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O convidado de Obama no Fourth of July

por Alexandre Guerra, em 04.07.16

obama-kendrick.jpg

 Barack Obama e Kendrick Lamar na Sala Oval, em Janeiro último

 

Barack Obama convidou o rapper Kendrick Lamar para actuar hoje nas celebrações do Fourth of July, naquele que será o seu último Dia da Independência enquanto Presidente dos Estados Unidos. Mais do que qualquer outro dos seus antecessores, Obama cultivou desde o início do primeiro mandato uma relação muito forte com artistas e músicos da área do hip hop e do rap. Em parte, acredito que tenha a ver com os seus próprios gostos pessoais (sim, Obama é um gajo verdadeiramente "cool"), mas não podemos deixar de ter também em consideração a componente política inerente à promixidade de Obama a músicos como Kanye West, Beyoncé ou Jay Z. Além de músicos excepcionais (e eu admiro bastante o trabalho de Kanye West, sobretudo a trilogia dedicada às questões do ensino e da estratificação social nos EUA), são vozes activas que amplificam os ânseios, os receios, as frustrações, os problemas, as esperanças, os sonhos de uma vasta faixa populacional urbana, um eleitorado mais jovem (e menos jovem) e que é sempre tão difícil de mobilizar.

 

Estes músicos aqui referidos, assim como muitos outros, têm evoluído e amadurecendo a sua visão que têm da sociedade e isso também se vai reflectindo nos seus trabalhos e na forma como intervêm social e politicamente. Beyoncé parece ser um bom exemplo desse processo, já que o seu último álbum, Lemonade (do qual só escutei umas faixas, mas que espero comprar), é, segundo os especialistas, o seu melhor trabalho, quer ao nível artístico, quer na mensagem que transmite, de forte cariz social, nomeadamente em matéria de questões raciais. A sua portentosa e polémica actuação no intervalo do Super Bowl, em Fevereiro último, com a apresentação do incendiário single "Formation", dava o mote político para o Lemonade, que viria ser aclamado pela crítica.

 

A estas vozes interventivas na cena do rap e do hip hop americano, houve uma que se juntou no ano passado, vinda do Compton, e que se chama, precisamente, Kendrick Lamar e que já aqui, no Delito, falei sobre ele. Na altura já tinha comprado, mas ainda não tinha ouvido o "To Pimp a Butterfly", embora toda a crítica já o tivesse (e com razão) considerado um dos melhores álbuns de 2015, um autêntico manifesto social, cultural e político, assinado por um rapper de 29 anos e que hoje é convidado de Obama. Já em Dezembro, o Presidente disse que a música "How Much a Dollar Cost", uma das faixas do álbum, era a sua preferida de 2015. Uma opinião muito acertada em termos musicais e politicamente muito inteligente, porque Lamar não deixou Obama isento de críticas no seu álbum, referindo que este poderia ter feito mais na defesa dos interesses dos afro-americanos. O que é efectivamente verdade e Obama deverá ter consciência disso. E ao convidar Lamar, hoje, para as celebrações da mais importante data dos Estados Unidos, Obama acaba por validar a mensagem dura e crua que se pode ouvir no "To Pimp a Butterfly", que, aliás, recomendo aos leitores deste blogue.  


4 comentários

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De lucklucky a 05.07.2016 às 00:13

Como é obvio fechado no casulo do jornalismo marxista temos este texto fundamentalmente a reforçar a cultura da exploração racial da esquerda americana. É significativo ver um texto a apoiar o racialismo.

A capa de um dos discos de Kendrick Lamar é de um juiz branco assassinado por pretos.

Por muito menos aqui no Delito se chama xenofóbico. Mudamos as raças e este seria um texto racista.

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De Alexandre Guerra a 05.07.2016 às 13:49

Caro (ou cara) Lucklucky,

embora não esteja dotado de inteligência suficiente para compreender o seu complexo e sofisticado raciocínio, apenas posso novamente sugerir que vá ouvir o álbum e depois, se quiser, partilhe a sua opinião aqui neste espaço.

Obrigado

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De lucklucky a 06.07.2016 às 02:48

Como eu disse mude a raça dos personagens. Veja como fica.
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De Alexandre Guerra a 06.07.2016 às 13:15

Caro leitor(a), confesso que continuo sem perceber bem o seu argumento da "raça" ou seja ele qual for, mas, continuo a desconfiar que não ouviu o álbum. E, sinceramente, terei todo o gosto em publicar a sua "crítica" musical.

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