O assassinato em Maputo do administrador do BCI

Há 29 anos em Maputo foi assassinado José da Lima Félix, então o administrador do BCP em Moçambique. Alvejado na rua, o caso nunca foi deslindado criminalmente. A polícia aprestou-se a reduzi-lo a um mero assalto. No entanto, as causas do crime foram imediatamente ligadas às questões de fraudes bancárias que ele investigava - um ambiente financeiro que veio a ser esmiuçado pelo investigador Joe Hanlon em 11 artigos publicados no jornal “Metical”: “Matando a galinha dos ovos de ouro” (para aceder basta “clicar” no título), sendo que no 9º capítulo é explicitamente enquadrado o que terá causado o assassinato.
Esta semana em Maputo - em pleno Hotel Polana, desde há um século o ex-libris da cidade - foi assassinado Pedro Ferraz Reis, o administrador do banco moçambicano BCI, indicado pelo português BPI, que àquele banco detém em parceria com a Caixa Geral de Depósitos. A polícia inicialmente reconheceu a existência de crime. No dia seguinte adoptou uma tese de suicídio. Tão absurda que aviltante: a vítima ter-se-ia deslocado para os sanitários públicos do hotel, aí ingerido raticida e, depois, teria cortado os pulsos e ainda se teria esfaqueado múltiplas vezes, no coração, no peito, no pescoço e nas costas... (Quem quiser ver a - inenarrável - conferência de imprensa na qual a polícia apresenta a sua peculiar tese da ocorrência de suicídio pode fazê-lo através desta ligação. E o que nela se passa é absolutamente descritivo do estado daquele país).
A tentativa policial de encobrimento do crime é evidente. Será patética. Mas acima de tudo é escandalosa.
Há uma Petição Pública a instar o governo português a não mitigar os seus esforços para pressionar as autoridades moçambicanas para que seja investigado o evidente crime.
Muitas vezes se defende que as relações político-diplomáticas se devem suavizar em prol da continuidade dos interesses económicos nacionais (a realpolitik). Mas que interesses económicos nacionais serão defendidos através de uma tibieza governativa face aos assassinatos dos representantes das grandes empresas portuguesas, causados pela sua confrontação com a criminalização dos seus interlocutores estrangeiros?
Ou seja, peço-vos que assinem esta Petição Pública (e é de não esquecer que após a assinatura é necessário uma confirmação via e-mail, e para isso basta um clic). Pois é a única acção que o vulgar cidadão pode fazer para tentar despertar São Bento. E o sempre modorrento Necessidades.
(Texto também no meu "O Pimentel")
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ADENDA

