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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 16.06.19

Edificio-Sede-CGD.jpg

 

«Se em 2008 a Caixa Geral de Depósitos tivesse emprestado os 300 milhões a Berardo para comprar Amazon em vez de BCP, hoje valiam cerca de 7.143 milhões. Quase tanto como chegou a valer a PT, a maior cotada nacional de sempre. Era um risco comprar Amazon? Era. E BCP também. Mesmo aplicando esses 300 milhões num conservador índice sobre o S&P 500, hoje valeriam cerca de 811 milhões. Parece claro que não foi uma perspectiva de negócio a orientar esse empréstimo.
Acontece que as asneiras, só na banca, custaram aos contribuintes cerca de 20.000 milhões, desde 2008. Custaram, custam e custarão por muitos anos.
Junte-se a este valor pelo menos outro tanto em corrupções menores mas abundantes, desperdícios, ineficiências e roubos.
O que significam na realidade estes números astronómicos? Significam uma carga fiscal enorme, a quase impossibilidade de poupar, o adiar de despesas necessárias, o recurso suicida das famílias ao crédito. Significam não trocar de carro, não reparar a casa, não tratar da saúde senão no limite, não seguir estudos, não constituir uma almofada para a reforma. Significam uma dependência humilhante dum Estado-Providência cada vez mais prepotente e menos amigo. Significam um Estado tão opressor que julga que o povo não é muito mais do que uma carteira onde ir tirar o que ainda há. Admiram-se de as pessoas se alhearem do Estado? O Estado há muito que se alheou das pessoas. Só se lembra delas para cobrar - e aí nunca há faltas de memória, nem de meios.»

 

Do nosso leitor António. A propósito deste postal

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10 comentários

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De Vorph Valknut a 16.06.2019 às 14:05

Excelente, António
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De Anónimo a 16.06.2019 às 15:13

Justo destaque!
Embora discorde algumas vezes do comentador António dou-lhe neste caso inteira razão e espero que continue a comentar por cá para me lembrar que nem sempre os oprimidos do capitalismo teem razão. ....
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De Costa a 16.06.2019 às 18:36

Justíssimo destaque, sem a menor dúvida, para breves e tão certeiras linhas sobre estes tempos de tirania fiscal e reiterada e impune falta do mais leve escrúpulo. Ficámos aliás a saber desde ontem que o novo e aplaudido desígnio nacional é aumentar o funcionalismo público em número e salário. Vamos ver onde e em quanto aumentará o estado; que será mais estado é certo, se será melhor (e bem deveria ser!), manda a prudência mais elementar não o esperar. Como e por quem será pago, isso sabe-se com lapidar certeza.

Mas, na hora de mudar as coisas, o povo gosta assim. E os votos já estão competentemente caçados.

Costa
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De Fatima P a 16.06.2019 às 19:32

Crystal clear!
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De Anónimo a 16.06.2019 às 19:36

"...Acontece que as asneiras, só na banca,...".
O que para uns foi, e é, uma asneira, para outros foi, e é, um grande negócio.
Em Portugal vota-se num emblema de um partido.
Confere-se o poder de fazer certo tipo de asneiras, ou não, a um partido.
É simples.
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De Anónimo a 16.06.2019 às 19:37

"Acontece que as asneiras, só na banca, custaram aos contribuintes cerca de 20.000 milhões, desde 2008. Custaram, custam e custarão por muitos anos."

Boa parte das asneiras bancárias foram políticas e o dinheiro só foi para a banca por decisão política.

lucklucky
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De Anónimo a 16.06.2019 às 22:29

Merece o destaque. Por inteiro.
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De Anónimo a 16.06.2019 às 23:16

Do (pouco?) que tenho visto destas Comissões Parlamentares, tiro que nada do que se disse ou expôs é novidade.
Os Bancos emprestavam dinheiro a um punhado de eleitos sem que estes apresentassem garantias, os bancos bancavam compras de acções, a CGD financiou uma jogada de tomada de poder no BCP. Tudo isto era sabido à altura. Porquê tanto interrogatório, tanta pergunta? Nem é que o senhor doutor Berardo tenha feito as coisas às escondidas, bem pelo contrário.
Agora faz tudo o papel da virgem ofendida ou do marido corno.
Tão vergonhosa é a actuação do Constâncio esquecido como a dos deputados ignorantes. Não que qualquer um dos envolvidos tenha vergonha.
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De jo a 16.06.2019 às 23:17

O Estado tem costas larguíssimas.

Se um banco público perde dinheiro, é porque, sendo gerido pelo Estado, não segue os transparentes princípios de honestidade que o Mercado exige.
Se um banco privado perde tanto dinheiro que o Estado tem de lhe acudir, a culpa é desse Estado, que não protegeu devidamente o privado contra as tentações do Mercado, que sendo virtuoso, pode ser falso.

Resulta que os 20000 milhões de euros são sempre responsabilidade do Estado, ou porque não se retirou da gestão, caso da CGS, ou porque não se substitui à gestão dos bancos privados, no caso dos outros bancos.

Se calhar sou só eu que penso assim, mas, não me parece que a mudança de público a privado na nossa banca tenha produzido os bancos virtuosos que nos andaram a prometer. É um caso nítido em que menos Estado foi bastante pior.
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De António a 17.06.2019 às 14:03

Não sou a favor das negociatas em que os lucros são privados e os prejuízos públicos. O BCP e o BPI devolveram ao Estado com juros as ajudas, e assim ainda vá. A CGD pediu mais. Do BES e Banif, como leigo, pergunto se não teria sido preferível transferir os depositantes para outro banco, não necessariamente a CGD, e fechar a loja.
Num mercado muito mais capitalista, o Lloyd’s, o RBS e o Barclays estiveram nacionalizados até pagar. Acho bem. Há algumas diferenças de mentalidade importantes, o director do banco central inglês é um canadense - não consigo imaginar isso a acontecer cá. São pragmáticos.
Constâncio foi mau, Salgado foi péssimo. Creio que o problema não reside no espaço que se queira dar ao público e ao privado. Reside na idoneidade de quem decide. Em princípio há regulamentação pública, que não devia ter falhado. Falhou. E as dificuldades até em admitir a falha não abonam nada a favor dos nossos decisores. Públicos e privados.
O Estado tem, talvez, as costas largas demais. Dez milhões delas.

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