Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O comentário da semana

por Pedro Correia, em 19.02.18

 

«A questão económica é fundamental na equação. Porque o ambiente é bem comum, mas se todos assumimos as perdas ambientais das catástrofes, no que às florestas (e campos agrícolas) toca, só os proprietários arcam com os custos de conservação e manutenção.

Restringindo à floresta uma matéria que é extensível à agricultura e aos recursos hídricos, a economia ambiental está 200 anos atrasada na Terra e 20 anos em Portugal. Urge discutir esta matéria. Porque a madeira é apenas UM bem produzido mas é O bem transaccionado, com a biomassa a começar a ser valorizada na fileira da celulose e como combustível noutras fileiras.

 

FOREST-101[1].jpg


A responsabilidade pela manutenção da biodiversidade e da estrutura do solo, pela produção de oxigénio e pela preservação da paisagem e do microclima passa pelas florestas. Os tais "bens comuns". O indivíduo não tem que pagar o oxigénio que respira - mas talvez deva pagar a sua renovação quando adquire um objecto, um processo que o afecta (já nos tiram dinheiro para isso em alguns). Não ao Estado, mas ao produtor que garante essa renovação, essa manutenção - incluindo o próprio Estado. Mas o mercado de carbono ainda se resume a Estados ricos comprarem quotas a Estados pobres para que as suas indústrias continuem a poluir acima dos limites acordados.

Assim como a paisagem. Passeamos livremente por campos e florestas - umas tratadas, outras abandonadas a si mesmas ou ao que as queira devorar. Não pedimos licença tal como não pagamos o privilégio. Mas choramos o fogo, crucificamos quem não trata, não ordena, não protege, num jogo do empurra entre o Estado e os produtores.

E ainda se queixa a sociedade ingrata pelos (parcos) subsídios atribuídos ao sector - que não necessariamente ao produtor. Sem esses, e graças à ausência de política ambiental, teríamos provavelmente os mesmos fogos, mas teríamos muito provavelmente mais área ardida e certamente menos gente a conseguir extrair rendimento da floresta.

Não precisamos de subsídios para ter floresta. Não precisamos de investimento crescente no combate aos incêndios, investimento que nunca é suficiente e que não é claro por onde circula.
Precisamos "apenas" de valorizar a floresta enquadrando-a numa política ambiental desmaterializada.»

 

Da nossa leitora Sarin. A propósito deste texto da Sofia Gonçalves.

Autoria e outros dados (tags, etc)


20 comentários

Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 19.02.2018 às 09:21

Não fiquei surpreendido com ma escolha deste comentário para Comentário da Semana - se fosse eu a escolher, tê-lo-ia escolhido também.
O que me surpreendeu foi saber que Sarin é apelido de mulher, pois tinha-o tomado por apelido de homem. Não foi, o que se costuma dizer, uma agradável surpresa, mas foi uma surpresa grande.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 19.02.2018 às 13:12

Não as fazia capazes de pensamentos à homem?
Sem imagem de perfil

De Sarin a 19.02.2018 às 13:53

Tenha tento na escrita, ou ainda o massacram com essa do "pensamentos à homem" - expressão que sempre associei a traseiras de ginásios, cigarros surripiados e conversas imaturas pejadas de palavras velhas como Bocage :)
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 19.02.2018 às 15:11

Sarina, a maioria das mulheres tem uma tendência extraordinária para escolher as bestas "mais homens" ....não sei se serão resíduos genéticos, dos tempos de carne crua e caverna, que as inclinam, subliminarmente, para o macho cão de guarda. Quanto maior a moca e o berro maior lhe parece o descanso
Sem imagem de perfil

De Sarin a 19.02.2018 às 20:24

Mas não, meu caro, a associação é feita não por memórias vividas mas por memórias observadas :)
Não escolho pelo tamanho da moca mas da sensibilidade, e quanto ao berro, sou mais do verbo... nasci para contrariar :D
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 19.02.2018 às 21:41

Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 19.02.2018 às 14:37

Bem observado, Vlad, o tal. Mas, a verdade, é que não sei o porquê desse meu convencimento. Será porque Varin não está longe de varão? Será porque raramente se encontram mulheres interessadas no tema? Não sei. O que sei é Sarim mulher me surpreendeu. Pela positiva, diga-se.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 19.02.2018 às 15:12

Tiro, desconfio que já destratou o seu elogio, num insulto...."pobre" Sarina
Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 19.02.2018 às 21:00

Vlad, o provocador, não me meta em sarilhos, nem brinque com os meus lapsos: longe de mim querer ofender a Sarin. O respeitinho é muito bonito...
Sem imagem de perfil

De Sarin a 19.02.2018 às 14:03

Num texto geralmente só percebo um pouco da personalidade - até o género se torna difícil, porque se a Língua Portuguesa os distingue, muitos portugueses não distinguem a Língua com bons tratos.
Não é o caso de Tiro, e embora eu, por questão de hábito adquirido noutros fóruns, tente manter um texto pessoal usando termos indiferenciados, de quando em vez lá sai uma frase onde as palavras são do género feminino - e pensei que Tiro as tivesse lido, até porque algumas lhe foram dirigidas :)

Impossível não lhe perguntar: porquê a surpresa?
Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 19.02.2018 às 18:44

Tem razão, só agora reparei que escreveu pelo menos uma palavra no feminino.
Seja por causa do tema, ou porque Sarin me pareceu "nome" do sexo masculino, estava convencido que estava a corresponder-me com um homem e daí a minha surpresa quando constatei que, afinal, Sarin é mulher. E foi só isso.
Resta-me desejar-lhe que seja Sarin por muitos e longos anos.
Sem imagem de perfil

De Sarin a 19.02.2018 às 20:46

Obrigada, e que nós por cá todos bem.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 19.02.2018 às 09:39

Apoio a projetos de investimento de florestação, de exploração florestal, de aproveitamento da biomassa ou subprodutos florestais e de limpeza das florestas, quer na criação quer de modernização de empresas do setor.

http://www.licentivos.pt/pt/candidatura-incentivos-agricultura-e-floresta-qren-portugal2020-licentivos/
Sem imagem de perfil

De Sarin a 19.02.2018 às 14:11

Apoios que são fundamentais mas que nunca entraram em Portugal no âmbito de uma política ampla, concertada, pensada, assumida.
"Dá-se" porque é notória a necessidade de investimento; mas, à laia das pescas ou da agricultura desde os primórdios de um Portugal Europeu, estratégia nacional: zero.

Como dizia "alguém", haja cabecinha, dinheiro não tem faltado.
Sem imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 19.02.2018 às 19:40

Haja cabeça...
Muito me apraz ler o que escreve. Concordando ou não , é sempre de muito boa leitura. Muita lógica e pouca demagogia.
Sem imagem de perfil

De Sarin a 19.02.2018 às 20:33

Muito obrigada, Maria Dulce. O apreço é mútuo.
Sem imagem de perfil

De Cinza em brasa a 21.02.2018 às 02:50

Longe de mim querer entrar à colacção de um Emborcador, quanto mais d'O, caro Vlad. Mas já estou a fazê-lo, pois ando em vias de escrever um artigo que vai tocar nesse ponto - dentro do contexto específico daquilo que, neste momento, são as opções à disposição dos pequenos proprietários florestais (que são literalmente, devido a séculos de partilhas hereditárias, mais que as mães!), nomeadamente aqueles atingidos este ano pelos fogos e que viram a sua produção de 20, 30, 40 e/ou 50 anos desaparecer em 12 horas. Lembro-me que passam 8 (oito) meses e 3 dias sobre a calamidade (sinto que tragédia não faz juz) do dia 17 de Junho e ainda 4 (quatro) meses e 6 dias sobre a calamidade ainda maior do dia 15 de Outubro (e que me toca pessoalmente, ainda que eu não seja titular de nada mais que um carro que escapou incólume).

Cingindo-me, por ora, aos apoios "2020":

Existem muitas incongruências formais nos processos de candidatura a estes apoios que fazem deles, na práctica, inócuos para os pequenos empresários do sector que tenham que se valer dos mesmos.

Apenas a título de exemplo(s):

Sociedade de proprietários de terrenos agro-florestais dedicada à sua gestão e exploração, dotada de meios (máquinas, alfaias, etc) próprios operador(es) para as mesmas contratados sem termo, candidata um projecto a financiamento ao abrigo dos apoios referidos acima;

Para cada operação constante do projecto, tem de apresentar 3 orçamentos de empresas terceiras tanto para materiais como para prestação dos serviços que ela própria está capacitada a executar.

Estes orçamentos serão comparados pelo IFAP à Tabela de Valores Médios de Mercado (não asseguro que é este o título da tabela, mas parece-me ser suficientemente explicativo do seu conteúdo) para as mesmas operações.

O produto dos dois pontos anteriores, define uma percentagem de financiamento _até_ 75% para cada operação.

Avança com o projecto, o financiamento é dado contra-facturas de empresas sub-contratadas para a execução do mesmo e, portanto, não pode executar o projecto com os meios de que já dispõe nem vê incentivo a investir nos que não tenha...


As minhas antecipadas desculpas por esta parede erguida por um descrente nas instituições junto ao seu, por bem intencionado, louvável comentário. Posso (valha o que vale), noentanto, garantir-lhe que eu também não fiz por mal!
Sem imagem de perfil

De Sarin a 19.02.2018 às 14:21

Obrigada pelo destaque, Pedro.
Espero que estes comentários de alguma forma contribuam para uma discussão que se quer alargada, e que promovam uma mudança na abordagem das matérias por quem de direito.
Não necessariamente de acordo com uma ou outra linha específica, mas uma mudança que pense todas as possibilidades e opte pelas mais viáveis.

Mais uma vez, obrigada. Se não agradeci antes, chamemos-lhe desatenção porque o foi :)
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 19.02.2018 às 19:49

A associação que eu faço a Sarin não é muito positiva pois que é o nome de um gás venenoso mortal. Arripio-me quando ouço ou leio essa palavra.
Sem imagem de perfil

De Sarin a 19.02.2018 às 21:01

"O que há num nome?"

Cada um arrepia caminho como quer entre as dores que sente. Que os seus arrepios sejam esses é o que me arrepia.

Comentar post



O nosso livro





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D