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O aprendiz de feiticeiro

por Pedro Correia, em 11.11.19

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1

Pedro Sánchez sai das urnas mais fragilizado do que havia saído há seis meses, nas legislativas espanholas de 28 de Abril. Tendo ascendido ao poder por uma votação parlamentar negativa, em Junho de 2018, foi incapaz de transformar essa soma conjuntural que o impulsionou para o Palácio da Moncloa numa coligação governamental - experiência aliás inédita no país vizinho desde a guerra civil, terminada há 80 anos.

O líder socialista, chefe do Executivo em exercício que continua a governar com o orçamento do seu antecessor, o conservador Mariano Rajoy, apostou tudo em novas eleições legislativas, fazendo os espanhóis regressar às assembleias de voto. Foram cálculos egoístas, que levaram em conta o básico interesse partidário em vez do interesse nacional: Sánchez nunca pretendeu gerar consensos para a formação de uma maioria sólida e contava com trunfos acessórios - a sentença condenatória do Supremo Tribunal sobre os líderes separatistas da Catalunha e a exumação dos restos mortais de Francisco Franco - para crescer em votos e mandatos.

Afinal, nem uma coisa nem outra: este tacticismo de vistas curtas só deu fôlego às franjas mais radicais do independentismo catalão e ao nacionalismo identitário e populista, entrincheirado no Vox.

 

2

Se era difícil governar Espanha em Abril, mais difícil se tornará a partir daqui. Com o seu irresponsável aventureirismo, Sánchez sai agora das urnas com menos 0,7% (baixou para 28%) e menos três deputados no Congresso (tem só 120 em 350). Perdeu a maioria absoluta no Senado, deixou fugir mais de 800 mil eleitores e encontra agora um parlamento muito mais pulverizado e tribalizado. As forças soberanistas e regionalistas, somadas, passam a ter 40 assentos parlamentares - equivalendo ao quarto maior bloco no Congresso de Deputados.

Imediatamente à sua esquerda e à sua direita, encontrará partidos mais debilitados. O Podemos (socialista revolucionário) recua: tem menos sete deputados, menos 2,2% - representa agora só 9,8% dos eleitores - e menos 800 mil votos. O Cidadãos (centrista liberal) sofre uma hecatombe: baixa de 15,9% para 6,8%, vê o grupo parlamentar reduzido de 57 para 10 lugares e perde 2,5 milhões de eleitores nestes seis meses.

Enquanto o Partido Popular progride (cresce de 16,7% para 20,9%, atrai mais 700 mil eleitores, conquista 23 novos lugares no Congresso e outros 24 no Senado, recuperando 33% dos assentos parlamentares em relação a Abril) e o Vox ascende a terceira força política em Espanha, com mais cinco pontos percentuais (tem agora 15,1%), 52 deputados (mais 28) e 3,6 milhões de votos (um milhão acima do que obtivera no anterior escrutínio), tornando-se já o primeiro partido em Múrcia e Ceuta, enquanto regista um crescimento espectacular na chamada "cintura vermelha" de Madrid, que sempre votou à esquerda.

 

3

Mal chegou ao poder, Sánchez apressou-se a rumar à Catalunha para dar face ao líder separatista catalão Quim Torra, como se fosse seu homólogo, e no debate televisivo de há uma semana absteve-se de criticar o dirigente máximo do Vox, Santiago Abascal, na secreta esperança de que este travasse a progressão eleitoral do PP. Abriu a caixa de Pandora e terá de enfrentar as consequências - infelizmente com péssimas expectativas para o país, nosso principal parceiro comercial, numa altura em que a Comissão Europeia antevê um anémico crescimento económico espanhol para 2020: apenas 1,5%.

O jornal digital El Confidencial - o mais lido em Espanha - faz uma síntese perfeita neste título: «Uma Espanha ingovernável, sem centro e com Vox como terceira força». Cada vez mais se confirma: o tabuleiro político de longo prazo não é propício aos aprendizes de feiticeiro.


40 comentários

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De Luís Lavoura a 11.11.2019 às 10:15

O Pedro Correia escolhe somente criticar quem lhe convem. Critica Pedro Sánchez, mas não diz o que deveria ele ter feito (formar governo com o Podemos - seria mesmo isso que o Pedro Correia lhe teria recomendado?). Abstem-se de criticar a sua bela Arrimadas e o seu querido Rivera, que foram literalmente dizimados. O Cidadãos teve menos votos em toda a Espanha que a Esquerda Republicana somente na Catalunha!

P.S. Parece-me haver incosistências neste post em relação a percentagens e votos. Estão o PSOE perdeu 800 mil eleitores e somente 0,7%, enquanto o Podemos perdeu 800 mil eleitores e 2,2%? Não entendo.
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De Pedro Correia a 11.11.2019 às 10:30

Parece-lhe mal. O seu querido Sánchez perdeu mesmo 800 mil votos: baixou de 7,5 milhões para 6,7 milhões. E de 28,7% para 28%.
Iglesias recua de 12% para 9,8%, descendo dos 3,1 milhões em Abril para os actuais 2,3 milhões de votos.
Especificidades do método de Hondt, que também vigora em Portugal.
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De Luís Lavoura a 11.11.2019 às 10:34

Mas como é que os 800 mil votos de Sánchez significam 0,7% (do eleitorado, presumo) enquanto que os 800 mil votos de Iglesias significam 2,2% (do eleitorado, presumo)? O que tem isso a ver com o método de Hondt?
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De Pedro Correia a 11.11.2019 às 10:44

Meta explicador. E pague-lhe bem: só assim ele terá paciência para o aturar.
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De marina a 11.11.2019 às 20:23

o valor do voto não é o mesmo conforme a províncias, nas menos habitadas valem mais para que estas não fiquem sem representação. usam um método proporcional.

pode ver aqui

https://www.laopiniondezamora.es/elecciones/generales/como-votar/2019/03/21/voto-vale-provincias/1152136.html
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De Pedro Correia a 11.11.2019 às 22:25

Sem dúvida. Agradeço-lhe o contributo, Marina.
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De Anónimo a 11.11.2019 às 11:57

O Pedro Correia a desviar as atenções da hecatombe do seu querido Cidadãos, chegando agora a apelidá-lo de "centrista liberal".
Que eu saiba a Espanha é uma democracia e se o PSOE não conseguiu formar governo com apoio parlamentar após meses de negociações é natural e avisado que devolva a palavra ao povo.
Os outros partidos têm de perceber através do voto do povo que têm de ser menos radicais, só isso.
A unicidade PP / PSOE a desintegrar-se e o proto comunista Podemos a esvair-se mas segundo o Pedro Correia a culpa é o do PSOE porque não pode ainda escrever que os deploráveis espanhóis votam como querem e não como lhes dizem que têm de votar...

WW
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De Pedro Correia a 11.11.2019 às 12:25

Eis que surge outro membro do clube de fãs de Sánchez, a esbanjar carinho pelo maior responsável por este lamentável (e interminável) impasse político em Espanha.

Sánchez impulsionou uma coligação negativa para derrubar Rajoy, governa com o orçamento de Rajoy, mas mostra-se totalmente incapaz de formar uma solução governativa com os seus cúmplices no derrube do anterior Executivo. São competentes a destruir, mas péssimos a construir.

Optou por uma nova campanha eleitoral mal estavam contados os votos de 28 de Abril, confiante na progressão eleitoral do PSOE alimentada pelas sondagens do organismo estatal, pago pelos contribuintes espanhóis - sondagens que erraram em toda a linha.
https://www.abc.es/elecciones/elecciones-generales/abci-tezanos-sanchez-hasta-28-diputados-mas-201911102159_noticia.html

Seis meses depois, Sánchez volta ao mesmo, mas em piores circunstâncias: com menos votos, menos percentagem eleitoral, menos deputados, menos senadores. Com o país ainda mais dividido.

Resta-lhe o consolo de não lhe faltarem admiradores deste lado da fronteira.
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De Anónimo a 11.11.2019 às 12:49

Com o país mais dividido, sem duda, e aquele caos semanal de Barcelona, que a polícia reprimia uns e dava uma estranha cobertura a outros fez grande mossa.
E lá temos os pedreiros (não os 'livres') as esfregar as mãos com a possibilidade de mais uma construção mural, na Andaluzia.
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De Pedro Correia a 11.11.2019 às 13:08

Em Barcelona, até os mossos fazem mossa.
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De Anónimo a 12.11.2019 às 21:42

Parece que o "interminável impasse" já terminou.
Os perdedores uniram-se porque "parece" que o povo assim quis !
Mais uma grande vitória para os "liberais democratas" de turno e o seu grande amor que é a democracia que tanto louvam quando ganham.
Mas como diz o ditado : "De Espanha nem bom vento nem bom casamento"

WW
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De Pedro Correia a 12.11.2019 às 22:00

Não terminou impasse nenhum. Houve só mais um número de propaganda. Nisso Sánchez é exímio.

De Espanha vem o vento e vem a água (ou não vem) e vem sobretudo o comércio bilateral, que excede de longe o de qualquer outro parceiro económico de Portugal.
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De Anónimo a 12.11.2019 às 23:01

" Nisso Sánchez é exímio "
Deve ter aprendido com o nosso 1º (quem perde, ganha) que "vocês" tanto protegem, tal como fizeram com o 44.
Como dizem, anda tudo ligado e o povo é sereno e o estado é do PS e da viúva.

WW
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De Pedro Correia a 12.11.2019 às 23:59

Sánchez não aprendeu com ninguém. Só se aconselha com o próprio umbigo e é incapaz até de aprender com os erros que vai coleccionando.
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De Miguel a 11.11.2019 às 12:38

«um anémico crescimento económico espanhol para 2020: apenas 1,5%"


Um pouco de perspectiva (que tanta falta faz aos cabeças-de-ovo da burocracia): o crescimento médio da economia norte-americana desde
1870 até hoje foi 1,7-1,8% per capita ao ano. Quanto ao resto, deixo-o
aos espanhóis.

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De Pedro Correia a 11.11.2019 às 13:07

Terá de rever os seus dados: o crescimento médio da economia dos EUA nos últimos 70 anos foi de 3,2%.
Na década de 50 chegou a ultrapassar 10%.

https://tradingeconomics.com/united-states/gdp-growth-annual

De resto, comparar a economia americana com a espanhola não faz o menor sentido. Muito menos recuar ao século XIX, num período em que os EUA ainda viviam a ressaca da Guerra da Secessão.
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De Miguel a 11.11.2019 às 13:55

Tenho a ligeira impressão de que esses números não são per capita: a população dos EUA passou de 130 millhões a 310 milhões em 70 anos, ou seja um factor de ~2,38. Logo, 3,2/2,38 ~ 1,34% dá um crescimento per capita ao ano com uma ordem de grandeza que concorda com o valor que escrevi.

Isto é enorme. Não se esqueça de que se trata de uma função exponencialmente crescente: 1,5% ao ano duplica a economia em 50 anos, e mais do que a quadruplica num século. 3,2% quase que a duplica em 20 anos, quintiplica-a em 50 anos, multiplica-a por 24 num século. As taxas de crescimento médias mundiais desde o início da rev industrial andam à volta de 1%-1,5% (consultar Piketty): ao fim de 200 anos a economia mundial terá multiplicado por um factor 10. Toda a percepção que temos de um enorme progresso civilizacional desde então tem por base um crescimento médio desta ordem de grandeza.

Claro que é relevante recuar dois séculos para um ´sanity check' porque a força motriz deste crescimento é o recurso crescente a maquinaria, logo ao consumo de combustíveis fósseis, que começou então e se mantém qualitativamente inalterado desde então..

Mas isto não tem nada a ver com o postal, as minhas desculpas.
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De Pedro Correia a 11.11.2019 às 14:05

Recuar dois séculos, creio, só faz sentido se estamos a falar em perspectiva histórica a nível planetário.
Mas este meu texto é sobre a Espanha de hoje. Sobre os EUA não faltarão oportunidades de debatermos ao longo do próximo ano, que é ano eleitoral. Promete ser um ano cheio de notícias.
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De Anónimo a 12.11.2019 às 02:47

Quando é que os economistas pensam que o crescer mais/não crescer, o estagnar será um facto bem possível. Chegará o tempo que já não haverá necessidade de se produzir nada de novo, já está tudo feito e não é preciso mais nada.
A população natural do Dubai mais dias menos dia não precisará de absolutamente nada. Já terão tudo.
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De Pedro Correia a 12.11.2019 às 08:30

"Não crescer" significa destruição de postos de trabalho, desemprego, pobreza e até miséria.
É como quando andamos de bicicleta: quando deixamos de pedalar, a bicicleta pára. E cai.
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De Anónimo a 12.11.2019 às 12:40

Pois, então quando já não houver falta de nada, apenas precisaríamos de manutenção ou de bicicletas descartáveis para uma viagem, etc.
Tudo seria descartável para se poder crescer.
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De Pedro Correia a 12.11.2019 às 13:04

Até esse dia chegar, muitas voltas dará o planeta no seu eixo.
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De Anónimo a 11.11.2019 às 14:10

Resultados aceitáveis dadas as circunstâncias, finalmente temos uma oposição ideológica ou seja cultural aos extremistas de extrema esquerda-islâmicos , aos extremistas de esquerda e aos extremistas do centro.

A Espanha cresce 1.5% porque está ingovernável se estivesse Governável provavelmente cresceria muito menos, ou estaria em recessão. Muitas mais leis teriam sido passadas....
Dito isto também é verdade que parte do Governo nos estados "modernos" e "democráticos" do Ocidente já funcionam fora dos Parlamentos que delegou em inúmeras "Entidades" Autoridades" e "Comissões" construir novas regras e lançar novas "tarifas" e "serviços" sem passar pelo Parlamento. E sem falar na UE.

lucklucky

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De Pedro Correia a 11.11.2019 às 14:44

"Extremistas de centro"? O que são "extremistas de centro"?
Isso é um oxímoro, como qualquer aprendiz de geometria sabe. O centro é o ponto mais afastado dos extremos.
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De Anónimo a 11.11.2019 às 19:24

Precisamente, desmascarar a ideia que existe centro, não existe. O convencionalismo da meia lua dos parlamentos para qualificar os actos políticos ofusca em vez de iluminar o que se passa.

Records de dívida não são coisas feitas por centristas.
Abrir fronteiras a quem quiser entrar não são coisas feitas por centristas.
Querer substituir o povo por outro povo não são coisas feitas por centristas
Votar até dar o resultado "certo" não são coisas feitas por centristas.
Quotas sexuais e outras não são coisas feitas por centristas.
"descarbonização" da economia não são coisas feitas por centristas.
Aumentar cada vez mais o poder do estado e informação que nem a Stasi conseguiria não são coisas feitas por centristas.
Querer aumentar os custos de energia várias vezes não são coisas feitas por centristas.


E muito mais. Acima são tudo medidas extremistas defendias por centristas.

O extremismo vem de muitas direcções. No tempo em que estamos na evolução histórica da política a maior parte das pessoas que se dedicam à política são extremistas.
Os que não são extremistas são na maioria os que abstêm, votam nulo propositadamente, e votam branco.

lucklucky





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De Anónimo a 11.11.2019 às 21:44



WW
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De Pedro Correia a 12.11.2019 às 08:37

Extremistas são os tribalistas de vários matizes ideológicos que andam aí a agitar bandeirinhas identitárias e a exibir coletinhos amarelos ou negros. Combatendo a democracia liberal como jamais fariam se vivessem em ditadura.
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De Luís Lavoura a 11.11.2019 às 16:32

Não há crise.
Agora, acabado o sonho de Sánchez de construir uma geringonça em Espanha, terá que descer à terra e fazer uma aliança com o PP.
Poderá ir a Berlim, onde a imperatriz da Europa lhe ensinará como se faz.
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De Pedro Correia a 11.11.2019 às 18:23

Para perguntar como se faz, antes em Berlim do que em La Paz.
Rima e é verdade:
https://elpais.com/internacional/2019/11/10/actualidad/1573386514_263233.html

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De Anónimo a 11.11.2019 às 18:36

Aquando da trasladação dos restos mortais de Franco, falei aqui em consequências.
O Pedro reagiu com ironia.
Entretanto, é consensual que tal facto deu um grande empurrão ao Vox.
Era a isso que me referia.

João de Brito
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De Pedro Correia a 11.11.2019 às 22:35

A grande maioria dos eleitores do Vox não optou por este partido por causa de Franco estar sepultado num local ou noutro.
Franco é passado. Vários dos dirigentes do Vox nem eram nascidos quando ele morreu.


Basta ver onde este partido foi mais votado. Em Múrcia, Ceuta e Andaluzia, onde os fluxos migratórios são mais consistentes, o desemprego é maior e as assimetrias sociais ultrapassam a média espanhola. Qualquer destes motivos suplanta o tema Franco como mobilizador do voto. E, claro, a questão do separatismo catalão também.

Em Ceuta conseguiram o único deputado ali eleito.
Em Múrcia, suplantaram em 12 mil votos o PP, segunda força mais votada. Conquistando cidades como Cartagena e Molina de Segura.
É um partido que veio para ficar, goste-se ou não. E terá seguramente uma réplica portuguesa.
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De V. a 12.11.2019 às 00:15

Nem mais. Tal como em Itália, é o politicamente correcto e o activismo que defende que o saldo demográfico se corrige com imigrantes africanos e islâmicos em vez de se defender a criação de condições para que a nossa própria população tenha mais filhos que vai fazer crescer estes partidos exponencialmente. E eu acho muito bem porque essa tese para justificar o injustificável é do mais canalha que anda por aí.
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De Luís Lavoura a 12.11.2019 às 11:33

Pode ser uma tese "canalha", mas é uma tese realista. Em nenhum país desenvolvido se consegue que a população tenha uma quantidade de filhos (2,1 por mulher) suficiente para manter a população estável. Por mais que se criem condições maravilhosas para a população se reproduzir, não há nenhum, absolutamente nenhum, país desenvolvido em que ela se reproduza suficientemente. Mais: a maior parte dos países desenvolvidos tem taxas de natalidade drasticamente abaixo dos tais 2,1 filhos por mulher. Não há quaisquer perspetivas realistas de que, mesmo que essas taxas possam ser aumentadas, alguma vez alcancem o patamar necessário para manter a população.

Portanto, realisticamente, a tese "canalha" é verdadeira: é imprescindível permitir a imigração para sustentar a população em níveis estáveis.
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De V. a 12.11.2019 às 20:12

Não, é canalha porque nada obriga a que o saldo seja obrigatoriamente 2,1. As populações flutuam e há períodos em que os estilos de vida permitem uma dinâmica e outras alturas em que permitem outra. No pós-guerra as pessoas tinham 3 e mais filhos depois de períodos mais depressivos. Ninguém deve alterar o gene pool de uma sociedade por decreto.
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De V. a 12.11.2019 às 21:18

Além disso é canalha porque é uma visão meramente estatística que confunde o nome da floresta com as árvores: se uma população está em declínio não é por trazer outra população diferente para o mesmo território que a primeira se regenera .

Mais, está a retirar-lhe mais hipóteses de ela recuperar porque em fases prolongadas de pobreza como aquela que atravessamos (i.e. as pessoas que trabalham, não é as dos ministérios), os trabalhos intermédios e temporários são necessários para transitar e mudar de vida e recuperar capacidade económica.

Se esses lugares são ocupados com os migrantes e os fugitivos das ex-colónias é muito mau para os nativos. Aliás, não foi por isso que correram com os europeus do Brasil e de África — para África ser para os africanos? E a Arábia para os árabes e a China para os chineses?

A população portuguesa aliás, não está em declínio, está estável como tem estado há muito tempo. Vocês é que estão a dar cabo desta merda toda. E têm de ser travados.
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De Luís Lavoura a 12.11.2019 às 11:28

terá seguramente uma réplica portuguesa

Não vejo por quê.

Se, como o Pedro Correia diz (e parece-me que bem), as principais motivações dos eleitores do Vox são o desemprego e a imigração - que em Espanha é largamente de norte-africanos - então essas motivações ainda não se verificam em Portugal, pelo que não é expetável que surja em Portugal um análogo do Vox. Em Portugal o desemprego é, exceto nos Açores, residual, e a imigração é em grande parte de brasileiros, que se disfarçam bem no meio dos portugueses.
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De Anónimo a 11.11.2019 às 23:27

Para o votante de VOX a "questão" Franco conta - se não contasse teria votado PP.
E conta pela sua simbologia, por aquilo que representou num período histórico também perigosamente convulso ( além Caia, nos dias de hoje, já paira um ténue perfume machadiano de" las dos Españas" ) . Só que actualmente são 17...



JSP




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De Pedro Correia a 12.11.2019 às 00:00

Franco é passado.
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De Terry Malloy a 12.11.2019 às 00:15

Houvera alguém que o tivesse explicado ao Sanchéz...
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De Pedro Correia a 12.11.2019 às 08:26

Muito mais importante - e determinante - é a diluição dos poderes constitucionais e da legalidade democrática na Catalunha. Por cada cedência nesta matéria do Executivo Sánchez, cresce o apoio popular ao Vox. Neste preciso momento, os separatistas radicais cortam a via rodoviária de acesso a França, ocupando até já território francês.
Tudo isto é matéria inflamável para o crescimento da direita nacionalista e soberanista no conjunto de Espanha. Quanto mais fraco é o poder político em Madrid, mais as periferias ideológicas vão crescendo. Separatistas por um lado, soberanistas identitários por outro.

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