Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O comentário da semana

por Pedro Correia, em 20.05.19

«Terra ou terra?
A terra tem coisas boas. O meu irmão comia terra. Falta de ferro – opinou o pediatra que também era meu tio.
Eu preferi bosta de vaca, quentinha, acabada de fazer. Saí largado para casa e trouxe uma colher. Sentei-me no chão, bosta entre as pernas abertas e comi à colherada até que a Luzia, cozinheira da casa, me pegou ao colo horrorizada.
Há gostos para tudo. Talvez a comida aquecida fosse da minha preferência e, sobretudo, não arranhava os dentes.
Sabemos que a dieta tem consequências futuras. Tenho 1,80 m e o meu irmão ficou-se pelos 1,65. Prova que merda de vaca é melhor que terra crua.

E mesmo quanto à Terra, sou geólogo porque sempre me fascinaram os minerais e os cristais. E depois as falhas, as dobras e até o cavalgamento que o Canadá resolveu fazer à Península Ibérica. Fascinante!
Arrastou consigo os sedimentos que estavam no fundo do mar. Foram mesmo buldeziriados, dobrados, esticados e acamados numa série com centenas de metros de histórias para contar.
Esta é a Grande História de Portugal. Os sedimentos, assim esmagados e comprimidos transformaram-se em xisto. E nesse xisto, que consegue reter água mesmo em períodos de seca grave, se produziu o milagre do Vinho do Porto.

Quanto ao meu irmão, ficou-se pelo curso de História. Do Vinho do Porto apenas sabe uma coisinhas do Marquês de Pombal e da chegada dos ingleses para o comercializar.
Fica para sempre o civismo e simpatia dos portuenses, mesmo com palavrões à mistura. Talvez tenham sido os ingleses a tornar única esta cidade que não é nem parece mediterrânica. É atlântica. Adoro-a e não sou de lá.»

 

Do nosso leitor José Carlos Menezes. A propósito deste meu texto.


11 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 20.05.2019 às 16:56

Terra ou terra , bosta ou bosta é tudo do mesmo. Eu também apanhava bosta quando passavam as vacas ou os bois e era para tapar a porta do forno onde se cozia o pão. Era tudo terra da terra.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 20.05.2019 às 17:28

Consta-se que agora a bosta é uma matéria prima tão rara e já tão em vias de extinção, que até há poetas que chegam a dedicarem-lhe poemas de enlevado teor.Verdade...
Sem imagem de perfil

De alexandra g. a 20.05.2019 às 18:52

Um belissimo postal, este comentário: da infância do planeta e das pessoas àquilo em que se transformaram. Obviamente que JCM não acredita naquela relação entre o 1,80 dele e o 1,65 do irmão, justificados pelas preferências gastronómicas enquanto infantes, mas também é parte do que dá ao que escreveu um enorme encanto :)

Sem imagem de perfil

De Cristina M. a 20.05.2019 às 19:42

nunca me ocorrera, e faz sentido: o Porto / o Norte ser Atlântico. por exclusão (não oposição) ao Mediterrâneo.
Sem imagem de perfil

De alexandra g. a 20.05.2019 às 21:33

São dados científicos com origem em múltiplas facetas das, digamos assim, 3 partes do país (Norte, Centro, Sul): no Centro, existem as 2 influências, Atlântico e Mediterrâneo e, no Sul, o Mediterrâneo.

Há um senhor que deveria ser abordado nas aulas, e não só nas de disciplinas de ciência, pelo menos a partir do 3º Ciclo: Orlando Ribeiro, um Mestre.
Sem imagem de perfil

De Cristina M. a 20.05.2019 às 22:35

não estou a perceber. isso é comigo?
Sem imagem de perfil

De alexandra g. a 20.05.2019 às 22:46

É uma questão que tenho comigo mesma... :)

_________
(calma, ok?)
Sem imagem de perfil

De Cristina M. a 20.05.2019 às 22:56

pois. continuo a não perceber.
Imagem de perfil

De Corvo a 20.05.2019 às 20:22

Terra é terra, dá força e tónus de idade terna.
E bosta da terra vem, fazendo uma pequena estada é que sabe bem.
E a vaca é um animal muito útil. Sabia que se bebia por fora e comia por dentro, e agora também se come por fora. :)
Excelente comentário da semana.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 21.05.2019 às 11:59

Reforço e acrescento releituras de Orlando Ribeiro(o que se apanhar em alfarrábios porque agora só próza de verdeais redutores) e de Matoso filho et al.-
-O Sabor da Terra.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 21.05.2019 às 19:09

É por comentários como este que, nem que seja uma vez por mês, sabe bem rolar o rato sobre o DO, para ler os regalos.
Infelizmente, as várias sopas de hidranja (hortência) que fiz e comi em criança, assim como o mascar dos pés de rosa não me conseguiram orientar para as ciências nem ajudaram a crescer na direcção certa. Devia ter investido na bosta da vaca ali à mão de semear. Falta de estratégia! Confere, acabei em direito (com minúscula). Triste sina, com a Terra inteira para estudar.
Isabel

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D