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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 27.09.15

paura dell'ignoto[1].jpg

 

«O medo é a sensação mais básica de todas. Viver o terror, soma de todos os medos, fruto do horror, do desespero e do caos manieta qualquer reacção e o primeiro impulso é fugir. É instintivo.
Um mito (ou não) sobejamente conhecido é o dos lemmings, que durante as suas migrações destruiriam tudo à sua passagem, cometendo no fim suicídio em massa, levando de arrasto consigo tudo e quem lhes obstruísse o passo no caminho da perdição.
Temo que a horda nos empurre inexoravelmente para um abismo com proporções bem mais negras do que este em que vivemos. Não sou desumana nem indiferente ao que se está a passar a leste, mas conheço tanta gente aqui, ali, ao virar da esquina, refugiados na indignidade a que a vida os votou, sem saber como ultrapassar as barreiras farpadas da humilhação, da vergonha da fome e da tristeza, da incerteza do porvir. Não fazem manchetes, não abrem jornais televisivos, não contam. São os danos colaterais de um laboratório de sucessivas experiências políticas falhadas. São o demérito de todos nós, mas não contam porque não fugiram, ficaram a expiar pecados que provavelmente nem são os seus.
Indignemo-nos pois contra as injustiças, mas façamos primeiro o trabalho de casa com consciência.»

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.


7 comentários

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De zazie a 27.09.2015 às 12:44

http://www.finanzas.com/xl-semanal/firmas/por-arturo-perez-reverte/20150913/godos-emperador-valente-8841.html
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De Maria Dulce Fernandes a 27.09.2015 às 14:44

Muito bom, muito bem escrito, muito lúcido e explicativo.
A realidade à luz da História, que se repete sempre, como muitas vezes o Pedro Correia já nos demonstrou.
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De zazie a 27.09.2015 às 16:18

Sim. O texto dele, apontando para um horizonte a longo prazo, é pertinente. Quase diria que mais pertinente que o do Umberto Eco acerca do mesmo.

O seu também porque conseguiu juntar 3 questões que andam juntas- os outros e os nossos; o medo; o efeito mediático.

Aquilo que não mete medo, de facto, não comove tanto. Se forem os nossos velhos e o modo como tantos semi-vivem, sem que isso seja visível ou mostrado, não há mobilização para nada. E penso que mesmo mostrado não mobilizaria tanto. Porque, como bem referiu- não fogem da guerra e disso temos nós medo porque já nem pegamos em armas para defender nada.
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De Anónimo a 27.09.2015 às 15:52

Não interessa ao mundo fazer o trabalho de casa porque esse trabalho, implicava a não venda de armas e a não compra de petróleo, a estados de gente louca. Enquanto isto não for resolvido, bem que podemos esperar sentados que nunca mais nos levantamos, mas assistiremos a algo que esmagará muitos sem dó nem piedade.
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De Helena Sacadura Cabral a 27.09.2015 às 15:53

Ah! Que bom seria que todos fizessemos o trabalho de casa com consciência. Mas a consciência é matéria rara. E, mesmo quando existe, é preciso saber trabalhar com ela!
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De Susana a 27.09.2015 às 22:21

Li o primeiro parágrafo e identifiquei-me com a luminosa clareza de sentido.

Porém, logo a seguir, inclui uma conversa de lemmings que de facto nunca ouvi falar, nem percebi como foi espetada no decorrer de um pensamento tão límpido de concreto, com um sentido completamente diferente, na ideia de que o medo afinal pode não ser a sensação mais básica ade todas..

Tenho vergonha alheia sempre, sempre que vêm com a conversa dos nossos coitadinhos aqui tão perto e não lhes ligamos nenhuma enquanto aos outros...

Shame.
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De zazie a 27.09.2015 às 23:51

Por mim pode ficar com a vergonha toda, desde que não me denuncie às patrulhas de consciência.
Isso aí é mais tramado- ainda passa para a Linha da Denúncia e fazem auto de fobia xerófila ou assim.

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