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O candidato.

por Luís Menezes Leitão, em 30.04.15

 

Se alguém tinha dúvidas sobre a absoluta vaguidade de Sampaio da Nóvoa, corporizada na total ausência de ideias e propostas concretas, ficou esclarecido com o seu discurso de ontem. Qualquer candidato a Presidente da República, na apresentação da sua candidatura, deve responder a algumas questões básicas. Este candidato respondeu assim:

— Por que é que se candidata?

— Pela "obrigação de não ficar em silêncio, não me esconder num tempo tão duro".

— O que é que vai fazer na Presidência?

— "Se for eleito Presidente da República não serei o espectador impávido perante a degradação da nossa vida pública".

— Mas então o que vai fazer de concreto?

— Vou ser "presente, capaz de ouvir, cuidar, proteger e promover a inclusão".

— Mas de que forma?

— Vou "unir os portugueses e fazer pactos para o futuro" "Tudo na mesma é que não".

— Mas não nos consegue dizer nada de mais preciso?

— O meu compromisso para Presidente ficará selado numa carta de princípios a ser apresentada "dentro em breve".

— Mas o que é que acha de que facto pode fazer um Presidente da República?

— Um Presidente da República "pode fazer a diferença". "Não governa nem legisla", mas deve ser "um moderador, um regulador". "É por isso que aqui estou". Proponho-me dizer o que penso sobre as grandes questões de Portugal e "agitar".

 

O candidato questionou: "Que política é esta, sem uma única ideia de futuro para Portugal, que país é este que parece sem vontade, sem pensamento e sem rumo?". Acho que deveria começar por olhar para si próprio, já que não apresentou nenhuma ideia nem nenhum pensamento em concreto, tendo até contraditoriamente assumido a posição simultânea de moderador e de agitador. Talvez seja essa a razão por que foi escolhido para candidato pelo PS, em detrimento de Henrique Neto que, esse sim, tem falado de coisas concretas, como o número de políticos a contas com a justiça.

 

Em qualquer caso, está visto que a candidatura de Sampaio da Nóvoa não entusiasma ninguém. Não é por acaso que foi lançada no Teatro da Trindade, com uma capacidade para 400 pessoas, quando o lógico seria que fosse na Aula Magna da Universidade de Lisboa, da qual foi Reitor, com uma capacidade para 1600 pessoas, e que foi onde Jorge Sampaio apresentou a sua candidatura. E mesmo no Teatro da Trindade, os lugares tiveram que ser preenchidos com gente do PS. Já António Costa, que empurrou o candidato para Belém, convenientemente nem sequer compareceu, limitando-se a mandar a família. Na verdade, o candidato não existe sem o PS, e se este não lhe tivesse manifestado apoio, estaria ao nível dos outros candidatos folclóricos que têm surgido. Mas o apoio de um partido não chega para eleger um candidado anódino, como ficou demonstrado em 1980 quando a AD apoiou um general desconhecido, Soares Carneiro, para Belém. Sampaio da Nóvoa já começou a tomar consciência disso, quando disse que "vai ser difícil". Não me lembro de ter ouvido essa frase em nenhum outro lançamento de candidatura.


4 comentários

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De Anónimo a 30.04.2015 às 10:05

Mas o que é que interessa o Sampaio da Nóvoa?? Esta é mais uma prenda para a coligação. Que o PS o vai apoiar é o segredo mais mal guardado, e quando o fizer, ninguém se vai interessar por isso.

Além disso, maior expectativa cria sobre quem o PSD/CDS vão apoiar, para que não nos calhe mais um choninhas tipo Jorge Sampaio em Belém.
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De M. S. a 30.04.2015 às 11:16

O «choninhas» do Jorge Sampaio foi o que:
- Obrigou o banana do Guterres a demitir o super-competente e impoluto Armando Vara.
- Demitiu outro super-competente, agora enquanto 1.º ministro, acabando com aquela bandalheira de governo em que os ministros se demitiam e depois tratavam mal publicamente o 1.º ministro, lembram-sedo Henrique Chaves? Governo que, numa vasta operação de contenção de custos e de melhoria da sua operacionalidade - semeara ministérios e secretarias de Estado de Faro a Braga, alguns em terras tão improváveis como a Golegã (Secretaria de Estado da Agricultura).
- Obrigou a ponderar o roubo das portagens no Oeste enquanto não houvesse alternativas aceitáveis à A8.
Há coisas que se esquecem depressa, especialmente se feitas pelos outros, os do «clube» contrário, os diabinhos.
Se forem feitas pelos nossos, do nosso «clube», os santinhos, então essas coisas são boas.
É o maniqueísmo e o fanatismo politico-ideológico tuga no seu melhor.
Como se tal não bastasse, passados 12 anos ainda se continua a repetir a mentira do «há mais vida para além do défice», frase nunca dita, o discurso é público, apenas para apoucar, denegrir.
É o elevado nível da discussão tuga.
Aqui fica o link de acesso ao dito discurso, para que não pensem que sou igual a estes anónimos que, sob o anonimato, escrevem o que lhes apetece, mentindo, agredindo gratuitamente os outros: fazendo tudo menos discutir os posts com seriedade.
Eu assino M. S. (abreviatura de Manuel Silva, meus dois nomes verdadeiros que posso comprovar com o CC onde for necessário. E ponho todos os comentários sempre assim, não uso mil «nick names» diferentes).
http://jorgesampaio.arquivo.presidencia.pt/pt/noticias/noticias/discursos-933.html

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De Bruno a 30.04.2015 às 15:02

Excelente resposta caro M.S.

Já farta ver nas redes sociais cidadãos comuns a tentar justificar a todo o custo as acções dos "seus" e a procurarem denegrir todas as acções dos adversários políticos - mesmo que, salvo devido desfasamento temporal, sejam exactamente as mesmas.

Mas, nas ditas redes, já se espera.. ou melhor, não se espera grande coisa. É por isso que procuro espaços que permitam a diversidade de opinião e ao mesmo tempo que esta seja fundamentada, não em clubites e ódios de estimação mas em factos, em pensamento crítico, em ética; até em valores, mesmo que diferentes dos meus.
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De Anónimo a 30.04.2015 às 15:56

Espera, ninguém pode tocar no choninhas Sampaio, mas ao presidente em exercício pode-se desrespeitá-lo em plena Assembleia da República?

Toquem-se. Se a esquerda quer ser respeitada, que tivesse respeitado os outros primeiro. Calimeros.

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