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Delito de Opinião

O comentário da semana

Pedro Correia, 29.11.15

«Eu diria que um blogue é - é também - um porto de abrigo.

Será um local de debate e de confronto de ideias, confronto desejavelmente civilizado (mesmo que firme). O que, admita-se, nem sempre é conseguido. E se há zelotas que rejeitam qualquer desvio ao que tomam como a linha do "seu" blogue, mesmo ou sobretudo que nele simples comentadores, há também os que por lá passam, apenas e sistematicamente para discordar. Discordar de tudo, da mais reflectida análise de uma questão política, económica, social, o que seja. Até mesmo de uma opção estética (feminina ou outra).

Discordar porque sim, amiúde, sem preocupação de especial fundamentação ou refugiando-se numa subjectividade que tanto legitima, afinal, a sua opinião como a do autor ou comentador tão pressurosa e vivamente criticado. Há quem escreva, num blogue, em desvio da perspectiva nele dominante (o que dentro da civilidade está muito bem) e há quem nele comente, uma e outra e outra vez, sabendo de antemão que vai colidir - e frequentemente colidir de forma grosseira, de forma e conteúdo - com essa perspectiva dominante. Fazendo-o, dir-se-ia, de forma deliberadamente provocadora e sem outra perspectiva que não perturbar.

Porque um blogue é também um porto de abrigo. Onde procuramos quem pense como (ou perto de) nós. O que, sendo um blogue coisa privada, é absolutamente legítimo. E nada há nisso que encerre a nulidade, o pejorativo, de "falar sozinho" ou "nada ter a comentar". É tão natural debater ideias diversas, como o é procurar a partilha e consolidação de ideias comuns.

Ou não haveria blogues de esquerda e blogues de direita, creio (a permanecer agarrados a tal critério). Sendo que ser de um ou outro desses lados não encerra por si e sem mais a virtude e a razão. E de esquerda ou de direita, não há felizmente blogues de regime, de frequência obrigatória. Só os frequenta quem quer; só neles comenta e escreve quem quer. E tenha algo de útil (pelo menos que sinceramente lhe pareça) a escrever.

Ou assim deveria ser.»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste texto do José António Abreu.

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