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O António que se segue

por Pedro Correia, em 28.09.14

Foto Eduardo Costa/Lusa

 

1. Não vale a pena especular sobre quem terá contribuído mais para a eleição de António Costa como candidato do PS à chefia do próximo Governo. Militantes ou simpatizantes? Foram ambos. A diferença de votos em relação a António José Seguro, ao totalizar dois terços dos sufrágios, foi tão expressiva que dissipa qualquer dúvida.

 

2. Há que reconhecer: o processo de eleições primárias no PS foi o mais amplo do género desde sempre registado em Portugal e decorreu com irrepreensível civismo. Julgo tratar-se de um processo sem marcha-atrás, que funciona a crédito de Seguro. Embora a figura de "candidato a primeiro-ministro", em boa verdade, não exista no sistema constitucional português.

 

3. Os partidos que ainda não adoptaram esta solução para a escolha dos seus líderes terão rapidamente de adaptar-se às exigências dos novos tempos. A democracia, para se revigorar, não pode prescindir desta expressão da cidadania. Acabou o tempo em que os principais dirigentes partidários eram eleitos em petit comité.

 

4. Costa ganha por larga margem após uma campanha minimalista, em que nada prometeu e quase nada de concreto antecipou do seu futuro programa de Governo. Viu esta estratégia coroada de êxito: militantes e simpatizantes acabam de lhe passar um cheque em branco que ele preencherá como entender.

 

5. É uma vitória do PS histórico e uma espécie de desforra ao retardador da tendência sampaísta do PS, que perdeu para o guterrismo em 1992. Na altura, Seguro alinhou com o vencedor António Guterres enquanto Costa se manteve firme no apoio ao derrotado Jorge Sampaio. A tendência social-cristã eclipsa-se como nunca aconteceu nestes vinte anos de história do partido que se prepara para ter um terceiro lider chamado António.

 

6. Costa, que venceu em todas as federações socialistas excepto na Guarda, tem dois desafios fundamentais pela frente. O primeiro é unir e mobilizar todo o partido após uma campanha marcada por fortíssimas animosidades entre os dois candidatos. Parece ser o desafio menos difícil: a promessa de poder costuma congregar as hostes. E Seguro facilitou-lhe a tarefa ao abandonar o palco já esta noite.

 

7. Mais complexo é outro desafio que o ainda presidente da câmara de Lisboa, assumido apreciador de puzzles, tem pela frente: combater as tendências centrífugas no PS, à semelhança do que vem sucedendo nos partidos da sua família europeia. A atracção por novas forças partidárias, com protagonistas diferentes e um discurso mais radical, é um problema sério dos socialistas moderados.

 

8. Algumas figuras históricas do PS tenderão a empurrar Costa para entendimentos políticos à sua esquerda. Tenho as maiores dúvidas de que o caminho a seguir pelo novo líder acabe por ser este. O PCP, por exemplo, já separou as águas, reiterando a sua oposição a três pilares de uma futura governação socialista: manutenção de Portugal na União Europeia, no sistema monetário europeu e na Aliança Atlântica.

 

9. Com três dos quatro anos da legislatura decorridos, e depois de inúmeros vaticínios malogrados mês após mês sobre a iminente demissão de Passos Coelho da chefia do Governo, quem acaba afinal por sair antes do prazo inicialmente previsto é o líder do maior partido da oposição. Empurrado pelos seus pares, o que confere uma nota de amarga ironia ao percurso de um homem que exigiu vezes sem conta a resignação do primeiro-ministro, aparentemente convencido de que bastaria repetir este estribilho para que os seus desígnios se tornassem realidade.

 

10. À direita, Passos Coelho e Paulo Portas têm motivos para ficar preocupados. O novo rival, robustecido por este resultado, é muito mais temível do que o antecessor, que nunca encontrou uma linha de rumo clara na oposição ao Governo. Parafraseando o autarca lisboeta numa farpa que ele próprio dirigiu a Seguro no frente-a-frente da RTP, Costa deve sonhar ser primeiro-ministro desde pequeno. É uma ambição legítima -- e em política estas coisas contam. Mas ele, que aprecia citações, deve tomar esta em devida nota: "Tem cuidado com o que desejas porque pode tornar-se realidade."


42 comentários

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De Um Jeito Manso a 28.09.2014 às 23:26

Caro Pedro Correia,

A sua análise está bem organizada mas volta a basear-se num conceito puramente abstracto.

Há uma coisa que conta muito na escolha de um líder partidário, especialmente quando pode acontecer que venha a dirigir um governo e, logo, a ter a maior das influências na vida de todos nós: é que tenha bom carácter, que revele ter personalidade forte, que seja consistente e firme e que defenda causas que contribuam para o desenvolvimento do país.

Não se espera que faça propostas, que encha o peito para fazer grandes tiradas - isso pode ser útil para alimentar a prosa de comentadores mas pouco mais.

Em relação a António Costa, o que se espera agora é que dê corpo àquilo que que as pessoas esperam: que levante o país, que ajude a restituir o orgulho aos portugueses.

Tudo o resto de pouco vale. Se este é da linha ou do tempo do Guterres ou do Sócrates, tendências, etc, isso interessa-lhe a si, ao Henrique Monteiro que está agora a falar na televisão, e a mais umas quantas pessoas que gostam de construir cenários e histórias.

O País em geral quer é viver melhor, deixar de andar de gatas, acreditar no futuro.

De qualquer forma, gostei de ler o que escreveu.

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De Pedro Correia a 29.09.2014 às 21:54

Obrigado pelas suas palavras.
Eu evito fazer juízos de carácter sobre políticos. Tirando casos extremos, eles devem ser avaliados politicamente, não por questões de carácter. Sou incapaz de concluir quem tem melhor carácter, se é Costa ou Seguro. Nem julgo que isso - sempre tão subjectivo - deva sobrepor-se à análise objectiva do comportamento político de cada um.
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De João Carlos Reis a 30.09.2014 às 07:37

Prezado Pedro,
não leve a mal, mas infelizmente não posso concordar consigo no que respeita ao carácter dos políticos (ou de qualquer outra pessoa). Escrevi infelizmente porque se o carácter dessa gentalha fosse bom, não tinham (juntamente com a maioria dos empresários, administradores e afins, pois só os políticos não conseguem fazer tudo sozinhos) feito com que o país chegasse ao estado a que chegou nem a esmagadora maioria dos nossos concidadãos criticava tanto e tão veementemente os nossos políticos...
É que nunca nos podemos esquecer que é o carácter que molda as nossas atitudes e tomadas de posição, que, no caso dos nossos políticos, em campanha prometem coisas que sabem que de antemão não poderão cumprir... mas na realidade os culpados são aqueles que neles acreditam e votam, pois se tal não acontecesse, eles nunca chegariam aos cargos de tão alta (ir)responsabilidade que ocupam...
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De Pedro Correia a 01.10.2014 às 01:25

Nesse caso, meu caro, a opção torna-se mais fácil: basta apoiar quem menos promete. Aliás, vendo bem, só um demagogo ou um irresponsável fazem hoje promessas nas campanhas políticas. Aquelas que as pessoas querem escutar, em larga medida, não podem ser cumpridas.
Político honesto, digamos então, é aquele que menos promete. Ou que nada promete.
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De João Carlos Reis a 01.10.2014 às 01:47

Assino por baixo tudo o que escreveu nesta sua resposta.
Quando houver um político com carácter que prometa, parafraseando Churchill, "Sangue, suor e lágrimas", então terá todo o meu apoio e Portugal certamente que virá a ser um país com um nível de vida de fazer inveja aos melhores, além de se tornar num país de imigrantes e não de emigrantes. Bem haja.
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De Pedro Correia a 01.10.2014 às 23:24

Estamos em sintonia, João Carlos. Um abraço.
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De Costa a 28.09.2014 às 23:32

E preocupar-se-á ele excessivamente com isso de ter "cuidado com o que desejas porque pode tornar-se realidade?". Seria assim se na vontade de ser primeiro-ministro (ou presidente de câmara, ou o que fosse na coisa pública), estivesse um mais ou menos genuíno interesse de serviço ao país.

E existe esse interesse? Perdoe-me o Pedro Correia, mas parece-me de uma funda ingenuidade sequer devotar um átomo de credibilidade a tal hipótese. Há isso sim uma facção do PS que nunca digeriu o afastamento do poder - aliás nunca o PS como um todo o digeriu, pois se há ajuntamento que entre nós entende ser seu, incontestavelmente e por uma espécie de direito divino, o poder, é o PS - e as prebendas e sinecuras daí resultantes, e que saliva incessantemente pela recuperação do que já foi seu. Costa é apenas o cabecilha, o testa de ferro, dessa gente e é a essa gente que deve a sua lealdade. E, evidentemente, o seu bem estar pessoal.

Ao PS seguir-se-á salvo verdadeira surpresa, e a breve trecho (mesmo que se cumpra a legislatura, já não será muito tempo), o país. Será então questão - apenas a um nível mais vasto do que o camarário - de ocupar o poder, os cargos, os favores, de encher e dar a encher os bolsos. E nem será preciso certamente uma legislatura completa para "repor os níveis" e deixar a clientela em causa saciada por mais uns tempos. O país, mero instrumento, que se dane.

Depois virão os outros, será a vez deles. A história repetir-se-á (afinal repete-se). É assim, é assim há muito, sempre alimentando os mesmos, os mesmo que vivem muito bem à custa de todos nós. Sempre invocando os superiores interesses do povo.

É assim. E se isto parece demagogia simplista, conversa de taxista (com todo o respeito), é porque essa conversa vai sendo cada vez mais legitimada.

Costa
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De Pedro Correia a 29.09.2014 às 21:58

Divergimos, Costa. Conheço o novo secretário-geral do PS há muitos anos, critiquei-o neste processo, mas não me parece que ele seja "testa de ferro" de ninguém. Vai correr em pista própria e não deixará de pensar pela própria cabeça. E quem no PS possa pensar que irá instrumentalizá-lo pode desde já desenganar-se: Costa (o outro, não você) não rejeitou os votos de ninguém mas a partir de agora agirá como se não houvesse mais ninguém em cena.
E, em boa verdade, não há. Pelo menos no PS.
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De Costa a 30.09.2014 às 08:56

Meu caro, não imagina como desejo estar errado e constatar que Costa, pensando pela sua própria cabeça, como diz, não só não integra a linha socrática, como travará o seu retorno, como refundará o PS, libertando-o dos que, seja qual for a sua linhagem no partido, o tornaram uma associação de insaciável e descarada venalidade, e com isso fazendo dele uma verdadeira e responsável alternativa de governo focada nos verdadeiros problemas e interesses do país.

Pensar pela própria cabeça não é por si garantia disso. Mas se o promover e conseguir - o que, concordará você, será um feito verdadeiramente extraordinário entre nós -, pode ser que este órfão político até encontre afinal uma família política onde se integrar. Coisa que há muito deixei de esperar.

Até ver, não ouvi Costa sequer sugerir remotamente a admissão das tremendas responsabilidades do PS no estado a que isto chegou, o que seria um acto de elementar higiene e honestidade. Pelo contrário. Aliás, como presidente da câmara da cidade onde habito, escutei-o sim invocar, com desconcertante leveza - para usar de linguagem suave -, o aumento de impostos e taxas como a solução para quase tudo. No que, e convém não nos deixarmos iludir nem esquecer o que outros fizeram antes destes que lá estão agora, é uma atitude que concretiza verdadeiramente o legado socialista entre nós. E isso em nada me anima.

Mas cá estarei para admitir o meu erro.

Costa
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De Pedro Correia a 01.10.2014 às 01:23

O socratismo foi julgado nas urnas. Está enterrado sete palmos abaixo da terra. PSD e CDS cometerão um erro grave se cavalgarem essa vaga na próxima campanha: há outros temas mais urgentes a debater.
Costa fez bem em não fazer promessas à toa nesta campanha do PS. Alguns criticam-no por isso, eu julgo que deu um sinal de responsabilidade. Só um louco ou um demagogo faz hoje promessas: aquelas que as pessoas querem ouvir, em larga medida, não poderão ser cumpridas.
Creio que a clivagem dos próximos meses no PS será entre aqueles que querem fazer uma "aliança à esquerda" e os mais pragmáticos, que se preparam para reconstruir um bloco central. Costa estará entre estes últimos, o que lhe valerá duras críticas não tarda muito oriundas da ala mais esquerdista do partido e dos habituais 'compagnons de route' com lugar cativo no comentário político.
Admitir os erros de análise é sempre uma prova de honestidade intelectual. Cá estarei para dar a mão à palmatória também, se for caso disso.
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De Vento a 28.09.2014 às 23:51

Bem, acabei de assistir à ascensão de Marinho e ao reforço da esquerda à esquerda do PS.
Costa acabou de se meter num imbróglio e com ele o PS. Os tempos não estão para pseudo-conciliadores. O PS acabou de ficar nas mãos de todos: do PCP, BE, Marinho Pinto, CDS e PSD.

Obrigado, Seguro, por tudo quanto fizeste para mudar este país. Isto que aconteceu no PS só podia acontecer com um Homem pleno de valores e desapegado de poderzinhos a liderar este partido. Até breve.

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De Pedro Correia a 29.09.2014 às 18:17

Costa falhou o primeiro passo na construção da unidade do partido quando ontem à noite, no discurso da vitória eleitoral, omitiu o nome de Seguro. Foi uma omissão que não honrou as melhores tradições do sistema democrático, onde tão importante como saber perder é saber ganhar.
Costa precisará dos seguristas para construir a nova maioria que ambiciona. Inútil fazer charme para fora das fronteiras do PS enquanto não assegurar a unidade interna.
Concorde-se ou discorde-se do seu legado, Seguro liderou o partido durante mais de três anos muito difíceis, em que mais ninguém se dispôs a fazê-lo. Três anos muito difíceis devido ao estado de emergência financeira em que Portugal se encontrava. Três anos muito difíceis para o PS enquanto partido da oposição num quadro político dominado pelo memorando negociado e assinado pelo próprio quando ainda era Governo, antes do mandato de Seguro.
Há uma tendência crescente para a perda de memória na política portuguesa. Até por isso convém lembrar alguns factos essenciais.
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De sos a 30.09.2014 às 00:33

olá. Confesso que entrei acidentalmente e nem li o texto do Pedro. Mas li este comentario. Já tinha ouvido algures essa do Costa nao ter referido o Seguro. Esclareço que nao sou votante nem preferencia por nenhum dos dois. Mas o Seguro ( e com absoluta razao na optica de traido) insultou forte e feio e permanentemente o Costa. Mesmo assim, ou também por isso, Costa ganhou esmagador. Nesta logica, Costa fez bem em esquecer Seguro. Nao acho que Costa seja melhor que Seguro, que seguro seja pior que Costa, mas Costa triunfou e esquecer seguro só o valoriza aos olhos do povo.
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De Pedro Correia a 01.10.2014 às 01:17

O vencedor deve ser magnânimo. A campanha ficou para trás, há uma unidade a ser construída desde o primeiro instante. E é muito menos fácil do que parece. Aliás, na política dos nossos dias, nada é fácil. Em Portugal e não só.
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De Isenção Neutralidade a 29.09.2014 às 00:09

Na minha singela, neutra e com base nos princípios que me regem na plataforma observadora, António Costa não venceu; foi Seguro que perdeu.

Entre outras tantas derrotas - basta recordar as inconsequentes "exigências" quase diárias ao presente governo.

Porque Seguro não tem, nunca teve crédito e daí a não popularidade e implícita derrota em sua casa? Porque como qualquer animal, racio or irracional, apercebemo-nos ao londo destes anos do seu "mandato" sair-nos pela televisão fora, radio, jornais, revistas, tudo o que tivesse microfone e máquinas de registo de images, um indivíduo que na realidade não era certo no que emanava, a sua expressão corporal não inspirava qualquer confiança, fazia uso excessivo da retórica e, António José Seguro, não era seguro no que proferia.

Entretanto, o bode espiatório, de seu nome governo, uma vez mais entra na ribalta, como que tentanto ofuscar-se o que na realidade o que se passa no PS; falta de coerência, idoneidade e uma fação política que mais não pretende do que poleiros - a ver vamos que sequela nos espera.

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De Pedro Correia a 29.09.2014 às 22:02

Seguro fez uma oposição inconsequente e errática. Perdeu tempo de mais a exigir a demissão de ministros, a demissão do Governo, a demissão de tudo e todos. Quando este caudal secou, algures no Verão de 2013, ficou sem discurso.
Não contribuiu para consensos, tanto no plano interno como no plano nacional. Mas a verdade é que foi sempre um líder frágil, por pressão das circunstâncias. Herdou um PS numa das piores fases de sempre (convém não esquecer), amarrado ao memorando e aos compromissos europeus que traziam o selo do governo anterior. E teve desde o primeiro dia uma ruidosa minoria interna a minar-lhe o trajecto - nomeadamente ao nível do grupo parlamentar. Também é verdade que não se rodeou dos mais capazes, longe disso.
Enfim, as coisas são o que são.
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De Octávio dos Santos a 29.09.2014 às 00:09

«Irrepreensível civismo», Pedro? Com suspeitas de fraude e pancadaria entre militantes?
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De M. S. a 29.09.2014 às 06:27

Senhor Octávio:
Não seja tonto.
Num universo de 243 mil eleitores, dos quais terão votado 170 ou 180 mil, acha que é possível evitar uma ou outra tonteria?
Afinal, há muitos octávios no país.
O processo tem de ser avaliado na sua globalidade.
E na esmagadora globalidade foi irrepreensível.
O que virá depois é uma incógnita, pois progósticos só depois do jogo, como dizia o outro.
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De Octávio dos Santos a 29.09.2014 às 12:41

Conhece-me de algum lado? Tonto é você. Se há algo que o PS não tem nem nunca teve é «irrepreensibilidade» - é só perguntar a Rui Mateus, se conseguirem encontrá-lo. Porém, concordo que, num contexto mais alargado, pôr mortos a votar e dar tabefes em opositores é (muito) menos grave do que levar o país à falência... enquanto se tenta impor essa aberração ilegal e inútil que é o «aborto pornortográfico».
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De Makiavel a 29.09.2014 às 14:53

Já tomei os comprimidos hoje? Olhe que está com neurose obsessivo-compulsiva anti-PS.
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De M. S. a 29.09.2014 às 15:27

Senhor Octávio:
Qual dos partidos é que tem irrepreensibilidade?
E essa de se armar em Fukuyama de trazer por casa dá vontade de rir.
Ele previu o fim da História.
O Senhor Octávio o início da dívida, da bancarrota e dos problemas: 2004.
Ou 1995, talvez.
Antes nadávamos em dinheiro, tínhamos superavit, uma economia pujante, éramos competitivos, todos bem-formados académica e profissionalmente, o país estava bem infraestruturado, atá havia petróleo no Beato.
Depois esfumou-se tudo.
Só que essa tese parola tem uns problemazitos: em 1989 caiu o Muro e começaram a entrar países na competição europeia, que alargou o campeonato competição de 15 até 27; a partir dos anos 90 houve a globalização com os acordos de comércio livre; em 2001 entrámos no euro e deixámos de ter política financeira própria; em 2007 houve o subprime nos EUA.
A Espanha era poderosa economicamente e competitiva e tinha superavits, está como está; a Itália tem uma dívida pública maior do que a nossa e, ou tem crescimento anémicos, ou tem tido recessão; A Holanda e a Finlândia têm tido igualmente crescimentos miseráveis, a Eslovénia desde que entrou no euro que percorre a mesma senda; a França cresce a menos de 1%; a Áustria e a própria Alemanha crescem miseravelmente, à volta de 1%, às vezes menos. Da Grécia nem falar.
Portanto, nada disto existiu, tudo isto é fado, tudo começou em 2004 (ou 1995).
Se o ridículo matasse…
De facto, a cegueira ideológica é a mais terrível doença oftalmológica.
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De Octávio dos Santos a 29.09.2014 às 20:02

Primeiro «tolo», agora «parolo» (ou autor de «tese parola»), «ridículo», «cego ideológico»... Mais uma vez lhe pergunto: conhece-me de algum lado? Fazemos assim: você prescinde desse anonimato sob o qual, acobardado, se acoberta, e diz-me cara a cara os epítetos acima citados. Que tal?

E não percebo porque perdeu tanto tempo, e tantos caracteres, com essa «história trágico-económica». O essencial é isto: num contexto de crise internacional, só cinco países da União Europeia pediram ajuda: Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda e Chipre; os três últimos, especificamente, para os seus sistemas bancários, debilitados por opções arriscadas que lhes custaram caro; os dois primeiros para os seus Estados, levados à bancarrota por anos de desperdício irresponsável...

... Neste país agravado até ao insustentável por José Sócrates e pela sua pandilha, de que António Costa se apresenta como continuador. Está entendido? Agora, volte para o Câmara Corporativa.
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De M. S. a 29.09.2014 às 21:59

Senhor Octávio:
Acalme-se, não está habituado a ser contraditado?
Não o conheço de lado nenhum nem teria nenhum prazer em o conhecer, o que será um sentimento recíproco, não tenho a menor dúvida.
O que fiz foi opinar sobre a «qualidade» argumentativa do seu comentário, nada mais.
E o senhor pode voltar para o Fiel Inimigo.
Fica entre a sua gente, onde a sua narrativa fantasiosa será muito bem aceite.
Ou talvez não, talvez seja considerada de tonalidades demasiado suaves.
Do que mais gostei foi do seu eufemismo: «debilitados por opções arriscadas que lhes custaram caro». O risco faz parte da vida, não é?
É uma frase bastante clarificadora, se fosse necessário clarificar algo.
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De Octávio dos Santos a 30.09.2014 às 00:05

Eu estou habituado a ser contraditado, e não tenho qualquer problema com isso. A que não estou habituado, nem quero habituar-me, é a ser insultado por qualquer badameco não identificado, que, à falta de argumentos, resolve armar-se em engraçado...

... E que, ele sim, vive num mundo de fantasia. Pelo contrário, eu lido com factos e prefiro chamar «os bois (ou os boys) pelos nomes».
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De M. S. a 30.09.2014 às 08:15

Senhor Octávio:
Não haja dúvida que vive com factos (fantasiosos, ainda assim factos).
Ignora tudo o que referi quanto às debilidades do país e ao contexto internacional (factos indesmentíveis).
Esquece-se completamente de que a Espanha: sempre tinha tido superavits; não teve as debilitações «por opções arriscadas que lhe custaram caro» (adorei este eufemismo); felizmente não teve um Sócrates práfrentex que deu uma boa ajudinha para a agravar a coisa.
Centra tudo apenas numa pequena parte, a menos relevante por se inserir numa lógica prosseguida no país desde os gloriosos tempos do «deixem-nos trabalhar», que elegeu o betão, as negociatas da «formação das tecnoformas, o investimento agrícola nos jipes e nas piscinas, o BPP e o BPN do bando de vigaristas que era só a fina flor do cavaquismo, etc., etc.
Nada disto existiu.
A nossa desgraça começou com o desgraçado do Sócrates, quiçá com o frouxo do Guterres.
Antes tínhamos uma dívida pública monstruosa e um défice excessivo porque éramos gastadores, agora entrámos nos eixos, na austeridade, estes 2 indicadores estão piores.
Mas o país está melhor.
Depois ofende-se de chamar fantasiosa à sua historieta da treta e de lhe chamar «cego ideológico».
Passe bem, estou a perder demasiado tempo consigo.


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De Octávio dos Santos a 30.09.2014 às 16:15

E eu a pensar que, numa eventual próxima réplica, você se iria identificar... Afinal, quem continua a viver numa fantasia, e da treta, não sou eu.

E, sim, não perca mais tempo comigo. Aproveite-o para ganhar conhecimentos... e coragem.
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De M. S. a 01.10.2014 às 12:21

Senhor Octávio dos Santos:
Homem, enxergue-se.
Que garantias pode dar de que se chama Octávio dos Santos?
Eu costumo aconselhar os auto-convencidos, os fanáticos, os mal-educados, os desonestos intelecualmente, etc., de que devem pôr um espelho na parece atrás do monitor do computador.
Quando estão a epitetar os outros seja do que for sempre podem ter um assomo de arrependimento a tempo.
Assunto fechado de vez por mim.
Definitivamente.
Não voltarei a comentar nenhum comentário seu de hoje até ao tempo infinito futuro.
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De Octávio dos Santos a 02.10.2014 às 14:48

Quem diria? Cobarde E fanfarrão.
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De Paulo a 29.09.2014 às 10:52

É obvio, uma vitoria de António Costa por larga margem. Mas afinal quem ganhou? Seguro que se livrou duma autentica campanha desestabilizadora, um autentico terrorismo politico dentro do próprio partido. Por outro lado ganharam os velhinhos do Restelo que dificilmente deixarão que o poder mesmo que indiretamente. Ganhou o Mário Soares que tanta guerra suja fez no sentido da queda de Seguro. Voltamos ao mesmo, a um PS arcaico, demagogo, orientado para interesses particulares nem sempre claros. Tudo isto porque esta classe politica apoia quem lhes garante o tacho. Lamento apenas que Seguro não tenha visto a tempo que se encontrava rodeado de traidores e oportunistas. Assim rasgo o meu cartão de militante, feliz por não partilhar jamais os interesses destes verdadeiros oportunistas.
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De Pedro Correia a 29.09.2014 às 21:51

Seguro lega ao PS o mais participado processo de renovação interna que a partir de agora se torna património do PS. Algo só semelhante ao já ocorrido no Partido Socialista Francês e no Partido Democrático italiano. Nem o PSOE, em Espanha, foi tão longe.
Bastaria isto para ficar como marca positiva do seu mandato no Largo do Rato. Estou convencido, aliás, que os restantes partidos em Portugal caminharão mais cedo ou mais tarde na mesma direcção. Começando no PSD.
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De Carlos Faria a 29.09.2014 às 11:50

Uma coisa é convencer o núcleo duro dos votantes num partido que já estavam à partida mobilizados para Costa (todos os votantes foram menos de 1/6 da última grande derrota do PS ao nível nacional), outra é convencer os abstencionistas, indecisos e tradicionais migradores no sentido de voto e ainda os atraídos pelo protesto nos pequenos e novos partidos que ali está o messias.
Há um rebento com boas raízes na boa terra do seu quintal, resta saber se os seus braços se estenderão aos outros terrenos de uma forma tão forte. Claro que nada daqui para a frente será igual, mas nada garante que sem ideias claras Costa mobilize o País como o fez aos militantes e simpatizantes do PS e não vamos ter um novo parlamento esfrangalhado.
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De Pedro Correia a 29.09.2014 às 21:46

Carlos, Costa tem três tarefas urgentes pela frente:
- Unir o partido
- Agregar outras forças à esquerda numa projecto de futura maioria governamental
- Elaborar um programa alternativo ao da actual maioria (incluindo propostas relativas à moeda, ao Tratado Orçamental e à eventual renegociação da dívida)

Isto nada tem a ver com folclore partidário. É matéria estrutural, com sérias consequências no futuro de todos nós.

Aguardemos, pois.
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De sampy a 29.09.2014 às 13:41

Um dia interessante, ontem, para muitos portugueses. Uma vez mais, as urnas falaram e o socialismo voltou a ser rejeitado. Para um tuga, o momento teve algo de tremendum et fascinans. Quase inacreditável, mesmo.

Os suíços são lixados.
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De Pedro Correia a 29.09.2014 às 18:19

Parabéns pelo microconto pleno de sarcasmo, ao estilo do Mário-Henrique Leiria. Pensei (erradamente) que já quase ninguém cultivava este género literário.
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De sampy a 29.09.2014 às 23:37

Era apenas uma inocente referência ao referendo helvético sobre a assurance maladie...
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De rui a 29.09.2014 às 20:18

Gostaria de saber quando o Sr Costa, que ganhou as eleições primarias do PS e ainda presidente da Camara de Lisboa se demite da mesma, ou vai continuar a aproveiter-se das duas situações, pelo menos tenha a ombridade, que unica do Sr Seguro de se demitir logo apos aos resultados das mesmas.
Não brinque com quem o elegeu.
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De Pedro Correia a 29.09.2014 às 21:44

Eu gostava que, no caso da eventual demissão do actual presidente da câmara de Lisboa, um ano após ter sido reeleito, se abra um processo eleitoral no concelho. Tão democrático e participado como foi o das eleições internas no PS, que funcionam a crédito do líder cessante do partido.
Uma sucessão "dinástica", com herdeiro ungido, não me parece aceitável no mais emblemático município do País.
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De Tomás a 01.10.2014 às 17:08

Li isso tudo que foi escrito acima.. com umas coisas concordei e com outras não, como é lógico. Apreciei a forma correcta e civilizada como alguns comentadores se apresentaram, incluindo o autor do texto inicial, que se absteve de intervir no desaguizado entre dois comentadores - um deles armado em mandão e sabe-tudo! :)
Concordo com o ultimo comentario sobre as indispensaveis eleições naquela que é a mais emblemática das autarquias do País: Lisboa. Afinal, o resultado ontem pode não significar o mesmo hoje, isto é, quando o PS ganhou a câmara com Costa era uma coisa, hoje com o seu abençoado vice, não me parece que seja o mesmo para o universo de lisboetas que o terá de gramar se Costa for embora pro Rato!
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De Pedro Correia a 01.10.2014 às 23:26

Estamos de acordo, sem dúvida. Espero escrever um texto, muito em breve, sobre este tema. Porque não se pode por um lado estar a enaltecer a democracia interna no PS, onde se registou um processo aberto e participado, e depois negar tudo isso na Câmara Municipal de Lisboa.
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De M. S. a 02.10.2014 às 00:03

Senhor De Tomás:
Importa-se de presisar a qual dos comentadores se está a referir?
Se for a mim, e presumo que sim, gostava de lhe explicar a diferença entre apresentar alguns algumentos que sejam a base para a troca de pontos de vista e meras opiniões do foro das convicções, com omissões prmeditadas de certos factos que contrariam essas premissas de matriz puramente ideológica.
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De Tomás a 08.10.2014 às 11:38

Sr. M.S.
Como é lógico não posso dizer se era a V. Exª ou ao outro Sr. que me referia no comentário que fiz, para não correr o risco de estarmos para aqui a alimentar uma fogueira com papeis velhos, que para além de uma fugaz labareda efémera não adiantaria nada. Sairemos daqui os mesmos e o País continuará o mesmo, ou melhor, na mesma!
Leia de novo o meu comentário e por certo vai ficar mais confortado, quanto ao que deduziu que eu quis atingir. De resto, concordo consigo na explanação que fez, pois não poderemos jamais ignorar todos os factos, se queremos julgar ou ajuizar correctamente as causas - ou a causa - para o lamentável estado em que este desgraçado País chegou!
E quanto a Costa - o eleito - a ver vamos, como dizia o cego, pois só o tempo é que dá as respostas, mas numa coisa o apreciei: não abriu muito o jogo, para não ter que engolir sapos e garfos velhos quando daqui a uns tempos for chefe de governo e vir que afinal "não se podem fazer morcelas sem sangue", isto é, com dinheiro nos cofres é muito fácil governar, o pior é quando o mesmo não existe e os "credores" não abrem mão ou resolvem apertar a tarracha! Aqui há uns cinquenta anos ou mais, cantava-se à "chucha calada" uma cantiga que dizia assim: "Lá pros lados de mortágua / há o filho dum moleiro / que até faz filhozes d'água /só pr'encher o mealheiro!"
Mas esse já morreu há muito e os tempos mudaram. Então, contavam-se os tostões para não fazer má figura, hoje gastam-se milhões para fazer brilhar a dentadura! :) E quem é que se importa?! A Democracia é linda mas fica muito cara...
E com esta me vou.. andando.

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