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A epidemia do Coronavírus apanhou a China de surpresa. As medidas foram duras mas puramente reactivas. A Europa dispôs de semanas adicionais para se preparar. Todavia, manteve a abordagem reactiva.
 
Com os dados da evolução do n.º de infectados em diversos países da Europa, é possível concluir que essa abordagem pode não ser eficaz. A situação em Itália é o melhor exemplo. Mas, olhando para as curvas, Espanha, Alemanha e França podem estar no mesmo caminho.
 

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Portugal beneficiou de um atraso de algumas semanas suplementares na aparição dos primeiros casos face a outros países da Europa, mas até ao momento não demonstrou especial proactividade.
 
As razões para atrasar medidas de contenção robustas são económicas. Um excesso de cautela pode levar à paralisação de áreas relevantes. Todavia, o que a experiência italiana confirmou é que a disrupção da actividade económica pode ser ainda mais grave quando a reacção é tardia.
 
No caso português, uma evolução com perfil semelhante à que ocorreu em Itália ou que parece estar a traçar-se para Espanha, França ou Alemanha, terá consequências ainda mais graves do ponto de vista da falência do sistema de saúde.
 
O nº de camas de cuidados intensivos estará agora em 7 a 8 por 100.000 habitantes em Portugal. Todavia, bem abaixo da média europeia e de Itália (12/100.000), França (11/100.000), Espanha (10/100.000) ou Alemanha (29/100.000). Acresce que existe estruturalmente escassa disponibilidade de meios de ventilação assistida e uma parte dos meios estão obsoletos ou não operacionais.
 
Isto é, com uma capacidade de resposta claramente inferior à desses países, num cenário de crise, o sistema estaria colocado mais cedo do que os outros perante decisões tão dramáticas como atribuir as camas e as unidades de ventilação em função da esperança média de vida dos pacientes. Acresce que os equipamentos de ventilação parecem ser escassos e estarem obsoletos em muitos casos.
 
Estamos perante uma doença em que os casos de gravidade média ou alta podem precisar durante 2 a 3 semanas de cuidados intensivos e ventilação até à recuperação. Um pico concentrado no tempo ou, eventualmente, numa zona geográfica, terá consequências muito graves que, enquanto sociedade, não me parece que queiramos incorrer. Acresce que, tal como em Itália, temos uma população envelhecida o que coloca um desafio adicional ao sistema tendo em conta a agressividade da doença para determinados níveis etários.
 
Aproveitando a evidência que chega de outros países, reconhecendo sem enviesamentos ideológicos as limitações dos nossos recursos, é o momento de tomar decisões preventivas.
 
Medidas como o encerramento dos estabelecimentos de ensino até às férias da Páscoa, proibição de eventos desportivos, culturais e religiosos com concentração de público e gestão pelo exemplo de responsáveis políticos e instituições são medidas que deveríamos estar a ponderar seriamente.


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