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Novembro de 2017: os meus votos

por Pedro Correia, em 17.12.17

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Figura nacional do mês

Foi a personalidade mais em foco no fluxo noticioso nacional de Novembro. Adalberto Campos Fernandes, titular da pasta da Saúde, esteve em destaque, mas não por bons motivos. Primeiro, pelo grave surto de legionela no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, que afectou 54 pessoas - seis das quais viriam a morrer. Depois, pelo desaire sofrido na corrida à sede da Agência Europeia do Medicamento, com a candidatura da cidade do Porto a perder para Amesterdão. Finalmente, com o atribulado processo da transferência do Infarmed para a Invicta, que desagradou a quase todos e levou o próprio ministro a confessar que esta decisão "foi muito mal comunicada". Polémica ainda, outra declaração de Campos Fernandes, a 10 de Novembro: «O País está velho, está pobre, está só e em muitas circunstâncias entregue a si próprio.» Digna de um político da oposição.

 

 

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Figura internacional do mês

Virar de página no Zimbábue: a antiga colónia britânica da Rodésia do Sul viu-se finalmente livre do jugo do ditador Robert Mugabe, que dirigia o país com mão de ferro desde a independência, em 1980. O novo chefe do Estado é o antigo número 2 do regime zimbabuano, Emmerson Mnangagwa, que no discurso de posse, a 24 de Novembro, apelou à reconciliação nacional e prometeu "eleições livres e justas" no próximo ano. Mugabe, de 93 anos, era o segundo dirigente africano há mais tempo no poder, apenas ultrapassado pelo ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang.

 

 

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Facto nacional do mês

Cerca de 80% do País permaneceu todo o mês em situação de seca severa ou extrema, com rios e albufeiras revelando níveis de água historicamente baixos. Concelhos do interior, como no distrito de Viseu, tiveram de ser abastecidos com camiões cisterna, enquanto o gado era alimentado a rações por absoluta falta de pasto, perante o desespero dos criadores. O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, admitou a 22 de Novembro que a situação demorará muito tempo a resolver mesmo que a chuva se torne mais regular nos próximos meses.

 

 

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Facto internacional do mês

A Catalunha, intervencionada pelo Governo central em Outubro, entrou em campanha para eleger o próximo Parlamento regional, a 21 de Dezembro, com o anterior presidente do Executivo, Carles Puigdemont, ainda refugiado em Bruxelas e o ex-vice-presidente Oriol Junqueras detido às ordens da justiça, em Madrid, por alegado crime de sedição. O primeiro, do seu exílio belga, continuou a exigir a "libertação dos presos políticos" em Espanha. Apesar disso, e arrefecidos já os ânimos independentistas como as sondagens têm reflectido, confirmou-se o isolamento internacional de Puigdemont: nenhum país reconheceu a independência unilateral da Catalunha.

 

 

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Frase nacional do mês 

«Sou heterossexual, infelizmente.» Frase proferida por António Lobo Antunes, em entrevista à RTP, a 9 de Novembro. Frase sonante, uma entre tantas que o escritor foi proferindo ao longo de um mês inesperadamente fértil em declarações aos jornalistas - ele que nem sempre costuma estar receptivo para encontros com os órgãos de informação. Promovendo o seu mais recente romance, intitulado Até que as pedras se tornem mais leves que a água, o autor de Auto dos Danados declarou sem falsas modéstias a 10 de Novembro, em entrevista ao Público: «É claro que é um grande romance. Fui eu que o escrevi.»

 

 

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Frase internacional do mês 

«Porque é que Kim Jong-un me insulta, chamando-me "velho", se eu nunca lhe chamaria "baixo" e "gordo"?» A frase pode soar a brincadeira, mas foi escrita a sério. Pelo suspeito do costume: o actual inquilino da Casa Branca. Donald Trump recorreu ao seu instrumento de comunicação favorito, a rede social Twitter, para exprimir este desabafo à laia de resposta ao ditador de Pyongyang. Numa escalada verbal que faz antever problemas sérios com epicentro na península coreana, que se encontra desde 1950 oficialmente em estado de guerra.

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4 comentários

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De Rão Arques a 17.12.2017 às 08:39

Febre nacional persistente, repescado de Julho 2011
O Est(r)ado da Nação
-Sociedade Portuguesa hoje
Analfabetismo funcional; in(cultura)/ignorância; apatia cívica/irresponsabilidade; ilusão/aparato/ostentação; irracionalidade/inversão de valores; indigência mental/anestesia colectiva; ensino postiço e inconsequente; autoridade tolhida e envergonhada; justiça sinuosa e selectiva; responsabilidades diluídas e baralhadas; mediocridades perfiladas e promovidas; capacidades trituradas e proscritas; sofisma institucionalizado.
-Quês e porquês
Maleita atávica e condicionamento manipulado pelos poderes instalados; negligência paralisante no dever de participação; vício embriagante na desculpa cómoda do dedo acusador sempre em riste. Culpar D. Sebastião, o padeiro da esquina ou dirigentes de ocasião é nossa mestria e sina nossa. Culpados somos todos nós, acomodados na obsessão estéril de celestiais direitos. Também é com a nossa apatia pelos valores de intervenção e cidadania, que somos conduzidos repetidamente para o conhecido pantanal. Os nossos governantes são o reflexo e extensão da gente que somos, mas valha a verdade em escala cujo grau de refinamento, incapacidade e subversão de interesses colectivos ultrapassa os limites da decência. Que o actual 1º ministro em vez de esbracejar governe e em vez de iludir assente, invertendo essa carga em desequilíbrio e remetendo para as calendas a política de feirola de contrafeitos.
-Receituário extraviado
Cabe cultivar que ao cidadão comum não deve competir apenas votar ciclicamente em deputados acorrentados pela disciplina partidária. Na sociedade como nos bancos da escola, acautelar conceitos/aulas de civismo e cidadania, o que é liberdade, democracia, educação e compostura. A televisão pública como veículo que molda, não pode servir só para futebol, novelas e propaganda oficial. Não basta compor a rama, é preciso cavar a terra e aconchegar os tomates. Por hora o circo ameaça continuar, mas que o tempo (grande mestre) se encarregue de nos despertar enquanto é tempo. A nós, suporte colectivo de tragédias e façanhas, competirá sobretudo intervir responsável e interessadamente no que a todos diz respeito, não concedendo carta branca ao desbarato para o traçado do caminho, ao círculo restrito de políticos abengalados.
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De Pedro Correia a 17.12.2017 às 11:32

Promete.
Cada ítem que enuncia dá um texto longo. Tudo somado, dá ensaio. Sobre este tempo concreto e este lugar concreto em que vivemos.
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De Rão Arques a 17.12.2017 às 11:45

Espero não ter saído fora dos eixos com esta arenga.
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De lucklucky a 17.12.2017 às 21:46

"Numa escalada verbal que faz antever problemas sérios com epicentro na península coreana"

Foi por causa de pérolas como esta que deixei de ler jornais. Isto é não querer perceber nada do que acontece.

Então é a escalada verbal que faz antever problemas sérios na península Coreana...

Não é um ICBM nas mãos da Coreia do Norte - sabe o que é um ICBM?
Os avanços no programa nuclear?
Os avanços no programa de submarinos?

O que também não está aqui é o falhanço total da "contenção" e "acordos"com o regime Coreano feitos por Bill Clinton a Obama passando por W.Bush. Há ondas que demoram mais de 4 anos a construir...

Não nos devemos ainda esquecer dessa pérola da política, muito respeitada pelo jornalismo tuga Hillary Clinton : atacar o ditador(Khadafi) que anos antes entregou os seus programas químicos e nucleares a W.Bush.

Isto já não interessa ao "jornalismo" de base cultural marxista.
Que como já disse várias vezes é só o mais grave problema do Ocidente.

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