos fecharam a Disneylandia.


4 comentários

Imagem de perfil

De cristof a 14.11.2015 às 19:09

Talvez façam estes pensamentos. acordar os que não entendem o drama que milhões de iraquianos, sirios, afegãos vivem a dezenas de anos (agravados pelas invasões que os países ocidentais têm feito aos seus países), bem como o perigo e diferença que os refugiados têm em conviver com as kalasnikov e toda a fusilaria real; ao pé deles qualquer europeu é um pato pronto a depenar

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D