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O cerco

por Pedro Correia, em 13.12.16

passos_coelho_12_16[1].jpg

 

Paulo Macedo, ministro da Saúde do XIX Governo Constitucional, aceita o convite de António Costa para liderar a Caixa Geral de Depósitos.

Jorge Moreira da Silva, primeiro vice-presidente do PSD e alegado delfim de Passos Coelho, trocou Lisboa por Paris, assumindo um posto de director-geral nesta organização internacional.

Marco António Costa, talvez a figura mais influente do partido laranja no norte do País, deixou de ser porta-voz dos sociais-democratas.

Carlos Moedas, ex-braço direito de Passos Coelho para os assuntos económicos, é hoje comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação.

Luís Menezes, que chegou a ser um dos elementos mais próximos do líder e figura em grande destaque no grupo parlamentar, abandonou a Assembleia da República.

Miguel Frasquilho, outro ex-dirigente da bancada parlamentar laranja, elogia António Costa em entrevista: "Esta solução de Governo já não afasta os investidores."

Pedro Lomba, ex-secretário de Estado, acaba de renunciar à coordenação do Gabinete de Estudos do PSD, para que tinha sido indicado por Passos há oito meses.

 

São sinais dispersos. Mas que, todos somados, permitem tornar ainda mais evidente a solidão política actual de Pedro Passos Coelho.

Entrincheirado no seu bunker da Lapa, única sede partidária sem acesso directo à rua, o presidente do PSD vive hoje numa situação de cerco. Condicionado, por um lado, pelos insistentes apelos à aparição do  novo messias laranja e, por outro, pelas sondagens cada vez mais favoráveis a António Costa, Passos só poderá romper este cerco se mudar muito do que fez até aqui.

Precisa de renovar o núcleo de porta-vozes do seu partido, trocar o financês pelo social no seu discurso e mostrar-se não nos corredores palacianos mas no País real. Sobretudo junto de segmentos da população que nunca votaram nele: nada é tão supérfluo na política como pregar aos convertidos.

 

Entretanto, não deve cair nas armadilhas mais óbvias.

Primeira: continuar a fazer da Caixa um alvo preferencial - a partir de agora, em vez de disparar contra o Governo, dispara fatalmente contra Macedo, seu ex-ministro.

Segunda: hostilizar o CDS a propósito das autárquicas, terreno que Assunção Cristas elegeu para consolidar a sua ainda incipiente liderança. PSD e CDS estão condenados por muitos e bons anos a ser parceiros eleitorais: todas as parcerias exigem cedências mútuas. Em 1593, o Rei francês Henrique IV reconverteu-se ao catolicismo, abjurando do protestantismo: "Paris vale bem uma missa", declarou na altura. Salvaguardadas as distâncias e as proporções, Lisboa bem pode valer um acordo eleitoral.

Terceira, e talvez a mais relevante: manter uma relação crispada com o Presidente da República. Marcelo é oriundo do PSD, foi eleito pela esmagadora maioria dos militantes do partido e mantém elevadíssimas quotas de popularidade. Qualquer  conflito com Belém constitui um inútil desperdício de energias e está antecipadamente condenado ao fracasso - desde logo por ser incompreensível aos olhos do cidadão comum.

 

António Costa, intuitivo como poucos, percebeu isso desde o primeiro instante. Parecer-me-ia incompreensível que Passos Coelho não se apercebesse disto também.

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6 comentários

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De lucklucky a 13.12.2016 às 14:54

Errado.
O problema de Passos é que não é muito diferente. São todos socialistas.

Porque é que alguém que não seja socialista vai votar em Passos?
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 15:49

Curiosidade minha: na sua lógica, "alguém que não seja socialista" vota em quem?
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De Porfirio Tinto a 13.12.2016 às 18:06

Pedro, para o Luck até o Papa Francisco é socialista.
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 18:15

Isso foi no ano passado. Este ano já foi despromovido a comunista.
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De Porfirio Tinto a 13.12.2016 às 18:45

Acho que para o ano o Luck o vai despedir da Cúria (é o que se ouve). Mais um para o desemprego.
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 21:58

Deus lhe valha.

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