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O ar que respiramos

por João Pedro Pimenta, em 22.03.20

Eis uma explicação racional para a quantidade de mortes em Hubei, Norte de Itália e Norte do Irão. Tudo zonas que pela sua densidade populacional, geografia (zonas planas rodeadas de cordilheiras, que limitam a circulação do ar) e sobretudo indústria pesada e, no caso de Itália, posse de automóveis per capita, das maiores do mundo (e todos sabemos como os italianos apreciam carros), levam a que haja muito pior qualidade do ar, doenças respiratórias e a situação tão complicada que temos vindo a assistir nessas regiões.

Mais uma razão para pensarmos que há questões prementes a ser resolvidas, e que o ar que respiramos é sem dúvida uma delas. Até lá, resta-nos aprender com as lições, por duras que sejam. A economia tem de reerguer-se e o ar ficará novamente mais poluído, mas convinha voltar a este assunto, que aliás esteve no ordem do dia no último ano logo que possível. Talvez muito do cenário terrível que temos vindo a assistir fosse mais ténue.  Que este ar mais limpo que respiramos agora nos ajude a perceber isso, e a curto prazo nos ajude. 


30 comentários

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De Anónimo a 22.03.2020 às 01:49

A tentativa de propaganda revolucionária continua...

A media de idade das mortes em Itália anda entre os 79-80 anos. A media de idade das infecções é de 63 anos.
Muitos mais homens que mulheres morrem apesar das mulheres sobreviverem mais anos.

lucklucky
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De João Pedro Pimenta a 22.03.2020 às 18:41

É, é isso e a negação ideológica. Essa malta que proclama que a má qualidade do ar provoca doenças respiratórias é tudo um bando de pérfidos marxistas.
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De João André a 22.03.2020 às 18:45

Não vale a pena... O camarada lucky seria eleito controleiro geral do PCUS se seguisse um tudo mais para a direita (e desse a volta ao contador).
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De Anónimo a 22.03.2020 às 19:41

Não foi esse o seu argumento.

Aliás atendendo ao nível do argumento feito no artigo até alguém poderia afirmar que poluição aumenta a esperança de vida...

O facto é que Itália é um dos países que têm maior esperança de vida. -com poluição -.

Há uma tendência natural para tragédias destas levarem a revoluções. Acaba sempre mal.


lucklucky
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De Anónimo a 22.03.2020 às 19:44

Quando referi revolucionário não impliquei necessariamente Marxista.
Todas as tragédias desta dimensão levantam sempre uma componente de expiação e necessidade de voltarmos a sentir poder após a impotência.

lucklucky

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De marina a 22.03.2020 às 06:49

a taxa de mortalidade italiana média diária normal decaiu este ano ...anteontem morreram 1380 italianos , ora :

"En 2018 murieron en Italia 633.133 personas, 15.928 menos que el año anterior. Cada día se producen de media 1.735 fallecimientos."~

https://datosmacro.expansion.com/demografia/mortalidad/italia

a mortalidade diária pode ser vista aqui

https://countrymeters.info/pt

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De João Pedro Pimenta a 22.03.2020 às 18:42

Sim, mas com um detonador aumenta logo.
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De zazie a 22.03.2020 às 09:04

O artigo parece-me propaganda ambiental e sem nada de científico.
Vi mapas de distribuição planetária do vírus e o que se nota é que ele procura ambientes mais tépidos e "confortáveis" para se propagar.Incluindo as pessoas mais velhas. Não é por serem débeis mas por terem mais células por onde eles entrarem nos pulmões.

Tudo o que é vida procura vida, incluindo os que a parasitam. O meio-termo é a questão. O equilíbrio, porque a Natureza também reage e o procura.
Daí não vejo forma de retirar "justiça". Pode-se é acatar que não controlamos tudo, como em tempos "normais" se tende a fazer crer.
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De zazie a 22.03.2020 às 09:06

Aliás, na Lombardia o vírus propagou-se por pequenas vilas e aldeias. Andei por lá. É lindíssimo e nada tem da visão citadina completamente poluída. Isso é Tóquio, ou cidades chinesas.
Agora os mercados chineses sim. Não é por agit prop vegan que se entende mas por porcalhice e mania de comerem todo o bicho que encontram. Toda aquela nojeira bem decorada. As pestes sempre vieram dessas bandas e desses hábitos.
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De João Pedro Pimenta a 22.03.2020 às 18:45

Atenção: quando falamos da Lombardia (e de parte do Veneto e da Emilia Roanha) falamos de um território que, como digo no post, é uma grande planície ao longo do Pó com os Alpes a norte e os Apeninos e sul, com uma menor circulação do ar. Não são só os elementos industriais, populacionais e rodoviários. Ainda me lembro de ver nos livros de D. Camilo a descrição dos nevoeiros frequentes do vale do Pó, estáticos e que demoravam a levantar.
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De zazie a 22.03.2020 às 20:46

Pura e simplesmente estava mais perto da rota. Sempre foi assim- Rota da Seda. Chegavam aos portos venezianos a Cádis. Por aí fora. Sempre vieram do mesmo sítio. Chamarem-lhe espanhola, por exemplo é fantasia por posição política, nada tem a ver com a origem.

Agora os mercados, sim. A mania de comerem aquela bicharada toda. Isso e com os canibais o kuru ou o Alzheimer e "vacas loucas" que hão-de ser priónicas e primas do mesmo.
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De zazie a 22.03.2020 às 22:00

A questão resume-se a outra coisa que v.s estão a esquecer. Hoje em dia consegue-se saber quem foi o paciente zero. A primeira pessoa a ter a doença ou a levá-la para outro lugar.

E isso não segue efeitos ambientais. Segue de avião e em turismo.
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De João Pedro Pimenta a 26.03.2020 às 00:32

Não, são os efeitos da globalização, hoje em dia muito mais rápida do que no séc. XIV, em que a peste negra demorava anos a espalhar-se (curiosamente invadiu a Europa através de um barco chegado a Génova, vindo do Mar Negro). Mas o que reaça o artigo não é tanta a quantidade de contaminados - essa é outra história - mas a da mortalidade
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De jpt a 22.03.2020 às 09:34

Esperemos que sim: que seja uma das causas desta virulência. Que esta crise terrível possa servir para alertar para uma maior protecção ecológica.
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De João Pedro Pimenta a 22.03.2020 às 18:45

Teremos necessariamente de pensar nela, José.
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De Miguel a 22.03.2020 às 09:38

Pode contribuir para uma maior prevalência de doenças e fragilidades respiratórias, sem dúvida. A região de Milão e Turin devido à sua geografia encaixada nos Alpes vê-se amiúde coberta por uma campânula de ar poluído que frequentemente dura várias semanas. Quem vem dos Alpes, em dias de céu azul cristalino, pode ver o céu tomar uma cor de chumbo à medida que se aproxima de Turin. É muito impressionante.
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De João Pedro Pimenta a 22.03.2020 às 18:55

Precisamente. E é tristemente irónico observar, depois de se falar durante tantos anos do "Norte rico" e do "Sul pobre", que a partir de Roma os números baixam consideravelmente.
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De Vento a 22.03.2020 às 13:20

João, quaresma, para os cristãos, significa fazer a experiência do deserto e apercebermo-nos das tentações que nos fazem sucumbir. Mas também caminhar a par com a Cruz há milénios desenhada e símbolo da Recriação, pois foi na Cruz que a morte foi vencida. Para quem não está familiarizado com o significado da morte ser vencida, aqui fica:
O significado da ressurreição não é somente um fenómeno extraordinário; é o fenómeno ordinário que em qualquer dia de nossas vidas pode ocorrer através da conversão, isto é, da mudança de sentido.

Curiosamente, a leitura do evangelho (boa notícia) do dia 20-03-2020 iniciava com o seguinte texto:

Leitura da Profecia de Oseias
"Assim fala o Senhor: «Israel, converte-te ao Senhor, teu Deus, porque foram os teus pecados que te fizeram cair. Vinde com palavras de súplica, voltai para o Senhor e dizei-Lhe: “Perdoai todas as nossas faltas e aceitai o dom que Vos oferecemos, a homenagem dos nossos lábios. Não é a Assíria que nos pode salvar; não montaremos mais a cavalo, nem chamaremos ‘Nosso Deus’ à obra das nossas mãos, porque só em Vós o órfão encontra piedade”. Curarei a sua infidelidade, amá-los-ei generosamente, pois a minha ira afastou-se deles. Serei como orvalho para Israel, que florirá como o lírio e lançará raízes como o cedro do Líbano. Os seus ramos estender-se-ão ao longe, a sua opulência será como a da oliveira e a sua fragrância como a do Líbano. Voltarão a sentar-se à minha sombra, farão reviver o trigo; florescerão como a vinha, criarão fama como o vinho do Líbano. Que terá ainda Efraim de comum com os ídolos? Sou Eu que o atendo e olho por ele. Sou como o cipreste verdejante: graças a Mim darás muito fruto». Quem for sábio entenderá estas palavras, quem for inteligente poderá entendê-las. Porque são rectos os caminhos do Senhor: por eles caminham os justos e neles tropeçam os pecadores."

Temos aqui o significado de que o individualismo e a sensação de auto-suficiência - ídolos feitos por nossas mãos e corações - conduz-nos a situações desastrosas. Todos somos "Israel" e todos somos "Efraim". Somos nós, crentes e não crentes, os inteligentes e sábios, pois, como refere o texto, "Quem for sábio entenderá estas palavras, quem for inteligente poderá entendê-las."

E sim, JPP, tudo será diferente, para melhor, se os senhores do mundo não usarem esta situação para desencadear uma guerra dita preventiva.
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De João Pedro Pimenta a 22.03.2020 às 18:57

Sim, Vento. Esta está a ser a autêntica Quaresma. Nunca o seu significado terá sido tão tocante desde há muito.
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De o cunhado do acutilante a 22.03.2020 às 13:21

Não sei se será essa a causa da propagação do vírus. Poderá ser uma das causas, mas não seguramente a maior. Se não como explicar que sendo a cidade do México uma das cidades mais poluídas do mundo, ou mesmo a mais poluída, é das que regista a menor número de mortos pelo vírus.
Só se for protegida pelo amuleto anti-vírus que o presidente Obrador utiliza para si, que paralelamente protegendo-o a ele imuniza o México..
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De zazie a 22.03.2020 às 20:50

Precisamente. O mapa de distribuição atinge Europa e América do Norte. Por ser mais tépido e propício ao vírus. Não tem nada a ver com poluição.
O resto é questão de tempo. Começou na Lombardia, vai descendo.
´
Importa por onde começa a propagação e zonas planetárias mais "acolhedoras" tal como a temperatura até em laboratório já foi testada.

Os micro-organismos não são militantes nem têm causas de engenharias sociais ou utopias na manga.
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De João Pedro Pimenta a 25.03.2020 às 22:44

Não é tanto a propagação do vírus, mas a mortalidade. As taxas de mortalidade por número de contaminados são nessas regiões bem superiores à média. Se o México não tem tanto registo de mortos será porque também não tem muitos doentes (ou os seus registos não os contabilizam).
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De Anónimo a 22.03.2020 às 14:16

Cuidado Pimenta.
A acap, bp e cias. devem processa-lo por alarmismo e consequente grave 'quarentena' na importante actividade dos pópos, muito mais grave que o cornodovirus na gentinha, por estar em causa milhões de postos de trabalho para ganhar o pãozinho de cada dia.
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De João Pedro Pimenta a 25.03.2020 às 22:45

Deixe estar que os "pópós" não tardam a regressar. Os aviões e navios de cruzeiro talvez menos. Mas até lá, aproveitemos.
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De Cristina Torrão a 22.03.2020 às 17:56

Interessante.
E eu também acho que alguma coisa tem de mudar.
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De zazie a 22.03.2020 às 20:54

Vai mudar a nível planetário e por muito mais tempo, o medo de contágio. A relação com os outros e bailaricos de rua que tanto adoro não vão ser facilmente e rapidamente recuperados.
Já não eram muito com a ameaça terrorista e eu bem que ia sempre aos carnavais londrinos. Agora então, para quem sobreviver, não vai ser a mesma coisa.

Isso e assaltos com a crise. Em toda a parte. Penso nas crianças que têm esta experiência. Não se vão esquecer e deve ser muito mais estranho para elas.
Os velhos são os que menos se cuidam, precisamente, por terem vivido mais crises e guerras e acharem que não têm muito a perder. Os que passavam a vida na rua continuam a sair.
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De João Pedro Pimenta a 26.03.2020 às 00:34

Uma das coisas que mais me inqueita no "pós" é exactamente a forma como nos vamos relacionar nos próximos tempos. Isso pode ser particularmente traumático num sociedade como a nosa, muito dada ao contacto pessoal. Apesar de tudo a ameaça terrorista ia-se ultrapassando mais facilmente, quando o inimigo era humano e portanto menos camuflado.
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De João Pedro Pimenta a 25.03.2020 às 22:47

Por vezes as desgraças trazem elementos redentores, Cristina. E ainda ontem, na entrevista ao Prof. António Sarmento, ele lembrou que este tipo de acontecimentos podia-nos fazer pensar se não estaríamos a viver acima da nossa escala humana.

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