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O abismo grego

por Pedro Correia, em 01.07.15

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A irresponsabilidade, o experimentalismo extremo e a navegação à vista estão a debilitar de forma irreversível o Governo grego: com o país ainda formalmente inserido na União Europeia, a coligação Syriza-Anel conseguiu rebaixá-lo ao nível de um Sudão ou um Zimbábue, que também falharam o cumprimento das suas obrigações financeiras.

Os bancos gregos estão encerrados. E a população deixou de dispor sequer da liberdade de utilizar o seu dinheiro devido à proibição governamental de levantamentos diários superiores a 60 euros nas caixas multibanco, aliás em grande parte já descapitalizadas.

Se a situação era má quando o actual executivo tomou posse, em Janeiro, agora é péssima: a Grécia prossegue no caminho para o abismo enquanto alguns basbaques cá do burgo - cada vez menos, valha a verdade - ainda se atrevem a vitoriar Tsipras e Varoufakis, condutores de um comboio desgovernado.

Incapaz de conseguir financiamento autónomo, sem o menor prestígio internacional e com as suas próprias hostes divididas, o ainda primeiro-ministro grego ensaia agora uma nova fuga em frente levando a referendo no domingo uma pergunta que se tornou absurda: «Deverá ser aceite o projecto de acordo que foi apresentado pela Comissão Europeia, pelo Banco Central Europeu e pelo Fundo Monetário Internacional no Eurogrupo em 25 de Junho?»

O "projecto de acordo" a que a pergunta alude caducou assim que Atenas entrou em incumprimento. De qualquer modo, responda como responder o eleitorado, resta ver até que ponto Tsipras e Varoufakis serão capazes de ultrapassar o assombroso nível de incompetência que vêm demonstrando.

Nisso, pelo menos, ninguém deve subestimá-los.


174 comentários

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De É só aguardar... a 01.07.2015 às 21:39

Já amanhã e todos os dias até ao referendo e todos os dias a seguir ao dito não vai haver falta de oportunidades de ultrapassagem da incompetência, do amadorismo e do "atarantismo" já demonstradas.

Até o sempre cheio de bonomia Jean-Claude Juncker já afirmou:

"Ouvimos falar de ultimatos, de chantagem. Mas de onde vêm os insultos, as ameaças?", denunciou Juncker, garantindo que o Governo de Tsipras abandou a mesa das negociações quando a proposta que estava a ser discutida podia ter "facilmente" conduzido "a um acordo no Eurogrupo de sábado". Tratava-se de "um pacote exigente e completo, mas justo" que não implicava nem cortes de salários nem de pensões”. Juncker diz que se a proposta de sexta-feira for apresentada como final, quando havia ainda margem para trabalhar nalguns pontos, Tsipras "faltará à verdade", acusando-o de “egoísmo”.


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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 13:17

Permita-me a autocitação:
Há uma contradição aparentemente insanável entre o que o Syriza proclama e o que o Syriza faz. (...) A intenção, por enquanto inconfessável, parece evidente: apontar mais tarde o dedo acusador às instituições comunitárias, acusando-as de responsabilidade directa na ruptura da Grécia com o euro.
Tudo demasiado previsível. Estamos perante rudimentares aprendizes de Maquiavel. Só receio que o povo grego acabe por sofrer ainda mais com isto. E nós com ele.»
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/penso-rapido-65-7135951


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De Maria Dulce Fernandes a 01.07.2015 às 22:24

Vou abrir um parêntesis na minha decisão de não comentar política ( o que não significa não ler, apenas não comentar) para expressar uma opinião muito favorável sobre este apontamento do Pedro Correia.
Não são necessários textos longos e enfadonhos, nem facciosismos e teimosias, nem mostras de pseudo cultura superior, nem ironias e vulgaridades para explicar e clarificar uma situação consisamente.
Obrigada.
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De Diogo Moreira a 02.07.2015 às 09:32

Porém, o texto é extremamente faccioso: coloca a culpa apenas e só nos actuais governantes gregos, os quais foram chantageados desde o primeiro minuto (e até houve tentativas de muitos líderes europeus de influenciar as eleições gregas que levaram estes governantes ao poder).

A estratégia da Europa é vergar estes gregos, colando-lhes apenas atributos negativos. A austeridade, que tudo piorou onde foi aplicada (é só ler o relatório de avaliação do FMI onde está lá taxativamente que erraram), mas isso parece não interessar para nada aos líderes europeus.

Mas a culpa é dos gregos, preguiçosos para trabalhar e mentirosos nas contas, a viver acima das suas possibilidades, enquanto que os bons povos do Norte são chamados a pagar as contas, não é? (Pode-se facilmente substituir 'gregos' por 'portugueses', 'espanhóis' e 'italianos', que serão as próximas vítimas. Mesmo que se jure até à exaustão que 'nós' não somos como os gregos.)
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 13:37

Quem está a vergar o povo grego é este Governo irresponsável.

Irresponsável a vários títulos:

1. Fez promessas eleitorais absolutamente irrealistas e que sabia de antemão que jamais poderiam ser cumpridas num Estado com absoluta falta de liquidez. Exemplos:
- Aumento do salário mínimo
- Electricidade gratuita para cerca de um milhão de pessoas
- Restituição do subsídio de Natal
- Abolição das taxas moderadoras
- Medicamentos gratuitos e passes de transportes também gratuitos para desempregados
- Renacionalizações de empresas privatizadas ou em fase de privatização
Promessas que, se fossem cumpridas, agravariam em nove pontos percentuais o défice das contas públicas.

2. Diz-se contra os ricos e os poderosos, mas mantém praticamente inalteradas três entidades todas-poderosas que não ousa beliscar: a Igreja ortodoxa, que continua isenta de impostos; as forças armadas, que dispõem da maior fatia do orçamento estatal de um país da NATO no continente europeu; os armadores gregos, donos de uma das três maiores frotas mercantes do mundo e que continuam isentos de impostos, ao abrigo do artigo 107º da Constituição, apesar de terem lucros anuais superiores a 17 mil milhões de euros.

3. Convoca - num prazo recorde e sem campanha eleitoral possível em apenas cinco dias úteis, tempo insuficiente para qualquer debate sério - um referendo que constitui uma fraude política. Porque induz os gregos a concluir que um voto "não" é um voto europeísta e destinado a fortalecer a presença da Grécia na eurozona. Mas esse voto representará a ruptura definitiva com o euro, como nenhum decisor político ignora na União Europeia.
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De Diogo Moreira a 02.07.2015 às 14:15

Fazendo um paralelo com Portugal, quem é o "culpado" da situação portuguesa: o actual Governo, liderado por Passos Coelho e Portas, ou o anterior, da responsabilidade de Sócrates?

Quanto aos gregos, os actuais receberam um país fustigado por uma grande crise económica, onde o principal problema é a falta de poder aquisitivo da população. E, como todas as estatísticas evidenciam, um aumento do rendimento das pessoas iria sobrecarregar pouco as Importações, dado que a maioria da actividade económica da Grécia é gerada internamente. Como tal, um aumento na Procura Agregada do país iria traduzir-se num aumento da recolha de impostos, pelo que não é líquido o efeito nas contas públicas.

No que toca às forças armadas, propôs um corte de 300 milhões de euros, os quais foram liminarmente recusados pelo FMI. Aliás, fez toda uma contra-proposta onde aceitava deixar cair várias promessas eleitorais, mas que sobrecarregava igualmente as empresas em sede de IRC - que foi, mais uma vez, recusada pelo FMI.

Estando numa situação de permanente escrutínio pelo órgãos de média durante as negociações com as 'instituições', onde lhes foi feita uma oferta de "pegar ou largar" que ia contra tudo o que era defendido pelo Syrisa e não permitir que seja o povo - a base da democracia - a escolher o seu próprio "veneno", porque isso não dá tempo a um debate alargado? O Pedro acredita mesmo no que escreveu?
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 14:24

Falei-lhe de questões muito concretas às quais não deu resposta. Como aliás eu já previa.
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De Diogo Moreira a 02.07.2015 às 14:31

Falho em ver que questões o Pedro tocou que não teve reposta (excepto a Igreja Ortodoxa e os grandes armadores, dos quais não tenho dados, mas que é irrelevante no contexto geral do que escreveu).

Mas eu repito para ficar bem claro: os números dão razão ao Tsipras e companhia. Os líderes europeus querem imolar os governantes gregos por uma questão de ideologia e não estão a olhar a meios para o fazerem.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 14:45

Você conclui que os números "dão razão" a Tsipras enquanto alega desconhecer a escandalosa protecção à Igreja Ortodoxa, cujos bens e receitas permanecem livres de impostos, e aos poderosos armadores gregos, isentos igualmente de obrigações fiscais ao abrigo do artigo 107º da Constituição grega?
Como chega a uma conclusão tão peremptória sobre o acerto da estratégia financeira do governo Syriza-Anel enquanto admite ignorar aspectos tão importantes da realidade grega?

Será que desconhece igualmente que um dos pontos de divergência entre o executivo Tsipras e a tróica (agora baptizada de "instituições" mas composta pelos mesmíssimos membros da tróica) incidiu no montante das despesas militares, que o executivo grego insiste em manter praticamente inalteradas? Só propôs, à última hora, uma redução de 200 milhões de euros (o equivalente a 5% do total) quando a Grécia continua a reservar 2,2% do seu PIB às forças armadas (a maior parcela de um país da NATO excepto os EUA). Nem em estado absoluto estado de necessidade, como agora sucede, a esquerda radical retira privilégios a coronéis e generais...
http://www.theguardian.com/world/2015/jun/23/why-has-greece-only-now-included-defence-cuts-in-its-brussels-proposals
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De Diogo Moreira a 02.07.2015 às 14:57

O Pedro continua a confundir a árvore com a floresta. Por muito grande que lhe pareça a parte da Igreja Ortodoxa ou dos grandes armadores, isso é relativamente pequeno no PIB grego. Podia-se cortar para um décimo e, mesmo assim, pouco afectaria as Contas.

Quem concluiu que os números dão razão ao Tsipras foi o FMI, no seu relatório de análise às políticas aplicadas na Grécia - os cortes foram demasiado profundos, a contracção económica provocada pela austeridade teve ainda mais impacto que o previsto porque foram mal calculados os multiplicadores económicos, e teria sido muito melhor nem sequer ter lá metido a mão. Sugiro uma leitura deste relatório, dado que o braço executivo desse mesmo FMI parece não se ter dado ao trabalho.

E toda a sua argumentação no mundo é incapaz de explicar porque o FMI não aceitou a proposta da Grécia por motivos económicos. O Syrisa aceitou recuar e levou um rotundo "Não!", esticando-se a corda para a situação actual.

O Tsipras e companhia não são uns anjos neste processo e os culpados são só os outros. A parcela que lhes toca da culpa é que é bem inferior à do Eurogrupo, Comissão Europeia e FMI.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 17:35

Aí está a resposta de Tsipras. Convoca um turbo-referendo, em tempo recorde, sem possibilidade de debate sério, endossando as responsabilidades que lhe cabem para cima dos eleitores. E lava as mãos, como Pilatos.

Com isso prossegue apenas o que tem feito: ganhar tempo. Empurra com a barriga enquanto os problemas se avolumam. Esperando que a passagem do tempo, por milagre, resolva alguma coisa. Talvez por essa crença nos milagres não ouse afrontar a toda-poderosa Igreja Ortodoxa...

O engenheiro Tsipras não cumpriu uma só promessa eleitoral, começando pela reestruturação da dívida que iria "exigir" aos credores. Agora apela ao voto "não" como se dele surgisse o "sim" como consequência. É uma falsidade óbvia: o "não" acelera o rumo alucinado da Grécia para fora da eurozona.
Estamos perante um caso extremo de demagogia política.

Que Tsipras encontre seguidores deste lado da Europa é algo que não cessa de me espantar.
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De Diogo Moreira a 02.07.2015 às 18:12

O Pedro continua a diabolizar o Tsipras, como se ele tivesse as costas tão largas que abarque todas as culpas de um processo que se vem avolumando há anos.

Aponta mais uma vez culpas no cartório à toda-poderosa Igreja Ortodoxa por esta ficar de fora de um qualquer ajuste de contas através de impostos, preferindo ignorar a pequena parcela que isso representa na Economia grega.

Porque o problema é, verdadeiramente outro: os 'remédios' que são propostos apenas colocam a Grécia numa situação agonizante até 2030 e não resolvem nada de fundamental. Os políticos europeus preferem continuar a assobiar para o ar e ignorar que o ponto de partida deles está errado - como demonstram com números Economistas como Paul Krugman, Joseph Stiglitz, Wolfgang Munchau, Simon Wren-Lewis e até a equipa de estudos do FMI, entre outros, em vez de se entreterem em retóricas e ataques aos seus oponentes.

Mas é bem mais fácil arranjar um bode-espiatório do que contas a sério.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 00:19

É bem mais fácil políticos fugirem às responsabilidades, como acaba de fazer o ministro das Finanças grego ao anunciar que se demitirá na segunda-feira se o 'sim' vencer o referendo.
Chantagem inadmissível e totalmente irresponsável. Que soma uma crise política à gravíssima crise financeira em que mergulhou a Grécia.
Com tiradas demagógicas, como aquela de que prefere "cortar um braço" a negociar um novo programa de resgate, Varoufakis cobre-se de ridículo - e envergonha todos quantos o apoiaram por cá - no preciso momento em que o FMI acaba de avaliar as necessidades gregas para os próximos três anos em cerca de 50 mil milhões de euros.
Conclusão: estes dirigentes estavam totalmente impreparados para assumir o poder: é a conclusão a que chega qualquer pessoa de bom senso e capaz de analisar os factos sem pálas nos olhos.
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De Diogo Moreira a 03.07.2015 às 01:16

Mais uma vez, o Pedro faz uma "fuga para a frente"... Em caso de dificuldade em aceitar os números, é preferível culpar alguém, qual sacrifício humano que deva ser imolado no altar que, inconscientemente, idealiza!

O que está em causa não é uma solução para a Grécia. Em termos económicos, para quem empresta, é preferível receber uma parte do que emprestou (concedendo condições mais favoráveis a quem pediu emprestado e se vê sem possibilidades de honrar os pagamentos) do que a liquidação definitiva do devedor e consequente impossibilidade de reaver sequer parte do que emprestou. Ora, os líderes europeus e a parte executiva do FMI querem fazer da Grécia um exemplo, tal como nos EUA fizeram um exemplo do Lehman Brothers, e não se parecem importar dos meios que usam para atingir os seus fins.

Podemos achar que os gregos são isto ou aquilo (tal como achamos dos habitantes do Arquipélago da Madeira quando o Continente foi chamado a pagar as dívidas), mas não são eles os principais responsáveis da actual situação. Muito menos os governantes que acabaram de pegar num país que já levava com dois "resgates" em cima e cuja situação se foi sempre deteriorando com os sucessivos Governos que tiveram.

Ao menos, estes são lúcidos o suficiente para tentarem outras vias que não "mais do mesmo": mais precariedade, mais pobreza, mais miséria para a generalidade do povo grego (mesmo que uma franja da população esteja quase imune a isso, por pertença à liderança da Igreja Ortodoxa ou por serem uns magnatas armadores ou por terem ligações à Defesa).
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 01:46

O que o governo Syriza-Anel tem proporcionado aos gregos é precisamente isso: "mais precariedade, mais pobreza, mais miséria para a generalidade do povo grego".
Em Janeiro, a Grécia tinha perspectivas de crescimento económico de 2,5% para 2015. As previsões estão neste momento ao nível do chamado "crescimento zero". E o ano ainda só vai a meio.
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De Diogo Moreira a 03.07.2015 às 02:46

Só aponta a estimativa dos 2,5% da Comissão Europeia? E porque não os 2,9% do FMI em Outubro de 2014 (https://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2014/02/pdf/c2.pdf página 50)? Talvez seja por causa do enorme falhanço das previsões do FMI, como se pode ver aqui: http://krugman.blogs.nytimes.com/2015/06/25/breaking-greece/

Estas previsões assentam todas em cenários demasiado optimistas, sendo que iriam ser revistas mais cedo ou mais tarde. E com a intransigência de ambas as partes, as 'instituições' por quererem subjugar os gregos como exemplo para a via única da austeridade e do Governo grego que não aceita as péssimas condições que lhes são oferecidas, está-se na situação actual.

O Pedro continua a misturar duas questões distintas: a económica e a política.
Economicamente, a política da austeridade, culpabilizando os povos de serem demasiado gastadores para assim justificarem a transferência de valores dos contribuintes para os grandes investidores (especialmente a Banca, principal causadora da situação actual) é um erro crasso. A Teoria Económica é clara: mais austeridade resulta em mais recessão e agrava os indicadores que estão a ser religiosamente observados pelos líderes europeus (défice público e dívida pública).
Politicamente, os gregos desafiaram quem controla os destinos da Europa. Aliás, uma boa parte das decisões que deveriam tocar a todos os Estados-Membros no Euro têm ido ao Parlamento Alemão para serem lá votadas! Já a eleição do Syrisa foi uma afronta (pois venceu as eleições, apesar de todos os políticos europeus terem tentado condicionar as eleições num Estado-Membro da União Europeia); e a recusa de prestar a mesma vassalagem que os anteriores Governos fizeram em relação à 'troyka' todo-poderosa não pode passar sem o seu castigo!
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 13:46

Você debita a propaganda grega, misturando-a com alguns dados macroeconómicos e vulgata geopolítica. Daí faz uma salada grega.
Vamos a factos:
- Durante décadas, a Grécia gastou sempre mais do que as receitas que arrecadava.
- Durante décadas, a Grécia foi incapaz de gerar riqueza mais fazer face à espiral de despesa pública. Por isso contraiu mais dívida, sempre mais dívida.
- A Grécia não cumpriu os critérios de convergência que constituíram os alicerces da eurozona.
- O Estado grego martelou as contas públicas, mentindo às instituições comunitárias sobre o seu défice real.
- A despesa pública na Grécia cresceu desmesuradamente à custa dos fundos comunitários, canalizados para obras faraónicas e o alargamento da pesada máquina administrativa grega.
- A corrupção galopante, um sistema de justiça ineficiente e um aparelho de colecta fiscal totalmente inoperante são aspectos irrefutáveis da realidade grega.
- A Grécia reserva a maior fatia orçamental dos países da NATO para despesas de âmbito militar (cerca de 2% do PIB).
- Cerca de 17% da despesa pública grega é canalizada em exclusivo para o pagamento de pensões - a mais alta taxa da eurozona.
- A Grécia é o país recordista em fraude e evasão fiscal.
- Em 2010 e 2012 a Grécia recebeu mais de 200 mil milhões de euros de ajuda financeira de emergência que pressupunha reformas que não saíram do papel.
- Mais de metade da dívida grega foi perdoada, o prazo dos empréstimos foi dilatado e a taxa de juro baixou por decisão política da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu.
- Apesar de tudo isto, a Grécia entrou em incumprimento a 1 de Julho, dia em que deixou por cumprir as obrigações financeiras assumidas perante o FMI.
- Atenas necessita, nos próximos três anos, de mais 50 mil milhões de auxílio financeiro externo (cálculos do FMI)
- As opiniões públicas europeias, inicialmente compreensivas, tornaram-se marcadamente hostis face à crescente arrogância dos gregos, que pretendem continuar a receber auxílio financeiro externo sem reformar a anquilosada economia do país. Tsipras e o Syriza não se encontram apenas cada vez mais isolados na frente interna: não dispõem de qualquer apoio significativo na Europa comunitária.
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De Diogo Moreira a 03.07.2015 às 14:52

A origem do problema grego, tal como o português, irlandês, espanhol, italiano e afins foi a ganância desmedida das instiuições financeiras a nível mundial. Ao mesmo tempo que se desregulamentava o sector (especialmente nos EUA com o repúdio de normas colocadas em vigor após os anos 1930s), foram criados instrumentos cada vez mais complexos (como os CDS, Credit Default Swaps, entre outros), os quais eram vendidos como a oitava maravilha do mundo, com ratings à prova de bala fornecidos pelas casas de notação financeira, mas que posteriormente ficaram conhecidos como "activos tóxicos".

Rebenta a crise e a tendência que se seguiu foi a nacionalização dos prejuízos, através dos contribuintes dos vários Estados. Países que tinham contas bonitas (com superávites, como a Irlanda) tiveram o mesmo destino de países que aldrabavam as contas há anos (como Portugal e Grécia): foram apertados para reembolsarem os empréstimos que lhes tinham sido feitos, sendo criada uma 'task force' conjunta para celerizar o processo. Já não interessou o resultado a médio/longo prazo das políticas exigidas aos incumpridores, mas tão somente a arrecadação de curto prazo dos muitos milhões especulativos.

Foram inventados argumentos para vender estas balelas aos contribuintes, desde viverem acima das suas possibilidades até à corrupção endémica e permanente, passando pela falta de vontade em trabalhar e outros considerandos semelhantes. O número mágico que utilizaram foi o dos juros da dívida pública, o qual não parava de crescer face à inoperância do BCE de Trichet em relação aos ataques especulativos dos mercados.

As políticas impostas nos países intervencionados foram apenas e só no sentido de retirar recursos internos a quem se podia taxar, sendo esses recursos destinados ao reembolso dos credores. Economicamente, estariam apoiadas em dois estudos ("austeridade expansionária" e "«treshold» da dívida pública"), os quais tinham erros graves de concepção e rapidamente foram riscados como inúteis. Porém, o FMI foi igual a si próprio e apresentou o mesmo menu de sempre, o qual só teve sucesso em Portugal nos tempos de Mário Soares.

Os líderes europeus estão agora num ponto sem retorno: as políticas que adoptaram pioraram a situação (especialmente no contexto de uma União Monetária, onde a táctica era todos terem superávites nas contas, a qual é manifestamente impossível dado o perfil das trocas comerciais europeias e a falta de parceiros comerciais com vigos económico para receber todas as exportações europeias que seriam necessárias). Mas não tome a minha palavra como certa: leia o relatório do FMI que está lá tudo explicado, desde erros de avaliação da situação inicial, falhas nas estimativas de importantes considerandos económicos e imposição de medidas erradas ou em doses muito para além do saudável.

Quanto aos gregos em particular, pode substuí-los por "portugueses", "espanhóis" ou, mais curiosamente, por habitantes do Arquipélago da Madeira. Sim, têm gente corrupta. Sim, têm muitos que fogem aos impostos. Sim, assumiram obrigações que não podem cumprir. Sim, tiveram dirigentes políticos incapazes. Sim, fizeram enormes obras públicas com prejuízos para o erário público. Sim, foram ajudados com juros mais simpáticos até ao BCE de Draghi ter entrado em acção. Tudo isso é verdade. Mas isso não é suficiente para prosseguir esta estratégia de liquidação de dívidas, como se o país acabasse amanhã! Especialmente, quando o objectivo é recuperar o que se emprestou, não se pode enforcar o incumpridor!

Eu bem sei que é tentador resumir tudo a uma questão moral - os gregos que expiem os seus pecados! Que sofram na pele as asneiras que os seus representantes escolheram, dado que (segundo o que se diz por aí) um povo só é tão bom quanto os políticos que elege! Que deixem de ser molengões e que trabalhem!

Só que isto não é Economia. É procurar um bode-espiatório.

O Pedro bem que pode continuar a elencar todas as culpas dos gregos (ou portugueses, ou espanhóis, ou Madeirenses, ou outros) que isso representa uma percentagem demasiado pequena do problema.

E, se quiser ver isto numa perspectiva mais egoísta, hoje são os gregos na corda-bamba - amanhã somos nós. E quem é que nos acode?
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De rmg a 03.07.2015 às 16:17


Bem me parecia que o seu problema é "amanhã sermos nós" e não os gregos, estou farto de escrever isso por aqui, escrevem, escrevem, escrevem e a certa altura descaem-se.

Pois se "fôrmos nós" fazemo-nos à vida com os nossos recursos, que é o que está implícito nas suas teorias todas de ataque a quem nos empresta o dinheiro de que vivemos, é o que faz quem tem a tal dignidade que enche a boca de muitos até verem a carteira a esvaziar-se.

E depois vivemos do que temos.
Se não sobrar para todos não sobra, desde que a maioria do povo português o escolha eu aceito, a democracia não é uma "bandeira" só para o que nos convém.

Mas eu já tinha filhos emigrados há 20 anos quando ainda ninguém falava nisso cá e eu próprio trabalhei no Japão há 40 anos, sou um mau exemplo para os que querem continuar com a vidinha que sempre tiveram e alguém que os sustente...

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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 01:52

"Viver do que temos" é hoje um conceito muito 'démodé', caro RMG.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 16:22

Lamento contrariá-lo, uma vez mais, mas a Europa "não se encontra num ponto sem retorno": isso é propaganda da esquerda radical e da Madame Le Pen. Convergentes na pulsão eurofóbica.
Nem a Grécia, aliás, se encontra nessa situação. Pode sempre imitar o 'curralito' argentino do início do século - com a desvantagem, mais que óbvia, de não ser um dos principais exportadores de carne a nível mundial.
Poderia, em alternativa, ter feito as reformas que outros países intervencionados fizeram - Portugal, Irlanda, Espanha, Chipre. Mas os gregos optaram por deixar quase tudo na mesma. Não reformaram o sistema de pensões, não reduziram substancialmente os quadros inflacionadíssimos da administração pública, não reformaram o sistema judicial, não reformaram a anquilosada máquina fiscal, não beliscaram a gigantesca infraestrutura militar com receio de que algum general espirrasse...

Quiseram o melhor de dois mundos: atingir padrões de consumo europeus (e ainda hoje mantêm 76% do PIB 'per capita' médio da UE) sem as correspondentes obrigações que lhes caberiam, até por solidariedade com os países credores (só Portugal enviou quase dois mil milhões de euros no pacote de auxílio financeiro de emergência para a Grécia).
A melhor prova de que existe "ponto de retorno" para a Europa é fornecida pela própria opinião pública grega: mais de 70% prefere manter-se não apenas na União Europeia mas na eurozona.
Estou convicto, aliás, de que o 'sim' triunfará nas urnas este domingo. Apesar das chantagens do Governo Syriza-Anel. O governo mais eurofóbico desta Europa a 28.
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De Diogo Moreira a 03.07.2015 às 17:50

O Pedro não me contraria. A realidade está aí para quem a quiser ver. As ditas "reformas" que foram feitas foram tudo menos verdadeiras reformas... Cortar não é o mesmo que reformar!

As economias dos países intervencionados continuam débeis que, a qualquer espirro dos mercados e com este nível de solidariedade europeu, logo vai tudo por água abaixo. Para que servem, afinal, os sacrifícios?

E, por mais que repita que a Grécia está a chantagear a Europa, não muda o facto de ser um pequeno agente económico contra as pressões dos gigantes FMI e Eurogrupo.

Quanto ao que vai sair do referendo, prefiro não fazer prognósticos: os gregos terão mesmo que escolher entre dois 'venenos'. Quando o desespero é muito, não há racionalidade que sobreviva.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 23:48

Aproveite entretanto você para ler isto:
http://greece.greekreporter.com/2015/06/27/what-tsipras-had-stated-about-the-greek-referendum-in-2011/
Tsipras é o mestre das piruetas demagógicas. O que para ele hoje é verdade amanhã é mentira. E vice-versa.
Ontem era contra referendos, hoje é ele quem os convoca.
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De Diogo Moreira a 04.07.2015 às 01:18

Mudar de opinião quanto à convocação de referendos não é crime. Nem tem influência sobre o que estamos a discutir.
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De Pedro Correia a 04.07.2015 às 12:22

Sempre escutei a esquerda - a "verdadeira esquerda" - insurgir-se contra a lógica plebiscitária dos referendos, típica de regimes da direita musculada e/ou populista. Salazar plebiscitou a Constituição de 1933. De Gaulle governava numa lógica referendária, o que sempre escandalizou a esquerda francesa. Tsipras era também contra os referendos. Até chegar ao poder.
Plus ça change...
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De Diogo Moreira a 04.07.2015 às 12:27

Novamente, não consigo ver a relevância dessa opinião quanto ao que estamos a discutir.
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De Pedro Correia a 04.07.2015 às 21:44

Só porque haverá um referendo na Grécia amanhã. Nada mais.
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De Diogo Moreira a 06.07.2015 às 09:31

Não percebo esta fixação contra um instrumento democrático de pergunta popular, nas situações em que são estruturantes para a vida dos comuns cidadãos. A não ser que se remeta os eleitores apenas para a marcação de uma cruz de 4 em 4 anos, à mera condição de "ovelhas" que não conseguem decidir nada sem o seu "pastor", a consulta popular em referendo é uma situação normal.

Bem sei que, em Portugal, os 3 referendos recentes foram não-vinculativos, face à pouca participação dos eleitores. Ao contrário, na Suíça, os referendos são comuns e participados. Já a história do referendo da chamada "Constituição Europeia" deixou um grande amargo de boca aos líderes europeus.

Quanto à ilegalidade deste referendo, na Sexta-feira foi avaliada uma providência cautelar por um tribunal grego, o qual decidiu que não havia impedimentos na realização desta consulta.

Qual é, então, o problema?
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 12:51

O próprio facto de o Conselho de Estado grego ter-se pronunciado sobre a legalidade do referendo (ao qual prefiro chamar plebiscito) menos de 48 horas antes da abertura das urnas demonstra como a questão suscitou polémica.
Quanto à lógica referendária das democracias, remeto-o para a posição de Tsipras em 2011, quando ainda estava na oposição:
"A forma mais democrática de expressar a vontade popular é através de eleições, não de referendos."
Concordo com o Tsipras de 2011. Discordo em absoluto com o Tsipras de 2015.
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De Diogo Moreira a 06.07.2015 às 09:34

Por lapso, não adicionei no comentário anterior o link para um artigo de opinião de Azaredo Lopes no Jornal de Notícias ( http://www.jn.pt/opiniao/default.aspx?content_id=4662193 ). Ele diz que votaria "Sim", mas isso é o menos importante (até porque ele não justifica a opção).
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 12:54

Costumo concordar com Azeredo Lopes, personalidade que me merece toda a consideração e até simpatia. E, claro, também eu teria votado 'sim' se fosse grego. Pelo motivo bem sintetizado num texto de opinião de Carlos Segóvia no jornal 'El Mundo':
«Com o 'sim', um calvário; com o 'não', uma tragédia»
http://www.elmundo.es/economia/2015/07/05/55981ab8ca4741272c8b457d.html
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 02:01

E porque a esquerda, tradicionalmente - e a extrema-esquerda em particular - sempre militou contra os referendos.
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De Diogo Moreira a 03.07.2015 às 17:52

Se quer um texto lúcido sobre este assunto, http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/detalhe/nao_pecas_a_quem_pediu.html .
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 23:50

Indique-me uma publicação que nos explique o motivo por que um Governo da "esquerda radical" mantém inalterados os privilégios da Igreja Ortodoxa, que continua isenta de impostos apesar de ser a detentora dos maiores bens imobiliários no país.
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De Diogo Moreira a 04.07.2015 às 01:22

Essa pergunta não tem que ma endereçar a mim, que já me manifestei ignorante sobre os pormenores do assunto.

Quanto aos pormaiores, estaremos a falar de alguns milhões de euros de impostos não cobrados. Um valor ínfimo nas contas gregas e que não vale a pena estarmos a discutir no âmbito desta conversa.
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De Pedro Correia a 04.07.2015 às 12:24

Mas essa pergunta é crucial para avaliarmos a real vontade reformista do governo grego, nomeadamente quanto à diminuição da despesa pública 'versus' aumento da receita pública.
Como aumentar receita mantendo isenções fiscais à poderosíssima Igreja Ortodoxa e aos milionários armadores gregos que só em 2014 tiveram lucros avaliados em 17 mil milhões de euros? A ideia do Syriza não era "ir ao bolso" aos ricos?
Não se vê nada. Mesmo nada.
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De Diogo Moreira a 04.07.2015 às 12:43

Os montantes são relativamente baixos, pelo que não tem grande impacto nas contas. O interesse é político e ideológico - e eu concordo com o Pedro no pormenor de que todos devem pagar os impostos na medida das suas possibilidades financeiras. Em termos morais, devia estar já acautelado; em termos económicos, não é urgente.

Para melhorar a questão da quantidade das receitas que podem ser arrecadas pelo Estado (grego ou outro), o caminho é por via do crescimento da economia nacional. As medidas adoptadas e colocadas como via única têm o condão de piorar as condições económicas (ver relatório do FMI) e a exigência de saldos primários das contas públicas na casa dos 4,5% obrigam a um tal nível de impostos que a actividade económica irá contrair (a Procura diminui por ter menos rendimentos e a Oferta diminui por aumento de custos e consequente redução de lucros, que podem passar a prejuízos).

A "vontade reformista" acaba por ser um mero chavão para a transferência de recursos dos agentes economicamente menos poderosos para os que detêm esse poder.
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De Pedro Correia a 04.07.2015 às 21:51

Para mim não é chavão. Cinco anos após a intervenção da tróica, algumas das reformas mais indispensáveis permanecem por fazer na Grécia.
Três exemplos apenas, entre muitos outros que poderia elencar:
- É o país da União Europeia que tem maior percentagem da despesa pública indexada ao pagamento de pensões (17%)
- É um país que gasta o triplo da despesa pública média da UE em medicamento por habitante.
- É um país onde os registos prediais funcionam de forma caótica, ignorando-se em larga medida quem são os verdadeiros titulares da propriedade: a colecta fiscal, a este nível, não passou do plano das intenções.
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De Diogo Moreira a 06.07.2015 às 09:53

Quando andei na Universidade a tirar a Licenciatura em Economia, fiquei muito surpreso com um professor que dizia, alto e bom som, que as crises eram necessárias para se fazerem "reformas". Mas - pensava eu - se as reformas eram necessárias, porque razão era necessário esperar por uma movimentação generalizada dos agentes económicos numa baixa da actividade económica? Apesar de não ter formulado a pergunta, a resposta veio do professor: para poder passar "reformas" altamente impopulares.

Correram vários anos e comecei a verificar a quantidade de vezes que a palavra "reformas" é utilizada, especialmente acompanhada do atributo "estruturais". Verifiquei, igualmente, que na quase totalidade das situações se estava a falar de meras mudanças e não de verdadeiras reformas - mas o título atribuído permitia uma aceitação mais facilitada da generalidade da população.

Sugiro que verifique quantas vezes vai ouvir a palavra "reforma" e o seu plural só nesta semana. Rapidamente chegará à mesma conclusão que eu: tornou-se um mero chavão.

Quanto às mudanças que o Pedro preconiza para a Grécia, são uma tentativa de impor uma vontade externa sobre um povo soberano (independentemente de serem bem sucedidas). Seria o mesmo que algum estrangeiro exigir o corte das Fundações e/ou Institutos portugueses, ou o cancelamento da construção do novo aeroporto em Alcochete, ou a não construção do novo porto em Lisboa - não interessa a bondade das medidas, mas tão-só que não pode ser exigida por outras nações.
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De Diogo Moreira a 06.07.2015 às 17:22

O facto de um tribunal decidir algo acerca de uma providência cautelar apenas quer dizer que alguém interpôs uma acção junto desse tribunal. Nada mais que isso.

A opinião de Azaredo Lopes vai no sentido do referendo ser uma coisa perfeitamente natural. Todo o texto vai no sentido de que a vida continua, como sempre, com os seus ritmos naturais. E endereça os seus parabéns aos gregos, qualquer que seja a escolha deles. O que ele votaria é o menos importante.

E querer condicionar a opinião de uma pessoa hoje pelo que disse há 4 anos atrás não é honesto. Toda a gente tem o direito de mudar de opinião.
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 01:54

Escrutinar o que um político disse e fez no passado "não é honesto"? Essa tese é absolutamente inaceitável. Temos não só o direito mas o dever de fazer isso.
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De Diogo Moreira a 07.07.2015 às 10:56

Uma opinião é apenas isso: uma opinião. Não é um contrato - nem sequer é uma promessa! Que o Pedro não concorde com a posição actual do Tsipras, tudo bem. Agora, esperar que uma pessoa fique amarrada uma uma opinião assumida há 4 anos não é correcto. As pessoas mudam, por necessidade ou oportunismo, mas mudam!

O artigo que me sugeriu não me disse nada de novo. Aliás, se reler a nossa conversa verá que eu nunca disse que o resultado do referendo iria operar um qualquer milagre. Apelidei a escolha de dois "venenos". Ou, se quiser uma metáfora culinária, os gregos saltaram da sertã (onde estavam a ser cozinhados em lume brando) para o fogo.
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 13:17

O político pode não ficar amarrado a uma opinião. Mas a Grécia continua amarrada à dívida. Com a banca cada vez mais descapitalizada. E a que porta vai o engenheiro Tsipras bater? Pois, à do costume:
http://ionline.pt/artigo/401029/grecia-tsipras-pede-7-mil-milhoes-de-urg-ncia?seccao=Mundo_i
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De Diogo Moreira a 07.07.2015 às 13:29

Mais uma vez, nada de novo no artigo indicado. A situação na Grécia está no mesmo nível crítico que estava a semana passada, quando se teve que impor restrições de capital. Onde é que o Pedro me está mesmo a contrariar?
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 16:47

Talvez prefira este, então, recém-surgido no 'El País': um novo Conselho Europeu inútil porque Tsipras, uma vez mais, chegou a Bruxelas com uma mão cheia de coisa nenhuma.
http://internacional.elpais.com/internacional/2015/07/07/actualidad/1436277193_531071.html
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De Diogo Moreira a 07.07.2015 às 13:43

Agora é a minha vez de recomendar uma leitura: Wolfgang Münchau, traduzido no Diário de Notícias do artigo de ontem do Finantial Times. http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=4665484&seccao=Wolfgang%20M%C3%BCnchau&page=-1
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 16:56

Tropeço nesse artigo com a enésima citação de Paul Krugman, adepto confesso do voto 'não' no recente plebiscito grego. Como se não houvesse outros prémios Nobel no universo.
Para variar, concentremo-nos na opinião do Nobel de 2010, o economista cipriota grego Christopher Pissarides.
Escreveu ele no 'Guardian', imediatamente antes do plebiscito:
«Voting no on Sunday will bring more hardships. Consider events in the aftermath of a no vote. If banks open, every sensible Greek will take their euros out of the banks. The ECB will not provide the liquidity assistance to fill the gaps and the Greek government will be forced to issue its own liquid assets to capitalise them. This will effectively be a parallel currency. It will soon be used to pay for public sector contracts and public sector wages. How much will it be worth? It is anybody’s guess.»
http://www.theguardian.com/commentisfree/2015/jul/02/greece-referendum-yes
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De Diogo Moreira a 07.07.2015 às 17:18

A sugestão do artigo acerca dos respresnetantes gregos não terem nada de novo a apresentar no Eurogrupo apenas faz sentido na estratégia actual de muita gente: a fulanização. Tsipras é que é mau, muda de opinião conforme o correr do vento e é o verdadeiro culpado de toda esta crise. E que se lixe o facto de poder estar certo!

Já com este artigo do Guardian, a ideia a passar é que o único voto possível era o "Sim", que as consequências do "Não" seriam demasiado terríveis. No entanto, se ler bem o artigo, esta parte salta à vista:
"The eurozone was wrong to force fiscal austerity on its members at a time of recession. The austerity forced on Greece has been detrimental and is probably the biggest factor behind its very high and long-lasting unemployment rates. The European Central Bank was slow to take action against the deflationary pressures in the eurozone and the eurogroup meetings of finance ministers have been totally oblivious to the plight of millions of unemployed Europeans."
Ora, o que as propostas do Eurogrupo continham era apenas mais do mesmo. Ou seja, prolongar o que Christopher Pissarides diz que está incorrecto e que já teve oportunidade de o referir em vários encontros, inclusivé no Banco Central Alemão. Apesar disso, assume que o destino da Grécia apenas tem algum futuro risonho possível se ela se mantiver na União Europeia e assume como certo a saída em caso de vitória do "Não".

A diferença da opinião deste economista para o outro Nóbel é que Krugman não percebe o empenho dos Europeus no Euro. Mais que uma moeda, é todo um sonho e um ideal que une (unia?) os vários povos do continente. Para Krugman, o que dizem os livros de Economia é o que se deve aplicar: sair deste clube (porque não há lugar para uma vida saudável com o jugo de países cujas economias são bem mais fortes) e promover uma desvalorização cambial (tal como Portugal fez nos tempos em que governava Soares e se pediu ajuda ao FMI).

Se quer uma outra opinião, de mais um Economista, tem o Manuel Caldeira Cabral no Jornal de Negócios a dizer que a culpa é da própria culpa. http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/detalhe/e_depois_do_nao_que_solucoes.html Para que fique claro onde quero chegar, "A queda de 25% do PIB e o forte aumento do desemprego não aconteceram porque o programa não foi cumprido. Aconteceram porque a Grécia aplicou muitas das medidas de austeridade determinadas pela troika. Com uma despesa superior ao produto em 13%, a Grécia vivia acima das suas possibilidades. A queda de 25% do PIB baixou as possibilidades, e aumentou o rácio de endividamento." e "A Grécia e a Zona Euro precisam de uma solução de médio e longo prazo. E essa terá de resultar de um tipo de negociação diferente, e de uma atitude diferente dos líderes europeus. É necessária uma solução que consiga articular instrumentos financeiros, com apoio ao investimento. Que permita reequilibrar a economia grega sem a afundar, de uma forma que seja sustentável e politicamente aceitável."
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 18:39

Como explica então que a Grécia tivesse retomado o rumo do crescimento em 2014, com um aumento de 0,8% do PIB, e as estimativas do FMI apontassem para um crescimento de 2,5 em 2015?
Alguma coisa estaria certo então. Caso contrário não se registava esta inversão da anterior tendência.
Agora, confesso, é que não vejo nada a bater certo. E as mais recentes estimativas (benevolentes) prevêem "crescimento zero" do país no ano em curso.
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De Diogo Moreira a 07.07.2015 às 21:20

A economia grega cresceu 0,8% porque houve um abrandamento da austeridade (isto é, não foram exigidos mais e mais sacrifícios ao povo grego durante o ano de 2014 e a economia conseguiu respirar, ainda que pouco).

As previsões do FMI (e outros) têm sido bastante optimistas no início do ano e são ajustadas conforme o tempo passa. O que eles achavam que ia acontecer era uma retoma da economia mundial - mas os EUA estão a custar a crescer a ritmo forte, a Rússia quebrou, a China está com problemas e o Japão continua a não contar para este campeonato - pelo que a Europa como um todo não tem grandes hipóteses de sair da cepa torta, o que não permite que a Grécia possa aproveitar os bons ventos dos seus principais parceiros económicos.

Deixo aqui novamente o link para um artigo do Paul Krugman, que mostra a diferença entre as previsões do FMI e o que realmente aconteceu, considerando que o PIB em 2009 corresponde a 100: http://krugman.blogs.nytimes.com/2015/06/25/breaking-greece/ As previsões têm estado bem longe da realidade.

Parafraseando Krugman, quando uma pessoa deixa de bater com um martelo na cabeça, ela sente-se melhor. Mas o que era preferível era não bater com o martelo na cabeça! [Deixando de lado toda a subtileza, a austeridade é o martelo. Claro que a economia fica melhor sem austeridade!]

O que o Pedro vê é uma contenda política. Não se está a jogar com a realidade; apenas egos ou reputações do lado do FMI e Eurogrupo e sofrimento do lado dos gregos.

O que era bom era os líderes europeus mandarem o FMI passear, pusessem em prática a solidariedade que dizem professar e traçassem linhas orientadoras a nível europeu para melhorar as economias em apuros (os alemães têm que ter défices e consumir agora), para poder traçar orientações económicas estabilizadoras das economias europeias a médio/longo prazo, repelindo coisas absurdas como o Tratado Orçamental pelo caminho. O BCE iria logo de seguida assegurar, alto e bom som, que os bancos gregos não teriam qualquer problema de liquidez, o que permitiria robustecer o sistema financeiro da Zona Euro como um todo. Porém, mais que uma União Política, o que acabei de escrever necessita de uma Utopia!

Vou só ali pôr o "Image" do John Lennon...
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 21:36

Ponha o 'Imagine', caro Diogo Moreira. Faz bem. E eu também gosto muito.
Mas enquanto a utopia não chega, temos a dura realidade.
A verdade é que a Grécia precisa de financiamento imediato. Precisa de um terceiro resgate - o tal que Tsipras jurou na campanha eleitoral que não pediria. Precisa de aplicar novas medidas de austeridade - a tal que Tsipras jurou na campanha eleitoral que não aplicaria.
Vem a caminho o terceiro resgate (na melhor das hipóteses). Um graúdo cheque de 50 mil milhões de euros para salvar a desesperada economia grega:
http://internacional.elpais.com/internacional/2015/07/07/actualidad/1436277193_531071.html
Mas não há refeições grátis. Nem cheques em branco.
Mais: nem todos os países da UE integrarão desta vez o fundo de resgate. Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Letónia e Lituânia - que têm PIBs 'per capita' inferiores aos da Grécia - ficarão de fora. Provavelmente a Finlândia também. E talvez a Holanda. E outros.
Os problemas dos povos, meu caro, não se resolvem com propaganda. E até ao momento o Syriza só ofereceu disto aos gregos: propaganda.
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De Diogo Moreira a 08.07.2015 às 00:48

Se, nesta altura do nosso debate, ainda acredita que a Grécia precisa de aplicar medidas de austeridade, então eu não estou a ser suficientemente claro nas minhas intervenções ou o Pedro não aceita a realidade. Em qualquer dos casos, julgo que não valerá a pena continuar esta conversa.

Entre a Utopia que escrevi acima e a saída da Grécia da Zona Euro (e/ou da União Europeia), existe um universo de possibilidades. Eu estou contente com a coragem dos gregos (que decidiram o que podiam ter decidido e até escolheram o caminho mais incerto) e com a visualização da verdadeira dimensão dos políticos europeus (muito pequeninos; até o Juncker terá que prestar contas ao Parlamento Europeu devido à sua tentativa de se imiscuir em assuntos que não lhe diziam respeito; e, afinal, as negociações vão continuar).

Aguardemos até ao próximo fim-de-semana para ver se haverá alguma decisão.
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 11:16

Claro que a Grécia precisa de "austeridade". Como é que você ainda tem dúvidas quanto a isso?
Aliás, o que é a austeridade: é o simples, claro e necessário exercício de boas contas. Ajustando as despesas às receitas existentes. Algo que os gregos nunca souberam nem quiseram fazer em quase 35 anos de permanência no espaço comunitário.
E a propósito de contas: pergunte aos eslovenos, aos eslovacos, aos estónios, aos lituanos e aos letões se estão dispostos a exercer "solidariedade" de via única para um país como a Grécia que tem um PIB 'per capita' superior àqueles onde vivem.
Sou capaz de apostar que dirão que não. Mas o melhor é convocar referendos também nesses países para ter a certeza.
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De Diogo Moreira a 08.07.2015 às 11:30

Solidariedade não é o mesmo que caridade.

Quanto à aplicação da austeridade, todas as avalições resultam no mesmo: não está a resultar. Porquê? Porque não se ataca o problema económico, preferindo-se o entretenimento da imolação de um bode-espiatório.

Se se quiser entreter e educar, tem a opinião do João Gonçalves no Jornal de Notícias (http://www.jn.pt/opiniao/default.aspx?content_id=4667844) e dois artigos no blog do Paul Krugman (http://krugman.blogs.nytimes.com/2015/07/07/debt-deflation-in-greece/?module=BlogPost-Title&version=Blog%20Main&contentCollection=Opinion&action=Click&pgtype=Blogs®ion=Body e http://krugman.blogs.nytimes.com/2015/07/07/milton-friedman-irving-fisher-and-greece/?module=BlogPost-Title&version=Blog%20Main&contentCollection=Opinion&action=Click&pgtype=Blogs®ion=Body).
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 11:49

Lá volta o Krugman-voto-não... Começa a ser monótono.

Como quer você que uma economia como a grega funcione se:
- Tem a administração pública mais sobredimensionada da Europa?
- Tem o mais elevado índice de evasão fiscal do continente europeu?
- Tem a mais alta indexação do PIB ao pagamento de pensões em toda a União Europeia (17%)?
- Reserva a maior fatia do orçamento público às forças armadas de todos os países europeus da NATO?
- Não tem registos prediais fiáveis?

Enquanto esta realidade permanecer imutável, não há pacotes financeiros que salvem os gregos. Já receberam 240 mil milhões, já beneficiaram de mais um perdão de dívida superior a 100 mil milhões, e nada funciona.
Nada funciona porque nada reformam. Basta ver o que o Syriza já fez em matéria de reformas estruturais desde que chegou ao poder: nada.
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De Diogo Moreira a 08.07.2015 às 11:58

Em vez de criticar o sujeito, critique o que ele escreveu. O seu problema (e o de muita gente) com o Paul Krugman é que não conseguem argumentar seriamente com ele.

Desta vez, pedi que visse as citações que são de Milton Friedman e Irving Fisher. Quer comentar sobre o que eles escreveram?
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 12:23

A propósito desses autores, todos dos EUA: já pensou que não há o menor investimento privado americano exposto à dívida grega? É fácil afirmar, por exemplo, que "Obama aconselha europeus a apoiar a Grécia", como alguns comentadores têm sublinhado.
Eu acharia mais interessante ver notícias com este título: "Obama garante auxílio financeiro à Grécia".
Com o dinheiro dos outros todos somos generosos...
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De Diogo Moreira a 08.07.2015 às 12:30

Ou seja, volta a fulanizar a discussão ("são americanos!!!") e não se digna a comentar o que é importante (o que eles escreveram).
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 13:08

Não ignore uma questão séria que lhe apontei: a total falta de compromisso dos EUA com as necessidades financeiras gregas. Isto apesar de haver uma forte comunidade greco-americana nos Estados Unidos.
Obama fala vagamente na necessidade de "apoiar" a Grécia, mas até agora nada. Mais: Washington tem desaconselhado os cortes nas despesas militares gregas - algo essencial para aliviar o peso da despesa pública em Atenas.
E é fácil falar quando nenhuma componente privada norte-americana está exposta aos riscos financeiros na Grécia...
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De Diogo Moreira a 08.07.2015 às 13:38

Eu não estou a ignorar nenhuma questão; estou só a tentar perceber a sua posição face à Ciência que dá pelo nome de Economia. Se o Pedro não tem posição quanto ao que pedi que comentasse, não vale a pena prosseguir a discussão.
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 14:15

Julgo que as posições de cada um estão bem claras e definidas. De qualquer modo, agradeço-lhe o estimulante debate que me proporcionou.

(tem mesmo a certeza de que a economia é uma ciência?)
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De Diogo Moreira a 08.07.2015 às 14:50

Sim, a Economia é uma Ciência Social.

A sua posição é semelhante à dos líderes europeus: puro experimentalismo. Eu tenho argumentado com o conhecimento que foi sendo adquirido há vários séculos, o qual se apoia em dados concretos. Isso não pode ser descartado simplesmente por diferentes "posições" sobre o assunto.
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 15:24

Aproveito para aqui deixar mais uma sugestão de leitura:
http://causa-nossa.blogspot.pt/2015/07/cacos.html
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De William Wallace a 04.07.2015 às 01:27

Completamente de acordo !

Mas o Pedro Correia e outros não querem saber disso para nada pois estão na mó de cima e pior acham-se os predestinados ungidos pelo poder divino do dinheiro.
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De Pedro Correia a 04.07.2015 às 12:26

Eis-me - qual armador grego isento de impostos - "ungido pelo poder divino do dinheiro". Obrigado, William Wallace. A sua linguagem grandiloquente já me arrancou uma sonora gargalhada.
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De William Wallace a 04.07.2015 às 23:55

Nem Só de Pão vive o homem....
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De Pedro Correia a 05.07.2015 às 00:05

«Jesus respondeu: "Está escrito: 'Nem só de pão viverá o homem'.» (Lucas, 4:4)
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De rmg a 02.07.2015 às 17:54


O FMI não pode pronunciar-se sobre cortes em despesas militares mas se V. prefere acreditar nos nossos competentíssimos jornalistas, cá por mim está à vontade.

Como a Grécia gasta 4.8 mil milhões de euros em despesas militares, um corte de 200 ou 300 milhões é só fazer as contas ...

O resto é o costume: o que foi rejeitado não foi o que disseram que faziam, foi o que não conseguiram explicar como íam alguma vez fazer.


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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 00:38

Já percebi, meu caro, que esse argumento irrefutável é rapidamente varrido para debaixo do tapete pelos nossos syrizistas de plantão.
A ultra-esquerda a bater pala aos generais...
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De rmg a 03.07.2015 às 16:21


Caro Pedro Correia

Nestas alturas a ultra-esquerda bate sempre a pála aos generais porque sabem que são os primeiros a "ír dentro".

Assim talvez lhes proporcionem um avião para um "paraíso" qualquer.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 23:52

Num país que necessita desesperadamente de cortes na despesa pública, o Syriza e seus aliados mal chegam a propor redução de 5% nas despesas militares. Medidas de combate à evasão fiscal, igualmente pouco mais que zero. Aliás os índices de evasão fiscal - que já eram gigantescos - dispararam de Janeiro até hoje.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 13:24

Obrigado pelas suas palavras, Dulce.
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De Anónimo a 02.07.2015 às 00:10

É muito mau quando um povo elege um governo e esse governo seja humilhado e posto abaixo por tecnocratas, esses sim irresponsáveis. A Ue, Eurogrupo, FMI ordenam e ou obedecem ou não têm nada. Lastimável que se ponha um povo à míngua quando todos sabem que jamais conseguirão pagar nada, sem uma reestruturação da dívida. Incompetência demonstram os que ordenam e não os que buscam algum alívio para aqueles que governam e mais vergonhoso são os governos do sul que fizeram pressão para não haver acordo, tal como afirmou o ministro francês
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 13:02

Lastimável é haver na União Europeia um Governo que coloca os seus cidadãos ao nível de um Sudão, uma Somália ou um Zimbábue e ainda se atreve a utilizar a expressão "dignidade nacional".
Há uns meses, alguns milhares andavam por aí a bater no peito dizendo que só se sentiam representados pelo governo grego, não pelo governo português. Seria curioso indagar se ainda pensam isso hoje ao verem as longas filas às portas dos bancos gregos encerrados e das caixas multibanco já sem notas disponíveis.
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De Anónimo a 02.07.2015 às 13:46

Não culpem o actual governo grego de fazer maldades e não nos queiram tapar os olhos porque se alguém fez mal, não foi este governo, mas os que o antecederam e os tais tecnocratas que nada fizeram com a Troika a não ser aumentar a dívida. Dignidade, é não obrigar a continuar com a mesma terapia, mas reestruturação a dívida descomunal e impagável. A realidade é esta e não o syriza que apenas quer resolver os problemas da Grécia e nós, tal como os senhores de Bruxelas deveríamos estar calados e deixar que os gregos optem. Não é o que se passa e a prova disso está aqui.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 14:05

"Dignidade" é juntar a Grécia ao exíguo clube de países incumpridores das obrigações financeiras assumidas perante o Fundo Monetário Internacional. Um novo Sudão, uma nova Somália, um novo Zimbábue.
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De Anónimo a 02.07.2015 às 16:00

Dignidade é o ser humano ter comida, casa, saúde e que se cumpram os direitos humanos que estão de rastos numa UE que os destrói sem dó nem piedade. Chega de nos fazerem de parvos porque só já cai quem quer.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 17:36

Há "dignidade" na Somália e no Zimbábue?
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De Anónimo a 02.07.2015 às 20:32

Não estamos a discutir esses países que não estão na UE, mas já que fala neles era bom que quando esses cidadãos fogem dos seus países, a Europa fosse mais humana, fraterna e acolhedora. É degradante ver que os fugitivos de guerra Sírios lhes fecham as portas e quem os acolhe, por ironia do destino é a Grécia e a Itália, enquanto a França lhes fecha as portas. O egoísmo está aí mais patente que sempre.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 00:22

Segundo o seu critério, o povo grego está a ser "egoísta": nas duas semanas anteriores ao encerramento compulsivo dos bancos, os gregos retiraram oito mil milhões de euros dos depósitos bancários. À razão de seis mil euros por segundo.
Este é o belo quadro proporcionado por cinco meses de governação Syriza-Anel. A extrema-esquerda abraçada à direita xenófoba.
Por agora vão-se os anéis. E o irresponsável ministro das Finanças já fala em cortar braços...
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De Anónimo a 03.07.2015 às 19:49

Não culpe o governo grego. Se alguém tem culpa é a UE, FMI........ que quer resolver os problemas com austeridade sobre austeridade quando já se viu que não resultou e só aumentou a dívida. Está é uma realidade que todos já viram, mas que alguns desconversam porque não querem admitir a verdade.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 23:54

Sobre os problemas de Portugal culpa-se qual Governo? O do Haiti? O das Ilhas Salomão? O da República Dominicana?
E sobre os problemas da Grécia devemos culpar o Governo da Nova Zelândia? Ou o da Mongólia? Talvez o da República Centro-Africana...
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 11:51

Talvez a ONU.
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 11:54

E talvez mesmo a Sociedade das Nações.
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De lucklucky a 02.07.2015 às 01:32

"A irresponsabilidade, o experimentalismo extremo."

Não é irresponsabilidade e experimentalismo, é Neo-Marxismo, é Extrema Esquerda.
O comportamento de Tsipras e Varoufakis é ideológico. Não vem do acaso.

Eles fazem aquilo que fazem porque pensam como pensa boa parte da esquerda portuguesa com poucas excepções. E se formos apenas à esquerda que é convidada para as nossas TVs e jornais temos a quasi unanimidade.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 12:59

Isso não é verdade. Grande parte da esquerda europeia está na primeira linha da contestação ao irresponsável governo Syriza-Anel. Incluindo sociais-democratas e socialistas, como o presidente do Eurogrupo, o vice-chanceler alemão e o comissário europeu da Economia e Finanças.
E é curioso: no referendo de domingo (que julgo ser de duvidosa constitucionalidade, pois decorrerá sem prévia campanha eleitoral, nem verdadeiro debate público, nem período mínimo de reflexão séria) já anunciaram que votarão "não" os comunistas, os neonazis, a direita xenófoba e a extrema-esquerda "sirízica".
Todos a remar na mesma direcção. São eurofóbicos de raiz.
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De lucklucky a 02.07.2015 às 13:18

Eu disse que o Syriza é Extrema Esquerda não Esquerda.

Quando me referi à Esquerda só referi a Portuguesa pois só
uma minoria de pessoas de Esquerda em Portugal criticou o Syriza, parece que não percebem a diferença ideológica entre a Esquerda moderada e a Esquerda extrema.

Não são eurofóbicos, são uniãofóbicos, eurofóbicos é propaganda dos unionistas que reclamam ilegitimamente o nome Europa.
Eu também sou uniãofóbico porque o poder excessivo que tem será tão ao mais opressivo(leia-se eficaz) a prazo que estes lunáticos da extrema esquerda e direita.
Nada parará os abusos da União por causa da cegueira dos autodenominados ilegitimiamente Europeístas.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 13:39

Você, portanto, se fosse grego votaria "não" no referendo de domingo.
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De Anónimo a 02.07.2015 às 02:24

Assombroso nível de incompetência mostram todos aqueles que impõem regras que destroem as economias dos países em crise. Para curar uma infecção, em vez de antibiótico dá-se aspirina. A infecção, em vez de parar aumenta. Aqui, passa-se o mesmo, aplica-se austeridade e a crise aumenta e como não estão satisfeitos carregam com mais. No abismo encontra-se a UE dos 19. Vamos indo e quando lá chegarmos veremos quem são os maus da fita. Não vai durar muito...
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 12:54

Por essa lógica, o Syriza (eleito por apenas 36% dos gregos em Janeiro, convém não esquecer) está certo enquanto os restantes executivos da eurozona (sufragados, na esmagadora maioria dos casos, por maiorias muito mais expressivas) estão errados.
Faz lembrar aquela senhora no dia da primeira parada militar do seu filho recruta: "Que estranho... tirando o meu filho, vão todos com o passo trocado."
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De Anónimo a 02.07.2015 às 13:55

Por essa ordem de ideias, o nosso governo também não legitimidade para fazer o que faz, com a agravante que prometeu em campanha A e fez B, mesmo tendo conhecimento do memorando que assinou. É certo e inegável que não é por este caminho vamos lá. É cíclico ou muda-se de estratégia ou veremos o que se segue. Certamente não será agradável.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 14:04

Agradável é seguir o caminho da coligação grega. Nunca tinha visto tanta prosperidade em Atenas como nos últimos cinco meses.
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De Anónimo a 02.07.2015 às 16:14

Pois é. Eu também nunca tinha visto tanto não, a um governo eleito democraticamente. Que pode fazer um governo em cinco meses quando lhe cortam e cortam tudo.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 17:41

Pode fazer o que não fez. Pode começar por cortar na despesa pública, por exemplo. Em vez de aumentá-la, como anunciou irresponsavelmente no dia seguinte ao da tomada de posse.
Pode cortar nas despesas militares - as maiores entre os membros da NATO, exceptuando os EUA.
Pode começar a tributar os bens da Igreja Ortodoxa, que permanecem isentos de impostos.
Pode alterar a Constituição, pondo fim ao escandaloso regime de isenção fiscal de que gozam os milionários armadores gregos.

O engenheiro Tsipras não fez nada disso. Pratica um esquerdismo de fachada, casado desde Janeiro com o nacionalismo xenófobo.
Um casamento que não augura nada de bom.
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De Anónimo a 02.07.2015 às 20:40

Qual foi o governo que em cinco meses fez tudo isso e onde? Já começou a cortar e fez uma coisa que os outros desfizeram, abriram a televisão pública. O engenheiro quer fazer, mas não o deixam. Não querem os gregos, como não nos querem a nós, está estampado, só não vê quem não quer. Se eles saírem, a seguir vamos nós porque isto de austeridade, sem limites, tem limites.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 00:25

Num país que não tem dinheiro para as despesas correntes mais básicas, que está a dois passos da bancarrota, essa decisão de reabrir a TV pública - ou seja, aumentar a despesa - foi verdadeiramente genial.
Decisões como essa e muitas outras explicam por que motivo a Grécia - ao contrário do que sucedeu com a Irlanda, Portugal, Espanha e Chipre - não saiu da zona de emergência e se encontra neste beco sem saída após ter recebido mais de 200 mil milhões de euros em auxílio financeiro das instituições europeias e do FMI. Mais despesa pública, mais dívida, mais empréstimos - que agora não paga.
É a tempestade perfeita. E a culpa, claro, é sempre dos outros.
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De Anónimo a 03.07.2015 às 20:07

Desculpe, um jornalista que diz que abrir a televisão pública é aumentar a despesa é muito mau. Privatiza-se tudo e o que não se privatiza, encerra-se e o povo, quer-se cada mais mais ingénuo e analfabeto para acreditarem em tudo que lhe dizem. Assim é que está certo, na sua óptica. Sabe perfeitamente para onde foi o dinheiro que aumentou a dívida e se eles estafaram a coisa grega, tiveram a conivência dos seus parceiros, assim reza a auditoria. Eles estão péssimos e nós estamos mal, a tombar para o péssimo. É a realidade nua e crua por mais que a queiram disfarçar.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 23:55

Reabrir a televisão pública é aumentar despesa. Isto é factual. E um jornalista deve ser factual.
Aliás essa tem sido a receita do Syriza: aumentar a despesa. Mais do mesmo. Mais despesa, mais dívida, mais défice, mais dependência do exterior. E ainda ousam falar em "soberania nacional".
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De rmg a 03.07.2015 às 02:19


Isso da TV pública é verdade.

É paga por uma taxa de 3€ nas contas de electricidade de lá, mais uns cêntimos que cá.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 13:48

Tempestade perfeita, com a marca Syriza: mais despesa pública + menos receitas. Num país a um passo da bancarrota.
Estava tudo desenhado no programa eleitoral. Só não via quem não queria ver. E muitos, de facto, não quiseram.
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De rmg a 03.07.2015 às 16:25


Não quiseram, percebo, somos um país de grandes sentimentos e poucas acções e, no fim, culpamos sempre qualquer coisa como o destino ou uns outros quaisquer.o
E isto tanto a nível geral como no individual.

Continuarem a não querer é que é do domínio do para-normal.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 23:57

O Syriza não é parte da solução. É parte do problema. Basta ver as imagens chocantes dos pensionistas gregos desesperados, impedidos de levantarem as pensões. Enquanto os turistas nas ilhas gregas podem levantar dinheiro à vontade. Nunca tinha acontecido até agora algo tão chocante.
Estranho conceito de justiça social...
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De marquês barão a 02.07.2015 às 10:15

Manha e cobardia não são exclusivo de direitas ou esquerdas. De esconderijo ou expostas só não vê quem não quer ver. Ou quem não lhe convém.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 12:51

Tal como a incompetência não é monopólio de nenhum sector político. O interessante, neste caso, é verificar a monumental discrepância entre os elogios feitos pelos chamados "líderes de opinião" cá da terra ao governo Syriza-Anel e os resultados concretos desse mesmo executivo.
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De Vento a 02.07.2015 às 11:14

1 - A Grécia foi transformada num Biafra antes mesmo do surgimento deste novo governo:

2 - Experimentalismos foi o que foi feito por lá, por Portugal, por Espanha, Irlanda, Itália e outros mais;

3 - Os credores pretendiam a capitulação da Grécia por saberem que ela entraria em incumprimento a 30 de Junho. Como tal a convocação do referendo fez todo o sentido. E agora são as ditas instituições que vêem confirmar e reconfirmar todas as afirmações do actual governo Grego:

http://expresso.sapo.pt/economia/2015-07-01-FMI-puxa-as-orelhas-a-gregos-e-credores-europeus

4 - A questão grega foi para esta Europa amordaçada transformada numa questão político-ideológica com contornos de falsidade nunca antes visto;

5 - Tsipras/Varoufakis ficarão na história do povo Grego e na história europeia contemporânea como as figuras da grande mudança e da libertação que já ocorre.

6 - Desengane-se quem pensa que o referendo de domingo, qualquer que seja o resultado, determinará a capitulação da Grécia.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 13:41

Tsipras e Varoufakis ficarão na história como coveiros do euro na Grécia. E como protagonistas da mais vertiginosa do produto grego no prazo mais curto. E pela maior fuga de capitais registada desde sempre na história do país. E pela equiparação da Grécia ao Sudão e à Somália como estados-caloteiros.
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De Anónimo a 02.07.2015 às 13:48

Há grandes adivinhos!! Se não acertar não há problema, em breve ninguém e lembra da sua jogada à Maia (A adivinha da SIC).
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 14:02

Quando os anónimos entram em cena, o nível do debate eleva-se logo. Como se vê.
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De Anónimo a 02.07.2015 às 14:49

Concordo. Com o anonimato aparecem argumentos que, de outra forma, não apareceriam. É no anonimato que leio as coisas mais interessantes (salvo raras excepções). De resto interessa-me mais o argumento do que o nome do autor. E escrever por baixo de um argumento João ou José é irrelevante. Eu normalmente escrevo sob anonimato. Quando insistem que devo identificar-me, em vez do nome, costumo dar o número de contribuinte que identifica sem ambiguidade: são todos distintos. Se quer o meu número é só dizer.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 17:43

Guarde o seu número para a autoridade tributária. E a propósito de fisco: na Grécia, não pagaria imposto. Sobretudo se fosse membro do clero ou grande armador da marinha mercante.
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De Anónimo a 02.07.2015 às 19:17

Guardo o número? Mas então quer anónimos ou não?
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 00:26

Fique anónimo à vontade. Cada um assume as opiniões que entende. E há aqueles que não assumem opinião alguma. É o seu caso.
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De Vento a 02.07.2015 às 14:15

É a sua opinião, Pedro. Fique atento e veja o que virá aí depois do referendo. O Pedro pensa que esta sua reflexão é a conclusão de todo o processo que se iniciou com eles, mas está enganado e os próximos acontecimentos mostrar-lhe-ão isto. Vejo que se reservou para emitir uma opinião do tipo conclusiva em águas que lhe parecem serenas.

Eu prometi-lhe que esta semana tinha mais umas coisitas para dizer. Já abri um pouco o painel e também demonstrei-lhe que o que se dava como certo nas negociações anteriores era pura especulação, por isto afirmei: A procissão ainda não se concluiu.

Quanto à questão dos capitais: eles regressarão e neste contexto não assustam ninguém. Quanto à banca e cortes:
http://economico.sapo.pt/noticias/grecia-ao-minuto-governo-grego-afasta-corte-nos-depositos-bancarios_222612.html

A "Europa", agora perante um facto consumado, pensa que pode dar tempo a Samaras para voltar a emergir. Mas tudo será diferente. Aguarde.

A Europa e o mundo agora sabem que os mercados não passam do Bundesbank e seus congéneres, pois muitos pensavam numa queda imediata das bolsas e uma corrida à especulação. Afirmei antecipadamente que isto não ocorreria. O pandemónio só virá se a Europa não capitular perante a situação grega. E prova disto é que logo após a decisão do referendo vieram com propostas e mais propostas que falsamente diziam estar em cima da mesa anteriormente. A Europa tem de crescer. E a opinião publicada em torno desta questão em Portugal só revela, na sua maioria, infantilidade e um caquéctico pensamento ligado a uma tradição culturalmente amorfa.

Em tom de conclusão, recordo-lhe que as mudanças ocorrem depois de uma crucificação. Neste contexto comparo a Grécia ao cristianismo que gerou uma revolução sem par nas estruturas sociais depois da morte de Jesus.

Viva a liberdade e os que desejam ser Livres. "Deixai que os mortos enterrem seus mortos".
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 14:26

Comparar Varoufakis a Cristo é um pouco exagerado, não acha? Tanto quanto sei, Cristo não dispunha de um belo apartamento com vista para a Acrópole.
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De Vento a 02.07.2015 às 14:30

Pedro, este tipo de retórica não é para quem exige elevação como o Pedro o faz. Eu falei na Grécia, como crucificada, e no impulso do cristianismo com o impulso grego.

Na realidade Jesus está sempre crucificado no pobre, no oprimido, no explorado e no perseguido.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 14:36

Se Jesus está sempre crucificado no pobre e no explorado e no oprimido, as crucificações na Grécia têm aumentado de Janeiro para cá. Porque há mais pobres, mais explorados e mais oprimidos do que havia.
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De Vento a 02.07.2015 às 14:38

Não há não. O milhão de pobres mantém-se e a asfixia também. E quando refiro o milhão é mesmo o milhão, e o Pedro não me dá números a este respeito.

Por favor, diga-me os números antes e depois para que todos fiquemos esclarecidos.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 14:54

Espere pelas estatísticas semestrais do Eurostat. Serão divulgadas daqui a poucos dias.
Entretanto fica uma sugestão de leitura:
http://www.ft.com/intl/cms/s/2/1be16708-1f29-11e5-ab0f-6bb9974f25d0.html#axzz3ek42bKew
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De Vento a 02.07.2015 às 16:37

Meu caro, não me responde ao solicitado. Vejo somente que remete a questão para o Eurostat na expectativa que confirme o que não confirmou por dados.

O que anexa em nada me é estranho e é sempre assim em situações como essa. Eu também posso anexar notícias que mostram que metade dos inquiridos entendem "normal" o que está a acontecer.

Certamente que me poupará a este tipo de "argumentos" ou jogos.

A ideia subjacente nos comentários é outra.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 17:44

Remeto para o Eurostat porque gosto de argumentar com factos concretos, não com retórica.
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De Vento a 02.07.2015 às 19:30

Pedro, habitualmente só mostro o pau se me disserem onde está a cobra.

Mas vamos a isso:
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/interior.aspx?content_id=4525134

http://ionline.pt/387836?source=social

Desculpe, não é para o desiludir.
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De Vento a 03.07.2015 às 01:18

Ainda não lhe respondi a este link que anexou, o do independente. Sabe a que diz respeito essa notícia? à concordância expressa no relatório do FMI com as exigências dos gregos. E por essa mesma notícia a bolsa atingiu hoje o vermelho. Eu, por causa dos fusos, acompanho estes percursos.

No entanto dou-lhe a versão portuguesa:
http://economico.sapo.pt/noticias/fmi-grecia-precisa-reestruturar-a-divida_222683.html
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 01:48

O FMI acede às exigências do governo grego, que acaba de entrar em incumprimento? Essa nem o Varoufakis ainda se lembrou de dizer, caro Vento. Esses fusos andam um pouco trocados.
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De Vento a 03.07.2015 às 02:16

O Pedro é que anda trocado.
http://expresso.sapo.pt/economia/2015-07-01-FMI-puxa-as-orelhas-a-gregos-e-credores-europeus
http://economico.sapo.pt/noticias/fmi-empurra-bolsas-para-o-vermelho_222649.html
http://blog-imfdirect.imf.org/2015/06/14/greece-a-credible-deal-will-require-difficult-decisions-by-all-sides/
No que aqui vai reproduzido conclui-se que existe uma aproximação mais que significativa às propostas gregas. A senhora Lagarde, naturalmente, tenta dar uma no cravo e outra na ferradura. Como sempre.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 13:50

Dar uma no cravo e outra na ferradura é uma legenda perfeita para caracterizar a atitude errante do Governo grego. Que faz que anda mas não anda, promete uma coisa de manhã que desdiz à tarde, tem um discurso para consumo interno e outro para o Eurogrupo.
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De Vento a 03.07.2015 às 15:22

Pedro, veja como os meus fusos andam certos:

http://economico.sapo.pt/noticias/bolsas-europeias-aprofundam-perdas_222718.html

E olhe também aqui o que eu afirmava antes de todos afirmarem:

http://economico.sapo.pt/noticias/grecia-ao-minuto-tsipras-diz-que-relatorio-do-fmi-da-razao-ao-governo-grego_222709.html
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 16:29

Fusos certos são os de Wolfgang Munchau, prestigiado colunista do 'Financial Times'.
Escrevia ele - com inegável lucidez - a 10 de Fevereiro, enquanto por cá tantos entoavam hossanas a Tsipras:
«O impacto das duas primeiras semanas após a vitória do Syriza nas eleições gregas foi exactamente aquele que eu receava: a opinião pública dos países do Norte da Europa passou de céptica a hostil. Vimos Yannis Varoufakis a demitir unilateralmente a 'troika'. Seguimos com espanto a 'tournée' do ministro das Finanças grego pelas capitais europeias qual estrela 'rock'. (...) Na quinta-feira, quando da sua chegada a Berlim, os políticos alemães e os média mostraram-se mais hostis do que nunca. Na sexta-feira, Atenas percebeu que estava isolada num encontro com os ministros das Finanças em Bruxelas. Politicamente falando, a situação actual é tão má como em 2010, quando a crise grega começou. Foi uma semana absolutamente desastrosa para a diplomacia económica. A Grécia e os credores europeus têm poucos dias para decidir como o país vai sobreviver nos próximos quatro meses. (...) A primeira opção é a extensão do actual programa - a solução mais fácil e aceitável para todos, excepto para o governo grego. Varoufakis já descartou essa possibilidade para honrar as promessas feitas pelo Syriza.»
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De Vento a 02.07.2015 às 16:40

Mas posso mostrar-lhe, em aditamento ao anterior comentário, o que na realidade se passa por parte do actual governo:

http://www.telegraph.co.uk/finance/economics/11712094/Alexis-Tsipras-refuses-to-bow-in-the-face-of-threats-to-shut-down-Greeces-banking-system.html

Esta notícia é das 12H53 do dia 02-07-2015, hoje.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 17:47

Gostei da leitura. E sobretudo desta lúcida declaração do ministro das Finanças eslovaco:
“I’m afraid that Greece’s banks might not reopen with the euro as the currency in case the referendum on Sunday ends with a No."
Põe a questão nos termos certos: este referendo, no fundo, é sobre a permanência da Grécia na eurozona. A pergunta aos eleitores que o engenheiro Tsipras não se atreveu a fazer.
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De Vento a 02.07.2015 às 19:39

Medos ou receios são medos e receios. E os políticos alinhados têm muitos, sem esquecer o amigo Pedro que se não se alinha pelo menos alinhava.

Tsipras só tinha de fazer a pergunta em causa perante o cenário das conversações. O problema é só um: a política mudou e os credores também. Eu percebo-o e percebo-os (a eles) também: quando apanhados pelo seu próprio nó só têm de espernear.

Eles não recuam. Os acomodados é que pretendem tudo igual a si mesmos.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 00:33

Tsipras acobardou-se. Convocou um referendo em tempo recorde, para sacudir a água do capote. Um referendo sem verdadeiro debate, sem verdadeira campanha, com uma pergunta absurda, sem dirigir aos gregos a única questão que se impunha: querem ou não permanecer no euro?
É um político medíocre. Só ultrapassado em mediocridade pelo irresponsável ministro das Finanças, que já anunciou a demissão com quatro dias de antecedência. Provocando um caos ainda maior no sistema financeiro do país.
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De Vento a 03.07.2015 às 01:27

Eles são parte do euro. É o diktat que pretende derrubá-los. Você insiste em fazer da mentira que lhe contam numa verdade.
Quantas notícias recebeu o Pedro por ter sido eleito um governo de direita ou liberal ou etc e tal? Nenhuma.

A Grécia, só porque foi eleito um governo fora da tradição do diktat, tem vindo a ser bombardeada continuamente.
Na realidade Tsipras tem razão ao afirmar: "não deixarei cair a democracia na casa onde ela nasceu".
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 01:49

Tsipras vai "deixar cair" a democracia este domingo, à noite.
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De Vento a 03.07.2015 às 02:21

EhEhEhEh

O seu medo compreende-se. Aliás é o mesmo de todos os que contrariam uma decisão nas urnas porque se julgam acima dos que lhes são comuns.

Isto é de uma arrogância de bradar.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 13:55

Diktak é um país querer impor a sua vontade aos restantes 18. Aí a democracia que você tanto invoca já não interessa para nada...
E a propósito de democracia: na Grécia vigora o pior modelo de sistema eleitoral. Que premeia com 50 deputados extra(!) o partido mais votado, tenha a percentagem que tiver.
No caso, recorde-se, o Syriza só obteve 36%. O que lhe valeu o tal bónus, que a extrema-esquerda muito criticou quando estava na oposição mas agora lhe faz imenso jeito.
De facto temos muito que aprender com a "democracia" grega. Imagine-se o que não se diria por cá se Passos Coelho, tendo vencido as legislativas de 2011, ganhasse 50 deputados de prémio suplementar, o que o dispensava de fazer a coligação com o CDS...
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De Vento a 03.07.2015 às 15:25

O meu amigo, quer dizer que um naufrago só tem direito a socorro se aceitar que seus salvadores o deixem em alto mar com o nariz de fora mas sujeito a ser comido pelos tubarões.

Boa análise.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 16:32

Socorro? Mas a Grécia é ou não um país soberano? Bate no peito à Tarzan, proclamando a "independência nacional" às segundas, quartas e sextas, e grita por socorro às terças, quintas e sábados?!
Pegando na sua bonita metáfora: a Grécia é um náufrago em risco de ser devorado por um tubarão e que cospe, insulta e agride os salva-vidas prontos a resgatá-lo.
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De Anónimo a 02.07.2015 às 14:55

Pior, se a Grécia aceitar continuar com a austeridade que se lhe impõe as coisas vão piorar e muito.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 17:52

Podem melhorar imenso se descobrirem petróleo ao largo do Pireu.
Podem melhorar alguma coisa se deixarem de ter 17% do PIB indexado ao pagamento de pensões.
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De Anónimo a 02.07.2015 às 14:53

Com o pai que tinha não precisava. Se eu tivesse o mesmo pai não precisava de apartamentos. Estaria melhor que o Paulo Azevedo.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 17:52

Também eu. Estaria melhor que o Espírito Santo.
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De Vento a 02.07.2015 às 19:42

E eu estou bem sem ser igual a tudo isso ou a todos esses. É o que dá aprender com alguém que se faz pobre mesmo sendo rico, para que outros possam beneficiar de tanta riqueza.

Mas percebo que esta dinâmica seja estranha a muitos.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 00:35

Quer dinâmica? Aqui tem: nas últimas duas semanas, os gregos levantaram 8 mil milhões dos depósitos bancários. Média de seis mil euros por segundo.
Uma prova cabal de confiança no governo Syriza-Anel.
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De Vento a 03.07.2015 às 01:22

Pedro, creio que ainda não entendeu. Tudo isso eu sei e provavelmente em primeira mão. Já lhe respondi anteriormente a isso. Não há qualquer preocupação a respeito da saída desses montantes. Eles regressarão.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 01:50

Regressarão em pensamento. Nos sonhos do ainda ministro Varoufakis.
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De Vento a 03.07.2015 às 02:24

Já vi que não é capaz de fazer melhor em suas respostas. Anda com uma obsessão por Varoufakis.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 13:56

Você é que anda. Aproveite depressa: o homem já anunciou que vai bater asa no domingo à noite.
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De Anónimo a 02.07.2015 às 22:34

O varoufakis não pode ter apartamento com vista para a Acrópole, mas a senhora Lagarde pode usar Gucci, Chanel, Prada, Hermes...ter vencimento de luxo e não pagar um cêntimo de impostos. Que tem essa senhora a mais que Varoufakis? Nada, ou seja, tem toda a arrogância do mundo.
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De Pedro Correia a 03.07.2015 às 00:35

Não lhe aconselharia ter o senhor Varoufakis como seu gestor de conta. Desde logo porque o homem poderia aparecer-lhe com o braço cortado.
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De rmg a 03.07.2015 às 17:22


Mas a senhora Lagarde é filiada na UMP, um partido de centro direita, foi ministra nos tempos de Fillon e Villepin, decerto mais uma exploradora dos oprimidos na sua excelente opinião.

O senhor Varoufakis é deputado do Syriza, um partido de esquerda radical, é ministro das Finanças da Grécia hoje e portanto um defensor dos oprimidos na sua excelente opinião.

A menos que o "anónimo" se refira aos três anos (Janeiro de 2004 a Dezembro de 2006) durante os quais ele foi assessor para assuntos económicos de George Papandreou ao mesmo tempo que era consultor privado da americaníssima Valve Corporation.

Mas aí está enganado, não lhe vem daí o dinheiro, a mulher dele é que é filha do senhor Phaedon Catsambas e neta do sr. Stamoulis.
Vá estudar quem eram.


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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 01:01

O problema de muita gente é estudar pouco. Ou nada.
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 01:59

E a ignorância, como sabemos, é muito atrevida.
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De Luís Lavoura a 02.07.2015 às 12:00

a população deixou de dispor sequer da liberdade de utilizar o seu dinheiro

Tem toda a liberdade para o utilizar em pagamentos feitos por intermédio dos bancos e no interior da Grécia. Pagamentos por multibanco ou por cheque, feitos no interior da Grécia, são perfeitamente permitidos.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 12:49

Como é óbvio, eu não me referia a pagamentos. Referia-me a levantamentos bancários: ou seja à elementar liberdade de o depositante poder dispor a qualquer momento do seu dinheiro, levantando-o parcialmente ou totalmente de um determinado banco.
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De Luís Lavoura a 02.07.2015 às 12:58

O Pedro escreve frequentemente de forma imprecisa, o que é muito lamentável num jornalista.
Os gregos não têm de facto liberdade de levantar o seu dinheiro dos bancos mas, contrariamente àquilo que o Pedro escreveu de forma imprecisa, têm ampla liberdade de o utilizar - desde que seja no interior da Grécia.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 13:24

É extraordinário ser preciso especificar que quando os direitos dos titulares de depósitos bancários são restringidos isso ocorra ao nível dos levantamentos. Como se o pagamento fosse um direito em vez de um dever.
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De Luís Lavoura a 02.07.2015 às 13:37

É necessário especificar, sim senhor, caso contrário você está a induzir os seus leitores em erro (e tomo a liberdade de suspeitar que o faz propositadamente).
Os depósitos bancários podem ser confiscados pelo Estado, podem ser convertidos pelo Estado numa moeda mais fraca, podem ser penhorados pelo Estado (o Estado português gosta muito de fazer isso), ou o seu levantamento pode ser restringido pelo Estado. Creio que o Pedro concordará que esta última medida é a mais branda de todas. E é apenas esta última que o Estado grego tomou. Bem menos do que aquilo que o Estado português faz a muitos cidadãos - penhora-lhes os depósitos bancários, ficando os cidadãos totalmente impedidos até de fazer compras no hipermercado.
Pelo contrário, os gregos são perfeitamente livres de fazerem compras no hipermercado, ou até em stands de automóveis, ou até de comprarem casas, com o dinheiro que têm no banco. Só não podem é pagar em notas. Mas pagar em cheque, podem, em quantias arbitrariamente altas.
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De Anónimo a 02.07.2015 às 13:43

É lamentável num jornalista? Não é, é o habitual nos jornalistas: meia bola e força.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 14:00

Meia bola e força é mais próprio dos anónimos.
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 01:58

Que por vezes, claro, marcam a "meia bola" na própria baliza.
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De isa a 02.07.2015 às 13:16

Nem entendo como até precisou de dar essa explicação tão simples, e suponho que uma grande maioria nem sequer se lembra do que se passou no Chipre em que as contas dos depositantes foram todas limpas e, para que não houvesse, mesmo, uma corrida aos Bancos na União Europeia, criaram à pressa aquela norma que, em casos extremos, os depósitos estariam garantidos até 100.000 euros por depositante... que no caso dos portugueses será a quantia de 98% das contas. No entanto, estas normas, feitas "em cima do joelho", dão muito que pensar, pois imaginando que, a Grécia acabe por sair do euro, será que até essa norma pode ser alterada?
Deixei 3 comentários no poste - As Alternativas - do José António Abreu, e cada vez estou mais convencida do que disse, porque isto da Grécia é o princípio do fim do actual sistema, a questão do quando... apenas depende de como vão "atamancando" este 1º grande problema.(Grande porque quando têm de improvisar soluções... é a criação de novos problemas e remendar tem sempre um limite)
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 13:47

O Governo Syriza-Anel agravou a situação nas primeiras 48 horas após a posse ao apressar-se a anunciar mais despesa pública, num valor orçado em 12 mil milhões de euros (ou seja, cerca de 6% do PIB grego), em medidas assistencialistas e desenvolvimentistas com dinheiro que manifestamente não tinha (e agora menos ainda tem). Numa altura em que a dívida pública grega já ascendia a 176% do PIB. E como se não estivesse sob soberania limitada, como efectivamente está. E como se não tivesse necessidade absoluta de financiamento externo imediato para despesas elementares do Estado, incluindo o pagamento de salários e pensões.
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De isa a 02.07.2015 às 14:40

O não pagamento de salários e pensões foi bastante noticiado nos canais estrangeiros e depois foi aberta uma excepção... a dos Bancos abrirem para pagar 120 euros dessas pensões até ao final da semana ou seja, receberam só os 60 euros equivalentes a 3 dias o que, para quem depende só da pensão, implicará que isto de pagar por multibanco ou por cheque não funcione para uma grande parte da população que depende exclusivamente da pensão... claro que também temos a diferença entre quem trabalha no privado e no sector público porque foram os ordenados dos funcionários públicos que não foram pagos e, provavelmente esses, se não tiverem dinheiro na conta o cartão multibanco também não valerá de muito... claro que, por cá, é fácil de dizer que nem é bem assim que é melhor ou pior mas, de uma coisa tenho a certeza... nesta altura, ninguém quereria... ser grego.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 14:55

Pois não, Isa.
Aliás, a propósito, fica aqui uma sugestão de leitura:
http://www.ft.com/intl/cms/s/2/1be16708-1f29-11e5-ab0f-6bb9974f25d0.html#axzz3ek42bKew
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De da Maia a 02.07.2015 às 12:15

Com efeito, se quisermos resumir os últimos meses de governação do Syriza, o único sucesso conseguido será o de não ter tido sucesso nas negociações...
Nesse aspecto, em que uns são "professores" responsáveis e outros alunos inconscientes, temos apenas uma figuração de birra, merecedora da "chapada na realidade".

Mas... a encenação que o Syriza levou a cabo teve como principal objectivo mostrar que os "professores" eram fanáticos de uma religião financeira, intolerantes a outros credos, e cegos à degradação económica na Grécia.
Esse objectivo de mudar a narrativa tem tido o seu sucesso, e vemos que as sondagens já foram obrigadas a rever as previsões. Já ninguém hoje se atreve a dizer alegremente "que os gregos são incondicionalmente favoráveis à presença na zona Euro".

Quanto à pergunta, dificilmente poderia ser outra, dizendo respeito à negociação (conforme também Schäuble defendera).
Juncker pode argumentar que havia "contrapartidas de bastidores", mas isso só lhe fica mal, e apresenta afinal a UE como uma instituição de negociantes com prendas debaixo da mesa.
Por outro lado, se o referendo fosse a última proposta da UE, ainda hoje essa proposta estaria a mudar. Teria sempre que se fixar uma data, e a data teria que ser a última proposta quando o referendo foi convocado.
Nada a dizer... e mais uma vez, Tsipras consegue deixar Juncker mal visto, o que não é difícil, pois Juncker esforça-se muito por isso.
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De Anónimo a 02.07.2015 às 13:53

" apresenta afinal a UE como uma instituição de negociantes com prendas debaixo da mesa." É aquilo a que Junker está habituado a fazer lá na terra dele.
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De Pedro Correia a 02.07.2015 às 13:57

O Governo Syriza-Anel já deu inúmeras provas de que desconhece os mecanismos de funcionamento do sistema financeiro internacional. Só não seria demasiado grave, do ponto de vista grego, se Atenas não precisasse desse financiamento. Hoje mais que ontem, amanhã mais que hoje.
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 01:01

Caro daMaia: reeditando uma frase que fez moda noutros tempos, de vitória em vitória até à derrota final. A derrota, infelizmente, será do povo grego. Tsipras e Varoufakis têm garantida de antemão a presença nos circuitos internacionais das conferências, principescamente pagas.
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 01:57

E eis que, como antevi, Varoufakis já está liberto daquele pesado encargo. Tsipras vai a caminho, não tarda muito.
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 10:56

E o novo ministro das Finanças grego, Tsakalotos, começou da pior maneira. Lendo umas folhas de papel garatujadas à pressa no quarto do hotel em que nada propõe e nada oferece. Apenas implora sete mil milhões de euros enquanto Tsipras continua a bater no peito rejeitando a "austeridade".
Parece um filme dos Monty Phyton. Em versão má.

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