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Delito de Opinião

O comentário da semana

Pedro Correia, 29.03.15

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«A candidatura à Presidência de Henrique Neto, socialista, vem colocar perante os olhos dos portugueses o problema que algum PS tenta manter inominável: o tema da corrupção.
Henrique Neto foi sempre claro quando Sócrates era primeiro-ministro: abusava do poder que tinha, não eram claros os motivos das suas decisões económicas, as grandes concessões outorgadas eram penalizadoras para os portugueses, estava a levar o país para a bancarrota. E, sobretudo, tinha trazido para o governo do PS a falta de ética e a discricionariedade.

Passados seis anos prova-se que os alertas de Henrique Neto deveriam ter sido ouvidos. Inclusive, a realidade ultrapassou os seus alertas. A fraude fiscal, o dolo no exercício de funções públicas e a corrupção transformaram Sócrates num arguido preso preventivamente.

Com António José Seguro, independentemente da apreciação política que se faça da sua acção, houve uma matéria em que ele fez um corte com o passado: o projecto político do PS não era a prática política de Sócrates, o PS é um partido em que a ética republicana tem de ser observada em todas as circunstâncias.

Com esta agenda, António José Seguro, que politicamente herdou a bancarrota do governo de Sócrates, colocou o PS vitorioso em todas as sondagens de uma forma sustentada.

António Costa, levado ao colo pela esquerda do PS (e de fora do PS) e pela simpatia de grande parte da opinião publicada controlada pelos editores do costume (que faziam das aparições taralhocas de Mário Soares a agenda política de cada semana), era a fénix que vinha reconstruir o PS na sua “alma ideológica”, com o aplauso dos socratistas, entretanto transformados em tropa de choque da ascensão de Costa. E António Costa, accordingly, baniu do discurso político tudo o que de mal Sócrates fez ao país.
Resultado: passado o tempo da hagiografia, Costa colocou o PS na mesma situação em que António José Seguro o tinha deixado. Com a agravante de, não se afastando da política de Sócrates, não se afasta da corrupção que ele representa.

A corrupção das elites é um tema eleitoral incontornável em 2015.
E, ao contrário do que algum mainstream gostaria, não vai ser uma agenda minoritária de grupúsculos políticos.
Vai ser a agenda principal dos eleitorados de centro-esquerda e centro-direita.


A candidatura de Henrique Neto é bem-vinda.
Vai obrigar o PS enfrentar os seus demónios.»

 

Do nosso leitor Maurício Barra. A propósito deste meu texto.

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