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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 02.06.19

«Votei, também, no domingo passado. Minutos antes do limite para tanto, estafado depois de um intenso dia de trabalho e por me sentir vinculado a já não sei que sentido de dever (afinal, como bem escreve, um direito; como tal estando o seu exercício na minha insindicável disponibilidade e sem ter eu que a justificar, antes cabendo a outros saber merecê-la) que teimosamente subsiste apesar do flagrante, impune e impenitente desmerecimento dos que nos pastoreiam ou pretendem vir a fazê-lo. Talvez esse "sentido de dever" venha dos tempos em que, pela mão de meu pai, me vi manifestante à porta do "República". E de ver por estes dias um PS que pactua interesseira e avidamente com essa gente contra quem nos manifestávamos. 

Do resultado de tudo isto, não desculpo os abstencionistas. Culpo os políticos - culpo-nos a todos - que arranjaram forma de validar qualquer resultado eleitoral. Nem que vote apenas um eleitor. Ou nenhum.»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste texto do João Campos.

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10 comentários

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De J. L. a 02.06.2019 às 11:29

Votar não é um dever, poderá ser um direito. Não votar tem um significado que os interessados devem interpretar. Há várias atitudes possíveis perante o voto: 1. votar num partido, 2. votar branco, 2. votar nulo. 3. não votar.
Em democracia dizem, e eu acredito, que devo sacrificar-me para que o meu adversário ideológico e político tenha direito a dizer o que quiser contra mim. Ora eu voto mas faço tudo para que quem não acredita no voto possa não votar. E não lhe chamo nomes a quem não vota. Mas tenho o direito de procurar compreender por que razão há tanta gente a não votar. Obrigá-los a votar, não.
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De António a 02.06.2019 às 13:28

Em democracia, a única legitimidade dos políticos é que lhes é conferida nas urnas. Vai ser essa a justificação, ou o álibi, depende, para o que fizerem dos mandatos. O problema é que 3/4 dos eleitores que consideraram não se rever em nenhum dos partidos, são, para todos os efeitos, dispensáveis. Não deviam ser.
Não conheço a lei eleitoral a ponto de saber se está previsto o caso em que vote só um eleitor, ou nenhum. Não deve estar.
Do Basta ao PCTP-MRPP havia para todos os gostos, parecia-me a mim. Pelos vistos não.
E se alguém com língua de mel conseguir apelar ao que essas 78% de pessoas têm em comum - que em concreto é estarem contra todos - apelando a valores negativos (recusar o sistema, derrubar o sistema, limpar o sistema) sem apresentar nada concreto? Os populistas são populares porque deixam muitos vazios no discurso, vazios que cada um preencherá como entender, no acto de votar.
Como escreveu Costa, os políticos já têm o que pediram, legitimidade, e bem podem fingir chorar pela abstenção. Na realidade, não os prejudica. Mas deveria.
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De Flávio Gonçalves a 02.06.2019 às 14:18

Eu culpo primeiro os professores, em seguida os jornalistas, em terceiro os políticos e finalmente os abstencionistas, esses cobardes que preferem fingir que a democracia não lhes pertence, que os destinos da nação não lhes pertencem e que 70% de eleitores não poderiam eleger políticos completamente diferentes daqueles que eles culpam pela sua abstenção.
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De J. L. a 02.06.2019 às 16:47

"dos eleitores que consideraram não se rever em nenhum dos partidos,"
Isso é a sua interpretação mas nada garante que seja a verdadeira. Pode haver outra razões. Ou consideraram mesmo?

"Eu culpo primeiro os professores, em seguida os jornalistas, em terceiro os políticos e finalmente os abstencionistas,"
Eu penso que não se trata de assacar culpas mas antes de perceber as razões.
Há que fazer uma análise mais fria e científica, digamos.
" esses cobardes que preferem fingir que a democracia não lhes pertence,"
Chamar nomes é que não conduz a coisa nenhuma. Há muitos acontecimentos na História perante os quais poderíamos chamar nomes ou atribuir culpas a personalidades ou a colectividades, estratos sociais etc.
A culpa é dos professores, dos jornalistas? E porque não dos comentadores de blogues?
Quanto á abstenção continuo a pensar que devemos reconhecer o direito de todos a não votar ou a ser contra a democracia que temos.
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De António a 02.06.2019 às 21:38

Se não quiser ir por esse caminho, que dizer dos 7% que se deram ao trabalho de votar branco ou nulo? Seriam a 4 força política.
E já agora, quantos brancos e quantos nulos? Porque é tudo amontoado numa categoria? Os votos brancos são importantes. Os nulos até certo ponto também, ninguém se dá ao trabalho só para ir fazer uma boga ou uma suástica no boletim se não estiver mesmo zangado. Sobram os erros genuínos, que devem ser poucos. Mas o eleitor que venceu o “síndrome da inércia do abstencionista” e foi dobrar o boletim em branco, está a dizer algo. Desde logo, que foi até ali e não quis o que lhe ofereceram. Se os abstencionistas optaram por não optar, quem vota em branco está a fazer uma escolha. Porque não a respeitam?
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De V. a 02.06.2019 às 17:59

Eu só torno a votar quando abolirem o Acordo Ortográfico. Antes disso podem ir todos para o caraças. É muito simples. A abstenção não é indiferença, é ódio.
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De J. L. a 02.06.2019 às 19:20

"A abstenção não é indiferença, é ódio." Confirma, pelo menos em parte, os meus comentários aos comentadores acima. Que não se votasse por ódio ao acordo ortográfico a poucos lembraria. Eu também detesto o Acordo mas acho que se não votar fica na mesma.
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De V. a 03.06.2019 às 01:00

Eu acho que o Acordo é péssimo, é uma ofensa aos verdadeiros Portugueses e exprime um enorme conjunto de coisas que estão mal na nossa sociedade entre as quais a fraqueza da sociedade civil embrutecida por estratégias sucessivas de colonização ideológica do espaço colectivo — mas foi sobretudo a forma cínica, abusiva e prepotente como foi implementado à força nas escolas com o intuito manipulador de que se criasse rapidamente uma geração de criaturas a justificá-la e a defendê-la de forma acéfala ou pelas razões erradas, como fazem os partidários políticos da coisa, que justifica a minha opção de nunca mais colaborar com um regime desenha uma coisa destas apoiada num sentimento pós-colonial sem razão de ser. Antes quebrar que torcer. Por mim não passarão NUNCA.
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De Costa a 02.06.2019 às 23:29

Grato pelo destaque.

Costa
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De Pedro Correia a 02.06.2019 às 23:34

Merecido, sem dúvida.

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