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O corpo de bailarinos de Madonna

por Diogo Noivo, em 05.07.18

madonna-dancers-02-800.jpg

 

Fernando Medina esteve bem ao facilitar estacionamento para a frota automóvel de Madonna porque, segundo se lê nas redes sociais de alguns comentadores, uma publicação da artista no Instagram faz mais pela cidade em receitas e em reputação do que mil estrangeiros anónimos que venham para cá viver. Descontando o deslumbramento patego subjacente à ideia, que institui como desejável a criação de gente de primeira e de segunda perante o Estado (o Poder Local também é Estado), o curioso é que o essencial do assunto permanece ausente do debate.

Graças ao INE, soubemos esta semana que quem anda de transportes públicos demora o dobro do tempo do que quem vai de carro ou mota. Se a isto juntarmos os atrasos constantes nos transportes públicos, o aumento do preço dos títulos de transporte, a sobrelotação, a supressão de comboios, a degradação do equipamento circulante, e os tempos de espera absurdos no Metro não surpreende que o automóvel seja o principal meio de transporte dos residentes nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. É a prova da absoluta ineficiência, se não mesmo da inutilidade, dos transportes públicos, cuja missão é também a de reduzir a entrada de veículos particulares nas cidades.

Em Lisboa, a situação deverá piorar. Uma vez que o preço dos imóveis torna proibitivo residir na cidade, mais gente morará nas periferias e, consequentemente, maior pressão sobre os transportes públicos e mais viaturas particulares a entrar e sair do centro urbano diariamente. Com este cenário, nem com um silo de estacionamento por bairro teremos lugares suficientes. 

No entanto, calva de ideias e grávida de certezas, parte da intelectualidade pública que se desdobra em intervenções nos jornais, nas rádios e nas televisões prefere abordar o assunto dançando à volta de Madonna, dando colo ao autarca de Lisboa, defendendo o indefensável, e perdendo-se em argumentos que ignoram olimpicamente o cidadão comum. A culpa não é de Madonna.

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31 comentários

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De O Gajo a 05.07.2018 às 10:10

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De Luís Lavoura a 05.07.2018 às 10:18

o deslumbramento patego subjacente à ideia, que institui como desejável a criação de gente de primeira e de segunda perante o Estado

Essa criação foi feita pelo governo anterior ao instituir os vistos gold. Funciona assim: se compras em Portugal uma casa de mais de meio milhão de euros, és gente de primeira, tens direito a visto gratuito e perpétuo; se compras uma casa de menos do que esse valor, és gente de segunda, tens que encomendar um visto de cada vez que quiseres ir à tua casa em Portugal.
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De O Gajo a 05.07.2018 às 10:36

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De Sarin a 05.07.2018 às 17:22

E enlatado em transportes públicos também se é de segunda. Os de terceira viajam pelo seu próprio meio e não são ressarcidos pela falta de alternativas.
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De Luís Lavoura a 06.07.2018 às 09:19

Os únicos transportes públicos portugueses em que hoje em dia se anda enlatado são os aviões (em classe turística). De resto, atualmente os transportes públicos estão bastante desafogados. Pelo menos para quem se habituou a andar neles há 50 anos, como eu; nessa época sim, andava-se verdadeiramente apertado.
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De Sarin a 06.07.2018 às 10:06

Pois, Luís, não sei... sou cidadã de terceira: trabalho em freguesias onde só passam os autocarros das escolas...
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De Luís Lavoura a 05.07.2018 às 10:20

defendendo o indefensável

O que é indefensável, neste caso? Confesso que não vejo o que seja indefensável.
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De Luís Lavoura a 05.07.2018 às 10:29

facilitar estacionamento

Não me parece que "facilitar" seja o termo adequado para um aluguer.

Madonna alugou estacionamento, segundo li algures para 15 automóveis, ao ar livre, por 720 euros mensais. Dá 50 euros por automóvel e por mês, que é um preço um bocado em conta mas não de todo irrazoável (para um estacionamento ao ar livre). Em todo o caso, não é de todo uma facilitação. Não creio que haja muitas pessoas dispostas a pagar o mesmo por um estacionamento.
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De kika a 05.07.2018 às 11:51

Lisboa a transformar-se a passos largos
no dance floor da Madonna. Em New York tem problemas com
os vizinhos porque não se deixam intimidar com os milhões de dólares
da criatura. Aqui é a rainha (?) da pop ou a rainha do playback ?
Uma estrela com pouco brilho mas os portugueses acreditam que escolheu
o nosso país por adorar Lisboa, quando afinal o que ela adora é não pagar
impostos, estacionamento e um monte de coisas que ainda não sabemos ,
a troco de umas fotos pirosas entre as quais uma particularmente ridícula a dançar ao som do fado.
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De Anónimo a 05.07.2018 às 11:59

Luís Lavoura, faça o obséquio de contemplar o balão...


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De Anónimo a 05.07.2018 às 13:55

Agradeçam à Assunção Cristas, vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, pela lei das rendas.
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De Anónimo a 05.07.2018 às 13:58

A questão que se põe é: porque motivo foi atribuído um visto de residência a Madonna? Ela não trabalha em Portugal pelo que apenas pode visitar o país como turista e durante três meses. Porque é que Madonna tem estes privilégios todos?
Se Madonna fosse pobre e não fosse branca já estava tudo a destilar ódio contra ela. A hipocrisia dos xenófobos não tem limites.
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De kika a 05.07.2018 às 15:00

Na minha modesta opinião a razão é as centenas de milhões de alguns
independentemente da cor. Somos um país fascinado por dinheiro e o caricato da
coisa e que estão todos de acordo para que essa gente pague o menos possível
ou seja: menos que os pobres deste país. Um país pobre mas cheio de Madonnas e outros Santos e estes últimos longe de serem brancos. Nada de discriminação... até os amarelos são privilegiados. Só o cidadão comum paga
este desgoverno " Gold" .
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De Luís Lavoura a 05.07.2018 às 16:29

porque motivo foi atribuído um visto de residência a Madonna?

Porque há um programa de vistos gold. A Madonna "investiu" (isto é: comprou uma casa) em Portugal mais de meio milhão de euros, logo, tem direito a um visto. É automático. É simples. Ela é uma cidadã de primeira.
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De Anónimo a 05.07.2018 às 17:17

Já os imigrantes que querem investir em Portugal com a sua força de trabalho não têm esse mesmo direito.
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De Sarin a 05.07.2018 às 14:50

E andava eu a atribuir a Cavaco Silva os louros pelo investimento em betão e desinvestimento em transportes públicos, não apenas pelo desapego com que o fez mas também pela insistência com que fez escola, e afinal tenho que os entregar a quem se manifesta contra este fumo em volta de Sérgio Azevedo y sus muchachos... Apetece cantar Papa don't (bitch, go) preach (elsewhere).
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De O Gajo a 05.07.2018 às 15:53

https://www.google.pt/amp/s/www.publico.pt/2018/06/27/politica/noticia/deputado-sergio-azevedo-nao-vejo-motivo-para-abandonar-o-parlamento-nem-arguido-sou-1836081/amp

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De Sarin a 05.07.2018 às 16:58

Concordo com o moço.
Uma coisa são as suspeitas e o falatório, outra a culpabilidade.

A CS deve escrutinar, ser contra-poder; quem o pode exercer é a Justiça e a AR...

Como aos outros, aguardo para ver. Eu própria, se alvo de suspeita por parte de outras autoridades que não a CS, me suspenderia se as suspeitas se prendessem com irregularidades no exercício das minhas funções, públicas ou privadas; mas há visões distintas, e inocente até prova em contrário.
E, nestas coisas, também sei como funcionam contra-informação e denúncias aleatórias ou anónimas - e não recordo ter lido como chegou a PJ a tal suspeita.

Agora, que o zunzum sobre o estacionamento da outra é manobra distractiva, não duvido nem um minuto.
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De O Gajo a 05.07.2018 às 17:23

Eu se um dia for alvo de suspeita declaro-me logo culpado. Sai mais barato....
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De Sarin a 05.07.2018 às 19:19



E passado um período razoável pode recandidatar-se...
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De Sarin a 05.07.2018 às 15:06

Os transportes públicos merecem vários postais.
Quero dizer, não os transportes, mas as gentes que sem eles vivem.
Parte do que o Diogo escreve constitui um bom postal sobre o tema.

Só acho lamentável que, nesta matéria, se fale tanto na deterioração dos transportes nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto... o resto do país tem betão. Deteriorado em muitos pontos, já agora mas não de agora.

Freguesias inteiras sem transportes públicos, os médicos forçados a renovar a carta a octogenários e nonagenários - sempre com limites de velocidade e raio de acção igual à distância à sede de freguesia.
Mas os coitados das metrópoles é que choram a má qualidade dos transportes públicos onde andam com passes pagos também pelos impostos de todos.

Mobilidade, Transportes, Ambiente, Ordenamento... pano para mangas.
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De Luís Lavoura a 05.07.2018 às 15:19

os coitados das metrópoles é que choram a má qualidade dos transportes públicos onde andam com passes pagos também pelos impostos de todos

Ora bem, muito bem falado, Sarin.
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De Sarin a 05.07.2018 às 17:13

Por falar em cidadãos de primeira e de segunda...

... esquecem-se sempre dos de terceira.
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De Sarin a 05.07.2018 às 17:18

E é ouvi-los cantar like Virgins sobre desertificação do interior e fogos e descentralização.

De terceira são afinal não os cidadãos fora das metrópoles mas os que assim cantam. E que apenas os seus males espantam fazendo-os de outros.
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De O Gajo a 05.07.2018 às 15:52

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