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O amadorismo dos profissionais

por Pedro Correia, em 16.09.16

Leio hoje no DN que Pedro Passos Coelho acedeu a apresentar um livro de mexericos, cheios de putativas indiscrições sobre personalidades já falecidas. Fê-lo por admirar muito o autor, sem sequer ter lido a obra nem fazer ideia sobre o chorrilho de bisbilhotices lá estampadas - visando pessoas que já cá não estão para exercer o indispensável direito ao contraditório.

Se houvesse prémio para o livro mais execrável do ano no mercado editorial português este seria um sério candidato. Não consigo compreender como Passos aceita associar o seu nome a isto. E uma vez mais me surpreendo ao ver políticos profissionais, com experiência acumulada de décadas, tropeçando em cascas de banana com o descuido do amador mais imprevidente.

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42 comentários

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De fatima MP a 16.09.2016 às 13:03

É, caro Pedro Correia, como dizem os brasucas "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come …"
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De Pedro Correia a 16.09.2016 às 16:53

Um político experimentado não deve cair nestas esparrelas, Fátima. Penso eu de que.
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De sampy a 16.09.2016 às 14:16

Quem, em nome da amizade, não se viu metido alguma vez numa situação complicada ou até penosa, que atire a primeira pedra.
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De Pedro Correia a 16.09.2016 às 16:53

Estas pedras fazem sempre ricochete, Sampy. Como refiro em resposta a outro leitor, quem abre a porta dos mexericos, tolerando-os ou avalizando-os, sujeita-se ao ricochete: hoje Passos Coelho não é mencionado, mas amanhã aparecerá noutro "livro" qualquer - e não vai gostar. Entretanto perde toda a autoridade moral para se indignar com o que quer que seja.
Elevação e sentido de Estado, tal como os caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguém.
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De sampy a 16.09.2016 às 20:56

Vamos por partes.
Se os mexericos fossem coisa a censurar nos nossos media, metade dos jornalistas estava desempregada e a outra metade, em nome da tal autoridade moral, estaria obrigada a entregar a carta de despedimento.
Passos Coelho já provou desse veneno. Estou, por exemplo, lembrado de que ele foi várias vezes acusado de estar a usar o cancro da esposa como trunfo eleitoral. A indignação com tal insinuação não foi assim tão grande.
Mais uma vez o digo: ele não se ofereceu para apresentar um livro de mexericos, mas sim o livro escrito por alguém que ele considera um amigo. Se alguém está a abusar da amizade, é o autor do livro. Se a amizade é verdadeira, o autor do livro deveria libertar Passos do compromisso assumido em boa-fé.
Por fim, o mais importante: eu ainda não li o livro. Nem, aposto, nenhum dos que anda por este blog a rasgar as vestes. Até prova em contrário, parece-me que andamos todos atrás de uma notícia mexeriqueira publicada num jornal sobre o putativo conteúdo do livro que nenhum de nós conhece de verdade. O que demonstra tristemente a nossa hipocrisia.
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De Pedro Correia a 16.09.2016 às 22:04

Lamento, mas não vou fazer publicidade ao "livro". Nem o lerei, obviamente. Do autor - que chegou a dar uma entrevista dizendo-se capaz de ganhar o Prémio Nobel - li uma vez aquele que considero o pior livro de ficção portuguesa dos últimos 30 anos.
Passos Coelho - que foi vítima desse jornalismo de sarjeta, como bem recorda - deveria, até por isso, resguardar-se de caucionar tudo quanto tenha a ver com essa modalidade. Como escrevi em resposta a outro leitor, do esterco devemos afastar-nos, nunca aproximarmo-nos.
Este blogue tem toda a autoridade para se pronunciar sobre este tema. Desde logo porque aqui foram publicados textos como estes:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/no-pais-dos-brandos-costumes-7579581
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/de-cabeca-erguida-7573451
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De sampy a 16.09.2016 às 22:47

Em relação ao esterco, gosto de lembrar-me daquela fantástica fábula do passarinho.
O Pedro Correia tomou uma decisão, Passos Coelho há-de tomar a dele. Aguardemos.
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De Pedro Correia a 16.09.2016 às 23:07

Não me lembro dessa. Recordo a fábula da raposa e da cegonha. Cada um deve comer do seu prato, sem querer parecer aquilo que não é.
E lembro-me também de uma frase muito antiga, da sabedoria tradicional portuguesa: diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.
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De lucklucky a 16.09.2016 às 14:59

O português é muito flexível.
Veja-se os Ministros da Finanças. Escrevem uma coisa e fazem outra completemente diferente.
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De Pedro Correia a 16.09.2016 às 16:50

Quanto aos ministros das Finanças, já houve e continuará a haver tempo e espaço para contestarmos o que dizem ou (não) fazem.
Voltando a este tema concreto: o ex-primeiro-ministro e líder do maior partido da oposição comete um erro enorme ao avalizar um livro de mexericos e bisbilhotices. Até porque estas coisas funcionam sempre com ricochete: hoje não é mencionado, amanhã aparecerá noutro "livro" qualquer. Entretanto perde toda a autoridade moral para se indignar com o que quer que seja.
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De lucklucky a 17.09.2016 às 13:22

Não estou a dizer para não se criticar, estou a dizer que os Portugueses gostam de estar bem com Deus e com o Diabo.

No entanto as wikileaks já eram coisa boa.
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De Pedro Correia a 17.09.2016 às 14:01

Sobre este tema em concreto a sua opinião é...... ?
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De Anónimo a 16.09.2016 às 15:09

Caro Pedro Correia
Talvez por eu ser mais velho, creio (quase 69) não me espanta nada.
António Cabral
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De Pedro Correia a 16.09.2016 às 16:45

Meu caro António Cabral, no dia em que eu deixar de me espantar de todo seja com o que for deixarei de escrever, aqui ou em qualquer outro local.
Espero que esse dia ainda venha longe.
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De Anónimo a 16.09.2016 às 16:52

Caro Pedro Correia. Repito, raramente já me espanto. Mas, como felizmente faz, e normalmente bem a meu ver, não desistir, e assim porfio no meu blogue como pode confirmar, porventura algumas vezes desajeitadamente. Cumps. António Cabral
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De Pedro Correia a 16.09.2016 às 16:55

Espero que assim continue, caro António. Cumprimentos.
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De Luís Lavoura a 16.09.2016 às 17:44

indiscrições sobre personalidades já falecidas

Parece que muitas das personalidades referidas no livro estão ainda bem vivinhas.

Eu diria que o Pedro faria bem - tal e qual como Passos Coelho - em ler o livro, pelo menos por alto, antes de o vir classificar com epítetos como "o livro mais detestável do ano". É que, pode ser que algum do material no livro não sejam "bisbilhotices" nem "mexericos", mas coisas efetivamente importantes. Sabe-se lá...
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De Pedro Correia a 16.09.2016 às 18:11

Nem pensar. Se quiser saber bisbilhotices compro a Nova Gente.
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De BELIAL a 16.09.2016 às 19:01

Uma avaliação psicológica do autor talvez revele "capitis diminutio" que o isente do rigor dos códigos...

Agora, que vai vender como pãezinhos quentes -vai.

O melhor, será escancarado nos on-lines e net. À borla, para olharapos de bom senso económico.
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De Pedro Correia a 16.09.2016 às 19:44

Falando em bom senso: gostaria que Passos Coelho se demarcasse quanto antes deste inqualificável atentado à deontologia jornalística e às mais elementares normas de convivência cívica. Caucionar isto é um tiro de bazuca no próprio pé.
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De V. a 16.09.2016 às 19:49

Porque Passos é meio burro. No dia em que ganhou as primeiras eleições e o CDS teve 15% apareceu à frente das câmaras com um papelinho amarrotado alinhavado com as coisas que tinha para dizer, provavelmente na ortografia nova. Intuíu-se logo ali que Portugal acabava de desperdiçar uma boa oportunidade para se livrar de vez do socialismo.
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De Pedro Correia a 16.09.2016 às 20:00

Seja como for, nada justifica que avalize um "livro" que utiliza mortos como arma de arremesso contra vivos e transforme alegadas conversas privadas em assassínios de carácter.
Devemos distanciar-nos do esterco, não aproximarmo-nos dele.
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De V. a 16.09.2016 às 21:00

Se calhar é esterco que explica melhor do que outra coisa qualquer como funciona a classe política, como certas coisas acontecem, como algum jornalismo acede aos bastidores, etc, etc.

Ainda hão de chamar a Passos um pioneiro-prefaciador da nova historiografia portuguesa.
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De Pedro Correia a 16.09.2016 às 21:53

Não vá por aí. Tenho a certeza de que esse seu vaticínio não se confirmará.
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De V. a 16.09.2016 às 21:58

Estava a brincar
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De xico a 16.09.2016 às 20:52

Do autor só conheço o que li nas suas inenarráveis crónicas. Admiração por tal prosador, como diz ter Passos Coelho, já revela alguma falta de critério, necessária a quem quer ser primeiro-ministro. Se é por amizade, deveria recusar porque se o autor é seu amigo e quer arriscar, deveria saber que não se levam os amigos para situações que os comprometam. Até pode parecer que alguém tem medo do que se sabe ou se possa a vir saber.
Quanto à devassa da vida sexual dos outros é assunto que, em regra, só interessa a quem não tem nenhuma (vida sexual).
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De Pedro Correia a 16.09.2016 às 22:07

É como diz no seu último parágrafo. Quanto às tais crónicas, o adjectivo que a elas mais se adequa é esse mesmo: inenarráveis.
Custa a crer que o autor não tenha filtros que lhe permitam distinguir entre o bom e o medíocre e entre o medíocre e o péssimo.
Pensar que este indivíduo dirigiu durante 23 anos o jornal mais influente em Portugal diz muito sobre a crise do jornalismo. Que não é tão recente, como alguns imaginam: já vem muito mais de longe.
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De Plinio a 17.09.2016 às 00:03

Eu só não entendo é como se fala mal de alguma coisa sem sequer a ler e não me parece muito válido dizer que mais vale ler a revista gente. Desde já digo que não vou ler o livro nem leio crónicas do autor.
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De Pedro Correia a 17.09.2016 às 00:13

Não me interessa falar do autor, pessoa que não merece sequer duas linhas de texto. Interessa-me, isso sim, sublinhar que Passos Coelho comete um erro lapidar se apresentar um "livro" destes. Um erro de amador. A política não é para amadores: é para profissionais.
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De Plinio a 17.09.2016 às 00:19

Eu não falei do autor. Falei do hipotético conteúdo do livro que ainda não é conhecido. E isso parece-me que tem relevância. Quanto ao PPC o apresentar tirará o mesmo as devidas consequências do seu acto.
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De rmg a 17.09.2016 às 16:24


Qualquer cidadão que tivesse 2 horas livres o podia ter lido ontem numa FNAC qualquer pois é política da empresa, desde a sua fundação em França em 1954, que se possa lá passar o dia todo a ler sem ninguén vir chatear.

Claro que nem toda a gente almoça todos os dias na Baixa como eu e passa pelas livrarias, mas continuar a 17/09 a dizer-se que ninguém conhece o que já foi folheado (e até lido) na véspera por uns milhares de pessoas é típico de quem vive mais atrás de um teclado do que na rua.

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De Pedro Correia a 17.09.2016 às 16:44

Fica a sugestão àquele nosso leitor, meu caro. Talvez ele se sinta enfim autorizado a chamar esterco ao esterco, sem acanhamentos de qualquer espécie.
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De Sérgio de Almeida Correia a 18.09.2016 às 14:24

Isto é Passos, "O Farsante", no seu melhor. Só quem não tivesse percebido o personagem, há vários anos, se admira. Não é o meu caso.
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De Pedro Correia a 18.09.2016 às 16:43

Lamento que uma editora prestigiada, que várias vezes aqui destaquei e elogiei, atribua chancela a uma coisa destas.
Algum lucro que possa conseguir com as vendas não compensará, de forma alguma, os custos reputacionais.

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