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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 02.08.20

«Depositar uma dezena ou mais de livros sobre uma mesa, e elaborar sobre eles como leitura da semana, não é coisa que mereça, creio, especial credibilidade. Desde logo considerando um mundo de pessoas normais e considerando-nos parte delas: pessoas que trabalham e/ou estudam (e terão possivelmente documentação profissional ou académica a ler), que se deslocam (por vezes penosamente), fazem compras, convivem e necessitam, ainda que não podendo ser as oito "de lei", de um aceitável punhado de horas de sono diário e contínuo.

Mas ainda assim um tipo comum - isto é: um contribuinte, na gíria administrativa portuguesa - há-de conseguir, querendo (querendo; sentido-lhe a falta, uma bizarria para muito boa gente) e podendo (isto é, sobrando-lhe para isso, depois de consumar esse seu estatuto administrativo), ter em mãos, com verdadeiro proveito, mais do que um livro em simultâneo. Não vejo, desde logo, por que se não poderá conciliar a leitura simultânea (digamos paralela) de uma obra de ficção e outra que o não seja. Não afasto isso sem mais e taxativamente.

Em todo o caso, quem dera se tivesse um só e como hábito regular. Teríamos provavelmente outro país, ligeiramente diferente. Para melhor.»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste meu postal.


18 comentários

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De JgMenos a 02.08.2020 às 11:19

O gosto pela leitura pressupõe o gosto pela descoberta, por saber mais, ou melhor, ou diferente.

O culto do corretês, a dominância da notícia do dia, da onda mediática, desaconselha que algo de diferente ou inesperado seja introduzido numa conversa.
O corretês não é mais do que a cultura da uniformidade do 'colectivo'.

O leitor é o indivíduo e o seu mundo de mistério.
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De o cunhado a 02.08.2020 às 12:40

Insisto e reitero. Em quaisquer circunstâncias ou ocasiões quem lê dois ou mais livros em simultâneo não lê nenhum.
Explico porquê.
Os outros, não sei mas de mim sei perfeitamente. Quando leio ou vejo um filme abstraio-me de quem sou e onde estou e coloco-me no contexto da época em que a história se desenrola.
Assim posso ler compreender as personagens, suas motivações e ideologias, seus costumes e credos com a imparcialidade que não ajuizadas pelos parâmetros da minha época.
Seria para mim muito difícil passar de uma leitura dramática do século XV, por exemplo, para uma comédia ligeira do nosso século.
Isto no caso de dois livros em simultâneo porque se fossem três ou mais seria verdadeiramente impossível o meu desdobramento.
Ora como a minha capacidade cerebral,- tirando a personalidade e o carácter inerente a cada um, - não deve ser muito díspar do resto da humanidade, leva-me a concluir que quem lê mais do que um livro ao mesmo tempo não lê nenhum.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.08.2020 às 13:04

Bom, o Cunhado não é pessoa para multitasking, já vi. Num filme ou num episódio de uma série, ver 20 minutos e mudar para outra, só mesmo se for uma porcaria, porque o fio condutor perder-se-ia completamente. Com os livros é diferente. Eu leio dois ou três livros ao mesmo tempo, não porque sou um crânio, bem pelo contrário, é um modo simples de ler sem enfado e de decidir qual se vai acabar primeiro, que normalmente é o que mais entusiasmo suscita, ou o que se começou a ler "por engano" e que segue direitinho para a prateleira dos "inacabados" .
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De o cunhado a 02.08.2020 às 14:20

Olá, Maria Dulce.
Por acaso até sou! nas leituras é que não.
Deixar um livro por outro já me aconteceu, ou porque a leitura não correspondia ao que pensara, ou correspondia mas era enfadonho, isso já. Raramente.
De resto e talvez devido ao meu hábito de leitura de me inserir sempre no contexto da época, gostando livro que começo acabo-o antes de iniciar outro.

E não custava muito, acho, ir buscar o tanque de lavar roupa, enchê-lo de água e fazer as delícias da netinha. Ou custava?!
Resto de um excelente Domingo
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De o cunhado a 02.08.2020 às 13:00

Por acaso foi a entrevista que até agora menos gostei. Desagrado esse devido ao entrevistado.
A entrevista foi bem conduzida, o entrevistado foi incoerente e, por vezes, completamente ilógico ou obtuso.
À pergunta sobre que número calça, responde que não sabe.
Alguém neste mundo e nas redondezas circundantes ignora o tamanho do sapato que calça? Então nunca comprou sapatos?
Enfim; cada um com suas taras, cada um com suas palermices.
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De Pedro Correia a 02.08.2020 às 13:18

Eu até percebo. Ele usa mais sandálias do que sapatos.
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De Anónimo a 02.08.2020 às 14:53



Pedro, mas até para comprar chinelos ou pantufas no chinês convém saber o número.
Achei-o muito escorregadio, muito enguia, a fugir de perguntas simples...
Na minha opinião, seria preferível não ter aceitado responder ao questionário.
Confesso que não gostei.
Next!
🌻
Maria
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 02.08.2020 às 14:55

Sandálias usa-as nas vezes que opta por não andar descalço.

Melicias é um case study (ou em português, caixinha surpreendente). Frade de uma Ordem Mendicante e Presidente da Assembleia Geral de um Banco.
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De Costa a 02.08.2020 às 14:33

Grato pelo destaque.

Costa
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De Pedro Correia a 02.08.2020 às 23:03

Nada que agradecer, meu caro. Destaque merecido.
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De Pedro Oliveira a 02.08.2020 às 17:02

De acordo com a opinião do leitor Costa e mais abaixo com a de "o cunhado".
Ninguém lê mais do que um livro ao mesmo tempo.
Posso ter dois ou três (ou vinte) que comecei a ler e não acabei. Não considero isso "ler ao mesmo tempo".
O tempo de leitura é dedicado só a um, leio o Hamlet, por exemplo na tradução da Sophia é bilingue e trabalhoso, estou a sublinhar e a apontar coisas que traduziria de outra forma, aborreço-me com aquilo, vou mudar uma fralda, volto, pego no livro de crónicas de Leonardo Ferraz de Carvalho, "vou ali e já venho", leio duas ou três com sorrisos e proveito, pego na "Volta a Portugal" do Álvaro Domingues para esclarecer uma questão geográfica, sou interrompido por um choro, pára tudo.
Almoço.
Volto a pegar no Hamlet.
Ora bem, peguei em vários livros ao longo do dia mas estive sempre a ler um de cada vez, custa-me a acreditar em pessoas que conseguem ler vários "ao mesmo tempo".
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De o cunhado a 02.08.2020 às 18:33

O Pedro Oliveira vem com uma de espirituoso mas sabe bem que o "ler ao mesmo tempo" é uma expressão, uma maneira de dizer ler umas páginas de um livro, fechá-lo, ler algumas páginas de outro livro, e por aí adiante.
Obviamente que quem martela um prego não pode ao mesmo tempo apertar um parafuso.
Tanto quanto o mundo saiba só o Sporting consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo, que é quando contrata treinador.
A mesma mão que no mesmo papel e no mesmo tempo firma contrato, assina o despedimento.
E mesmo assim com um ou dois segundos de décalage que é o tempo que vai do levantar a caneta de um para o outro lado.
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De Pedro Oliveira a 02.08.2020 às 20:39

Caro "o cunhado"
Desta vez estamos de acordo!
Estamos do mesmo lado, remamos no mesmo barco e no mesmo sentido.
Já o acusaram ali em cima de não ser "multitasking" (fui ver aí dicionário de estrangeiro, pensei que tinha a ver com tascas mas não) portanto não me tente explicar o que significa: "ler ao mesmo tempo".
Vejamos:
"A pensar fiz um cigarro
A pensar o acendi
A pensar fumei-o todo
A fumar pensei em ti"
Pensar/Fazer
Pensar/Acender
Pensar/Fumar
Fumar/Pensar
(este poema no original não utiliza a palavra pensar)
Dizia, há acções que podem acontecer em simultâneo.
Ler o livro A e o livro B, não (salvo melhor opinião).
Houve um leitor que falou em "alternar" lá está, alternar é mudar de A para B, não é fumar e comer ao mesmo tempo; enquanto estou a mastigar não consigo fumar ou beber ou o que seja, ler, para mim, é igual.
Posso ter vários livros abertos em cima da mesa (num trabalho académico, por exemplo) mas só consigo ler, prestar atenção a um de cada vez.
Um abraço literário (e pêsames desportivos, para a próxima um penalty e uma expulsão podem não chegar, comprem mais )
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De Antonio Maria Lamas a 02.08.2020 às 17:28

Lembrei-me agora quanto especial, autêntico Super homem, era o comentador Marcelo. Todas as semanas, não só lia vários livros, como os comentava e desconfio que também os corrigia, o que só o deveria conseguir com a leitura diária de vários deles ao mesmo tempo que dava aulas e fazia as outras coisas que os comuns dos mortais têm que fazer.
Para ele o dia tinha 24 horas e a noite outras tantas.
Agora coitado, nem para ler o Borda d'Agua tem tempo.
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De Vítor Augusto a 02.08.2020 às 17:57

Considero ser a leitura, uma actividade intelectual, como tantas outras. Durante um dia de trabalho, entrego-me a várias actividades distintas, alternadamente e não simultaneamente, como é óbvio, inclusas nas valências que é suposto eu dominar na minha profissão. Dentro do mesmo período de trabalho, ou em dias consecutivos ou alternados, tenho que voltar a qualquer das actividades que tenho em mão e que não conclui por qualquer razão (por exemplo, a da hierarquização do importante e do urgente), e retomá-las no ponto em que eventualmente as terei deixado, e tenho que ser capaz de o fazer com competência. Não se impondo à actividade de leitura, pelo menos na que aqui é contemplada, por ser uma actividade de lazer, os mesmos critérios que atrás referi, nem por isso considero impossível poder ler vários livros em simultâneo. Pessoalmente, só não consigo fazê-lo nas áreas da ficção, porque corro o risco de misturar histórias e enredos, e eu não quero isso. Mas nas áreas do ensaio, é perfeitamente normal e por vezes até complementar, ter várias leituras simultâneas no mesmo assunto ou não. Julgo pois que esta questão das leitura simultâneas é muito de gosto pessoal e estética, portanto, à qual não devemos apodar etiquetas de impossível e outras generalizações e universalidades. Mas isto é só uma consideração muito pessoal, se me permitem.
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De Pedro Correia a 02.08.2020 às 23:08

Sublinho esta sua frase: «Julgo que esta questão das leituras simultâneas é muito de gosto pessoal e estética, portanto, à qual não devemos apodar etiquetas de impossível e outras generalizações e universalidades.»

Concordo com ela. E acrescento: até a mesma pessoa, em tempos diferentes, altera o padrão. Já tive várias fases da minha vida em que ia lendo vários livros de géneros diferentes quase em simultâneo, tive outras em que me concentrava numa leitura só. Hoje, em regra, divido as leituras em dois blocos: tenho o livro do dia e o livro da noite, de géneros e estilos nada confundíveis.
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De Anonimus a 02.08.2020 às 19:53

O livro do fim de semana e o livro dos transportes públicos.
Conta como simultâneo?
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De Pedro Correia a 02.08.2020 às 20:00

Conta, claro. Eu leio dois livros "em simultâneo": o livro do dia e o livro da noite.
Poderei dar exemplos.

Tal como existe a literatura de Verão e a literatura de Inverno. Por exemplo, O Som e a Fúria, de Faulkner, ou O Grande Gatsby são livros de Verão. Mas O Doutor Jivago ou Um Dia na Vida de Ivan Denisovitch são livros de Inverno.

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