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Delito de Opinião

O comentário da semana

Pedro Correia, 12.11.17

«Assertivo e com ele me identifico, ou não fosse o Cântico Negro o meu guião de vida.
A sociedade actual vive para a crítica severa e imediata, condenando quem opina, o que é diferente de opinar de forma diversa. Por vezes, depois de remoer o texto, também eu opino condenando, apenas quando a crítica é pessoal e não encontro algo que a justifique. Acredito que soe a vingança, mas é sobretudo alertar para que o autor do texto repense o mesmo e o esclareça. Não creio que alguma vez o tenha feito consigo, pelo que esta parte lhe seja estranha.
Declaração de interesses: não votei em Bruno de Carvalho. Mas olho para a forma como a imprensa o trata, transformando-o no maior saco de pancada de que há memória, e pergunto-me: Já pensaram se fossem vocês a ver exposta a vida privada e a pública, sempre com comentários negativos, como reagiriam?
"Todos falam dos rios que correm que são violentos, mas ninguém nota nas margens que os comprimem." Velha frase sempre actual.
Estarão as pessoas disponíveis para ler, e ler com atenção? A avaliar pela forma como respondem ao que o outro diz, não. Opinam ou vomitam a primeira imagem que o espelho lhes reflecte? Debatem ideias? Talvez não as tenham e, por isso, o comentário fácil, quantas vezes ofensivo.
Diferente é ter opinião diferente, o que só enriquece a opinião de todos, acabando com uma visão monolítica da coisa, e oferecendo algo mais próxima da inatingível verdade. Isso não significa desrespeito pela opinião do autor do texto, antes oferece uma outra visão da coisa. Infelizmente há muitos autores que não gostam que alguém opine de forma diferente, como se ter uma visão diferente significasse a recusa da sua opinião ou fosse ofensivo.
Permanentemente insatisfeito com o politicamente correcto, "sempre que me dizem para ir por ali, ergo-me e digo não, não vou por aí".
Obrigado, pensava que estava só.»

 

Do nosso leitor Orlando Teixeira. A propósito deste texto da Patrícia Reis.

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