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Delito de Opinião

O crime não compensa

Viragem histórica: fim da neutralidade na Finlândia e na Suécia

Pedro Correia, 12.05.22

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Dois Estados europeus puseram de parte a histórica neutralidade que cultivavam. Suécia e Finlândia assinaram acordos de defesa com o Governo britânico, levando Boris Johnson a viajar ontem a Copenhaga e Helsínquia para esse efeito. Passam a ficar sob a protecção do Reino Unido, potência nuclear e membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ninguém duvida: trata-se de uma etapa que antecede a próxima adesão daqueles países à Aliança Atlântica.

É uma consequência inevitável da agressão de Putin à Ucrânia, iniciada a 24 de Fevereiro sob a delirante alegação de que a Rússia estava a ser «cercada pela NATO». Acontece que a Ucrânia não é nem nunca foi membro desta organização. Se o paranóico tirano de Moscovo já sentia uma absurda sensação de cerco, imagine-se como será a partir de agora, com mais um país vizinho integrado na Aliança Atlântica: a Finlândia tem uma extensa fronteira de 1340 km com a Rússia e 900 mil reservistas prontos para serem mobillizados em caso de confronto militar.

Nada disto era sequer imaginável no início deste ano.

Em Fevereiro, uma sondagem divulgada pela televisão estatal finlandesa Yle revelava algo inédito. Havia enfim maioria de opiniões favoráveis à integração do país na NATO: 53% disseram que sim, 28% recusaram tal cenário. Em Março, a percentagem subiu para 62%, enquanto as recusas caíam para 16%. Agora, a diferença torna-se esmagadora: 76% dos interrogados pelo mesmo canal televisivo declaram-se a favor da adesão, com apenas 12% a rejeitá-la.

Eis outra «conquista» de Putin, que vai somando derrotas em todos os campos: político, militar, estratégico, diplomático, económico, financeiro, comunicacional, reputacional. No 78.º dia da agressão do Kremlin à martirizada Ucrânia, renova-se um antigo preceito moral: o crime não compensa. Mesmo quando é cometido ao som dos tambores de guerra. 

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