O comentário da semana
«A IA, desprovida de base afectiva biológica, não pode gerar consciência»

«[Recomendo] a leitura do último livro de António Damásio, A Inteligência Natural & a Lógica da Consciência, de onde se pode concluir que a Inteligência Natural não só se sobrepõe à IA actual como também a enquadra numa perspectiva biológica e evolutiva mais profunda. A IA, na sua forma actual, depende fundamentalmente da Inteligência Natural Humana (INH) e, segundo a perspectiva de Damásio, não possui a base afectiva e biológica que ele considera essencial para a verdadeira consciência - a capacidade de ter uma perspectiva subjectiva do mundo e de si mesmo - que é a maior conquista da INH.
A IA, desprovida de uma base afectiva biológica, não pode gerar consciência no sentido damasiano. Ela pode simular respostas emocionais ou usar dados sobre emoções, mas não as sente. O "mistério da criação da Consciência" defendido por Damásio permanece inacessível à IA puramente algorítmica (para ultrapassar este postulado damasiano alguns dos criadores da IA já falam na “AGI, consciência artificial”).
Do ponto de vista de Damásio, a IA é uma ferramenta poderosa, mas é um subproduto da Inteligência Natural Humana (INH). A IA não tem a base biológica e afectiva que é a fonte da verdadeira consciência e da complexidade humana, o que a torna fundamentalmente subordinada ao domínio da INH, sendo altamente improvável que alguma vez se venha a tornar independente da inteligência natural humana.»
Do nosso leitor Carlos Antunes. A propósito deste texto do Paulo Sousa.

