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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 18.03.19

«Se não concordou, é porque não percebeu o cerne da questão: se forem às aulas não salvam o meio ambiente e os seus netos não terão onde viver no futuro, quanto mais meras aulas; mas se faltarem às aulas agora para chamar a atenção, pode ser que algo mude e salvemos o meio ambiente a tempo dos seus netos ainda poderem ter onde viver em condições.

Próximo passo: boicote ao fabrico de automóveis a combustível fóssil (sim, a Autoeuropa não é uma coisa boa, por mais empregos que "crie" atualmente), greve contra orçamentos que se preocupem mais com o défice do que com investimento em energias renováveis e transportes públicos (porque sem planeta, então é que não se paga dívida nenhuma) e campanhas para diminuir drasticamente o consumo de carne, e já agora de peixe (mais refeições sem esses elementos não são sinal de pobreza, mas sim de consciência).

Se um dia ainda for a tempo de perceber, faça greve também ao trabalho às sextas à tarde. É este o próximo passo deste protesto. É que se forem só os adolescentes, então as mudanças necessárias não serão feitas a tempo da nossa salvação.»

 

Do nosso leitor Carlos Marques. A propósito deste texto do JPT.


24 comentários

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De Luís Lavoura a 18.03.2019 às 11:41

Os automóveis a combustível fóssil são naturalmente maus, mas não conheço nenhum automóvel que, pelo menos de forma indireta, não seja a combustível fóssil.
É que a eletricidade dos automóveis elétricos vem, em última instância, as mais das vezes de combustível fóssil.
Nós atualmente não conseguimos produzir de forma renovável nem sequer toda a eletricidade que consumimos, a qual representa 20% do consumo total de energia primária. Se fôssemos tentar produzir de forma renovável eletricidade para todos os automóveis, que representam talvez 30% do consumo total de energia primária, estaríamos seriamente à rasca...
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De Cristina Torrão a 18.03.2019 às 12:35

Isso é a situação atual. Coisas destas vão devagar. Mas é preciso começar.
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De Luís Lavoura a 18.03.2019 às 14:22

É preciso começar, se se tiver uma perspetiva realista de se chegar a algum sítio. Se não se tiver, então tratar-se-á de um esforço inglório.

Eu não vejo qualquer perspetiva realista de conseguirmos produzir de forma renovável 50% da energia total que consumimos.
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De Pedro Correia a 18.03.2019 às 23:57

Essa é a perspectiva do Velho do Restelo: deixar tudo como está.
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De Anónimo a 20.03.2019 às 12:28

Não é só inglório. É pior. É criminoso.

Os recursos gastos pela violência das leis "ambientais" dos Governos em "energias renováveis" seriam muito melhor gastos em outras industrias, tecnologias.

lucklucky

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De Pedro Correia a 18.03.2019 às 23:56

Sim, Cristina, há que começar por algum lado.
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De Anónimo a 19.03.2019 às 08:45

http://www.world-nuclear.org/information-library/current-and-future-generation/thorium.aspx
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De Pedro Correia a 18.03.2019 às 23:56

Há sempre a solução da trotineta.
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De Miguel a 19.03.2019 às 07:45

Essa solução tem pelo menos a virtude de ser viável em termos de recursos. Acresce que com um pouco de R&D e uma pitada de marketing haveríamos de chegar à bicicleta. É preciso fazer isto por etapas de inovação, assim deixando que o PIB cresça durante o processo, senão os economistas não dormem descansados. São pessoas muito sensíveis e delicadas.
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De Anónimo a 18.03.2019 às 13:15

E , a este respeito, o Celeste Império já se pronunciou?
Até lá podemos ,i.e. pode a "europa" dita ocidental e a sua helenística norte-americana,continuar a brincar ás manifestações(inhas) e a trautear o "Imagine".
Decadência total e irreversível.





JSP


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De Pedro Correia a 18.03.2019 às 23:55

Melhor não despertar o dragão chinês ultra-poluidor.
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De Costa a 18.03.2019 às 18:03

Quanto à redução do consumo de carne e peixe, nada a dizer. Em todo o caso, não creio que a coisa se faça sem uma algo longa transição. Mais não seja - e não se mudam mentalidades numa ou duas legislaturas (embora a fiscalidade selvagem opere "milagres") - porque outro curso de acção acabaria, decerto, em legiões de desempregados e generalizada ruína de empresas e negócios. Criados de boa fé, que merecem outra sorte e não são "recicláveis" (pessoas empresas e negócios) da manhã para a tarde. Os políticos, na sua actuação globalmente deletéria, egoísta e imediatista, dirão o que quiserem, diabolizarão o que entenderem - em função do politicamente correcto da aliança ou coligação, mais ou menos formal, do momento -, mas a realidade tem esse péssimo hábito de seguir o seu caminho.

Algo tem que começar a ser feito, é um facto. Mas cuidado com terapias de choque, curas que matam e vitórias pírricas.

Coisa similar se poderá sustentar, creio, na questão dos combustíveis fósseis. A dependência desses combustíveis, seja pela sua disponibilidade, seja pelos efeitos produzidos, não poderá continuar muito mais tempo nos termos presentes. Aceite-se este pressuposto.

Mas não se ignore que a produção de energia eléctrica também depende muito desses combustíveis e que as alternativas ditas renováveis não estão isentas de efeitos negativos. Efeitos decorrentes dos seus próprios métodos de produção e da venalidade e globais "negociatas" que em seu torno - por cá e com a gente que temos, pelo menos - fatalmente surgem (não sei se será no tempo que me resta, se o poderei ainda testemunhar, mas será sem dúvida "interessante" conhecer a estrutura de preço da electricidade para automóveis se e no dia em que os eléctricos de facto dominarem, deixando de ser um brinquedo para endinheirados - com dinheiro para ter um outro carro, "convencional" e susceptível de ser abastecido em três ou quatro minutos, praticamente em qualquer lado e dotado de realisticamente longa autonomia -, um tipo de veículo para um uso profissional, de curtas distâncias e fácil disponibilidade de pontos de recarga, ou o fetiche da demagogia impune e incendiária de um ministro.

Não se ignore que a produção de baterias - pelo menos no actual patamar da tecnologia - é ela própria violentamente poluidora e recorre a rapina de raros recursos naturais, disponíveis, parece, em países não exactamente muito preocupados com a sua limpa exploração.

Não se ignore que também aqui uma mudança brusca e radical (se fosse possível; a simples disponibilidade de energia eléctrica para tanto - seja em si mesma, disponível em rede, seja em facilidade de abastecimento, moderará fatalmente o processo), destruiria milhares e milhares de empregos, muito mais do que os converteria a uma nova tecnologia e procedimentos. E são - é uma maçada, mas são - uma vez mais empregos de boa-fé e que alimentam milhões.

Não se ignore que o transporte privado, o carro particular, o ódio de estimação das mentes do actual lado certo das coisas, é apenas um elemento da equação. Não ouço, não leio (ou muito pouco leio e ouço), não vejo dedos acusadores, por exemplo, a pretexto da continuada e verdadeiramente criminosa opção, por cá, crime de governantes, pelo muitíssimo poluente transporte rodoviário pesado, de carga ou passageiros, tantas vezes recorrendo a frotas envelhecidas e por isso ainda mais poluentes, deixando a ferrovia numa agonia abjecta. Ou quanto aos restantes consumos industriais de combustíveis fósseis.

Toda esta questão não se resolve erigindo o automóvel particular como o alvo a abater (tentador que isso seja, e demonstradamente é, política e ideologicamente) e a electricidade como o quase instantâneo milagre que só uma estúpida inércia e ocultos interesses impedem de se concretizar (ocultos interesses tem - todos o sabemos - a electricidade). Haja seriedade e realismo nos métodos, objectivos e calendários.

A propósito de seriedade e realismo, greves à sexta-feira? Para nos metermos no carrito e engrossarmos as filas de saída da cidade, suponho. O tempo já vai bem ameno e as praias reclamam fins de semana prolongados...

Costa
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De Pedro Correia a 18.03.2019 às 23:55

Metade da solução, para uns, será greve nas tardes de sexta. Para outros, a solução completa-se com greve nas manhãs de segunda.
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De Miguel a 19.03.2019 às 08:16

Para confirmar que não é apenas o automóvel.

Durante o período de 2012-2017, o consumo mundial de energia pelo digital cresceu 9% ao ano, representando 2,7% do consumo global de energia em 2017, quando era apenas de 1,9% em 2013. Seguindo a tendência actual, essa fatia deverá aumentar para algo na ordem dos 4,5% - 6% até 2025.

A quota do digital nas emissões globais de gases com efeito de estufa aumentou de 2,5% para 3,7% de 2013 para 2017, tendo já ultrapassado as emissões da aviação civil. Se nada for feito, poderá ainda duplicar para 8% até 2025 ... ou, seja, emitir tanto quanto o sector automóvel hoje. O digital irá emitir tanto CO2 em 2020 quanto a Índia em 2015, com os seus 1,3 biliões de habitantes.

Para não falar na expectável penúria de certos metais num horizonte de umas décadas, se continuarmos a esbanjá-los numa irracional fuga tecnológica para o abismo. À medida que se vão esgotando as minas de mais fácil extracção, passa-se a outras onde é preciso consumir mais energia para extrair a mesma grama de metal, gastando mais combustíveis fósseis por grama e emitindo mais CO2 por grama. Entretanto o rendimento na extracção do petróleo (número de barris extraídos por cada barril consumido na extracção; esqueçam o preço) vai continuar a diminuir (quando chegarmos a 1:1 acaba o jogo), ...
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De Miguel a 20.03.2019 às 10:00

A propósito da disponibilidade do petróleo para a economia mundial: o pico do petróleo convencional foi em 2008. O petróleo de xisto já é essencial para compensar a queda do convencional. Parece que esta exploração tem sido sempre feita com prejuízo financeiro, com o preço do barril variando entre $50 e $100. No entanto, segundo a IEA, para satisfazer a procura daqui até 2025 (é já amanhã!), é preciso duplicar ou triplicar esta produção. Será a circulatura do quadrado, perdão, a circulatura do círculo de que falava o outro?

Deixo aqui uma breve passagem do 'World Energy Outlook 2018' (sumário para decisores, executive summary) publicado pela IEA (International Energy Agency):

'The risk of a supply crunch looms largest in oil. The average level of new conventional crude oil project approvals over the last three years is only half the amount necessary to balance the market out to 2025, given the demand outlook in the New Policies Scenario. US tight oil is unlikely to pick up the slack on its own. Our projections already incorporate a doubling in US tight oil from today to 2025, but it would need to more than triple in order to offset a continued absence of new conventional projects.'

Ouvi especialistas dizer que é a primeira vez que um aviso deste tipo aparece no sumário para decisores. Era costume aparecerem soterrados no meio de várias considerações técnicas no relatório detalhado que apenas os especialistas se dão ao trabalho de ler.


Vou à arrecadação buscar a minha antiga trotinete.
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De Anónimo a 18.03.2019 às 19:55

Eu proponho que para salvar o ambiente devemos todos deixar de trabalhar. Se morremos à fome não interessa, mas o ambiente salva-se!

Quando deviam falar em salvar pessoas, falam em salvar o ambiente pois não há nada mais importante.

A manipulação é importante!!!
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De Pedro Correia a 18.03.2019 às 23:54

Boa solução: todos a roncar. Mas os roncos também causam poluição. Auditiva.
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De Anonimus a 18.03.2019 às 20:40

No ambiente, como em outros assuntos, vive-se de modas.
Estamos quase que totalmente focados no aquecimento global, quando temos questões relacionadas com água potável, erosão, solos fertéis, para resolver. Nem contando com a desflorestação, aumento de espécies invasoras em ecossistemas, e exploração desregulada de recursos. Vá lá que finalmente acordaram para o descartável.
Depois, é eleger o "bode respiratório". Automóvel e bifes. Os de vaca, não os do UK.
Como se a agricultura intensiva não fosse prejudicial ao meio ambiente, ou se a produção de electricidade fosse inócua para o meio ambiente.
Até hoje, todas as soluções levaram a outros problemas. Etanol, painéis solares.
Há muito a fazer, não só tecnologicamente mas também socialmente.
Redesenhar as cidades, diminuir distâncias percorridas diariamente, e quiçá, racionar alimentos consumidos. Cortar excessos. Aumentar tempo de vida dos produtos. Eliminar o descartável.
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De Pedro Correia a 18.03.2019 às 23:53

O PAN quer proibir o consumo de vaca e leite. Para "salvar o planeta".
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De V. a 18.03.2019 às 23:34

Não sei qual é a ideia mais absurda — a ideia de que se pode salvar o planeta ou a ideia de que a acção humana o vai destruir. Se se preocupassem em plantar árvores no Algarve e actuar sobre um clima específico antes que o Sahara chegue cá é que faziam melhor, mas isso não vem na cartilha burra do costume. Aliás, o que têm feito normalmente é deixar que arda, para isto ficar parecido com as arábias o mais rapidamente possível.
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De Pedro Correia a 18.03.2019 às 23:52

Estou agora no Barlavento algarvio e confirmo. Muito blablablá e árvores, cada vez menos.
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De Anónimo a 20.03.2019 às 12:33

Nunca se matou tantas árvores e se fez tantas destruição ambiental e biológica em Portugal como este ano devido à obrigatória "limpeza das florestas".

A erosão dos solos vai aumentar em grande escala assim como destruição de espécies quer animais quer vegetais.

lucklucky

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