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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 23.06.18

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«A (falta de) paridade na comunicação social é o reflexo da sociedade em geral, tanto na vida familiar como na profissional.
As mulheres não precisam de proteccionismos nem paternalismos. As mulheres são seres humanos semelhantes aos homens, apenas com uma diferença cromossómica que existe para que a espécie humana possa reproduzir-se. Fisicamente - devido a essa diferença genética - as mulheres tendem a ter maioritariamente menos força do que os homens, razão pela qual estavam em desvantagem nas sociedades ancestrais, em que a força física era condição maior para a sobrevivência. Nas sociedades actuais, em que grande parte do trabalho é executado por máquinas e instrumentos, é mais importante a capacidade intelectual, e está sobejamente provado que neste aspecto as mulheres não são inferiores aos homens. Não há, por isso, qualquer razão lógica para a discriminação sexual de que as mulheres continuam a ser alvo hoje em dia, tanto dentro como fora de casa.
As mulheres não precisam de proteccionismos nem paternalismos. E também não precisam de provar que "chegam lá", como alguém aqui comentou. Ou melhor: não deveriam precisar de provar. Não deveriam precisar de abdicar de uma boa fatia da vida familiar para "chegarem lá" (tal como os homens, de resto). Não deveriam precisar de trabalhar o dobro para "provarem" que são tão aptas como os seus colegas homens. Não deveriam ser tantas vezes preteridas em favor de homens apenas porque... são mulheres (e podem engravidar, ou têm filhos pequenos, ou qualquer outra razão igualmente desumana).
As mulheres não precisam de proteccionismos nem paternalismos. Precisam sim de ser consideradas iguais, tanto na vida familiar como na vida profissional. Precisam de que o machismo desapareça definitivamente (tanto das cabeças masculinas como das femininas). Precisam de que as "coutadas dos machos" deixem de valorizar sistematicamente os seus pares igualmente machos só porque sim, ou com a desculpa de que as mulheres são... (e aqui podem incluir tudo o que vos vier à cabeça, desde baratas tontas, falsas, intriguistas e outros epítetos igualmente humilhantes, até absentistas, pouco dedicadas, "sem amor à camisola", etc.).
As mulheres precisam de que a sociedade mude. E depressa, de preferência, que esta injustiça já anda a arrastar-se há tempo demais. Não é culpa das mulheres. É culpa de todos - comunicação social incluída.
(E porque não começar pelas nossas próprias atitudes e pela educação que damos às crianças e aos jovens? Se todos fizermos a nossa parte, a evolução será certamente mais rápida.)»

 

Da nossa leitora Ana C. Borges. A propósito deste meu texto.

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14 comentários

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De Sarin a 23.06.2018 às 21:05

Um excelente comentário.

Cf. no postal que lhe deu origem, sublinho e repito que é uma questão de mentalidade. as mentalidades não se mudam por decreto, mas também não mudam a velocidade constante. "As mulheres precisam que a sociedade mude. E depressa". Acredito na educação, na formação de indivíduos conscientes da sua cidadania, no construir bases para gerações vindouras - o que responde à mudança da sociedade. Nesta em que vivo, temo que a lei da paridade seja uma forma de tentar responder ao "e depressa".
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De António a 23.06.2018 às 21:30

É bom repetir que as mulheres não precisam de proteccionismos nem paternalismos, porque ao aceitá-los mantém-se a desigualdade.
Eu tenho uma filha, evidentemente não a encorajo a considerar-se pessoa de segunda categoria. Era bom que os miúdos não fossem encorajados a considerá-la assim. Infelizmente não é o que vejo. O erro começa cedo.
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De Anónimo a 24.06.2018 às 11:02

Era bom que os miúdos não fossem encorajados a considerá-la assim.

Para os miúdos o que interessa é jogar futebol. Como as miúdas não jogam tão bem como eles, são pessoas de segunda categoria.
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De Anónimo a 24.06.2018 às 12:42

O erro começa em casa...com a proteção das mães ao menino, que pode ir jogar... enquanto a irmã mais velha (ou a mais nova) ajuda a mãe..!!! sim porque o pai está a ler jornal...ou a "trabalhar". Numa família com crianças dos 2 sexos as "Femeas" são sempre sacrificada, porque "eles" têm treino, porque "isso NÃO É PRÓPRIO DE MENINAS....OU DE MENINOS..e a maior parte das famílias tem o PAI MACHO" como modelo..! Mas as mulhes da casa..mães , filhas , e com mais dificuldade as avós têm um papel fundamental na luta pela igualdade!
Grande parte da situaão actual e culpa das mulheres...que são elas próprias, e em grande percentagens machiatas super protectoras dos "machos da casa!!!
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De António a 24.06.2018 às 20:29

“Grande parte da situaão actual e culpa das mulheres” - A SÉRIO, NINGUÉM LÊ PREVIAMENTE UM COMENTÁRIO DESTE CALIBRE ???

É um dos aspectos mais sujos do sexismo -
A culpa foi dela porque trazia uma saia curta / A culpa foi dela porque tinha um grande decote / A culpa foi dela porque bebeu / A culpa foi dela porque não saíu de casa / A culpa foi dela porque não fez queixa / A culpa foi dela porque salgou a sopa / A culpa foi dela porque sorriu para o gajo / A culpa foi dela porque foi vítima?
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De Anónimo a 25.06.2018 às 13:51

A" culpa foi dela" porque se tem em pouca conta...Foi educada para cuidar, proteger e reconhecer a superioridade do "pai" do "marido" e do "irmão"!
é dela porque não se afirma IGUAL, que aceita ser menos "para evitar confusões" e aceita a culpa (e muitas vezes o castigo) PORQUE SIM! porque é mulher e tem Obrigações!!!
As coisas estão a melhorar, mas muito lentamente. Mas ELAS estão a acordar...e eles....por enquanto poucos..estão a ajudar1
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De Bea a 23.06.2018 às 22:46

Um bom comentário, que me parece sentido e verdadeiro. Mas, se é verdade que entendo o "depressa" do texto, também é verdade, como dito acima, que a mudança da mentalidade é muito lenta. Muito já mudou. Outro tanto há a mudar.
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De FranciscoB a 23.06.2018 às 22:48

As mulheres são muito diferentes dos homens em todos os aspectos, incluindo o intelectual; não são melhores nem piores, são diferentes, têm de ser diferentes e ainda bem que o são. Parece-me que o mais importante é a consciência e o respeito pela diferença, pela complementaridade, e não a procura obsessiva de uma igualdade que frequentemente, não existe.
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De O Gajo a 24.06.2018 às 00:02

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De Maria Dulce Fernandes a 24.06.2018 às 09:44

Gostei de ler. Concordo com quase tudo, principalmente "As mulheres não precisam de proteccionismos nem paternalismos. "

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De Anónimo a 24.06.2018 às 11:06

com a desculpa de que as mulheres são...

As mulheres acusam frequentemente os homens, com bastante razão, de serem umas crianças grandes.

Eu tenho descoberto com o tempo que muitas mulheres são umas adolescentes grandes. Apesar de já adultas, continuam com as inseguranças, as hesitações, as incertezas e a inconstância próprias da adolescência.
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De anacb a 24.06.2018 às 15:13

Obrigada, Pedro! Continua a ser preciso abanar consciências.
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De lucklucky a 24.06.2018 às 20:47

Mais um mau comentário. Continua o tribalismo mascarado de igualdade.

A autora que vá visitar os locais onde as mulheres dominam.
E depois venha cá dizer se as preferências gerais desses locais não são as das mulheres.

Como um comentador disse acima as mulheres são diferentes dos homens.

"é mais importante a capacidade intelectual, e está sobejamente provado que neste aspecto as mulheres não são inferiores aos homens. "

Falso. Os homens têm mais variação intelectual que as mulheres, genericamente pode-se dizer que os mais espertos e os mais estúpidos são homens.


E como é habitual a esquizofrenia social continua parece que ser diferente depois não se deve reflectir significado nas preferências, atitudes e comportamentos, de repente devem ser todos iguais.

Elogiam a diferença mas querem tudo igual.


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De júlio farinha a 24.06.2018 às 21:53

Temos de situar o termo sociedade. Há sociedades em que, em nome de cultura, tradição, religião tratam as mulheres como sub-seres, sem direitos. Mas também há sociedades - e algumas que se perdem nos tempos - em que a mulher se destaca, é venerada, tem voz e peso na comunidade. No nosso caso, as mulheres ainda são discriminadas, desvalorizadas, usadas e vítimas de preconceitos fabricados pelos homens. Mas isso está a mudar. A educação tem um papel a desempenhar, mas vai ser a vida, no seu devir histórico que vai, no essencial, promover a igualdade.

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