Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Delito de Opinião

O comentário da semana

Pedro Correia, 25.04.21

«Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida e procede do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho é glorificado. Ele que falou pelos Profetas.

Assim a profética judaica está incorporada no cristianismo, sendo quase universal pois esta parte do Credo é, no geral, comum a católicos, protestantes (a grande maioria), ortodoxos e orientais.

 

O cristianismo, antes de chegar a Roma, expandiu-se na Grécia. Os evangelhos, como os conhecemos, foram escritos em grego e o mesmo se diga das epístolas de S. Paulo. Grega era igualmente a cultura dominante das romanos.

Esta dominância grega foi contestada em ramos originários cristãos no Médio Oriente que a consideravam uma deturpação do verdadeiro cristianismo e, por maioria de razão, contestaram a versão romana estabilizada em concílios depois de Constantino. Esses ramos na maioria extinguiram-se mas alguns foram depois declarados hereges e subsistiram, como, por exemplo os Nestorianos dos quais um monge foi uma das grandes influências de Maomé.

Também não é exacto que a cultura grega só se tenha tornado conhecida no Renascimento. A filosofia e a literatura, com destaque para o teatro e os diálogos, foi conservada e copiada nos mosteiros durante toda a Idade Média e estava acessível aos estudiosos. Os grandes Doutores da Igreja foram influenciados pela cultura grega. Pedro Julião, depois Papa João XXI cuja obra Summulae Logicales foi o livro de estudo de filosofia em toda a Europa por cerca de três séculos *, era um Aristotélico.

No Renascimento o que se deu foi a expansão do saber, acompanhada da secularização do ensino nas Universidades. Também se expandiu o saber científico, que tinha sido ignorado nos mosteiros, e que foi recuperado dos árabes que o conservaram: matemática, física, biologia, medicina, astronomia e geografia foram conservados e desenvolvidos pelos árabes e alguns judeus e só tiveram intercâmbio com europeus nos muito raros períodos áureos em que um líder esclarecido conseguiu a colaboração das três religiões: Abd el-Rahman III em al-Andalus, Rogério II na Sicília, Alfonso X de Castela e, menos significativo, D. João II, cuja Junta de Matemáticos integrava pelo menos um judeu e um árabe.

* Algum tempo depois de Pedro Julião, Pedro da Fonseca (1528-1599) um jesuíta, produziu uma obra filosófica que dominou o estudo na Europa por dois séculos. É para mim motivo de imenso orgulho que, durante quase cinco séculos, quem sabia pensar (ou pelo menos quem sabia Lógica) tenha estudado por livros de um português.»

 

Do nosso leitor Francisco Almeida. A propósito deste texto do José Meireles Graça.

5 comentários

Comentar post