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O comentário da semana

Camus

por Pedro Correia, em 07.01.20

Albert-Camus[1].jpg

 

«Camus foi o meu primeiro escritor. Antes houve muitos livros, mas autor cuja obra me tenha realmente abalado as fundações, foi Camus o primeiro. Albert Camus, meu primeiro sismo literário. Recebi O Mito de Sísifo aos 15 anos, não sei já se no aniversário ou no Natal. O tio que mo ofereceu, o único familiar próximo com algumas leituras, garantiu-me a qualidade e, naquele tempo, eu tomava essas garantias do Tio Baptista como um selo de qualidade (agora que penso nisso, acho que nunca me defraudou).

Fiquei convencido de que se tratava de um romance, mesmo com o subtítulo "ensaio sobre o absurdo" na capa. E não nego que me causou dificuldades. Mas aqueles dois primeiros parágrafos, "Nunca vi ninguém morrer pelo argumento ontológico. Galileu, que possuía uma verdade científica importante, dela abjurou com a maior das facilidades deste mundo, logo que tal verdade pôs a sua vida em perigo. (...) Em contrapartida, vejo que muitas pessoas morrem por considerarem que a vida não merece ser vivida. Outros vejo que se fazem paradoxalmente matar pelas ideias ou pelas ilusões que lhes dão uma razão de viver". Não exagero se lhe disser que foram mote para anos de leituras.
Muitas vezes damos connosco a pensar como determinados eventos pessoais exerceram influência decisiva no rumo que depois seguimos, momentos-chave das nossas vidas. E não posso deixar de pensar como certos livros - e, está claro, autores - também exercem papéis semelhantes no modo como pensamos. Não nas grandes ideias, mas nos pequenos sulcos, quase imperceptíveis, que modelam o leito do rio do nosso pensamento.»

 

Do nosso leitor P. N. Ferreira. A propósito deste meu texto.


2 comentários

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De PNFerreira a 07.01.2020 às 08:18

Bom dia. Muito grato pelo destaque.
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De Vorph Valknut a 07.01.2020 às 09:20

Curiosamente, PN, Camus, no Homem Revoltado, traça uma defesa contra toda a morte escrita sob argumentos ontológicos. Não pelo que a morte representa, em si, mas pelas vidas que traga em nome da verdade, do argumento ontológico. Sim, também Camus me marcou. Esse "Homem Revoltado, lido por outro eu, em pequenos cafés de Lisboa. Camus, também ele desesperado perante os vermelhos pôr de sol.

Merecido. Cumprimentos

PS: Muitos, houve, que morreram por argumentos ontológicos. Catão, o Velho, Séneca, Sócrates, e milhares em Ardenas, Normandia, Anzio e Berlim. Mas como diabos sabemos como nos encoraja um argumento ontológico?

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