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Delito de Opinião

O comentário da semana

«O meu pai costumava dizer que a preguiça é mãe de todos os males»

Pedro Correia, 18.06.24

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«Sou filha, neta, bisneta e trineta (daqui para a frente não sei...) de emigrantes. Os meus avós maternos conheceram-se na Argentina, ambos emigrantes, voltaram à Galiza com a grande depressão, perderam tudo; um bisavô desapareceu no Amazonas, era seringueiro (tenho esperança que tenha ficado por lá com uma índia); o meu pai foi um desses rapazinhos, posto fora de casa aos 14 anos para vir trabalhar com o avô que veio a Lisboa para apanhar o barco para a América, mas teve um acidente e ficou por Portugal onde montou um negócio. Com o meu pai vieram meia dúzia de miúdos da aldeia dele. O meu "papá" morria de saudades da terra, mandou-me estudar para lá para manter a ligação. Estou-lhe muito grata, fiquei com duas mães, a minha e a irmã dele, com quem vivi enquanto estudei. E cinco primos-irmãos. E uma ligação muito forte com a família. E amigos do peito em dois países, ainda vou aos jantares do colégio.

E era, o meu pai, entre muitas coisas boas (estudou ao mesmo tempo que trabalhava, e era todo virado para o espírito e coisas que agora são moda: pilates, yoga, alimentação natural, gestão de recursos humanos, um sem-fim de prafrentix que a minha mãe rotulava de maluqueiras), um convicto crente na ética do trabalho - a preguiça é a mãe de todos os males, dizia - e desde muito nova, tipo 11 anos, que nas férias tinha de trabalhar.»

 

Da nossa leitora Marina. A propósito deste texto da Maria Dulce Fernandes.

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