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O Corredor

por jpt, em 14.10.19

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Passou já um quarto de século! Em 1994 trabalhei uns meses na preparação das eleições na África do Sul, aquelas nas quais Mandela e o ANC ascenderam ao poder. Foi o histórico e esfuziante fim do apartheid. E para nós, estrangeiros, também sublinhava a época, essa da crença num futuro ainda assim melhor, o da imperfeição democrática, derrubados que haviam sido os fascismos sul-americanos e os comunismos europeus, chegados os BRICS asiáticos mais desempoeirados e abanadas as ditaduras africanas, naquilo do "ajustamento estrutural", não tão santo assim, mas isso só o viríamos a perceber depois ...

border (1).jpg

Integrei um pequeno grupo de observadores colocado no Cabo Oriental, num corredor a que então chamavam "Border", encastrado entre os bantustões Ciskei e Transkei, nominalmente independentes, um naco de terra fértil, coroado com a maravilhosa Hogsback, da qual se diz ter Tolkien retirado inspiração para criar o seu universo ficcional, e culminado com East London, rica cidade pois melhor porto índico do país. Entre o pequeno grupo de colegas logo a maioria se acomodou naquela plácida cidade, congregando-se numa até modorrenta sucessão de visitas às actividades pré-eleitorais decorridas nas suas imediatas ... imediações. E, sendo franco, pois tanto tempo já passado, na fruição das aprazíveis instalações de veraneio que East London tinha.

Nestas missões trabalha-se em pares. Tive a sorte de me ter calhado como parceiro um enérgico francês, vindo de uma missão de dois anos na guerra na Jugoslávia, na qual trabalhara para a Cruz Vermelha. D. e eu logo fizemos para nos baldarmos a esse remanso, tão desejado pelos tais colegas. Assim, e para contentamento de toda a equipa, ficámos encarregues de acompanhar o que se passava nas "townships" circundantes, e também no Ciskei e no sul do Transkei. As distâncias eram grandes, as jornadas decorriam em ritmo frenético. A experiência foi fabulosa.

Éramos jovens, bebíamos muito, dormíamos quase nada.  Deitávamo-nos tardíssimo, madrugávamos de noite, mata-bichávamos bifes tártaros, com o ovo cru, e partíamos no nosso pequeno VW Citi 1800, voando até, pois isentos de limites de velocidade por sermos observadores eleitorais. Lembro-me de dizer a D. ser ele o homem em quem mais confiava no mundo, pois adormecia no "lugar do morto" a mais de 180 kms/h naquele carrito. Pois se eu guiava depressa, ele fazia-o ainda mais. Assim, e sem exagero, "íamos a todas".

Assistíamos a reuniões políticas, era essa a nossa função, o de "mostrar a bandeira", a da U.E., nisso a todos confirmando estar a "comunidade internacional" presente, para assegurar uma eleição "livre e justa", sem incidentes nem violências. Foram centenas naqueles trepidantes três meses: vi Mandela no Ciskei, um dia maravilhoso, Mbeki e Ramaphosa, os dois anunciados vices, FW, Winnie - que mulher!, que carisma ... Holomisa, o homem do Transkei, e a queda de Gkozo, o homem do Ciskei (bloguei pequenas memórias disso aqui). E imensas outras, pequenas, de cariz local. A logística era sempre igual: na véspera sabíamos as reuniões (comícios ou afins - ninguém dizia "arruada" naquele tempo) previstas e seguíamos desde a madrugada. À chegada éramos aguardados por "comités locais de paz", gente de organizações não-governamentais que nos enquadravam, tanto para questões da nossa segurança como para nos servirem de intérpretes. Claro, nem sempre existiam esses "comités", mas sempre alguém nos acolhia.

Nessas manifestações as únicas verdadeiramente difíceis eram as do Pan-African Congress. Histórico movimento de resistência anti-colonos e anti-apartheid, o partido estava então submerso à enorme vaga Mandela/ANC, como os resultados eleitorais vieram a mostrar. Tratava-se de um partido m-l radicalizadíssimo, profundamente racista e, ainda que na época isso não fosse assunto de agenda, visceralmente homofóbico  - sob a tese muito espalhada de que a homossexualidade é excêntrica aos africanos, entenda-se pretos, e uma maleita dos brancos, a extirpar. Os seus comícios, nos quais nunca havia qualquer "comité" de acompanhamento, decorriam nas paupérrimas "townships" e nos tétricos "informal settlements", tinham sempre escassos participantes, estes nada amistosos, para não dizer mais, com os brancos estrangeiros que ali apareciam. O partido tinha dois motes muito peculiares: mantinha o cântico/slogan "one settler, one bullet", a convocatória ao assassinato de todos os brancos no território, o que nos fazia algo desconfortáveis, e defendia a mudança do nome do país para Azânia. Enfim, se visitar sozinhos essas paupérrimas áreas residenciais era já bastante enervante, tanto nos avisavam dos perigos que corríamos e nos desaconselhavam a fazê-lo, entrar naqueles comícios e enfrentar a rudeza dos aglomerados era algo custoso. Íamos, dávamos uma volta, mostrávamos que ali estávamos, calculávamos os participantes e outros itens requeridos para os relatórios, e logo partíamos, sempre bastante desconfortados. Para não dizer outra coisa.

Os meses passaram, as eleições correram, o PAC teve um resultado ínfimo. Mandela chegou ao poder. Após a contagem dos votos parti dali, fiz a Garden Route pela minha primeira vez e cheguei ao Cabo ainda a tempo de acompanhar o seu empossamento como Presidente da África do Sul. Glorioso momento.

Logo voltei a Portugal. Dois dias depois de chegar fui à universidade, pois estava então a fazer um mestrado e a preparar a minha partida para Moçambique para trabalho de campo, o qual adiara exactamente por causa desta missão. Logo no corredor de entrada encontrei um professor, homem conhecido e cidadão activista. De modo simpático, até enfático, dirigiu-se-me e disse "Flávio (que era o meu nome de escola), soube que estiveste na Azânia!". E lembro-me exactamente do que pensei: "Fogo, branco e homossexual eras o primeiro" (a ser abatido, entenda-se). Mas é óbvio que não lhe disse isso, para quê? Apenas lhe respondi "Não, estive na África do Sul ...". E segui à minha vida.

***

Partilho esta mera historieta, e já tão antiga, que me veio agora à memória. Decerto que pelos dias que correm e algumas pessoas que discorrem. Esta história não me serve de trampolim para tentar compreender a tão complexa África do Sul, nem fenómenos como Malema, as lutas de poder no país, o historial da propriedade fundiária ali ou nos países vizinhos, ou tantos outros assuntos, e muito menos para a decalcar para o resto do mundo. É mesmo só uma memória pessoal, talvez pouco significante. Mas partilho-a, agora, um quarto de século passado, porque me ocorre algo bem diverso: é óbvio que se podem tirar as pessoas do corredor. Mas a algumas pessoas não se lhes tira o corredor. Pois este é muito confortável.


11 comentários

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De Paulo Sousa a 14.10.2019 às 21:31

Adorei ler esta sua memória e lembrei-me de um pensamento antigo que ouvi relatar esta semana. Comparando com a actualidade o passado não era melhor mas tinha um futuro muito melhor do que o que temos hoje.
Ter vivido essa época na primeira linha terá sido um privilégio.
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De jpt a 15.10.2019 às 00:52

A frase é verdade. Mas julgo que se adequa a qualquer geração.
Foi mesmo.
Obrigado.
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De Antonio Vaz a 14.10.2019 às 22:17

«Fogo, branco e homossexual eras o primeiro" (a ser abatido, entenda-se).»
Quero confessar aqui a minha profunda admiração perante este seu imaculado - para não o classificar de elevado! - pensamento que até o levou a, «exactamente», como sublinha, utilizar o vocábulo "homossexual"... é que, sejamos sinceros, mesmo até Hoje, quase um quarto de século depois, só por um lirismo formalista, alguém ainda é capaz de raciocinar, quando toca a falar de "paneleiros", nesses termos "científicos"...
Do resto, é mais do mesmo: apenas uma das muitas habituais "impressões" de «jovens, (que) bebíamos muito, dormíamos quase nada. Deitávamo-nos tardíssimo, madrugávamos de noite, mata-bichávamos... et blá-blá-blá» "integrados" no habitual «pequeno grupo de observadores» da distante moralmente superior, Europa! Mas é claro que, por isso mesmo, o Pan-African Congress, na sua narrativa acaba por ser o mau-da-fita (a única dúvida que me ficou foi se era porque exigia que a África do Sul passasse a ser chamada de Azânia (http://www.702.co.za/articles/260287/why-the-pac-wants-south-africa-renamed-azania) ou se porque ele queria caçar os "homossexuais"; o herói, evidentemente só poderia ser o Mandela (esse "preto" que se absteve de mandar matar os "brancos", mesmo apesar de ter todas as razões humanas e históricas do seu lado - basta pensar como o Ocidente tratou os alemães e os japoneses... - para o fazer! E isto para não mencionar que eles, pelos vistos até nem aprenderam nada com isso: https://www.publico.pt/2008/11/22/jornal/pena-dura-para-crime-racista-na-africa-do-sul-285147). Os ausentes da sua narrativa são, convenientemente, os "pretos" que trabalharam para os brancos... o que, na sua lógica é algo de natural: "patrões" de outra tribo, nunca (https://en.wikipedia.org/wiki/Boipatong_massacre)!.
Numa coisa, definitivamente nunca poderei concordar consigo, ie, quando diz que «É mesmo só uma memória pessoal, talvez pouco significante»: não, ela é definitivamente muito mais «significante» do que a sua suposta ingenuidade quer transmitir!
Na verdade, ele é um perfeito testemunho de tudo o que se encontra de profundamente errado na relação, ainda hoje de superioridade colonial, da Europa com a África: a sua orientação política recorre às "exóticas" descobertas de 2 (para não falar das restantes dezenas de) jovens europeus, sedentos de aventuras e alienação, enviados como observadores para um país onde as suas complexidades exigiam muito mais!
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De jpt a 15.10.2019 às 00:47

António Vaz obrigado pelo comentário. Algumas coisas que diz levam o meu acordo, outras não.

1. A questão terminológica: não sei se V. é leitor habitual do DO e, se o for, se tem paciência para aturar os meus textos. Mas aqui fica a explicação para algo que lhe causou tamanho incómodo, e para o confirmar posso apelar à boa vontade de algum leitor mais habitual: eu já aqui várias vezes referi o facto de que a minha filha (secundada pela minha irmã) me compeliu a que deixasse de escrever palavrões nos blogs (e no FB). Certo que muito raramente deixo escapar algum, nestas catacumbas de comentários, mas estou esperançado que elas aqui não venham. Assim quando digo que pensei "exactamente" estou a tornear a consagrada velha denominação, que era reinante na minha geração (e nas prévias) naqueles recuados tempos. Claro que os visitantes mais piedosos do DO (e do meu blog) percebem de imediato. Mas também penso que aqueles que não sabem desses meus constrangimentos não ficarão muito ofendidos com a minha pequena escapadela ao real, a mudança da palavra que pensei há 25 anos, e não julgo que isso seja uma verdadeira traição ao que narro. Mas ainda assim muito lamento o incómodo que lhe causei por ter utilizado o termo "homossexual".

2. As "dezenas de" "jovens europeus, sedentos de aventuras e alienação, enviados como observadores para um país onde as suas complexidades exigiam muito mais". Eu não elaborarei muito sobre a sua concepção de que ter um trabalho para fazer e procurar fazê-lo bem é "alienação". Pode ser, concedo. Mas pode não o ser - depende do trabalho, dos seus objectivos e depende das condições da sua realização. Mas duas coisas direi: a) eu falei de duas pessoas, eu com 30 anos, D. com 32 anos Éramos jovens, mas tínhamos idade para trabalhar, parece-me aceitável. As missões não eram constituídas por "dezenas de jovens". Para exemplo, o meu primeiro grupo - a que aludo - era de 8 pessoas, 4 sub-40, 4 acima dos 40. O primeiro chefe de equipa era um espqnhol de 50 e tal anos, o posterior um escocês sexagenário. Ou seja, eu falo de duas pessoas e você tem que extrapolar para um universo global. b) você não sabe o que é uma missão de observação eleitoral. Pode-se discutir se são ou não pertinentes e se têm ou não resultados positivos, mas isso é outra coisa. Mas para uma missão de observação eleitoral os observadores de terreno não têm que ter um grande conhecimento das complexidades do país. Trata-se não da sua opinião mas sim dos termos de referência do trabalho. Você está a disparar mas não conhece o alvo ...

3. "exóticas descobertas": o que é isso do exótico? Estar encantado com um processo, estar sobre-aquecido com um contexto, é obrigatoriamente causador de uma apreensão do "exótico"? Ou "exótico" é só o olhar do tipo com o qual nós não concordamos? Ok, qualquer manual de póscolonialismo ou de orientalismo dispara que o branco exoticiza quando vai fora de portas (da fortaleza Europa). É essa a acusação? Passo. É óbvio que gente que conhece melhor um terreno (qualquer que seja) poderá afastar-se de visões encantadas de forma mais célere do que gente que acaba de chegar. Mas de facto isso não é a maioria dos casos, depende muito mais do conteúdo intelectual prévio de cada um.
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De jpt a 15.10.2019 às 00:47

4. Passei 18 anos na vizinhança próxima da Africa do Sul. Visitei-a dezenas de vezes, conheci e falei com imensa gente, nacional ou estrangeira que lá vivia ou vive, tenho amigos e colegas que lá estudaram anos, li extensamente sobre o pais, leio diariamente a imprensa sul-africana, para além da tv, dos filmes, da música. É óbvio que o meu olhar sobre o país é muito diferente do que o que tinha em 1994 (faça-me o favor de não me ensinar a África do Sul através da wikipedia. Ou por outras palavras, ainda que incomodando-o com a minha parcimónia, não me lixe).Mas isso não muda duas coisas que você ignora neste seu 2019: a maioria da população queria uma transição pacífica (o que se associa a algo a que os alienados, jovens ou não, entendem: a paz como valor não instrumental); e a segunda, que pode parece minudência mas que desvaloriza muito do que você diz, é que a missão de observação a que eu aludi foi uma entre muitas, nem todas dependentes do que você chama "relação colonial" (isso é uma falácia, não há relação colonial, é uma metáfora pobre que elide as diferentes configurações actuais. Para resumir, não se vive Colonialismo, vive-se Capitalismo, o que é diferente. Sei que muitos gostam de lhe chamar colonialismo, para poder continuar no mesmo tipo de explicação causal culpabilizadora, mas não é competente). Lá e então, como noutros locais, houve missões multilaterais africanas (SADC?, a então OUA?, igrejas, ong´s), nacionais, multilaterais internacionais (ONU, UE, etc) ong's variadas. Não é assim tão fácil resumir e pontapear o que não se conhece. Ou elogiar o que não se conhece - e é apenas isto que o blablabla que botei acime refere. Você chama alienação à prática "juvenil" (ainda que adulta), "aventureira" (eu digo esforçada), "exotizadora" (eu digo encantada), à atitude que subjaz essas práticas. E eu chamo alienação ao botar o que parece porreiro às causas próprias só porque sim. Com mais wikipedia agora e menos naquele tempo pré-internet. O tal corredor, de que fala o texto.

5. Não falei sobre pretos? A sério? Ai, ai. Não eram o meu assunto, já agora.
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De André Miguel a 15.10.2019 às 09:07

Caro Jpt, elogio sua paciência em dar troco a quem nunca pisou um país africano e cujo unico argumento é a wikipedia...
Quanto ao texto: delicioso. Adorei ler.
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De jpt a 15.10.2019 às 10:47

Agradecido fico pela gentileza
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De Justiniano a 15.10.2019 às 08:28

O António Vaz fez o pleno!! Não deixou de fora nenhum estribilho estafado, cantou-os todos, valente!! Vence brinde!!
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De Cristina Filipe Nogueira a 15.10.2019 às 13:11

Parabéns pelo post, que me faz ficar “verde de inveja” desse discurso na primeira pessoa sobre um momento único na história moderna.
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De jpt a 16.10.2019 às 21:05

O Sportinguismo, mesmo que apenas invejoso, é sempre de saudar
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De Cristina Filipe Nogueira a 16.10.2019 às 22:40

É um verde avermelhado!!!
:)

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