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O Bloco imutável

por João Pedro Pimenta, em 31.07.18

Se há coisa que o caso Robles provou é que o BE não tem emenda. Não se ouviu um ligeiro arrependimento, uma postura ligeiramente mais humilde nas "explicações", um mínimo de respeito pela crítica. Houve a inevitável demissão, de acordo, mas ainda assim com uma rápida justificação de "opções privadas". Robles sai do cargo com a dignidade possível. Mas o triste papel a que se prestou o seu partido nos últimos dias mostra que ali nada mudou. Não, o BE responde contra as "mentiras e calúnias" com mensagens com escrita de SMS, provavelmente emitidas entre uma e outra sessão de "veganismo e antiespecismo" ou "a propriedade é um roubo" (este vem mesmo a propósito), algures no "espaço queer" do "acampamento da liberdade", refugia-se num hipotético decreto que vai trazer a salvação das almas, e chega mesmo a dizer, pelo profeta Louçã, que Ricardo Robles "combate a especulação", num movimento esquizofrénico que ora diz que não há ali nada de ilegal (até ver parece que não, mas a crítica nem é essa), ora protesta contra as zonas de Lisboa "onde podia morar gente e está reservada a turistas". O partido que usa a acusação de "hipocrisia" como arma de arremesso contra tudo e todos reage às provas da sua própria hipocrisia como se todos lhe devessem alguma coisa. Não aprenderam absolutamente nada de nada. O debate entre o Adolfo e uma embaraçada Mariana Mortágua revelou isso à saciedade. Por alguma razão João Semedo recebeu tantos elogios aquando da sua morte: era talvez o único daquela malta que sabia discutir e que não tratava os adversários políticos como seres menores. Agora ficámos reduzidos a ouvir o tonzinho de professores de moral da inefável Catarina Martins e do Prof. Rosas e as explicações apressadas do inatingível Robles, especulador nuns dias da semana e activista anti-especulação noutros.

 

robles martins.jpg

 (Imagem Público)


45 comentários

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De Rão Arques a 31.07.2018 às 08:16

CACADOS
"A coordenadora do BE detém uma posição minoritária numa empresa de alojamento local gerida pelo marido e pela sogra. Explora unidades no Sabugal. Partido diz que ajuda a combater a desertificação."
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De Gay Radiante a 31.07.2018 às 14:06

Isso já nada tem a ver. A polémica e premência da chamada especulação imobiliária surge em Lisboa e Porto

O lucro obtido com a especulação imobiliária é decorrente de um aumento nos preços do solo urbano - este aumento têm sido exponencial apenas em Lisboa e Porto e não no Sabugal.
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De Anónimo a 31.07.2018 às 19:02

Ui, uma posição minoritária numa empresa de turismo rural, o que ajuda a combater a desertificação. Nada a ver com a gentrificação.
A comunicação social portuguesa está cada vez mais ridícula.
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De Anónimo a 01.08.2018 às 07:41

No entanto, apesar da pressão turística se sentir em algumas zonas de Lisboa e Porto, as alterações à lei do Alojamento Local têm âmbito nacional e foram aprovadas com votos a favor do BE.
Não é a mesma coisa do Robles, mas...
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De Bea a 31.07.2018 às 08:23

Toda a gente tenta primeiro salvar a família, consanguínea ou de outro tipo. É a reacção natural que, neste caso, a resposta política de Catarina Martins devia ter acautelado e ela avançou com confiança (o que até entendo em parte, não esperava tal atitude de Robles). Mas depois existem os factos. E os factos não são bonitos para o lado de Robles. Há actos que passam impunes. E os que não. Este não passou. Quem os pratica sabe das hipotéticas consequências. Mas aferir a moralidade de um partido pela falta de carácter de um elemento de proa é injusto. Contudo, não deixa de ser uma machadada no tronco da árvore a que o mesmo político pertence.
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De António a 01.08.2018 às 10:59

Se quiser avaliar o BE como um todo verá a mesma hipocrisia. Pois se já chegaram várias vezes ao cúmulo de aprovar leis num dia e protestar contra elas no dia seguinte - ou protestar de manhã e votar a favor de tarde. Não me diga que ainda não tinha reparado?
Também não reparou na mudança nada subtil dos outdoors, que no tempo de PPC gritavam por tudo e nada, e agora nem com mortos e desaparecidos piam?
O problema do BE é justamente a moralidade, cresceram a apontar o dedo a imoralidades reais e fabricadas, e não têm nenhuma.
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De Gay Radiante a 01.08.2018 às 12:02

Já o CDS não tem problema nenhum com a moralidade. O tal partido da Doutrina Social da Igreja
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De António a 01.08.2018 às 13:01

Está a confundir com o PDC. E que me lembre eu estava a falar do BE. Você desconversa porque não tem argumentos. Até admira que não tenha ido logo para a Tecnoforma ou SLN. Quando o melhor argumento dos apoiantes do BE é “os outros também fizeram” é porque não têm argumentos.
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De Gay Radiante a 01.08.2018 às 20:15

"Está lá a alma do CDS, focada em torno do humanismo personalista, a afirmação mais assumida: um partido centrista, democrático e social, como é contado por Freitas do Amaral e nos legou com Amaro da Costa, um partido assumidamente democrata-cristão desde os primeiros dias, ancorado na inspiração da doutrina social da Igreja".

https://observador.pt/especiais/o-nascimento-partido-centro/
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De António a 02.08.2018 às 09:46

Não sabia que o Robles era do CDS. As coisas que a gente aprende.
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De Bea a 01.08.2018 às 23:23

Penso apenas que as generalizações são muito perigosas.E que nenhum partido político é divino. E na verdade não reparo em outdoors. O BE parece-me um bom partido de oposição à esquerda. Neste momento viabiliza um governo socialista facto que considero positivo e julgo eu que essa viabilidade acarrete algumas responsabilidades. A mim me parece que têm cumprido sem abandonar a crítica.
Quanto ao caso Robles, por morrer uma andorinha não acaba a primavera.
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De António a 02.08.2018 às 10:08

São perigosíssimas, as generalizações. "A Direita". "Os Senhorios". "Os Capitalistas". O Bloco devia mesmo deixar de usá-las, como se viu, cada caso é um caso, principalmente casos lá de casa.
O Bloco é divino sim senhora - sabe tudo e nunca se engana.
Devia ter reparado mais nos outdoors do Bloco. "NEM MAIS UM CÊNTIMO PARA A BANCA ENQUANTO HOUVER CRIANÇAS COM FOME". É claro, isso era dantes, depois aprovaram 5 000 000 000 para a banca E NÃO PERMITIRAM QUE SE SOUBESSE QUEM OS DESBARATOU.
Também acho que é uma beleza de oposição - quando de dia propoem o fim do imposto aos combustíveis, e de noite votam contra a própria proposta. Deve ser isso "cumprir sem abandonar a crítica".
O caso Robles é, como bem diz, um caso, uma andorinha, o homem só queria ganhar uns milhões. E a Catarina só quer combater a desertificação. E a Mariana adora o papá que lhe permitiu tirar um curso com dinheiro de sangue - dos outros. Vendo bem, talvez sejam mais abutres que andorinhas. Talvez não seja primavera.
Mas, você acha boa idéia viabilizar um governo socialista...
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De Gay Radiante a 02.08.2018 às 10:37

"E a Mariana adora o papá que lhe permitiu tirar um curso com dinheiro de sangue - dos outros"

Liga de Unidade e Acção Revolucionária foi um movimento político fundado em Paris, em 19 de julho de 1967, sob a liderança de Hermínio da Palma Inácio, depois do assalto ao banco de Portugal na Figueira da Foz. Entre os principais aderentes, estão Camilo Mortágua, Emídio Guerreiro, futuro líder interino (na ausência, por motivos de saúde, de Francisco Sá Carneiro) do Partido Popular Democrático (hoje PSD) e Fernando Pereira Marques, futuro deputado do Partido Socialista.

Homens como Camilo Mortágua arriscaram o sangue pela liberdade de outros poderem fazer com o seu sangue aquilo que lhes ditasse a sua liberdade de consciência.

Homens como Camilo Mortágua e Palma Inácio arriscaram couro e cabelo em contraste com os opositores de pacotilha ao regime.

Só lhe falta agora apontar o dedo a esses sanguinários, assassinos, que ousaram tomar a Quartel de Beja. Mas estava à espera do quê? Da persuasão da palavra e do aperto de mão ? Vivíamos em ditadura com milhares de presos políticos e centenas de homens assassinados (ou "suicidados")por levantarem a voz contra o regime.

Desses nem pio, não é Tó!

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De António a 02.08.2018 às 13:42

Olhe que até poderia piar, mas isso implicava contar-lhe a história da minha família e este não é o local. Talvez um dia escreva um livro. Deixo-o com um pensamento budista - quando se combate o mal com o mal, o mal triunfa.
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De Gay Radiante a 02.08.2018 às 15:54

Sim, António, acredito que a nossa experiência determine a nossa mundividência, mas não o alcance da verdade objetiva.

Respeito por si e pela sua família
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De João Pedro Pimenta a 02.08.2018 às 23:41

Não confundamos a LUAR pré 25 de Abril com a pós Abril, nem Palma Inácio com Camilo Mortágua. O primeiro abandonou a luta armada logo a seguir à revolução, ao contrário do segundo.

Quanto ao CDS, a descrição que faz acima é dos anos setenta. O partido de Freitas é um pouco diferente do que era na altura, o que de resto é natural (nem Freitas continuou lá). E o carácter democrata cristão do partido, não sendo negado, tem sido bastante debatido.
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De Gay Radiante a 02.08.2018 às 11:29

Acreditando inicialmente na versão portuguesa, segundo a qual se tratava de um acto de «pirataria», o governo de Londres e a administração Kennedy acabaram por mudar de atitude e consideraram o assalto ao navio como um acto político. O gabinete inglês de MacMillan, suspendeu as buscas do paquete, enquanto os governos da França e da Holanda, solicitados a intervir, por Portugal, preferiram abster-se. Quanto a Washington, decidiu tratar Galvão como um opositor político do regime.

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De Bea a 03.08.2018 às 00:18

António
não me abalanço a discutir consigo sobre as pessoas do BE porque, como já deve ter compreendido, não estou "em cima" da jogada política e nem aprecio as pessoas por laços familiares ou outra redondeza. Mas não me desagradam as mulheres do Bloco:). Não tenho como contrapor as suas afirmações que acredito sejam verdadeiras, mas sei muito pouco da vida de cada elemento para poder discuti-las ou até aceitá-las. No entanto, é possível que BE e PCP engulam alguns sapos por via da posição que escolheram ocupar. Ossos do ofício.
E eu não disse que o melhor governo era um governo socialista. Mas é sem dúvida melhor que o PSD que se perfilava para novo mandato; suponho que o camarada Jerónimo tenha pensado de forma semelhante, já que foi o primeiro (julgo) a disponibilizar-se para o viabilizar. Descreio deste PS. Quem sabe haja um tempo em que surge renovado. Por hora, é mais do mesmo. Outros rostos, os mesmos defeitos.
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De Justiniano a 31.07.2018 às 09:02

Sim, mas em nada este episódio fez diminuir a complacência, ou mesmo a simpática deferência, com que são tratados pela media de referencia!!
Ou a condescendência, tibieza, oferecida por adversários políticos e ideológicos (com raras excepções que não deixam de retribuir, e bem, a insolência)!!
Nada de novo, um padrão do ocidente actual!
O que acho mais interessante é a forma atrevida como, dando-se à húbris, manifesta tiques de uma pesporrencia que mete nojo!!
Andam deslumbrados e alheios aos fenómenos de exaustão em crescendo!!
O Bloco, como outros na Europa, inaugorou, em Portugal, a era do radicalismo de referencia, com a linguagem do confronto sem tréguas. Medra na tibieza dos adversários!
(veja-se o caso Rajoy, em que o institucionalismo, o formalismo, a deferência de linguagem se confundiram com fraqueza política e placidez face aos episódios de corrupção no seu partido!! Nem sei se a Espanha sobrevive a 3 anos de Sanchez, coisa que nos deveria preocupar profundamente)
A receita, radical, funciona e tem imprensa! Não estranhemos, portanto, que à direita ocorra um fenómeno idêntico!!

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De João Pedro Pimenta a 31.07.2018 às 22:36

Uma complacência mediática que, juntando a um discurso politicamente correcto e à ausência de responsabilidades governativas, leva a este sentimento de impunidade política. Mas até isso tem limites.
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De Gay Radiante a 31.07.2018 às 09:33

Sinceramente só li o primeiro parágrafo. J. P. Pimenta justifica clara e infelizmente o pensamento da semana :

"Impossível examinar os problemas assustadoramente complexos da vida pública se estivermos simultaneamente preocupados em, por um lado, discernir a verdade, a justiça e o bem público e, por outro, em conservar a atitude que convém a um membro de um determinado grupo. A faculdade humana de atenção não é capaz de ter ao mesmo tempo esses dois cuidados. De facto, qualquer pessoa que se prenda a um deles abandona o outro. [...]"

Simone Weil, "Nota sobre a supressão geral dos partidos políticos", Antígona, 2017.

A atitude do Bloco face ao caso Robles não lhe é exclusiva havendo exemplos ad nauseam de respostas, ou ausência delas, em casos desconfortáveis envolvendo deputados ou líderes partidários de outras filiações políticas - ex: Caso Tutti Frutti, Montenegro ganhou quase meio milhão em ajustes directos de autarquias do PSD, Cantor e ex-autarca ganha contrato de €72 mil com Câmara de Faro....

https://www.google.pt/amp/s/www.sabado.pt/portugal/politica/amp/cantor-e-ex-autarca-ganha-contrato-de-72-mil-com-camara-de-faro

Quanto ao silêncio do Bloco, ele não foi absoluto:

São circunstâncias que, no Bloco de Esquerda, nós condenamos e que levam à gentrificação”, disse Luís Fazenda, cofundador do Bloco de Esquerda, a respeito do caso que envolve Ricardo Robles e a sua casa de Alfama.

https://eco.pt/2018/07/30/luis-fazenda-critica-robles-nao-posso-dizer-outra-coisa/

Lamentável este enviesamento opinativo, que ofende uma clarificação intelectualmente honesta.

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De Anónimo a 31.07.2018 às 16:20

"A atitude do Bloco face ao caso Robles não lhe é exclusiva havendo exemplos ad nauseam de respostas, ou ausência delas, em casos desconfortáveis envolvendo deputados ou líderes partidários de outras filiações políticas - ex: Caso Tutti Frutti, Montenegro ganhou quase meio milhão em ajustes directos de autarquias do PSD, Cantor e ex-autarca ganha contrato de €72 mil com Câmara de Faro...."
O problema é que se considera que quem é de direita existe para ganhar dinheiro. É normal como no caso de Cavaco com as acções e milhares de outros exemplos.
Quem é de esquerda existe para ser pobre e fazer sacrifícios. É o que muitos comentadores pensam, por vezes de modo não explicito.
Certa esquerda põe-se a jeito ao pregar o miserabilismo. Veja-se o caso do Iglésias em Espanha com o apartamento. E põe-se a jeito ao considerar que a pobreza é uma virtude a cultivar. Se fosse não haveria revolução nem os trabalhadores se revoltariam. É claro que eles querem viver tão bem como os burgueses. Isso é que dá problema.
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De Gay Radiante a 31.07.2018 às 20:16

A Esquerda deve distinguir -se pelas políticas sociais - Estado Social, Politicas de Educação, de Saúde...- que visem garantir a OPORTUNIDADE, e não a obrigatoriedade, de acesso a serviços públicos de qualidade - a tal possibilidade de Mobilidade Social - e não pelos discursos revolucionários de índole económica e social de troca o passo...do camarada, do proletariado, do capital, do trabalho etc....
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De João Pedro Pimenta a 31.07.2018 às 23:24

Nem sequer confundo casos que subentendem uma favorecimento que pode até ser ilícito com os actos de Robles (embora não saibamos se eventualmente ele foi beneficiado no leilão do imóvel). Aponto é para o Bloco e o seu discurso de tal forma moralista que impede de olhar para o seu próprio umbigo. E Fazenda teve uma atitude isolada, a qual, aliás desdisse.
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De Gay Radiante a 31.07.2018 às 23:35

De acordo com Catarina Martins, "reconhecendo o erro" de ter havido intenção de vender o imóvel, mas também tendo em conta o "trabalho extraordinário" desenvolvido por Ricardo Robles como vereador, a direção do partido entendeu que "o essencial era que ele prestasse todos os esclarecimentos e que isso seria condição para ele manter o seu trabalho".

"Esse revelou-se um erro de análise e cabe-me a mim reconhecê-lo porque, de facto, a contradição era grande, porque de facto não foi possível explicar e porque isso criava um entrave quotidiano no trabalho do próprio Ricardo na autarquia", assumiu.

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/catarina-martins-assume-erro-de-analise-da-direcao-do-be-sobre-caso-de-robles
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De Anónimo a 31.07.2018 às 10:49

Provou-se que, para o bem comum, é bem melhor e mais útil um Robles & mana empreendedores imobiliários SA. que o BE a "tratar" e "regulamentar" politicamente sobre tal materia.
Tal também se aplica a muitas outras matérias, bem vistas as coisas.

Sobrando aquelas patológicas ganas de "evangelização" mais canhota é deixar as irmãs Mortáguas, a sras.D. Catarina e Marisa, os Professores Rosas e Pureza ou o cardeal Louçã ou as maltas do "Livre" alapados nos media a vender o seu "peixe". É que depois de "Robles & mana do Imobiliário lisboeta", quando estivermos a ouvi-los nas nets, tv, radio, disco e cassete pirata os portugueses vão sorrir mais vezes, muito mais vezes, se calhar até dar mais vezes umas boas gargalhadas...

Jorg
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De Justiniano a 01.08.2018 às 09:02

Sim, deste caso Robles contra Robles, Portugal sai a ganhar se o tal Robles se mantiver como um empreendedor dinâmico!!

Vamos ver! Contudo, dizem-me, depois de ouvir, o que Robles ouviu de Robles e manitas, qualquer empreendedor dinâmico perde o fervor criativo, esmorece e perde alento empreendedor!!
Seia uma pena, o rapaz até tem jeito para o imobiliário!!
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De Anónimo a 31.07.2018 às 10:53

Perante tanta insistência, eu insisto também:
- Acima de tudo, o que interessa é quem, de facto, faz trabalho político e legislativo efetivos, no sentido da justiça social e da qualidade de vida dos cidadãos.
Aqueles que negam os retroativos aos professores são os mesmos que julgam e condenam retroativamente um caso destes.
Enquanto protegem política e legislativamente a alta e criminosa corrupção reconhecem, neste caso, a legalidade da coisa, mas condenam, inexoravelmente, a simbologia do ato.
Eis a mais requintada hipocrisia farisaica.
João de Brito

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De lucklucky a 31.07.2018 às 20:13

Há maior corrupção que comprar votos com o dinheiro dos outros usando a violência do Estado o obter?

Algo que tu estás de acordo.
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De João Pedro Pimenta a 31.07.2018 às 23:26

É engraçado como usam o discurso da hipocrisia para proteger a própria. Deixe-me adivinhar: há hipocrisia boa VS hipocrisia má?
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De Justiniano a 01.08.2018 às 09:11

Sim, Robles telúrico versus Robles metafísico!!!
Urge arranjar um GPS ali pró João Brito, não me parece que ele lá vá de bússola. Quando o norte magnético varia, ele perde-se!!
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De João Lopes a 31.07.2018 às 11:32

Não sei explicar, mas eu vejo tudo ao contrário de muitos. Já li vários textos em que Robles é acusado de trair a causa dos trabalhadores ao meter-se em negócios. É um traidor dos anti-capitalistas, dos trabalhadores. Ora eu vejo-o mais como um traidor dos capitalistas. Sendo um homem de negócios ( que envolvem grandes quantias), ele trai a causa dos capitalistas ao defender acerrimamente leis que só o podem prejudicar bem como aos seu colegas capitalistas. Faz-me lembrar o Engels (que nunca devia ter escrito os livros que escreveu, é??).
E o célebre debate Adolfo-Mariana? Para mim Adolfo criticou-o por que ele defende leis contrárias aos seu próprios interesses (e contrárias aos de muitos apoiantes do CDS) e Mariana Mortágua elogiou-o por ele ter tido a coragem de defender leis que prejudicam os seus interesses.
Portanto há duas maneiras opostas de apreciar todo este problema (que para o Bloco não está a dar bom resultado, é certo).
Não sei explicar o que me leva a ver as coisas como vejo!!
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De Luís Lavoura a 31.07.2018 às 14:46

Mariana Mortágua elogiou-o por ele ter tido a coragem de defender leis que prejudicam os seus interesses

Não há nenhuma virtude especial em uma pessoa defender leis que vão contra os seus interesses.

Ademais, o que está em causa não são os interesses de Robles, o que está em causa são as suas práticas ativas. Uma pessoa pode ter interesses devido a várias circunstâncias (familiares, etc) que nem sequer dependem dela própria. Aquilo que está em causa em Robles não são interesses que ele passivamente tenha, são atividades especulativas em que deliberadamente se envolveu.
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De João Lopes a 31.07.2018 às 17:11

"Não há nenhuma virtude especial em uma pessoa defender leis que vão contra os seus interesses." Ai é? E se defender leis que garantam os seus interesses? E se esses interesses forem privilégios acessíveis a poucos?
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De Luís Lavoura a 31.07.2018 às 18:32

Não vale muito a pena, a meu ver, estarmos a discutir a magna questão ética de se é meritório defender coisas que vão contra os próprios interesses. Essa é questão é, a meu ver, secundária neste caso, porque o que está em causa não são os interesses que Robles tenha ou deixe de ter, e sim as atuações concretas que Robles teve.

E, as atuações concretas que Robles teve foram as de um especulador imobiliário, que compra barato e tenta depois vender muito caro. (Neste caso a venda saiu-lhe furada, mas o que interessa é que ele a tentou efetuar.) Mais, a sua atuação foi a de uma pessoa que reconverte os prédios para arrendamento a turistas ("alojamento local") em detrimento do arrendamento a residentes permanentes (o prospeto de venda enfatizava explicitamente que o prédio remodelado era ideal para alojamento local).

E portanto, as atuações concretas e comprovadas de Robles vão contra aquilo que ele afirma defender. E portanto, ele ao defender essas coisas foi hipócrita, falso, mentiroso.
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De João Pedro Pimenta a 31.07.2018 às 23:32

É uma visão curiosa, mas quase impossível na prática. Nesse caso tratar-se-ia, como refiro no texto, de um caso de esquizofrenia. Se alguém tem uma determinada ideia não tem um interesse contrário a essa ideia, mais a mais com competências partidárias e executivas. Faria sentido alguém combater publicamente o aborto e ter interesses numa clínica de abortos? O que o Adolfo tecla no seu debate é precisamente isso: no seu caso, não teria feito nada de diferente de Robles. Mas ele não é contra aquele tipo de negócio, nem faz da sua carreira política um libelo contra aquilo. Como tal, e se Robles tinha um discurso que colidia contra a prática, tinha de assumir as responsabilidades políticas respectivas. Senão estaria simplesmente a brincar à política.
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De António a 01.08.2018 às 11:03

Defender leis contrárias aos seus interesses não é coragem, é estupidez. Hipocrisia se for aproveitando as que existem para se aboletar e fazer-se de inocente ao mesmo tempo.
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De Anónimo a 31.07.2018 às 12:30

BE : Fossa séptica dialéctica...


JSP
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De Anónimo a 31.07.2018 às 17:17

O PS venceu, ganhou. E ganhou bem. Soube aproveitar esta desastrada iniciativa do vereador do BE. E soube esperar a melhor ocasião para desacreditar, eleitoralmente, o BE.
Serão muitos votos que eventualmente voltarão a casa?.

Como se dentro da Câmara M. de Lisboa, um feudo 100% PS, não se soubesse com detalhe o percurso do ingénuo vereador.
O PS apenas deixou que se acumulassem esqueletos no armário.
E na ocasião que achou como sendo a mais adequada disparou.
Basta a ver na comunicação social, e nas netes, quem não pára de bater no ceguinho e na ceguinha. Puseram-se a geito, diga-se.
Será que existem mais esqueletos em outros incautos armários?.
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De Manuela A. a 31.07.2018 às 18:46

"E na ocasião que achou como sendo a mais adequada disparou. " Cedo demais. Daqui a um ano e pico (altura de eleições) ninguém se lembra. A não ser que tenham na manga mais casos para irem desgastando. Mas essa via é perigosa. Porque o PS (e os outros partidos) tem de certeza muito mais esqueletos que de repente (sem se saber como) podem sair do armário.
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De João Pedro Pimenta a 31.07.2018 às 23:34

Não é de excluir, embora seja uma hipótese muito maquiavélica. Porque é verdade, o PS ganhou muito com este caso. E o substituto de Robles parece ser uma figura política mais apagada.
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De Vento a 31.07.2018 às 22:53

Se me permite, eu venho lavar os cestos nesta vindima. O caso Robles deu oportunidade a seus adversários para concordarem com tudo quanto Robles fez, mas não com o que ele dizia. E ficou claro que o único objectivo de seus ataques era atingir um patamar que os colocasse em posição de igualdade moral para com o BE.

Isto é algo muito abaixo do medíocre, porque na realidade a especulação imobiliária a que se assiste com a conivência deste governo e da oposição é de uma imoralidade atroz. É imoral na medida em que sendo o Estado detentor dos meios físicos directos e indirectos (imoveis para colocar no mercado de arrendamento) bem como dos meios legislativos para alterar esta situação só não o faz porque existe interesse por parte de alguns na manutenção deste status.

A oposição a única questão que pretendeu alcançar com o caso Robles foi precisamente poder dizer que na imoralidade não estão sós. Ora bem, podem não estar sós na imoralidade, mas estão acompanhados de milhões de pessoas que nos grandes centros procuram encontrar um tecto que lhes permita usufruir da dignidade que todos hipocritamente dizem reconhecer nos outros.
Chegados a este ponto, entende-se por uma boa governação moral aquela que é executada para o bem comum e não para o bem de alguns.

Façam leis que obriguem também a Banca a colocar os stocks em seu poder no mercado de arrendamento. Ninguém em nome pessoal ou de interesses pessoais pode invocar o seu estatuto de proprietário para subverter princípios de uma nação que colocam em causa o bem-estar de milhões.

Esta polémica faça com que os olhos da nação se abram para ver que tipo de políticos pretende governar o país.
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De João Pedro Pimenta a 31.07.2018 às 23:36

No caso de imoralidades, não só não estão sós como foram ultrapassados pela esquerda. Não esquecer que o Be tem o discurso mais moralista e utiliza amiúde a palavra "hipocrisia" para desqualificar os adversários.
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De António a 01.08.2018 às 11:11

O BE é o partido mais hipócrita de Portugal. Tudo acerca do que se esganiçavam no tempo de PPC está agora bem caladinho. Nem um pio acerca dos hospitais, das escolas, dos bancos, da ferrovia, nem sequer nos incêndios piaram. Estão a ver a gamela ali tão perto, tão perto.
Espero que nas próximas eleições sejam enxotados para a insignificância de onde não deviam ter saído.

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