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Um dos aspectos mais perturbadores de alguns testemunhos vistos nas televisões é o da incapacidade que temos para reconhecer a barbárie quando nos cruzamos com ela. Uma das pessoas referia que esperou uns momentos para ver se as balas eram a sério. Outra dizia que lhe parecia estar a assistir a um filme. Esta é simultaneamente a melhor homenagem que podemos fazer àquilo a que chamamos Ocidente e a nota que revela a nossa maior fragilidade. Há, certamente, violência nas nossas sociedades. Mas essa violência é marginal nas nossas vidas. Marginal no sentido que não toma conta do nosso dia-a-dia. Marginal no sentido de que a consideramos inadmissível. Em geral, para nós, "parisienses", a violência é a dos filmes. A dos filmes a que assistimos desde crianças e que os nossos pais, para nos sossegarem, nos diziam que era a fingir. Como eram a fingir os tiros que dávamos uns aos outros nas lutas de índios e cowboys com que entretínhamos as tardes dos Verões em que éramos meninos. Ou as pistolas de fulminantes que tu e eu tivemos ou as Nerfs que demos aos nossos filhos. Temos a felicidade (tivemos?) de viver num tempo e numa época em que a violência é (foi?) de tal forma distante e inofensiva que fizemos dela parte das nossas ficções e brincadeiras.É por isso que estamos tão indefesos quando ela nos rebenta à porta de casa. Não acreditamos, sequer, que seja possível. Viola não só as nossas regras, os nossos códigos, como, sobretudo, a nossa experiência de vida. Não é por acaso que alguns de nós só se apercebem da gravidade real da situação, ou melhor, da grave realidade que ela tem, quando constatamos, chocados, que hoje em Paris, por causa dos maus, nos fecharam a Disneylandia.


4 comentários

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De lucklucky a 14.11.2015 às 17:44

A Democracia é um simulacro de violência. Você vota para escolher quem pode usar violência.

Infelizmente como qualquer burocracia a evoluir a Democracia é que cada vez mais totalitária pois tem mais leis e assim mais pretextos para usar a violência.
E cada vez mais leis existem para proibir e tirar à outra parte.

Por isso Democracia arrisca-se a destruir o simulacro e a violência será inevitável a prazo com ou sem Islamistas a chatear.
Enquanto o direito de secessão e/ou a objecção de consciência não forem reconhecidos.


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De Anónimo a 14.11.2015 às 18:20

Os maus estão lá, cá, em todo o lado. Os refugiados fogem dos maus e nós, não queremos acolhê-los porque dizemos que os maus, vêm infiltrados. Podem vir, mas não nos podemos esquecer que eles estão cá, bem infiltrados e que também os vêm cá buscar para os levar até eles, para que façam as maiores maldades que o homem pode fazer. Isto é real como pode ser real que os refugiados que já não têm espaço na terra deles porque não os deixam e chegam à Europa em busca da paz são tratados abaixo de cão. Imaginem esses mal tratados, chegarem ao extremo das suas faculdades o que poderá daí advir. O ser humano tem limites e quando se atinge o limite...
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De lucklucky a 14.11.2015 às 21:29

De repente o discurso do heroísmo da resistência à opressão deixou de existir.
Isto quando a grande maioria dos refugiados são homens e em idade para combater.

Espantoso quando a Esquerda não está interessada na resistência.
Agora temos o elogio do refugiado.

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De cristof a 14.11.2015 às 19:09

Talvez façam estes pensamentos. acordar os que não entendem o drama que milhões de iraquianos, sirios, afegãos vivem a dezenas de anos (agravados pelas invasões que os países ocidentais têm feito aos seus países), bem como o perigo e diferença que os refugiados têm em conviver com as kalasnikov e toda a fusilaria real; ao pé deles qualquer europeu é um pato pronto a depenar

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