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Notícias sobre coisa nenhuma

por Pedro Correia, em 11.08.19

Terceiro dia consecutivo a ver "directos" atrás de "directos" nos telediários cá do terrunho, com repórteres perorando sobre coisa nenhuma junto a postos de abastecimento de combustível literalmente às moscas. Enchendo chouriços, como se diz na gíria jornalística.

Esta manhã ouvi duas repórteres dizendo que lá onde estão «há hoje até menos gente do que é habitual». Azar para quem previa grande movimentação: as tão ansiadas corridas às gasolineiras não aconteceram.

Alguns pivôs televisivos - com ordenados superiores a um ministro - querem criar um clima de alarmismo nacional responsabilizando os motoristas de matérias perigosas,  em greve para conseguirem melhorar o miserável salário-base de 630 euros, que na melhor das hipóteses subirá apenas para 700 euros a partir de Janeiro de 2020. Mas - lamento muito - não estão a conseguir. E talvez ainda sejam forçados a pagar direitos autorais ao aposentado Artur Albarran, celebrizado pela trilogia «O drama, a tragédia, o horror».

Podem, no entanto, continuar a tentar. Assim, ao menos, acabam por encher o depósito noticioso. De chouriços.


24 comentários

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De Pedro Oliveira a 11.08.2019 às 15:24

Pedro, ouvi ontem num desses directos que referes um motorista da "Paulo Duarte Lda" dizer: "não conheço nenhum motorista pelo menos na minha empresa que não ganhe, mensalmente, mais de 1500 euros líquidos"
Não sei como é no jornalismo, actualmente.
Penso que um jornalista estagiário que receba 630 euros base mas que depois como trabalha aos fins de semana e tal leva para casa 1500 euros limpos não se põe a fazer greve à maluca para aumentar o salário base.
Quem diz um jornalista diz um caixa de supermercado, quantos profissionais em Portugal levam para casa uma remuneração de 1500 euros limpos?
(nota, eu sou 100% a favor da greve, utilizo transportes públicos e quando é mesmo necessário atesto em Espanha)
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De Pedro Correia a 11.08.2019 às 17:03

Pedro, para efeitos de reforma ou de baixa por doença, e creio que também para efeitos de subsidio de Natal e de férias, o que conta é o salário base.
São menos de mil pessoas, desenvolvem um trabalho especializado, desgastante e perigoso. Como é que hoje estes profissionais auferem como salário base o equivalente ao salário mínimo?
Faz-me impressão que toda a máquina mediática veja neles uns vilões. E ainda mais me impressiona o ar de desdém que deles fazem uns pivots televisivos que ao fim do mês levam para casa mais dinheiro do que o Presidente da República.
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De Pedro Oliveira a 11.08.2019 às 17:19

Sobre os vencimentos dos "pivots" televisivos estamos de acordo. A acreditar naquilo que é divulgado, excessivamente, bem pagos. Até hoje está por responder a pergunta de Futre a Manuela Moura Guedes:
"E tu quanto ganhas, Manuela?"
Quanto aos motoristas não se pode ter o melhor de dois mundos. Com um vencimento bruto de 1200/1300 euros levariam para casa cerca de 750/850 líquidos. Aposto que não aceitam, apesar de ficarem beneficiados nas baixas e nos subsídios, como referes.
Aceitariam os tais 1200/1300 brutos mas continuarem a receber horas, fins de semana a triplicar, dinheiro por baixo da mesa (como agora) e tal. Ou seja se têm 650 de base descontam, pagam IRS sobre esse valor. Neste caso específico um aumento do vencimento base corresponderia a uma perda de vencimento líquido.
A dificuldade na negociação passa por aí.
"Eu quero ter um vencimento base mais alto mas quero continuar a levar 1500 euros para casa no final do mês"
Como é que as entidades patronais podem garantir isto?
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De Vorph Valknut a 11.08.2019 às 18:26

Falta-lhe referir que a reforma é sobre o salário base, mais subsidio de férias, etc
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De Anónimo a 12.08.2019 às 16:30

""E tu quanto ganhas, Manuela?""
Por acaso não ficou por responder. Eu ouvi essa entrevista e ela respondeu "300 contos". Não me lembro do ano em que foi e portanto tenho dificuldade em dizer se era muito ou pouco.
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De Vorph Valknut a 11.08.2019 às 18:25

Confirmo, Pedro. Além das Finaças não coletarem os valores atribuídos pelos subsídios em questão. O busílis da questão está aqui.


Isto é semelhante ao que se passa com os deputados. Um salário "baixo", triplicado com subsídios vários.
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De Pedro Correia a 11.08.2019 às 23:35

Sim, além disso.
Nem sei como é que o presidente do Eurogrupo autoriza uma coisa dessas.
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De Anónimo a 11.08.2019 às 17:56

Boas..
Não és Portugues! És Pedro de Olivenza
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De Pedro Oliveira a 11.08.2019 às 19:20

Nesse caso seria o Pedrito de Portugal n° 2, Olivença é nossa, Olivença é Portugal.
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De Pedro Correia a 11.08.2019 às 23:33

Tal e qual. Vem lá na Constituição da República Portuguesa.
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De Anónimo a 11.08.2019 às 17:55

Não existe qualquer comparação possível entre a grande maioria das profissões -mesmo na estrada- e a de "condutor de matérias perigosas".
-Estrada mal concebidas e em mau estado.
-Outros (inábeis e/ou agressivos) condutores que utilizam a mesma estrada.
-O inesperado na organização do tráfego pelas autoridades respectivas.
-Todas as falhas possíveis nas próprias, complexas, viaturas.
-A dramática inércia sempre presente. "Afrouxa-se, não trava".
-Serpentear por ali com toneladas de perigosas cargas.
-Em todas e quaisquer condições atmosféricas.
...
A atitude demagógica de políticos que andam no trânsito bem sentadinhos, de porta a porta, (com condutores que trabalham 3 dias por mês?) é de registar.
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De Pedro Correia a 12.08.2019 às 09:54

Não fazia ideia q a ANTRAM pagava tão mal a estes profissionais. E ainda choram...
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De António a 11.08.2019 às 21:19

Não há filas porque desta vez o pessoal atestou a tempo - aqui houve filas a meio da semana - e levou mais uns jerricans. Creio bem que durante a semana os postos estarão às moscas. E como também creio que o sindicato tem noção disso, creio que esta greve vai durar até ver o que estoura primeiro - supermercados, hotéis, recolha de lixo, farmácias...algo vai ceder.
Alguém aqui notou, e bem, que a carga de impostos leva a salários-base baixos, complementados por extras infindáveis. É legal, até os deputados o fazem. O problema começa a surgir com o avançar da idade e a aproximação da reforma, quando se é novo quer-se levar dinheiro para casa e sabe bem não pagar impostos porque vem todo em extras. Na meia-idade já se começa a pensar na reforma e nas baixas.
Não posso falar pelos camionistas, mas há muito quem queira descontar pelo mínimo e receber o máximo pela porta do cavalo. Até porque podem dizer que ganham mal, e há vantagens em “ganhar mal”. É um bocado hipocrisia é dizer isso ao patrão, claro.
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De Pedro Correia a 12.08.2019 às 09:56

Faz-me alguma impressão que os partidos sempre prontos a gritar contra o "trabalho sem direitos" desta vez andem tão caladinhos. Devem estar a banhos.
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De Antonio Vaz a 11.08.2019 às 22:02

E "prontos": está finalmente descoberta uma "classe vítima" que, de acordo com os padrões úteis a uma certa ideologia neoliberal, até confirmam que até nem há, em Portugal, qualquer uma luta de classes: patrões e empregados, juntos para uma nova revolução! Claro, contra o governo das "esquerdas"
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De Pedro Correia a 12.08.2019 às 09:59

Achei indecoroso ver o representante da CGTP ao lado da entidade patronal nos debates televisivos. Bem comportadinho. Como qualquer sindicalista amarelo, traindo os interesses da sua classe profissional.
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De Anonimus a 11.08.2019 às 23:57

Depois de anos de greves de professores, funcionários públicos, transportes, saúde, meia dúzia de choferes não podem fazer greve, que o superior interesse do país não permite
Façam como o dr Costa, arranjem um veículo eléctrico.
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De Pedro Correia a 12.08.2019 às 10:01

Há as greves boas e as greves muito más. As muito más são todas as que não são promovidas pela CGTP e pela UGT, parceiras da geringonça.
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De Anónimo a 12.08.2019 às 07:33

Aqui na terra onde vivo, as filas foram na quarta e quinta, testemunhei isso em loco e começaram logo na manhã de 4ª feira quando eu próprio fui abastecer o meu bolinhas que por acaso e só por acaso estava na reserva, já para não falar na confusão que ia nos super e hipermercados muito fora do normal mesmo contando com a chegada dos nossos emigrantes.
O Pedro Correia tem de ver menos tv e sair mais á rua tal como os nossos políticos que andam em carros com motoristas pagos por todos nós.
Apoio a greve a 100%, têm todo o direito de a fazerem tal como os professores, enfermeiros, médicos e todos os que dependem do Estado que paga bem (muito bem) , tem bons horários e muitas regalias mesmo para quem ainda o corrompe / destrói.


WW
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De Pedro Correia a 12.08.2019 às 09:52

Faço ideia, deve ter sido a perder de vista. Filas ou bichas?
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De Anónimo a 15.08.2019 às 01:50

Fica ao seu critério...
As filas foram aqui na terra que está na província.

WW
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De Anonimus a 12.08.2019 às 11:06

Aqui na Província houve filas nas gasolineiras (e algumas ficaram a seco) no fim da semana, mas o tráfego nos hiper era o normal.

Convém dizer que aqui o pessoal é egoísta e anti ambientalista, tudo montadinho no seu veículo individual, por isso mesmo não se investiu em metro, comboio, essas coisas de gente ecológica.
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De João Sousa a 13.08.2019 às 09:40

Muito do jornalismo que se pratica hoje não tem por objectivo relatar a realidade mas sim transmitir uma narrativa. Além disso, os critérios que definem aquilo que lhe interessa e deixa de interessar são curiosos. Ao jornalismo, por exemplo, interessou muito o passado da bastonária dos enfermeiros, em particular a sua militância no PSD. Já o mesmo jornalismo, curiosamente, sussurra a militância no PS do porta-voz da ANTRAM...
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De Anónimo a 13.08.2019 às 18:03

A propósito de um texto seu relativamente ao papel do governo nesta greve, escrevi um post no qual discordava de si e que no essencial defendia que o papel do governo, este ou outro qualquer, é governar e que governar é fazer escolhas. Não o disse na altura mas é óbvio que, grosso modo, essas escolhas são depois avaliadas em eleições.
A propósito deste seu post sobre comunicação social permita-me que lhe diga uma coisa simples que tenho a certeza que também saberá:
A ideia da comunicação social como paladina da verdade é e sempre foi um mito (basta ver o Citizen Kane...). Quem tem um meio de comunicação social (esqueçamos quem perde debliberadamente dinheiro porque isso são outros quinhentos...) quer e precisa de ganhar dinheiro com ele. Para ganhar dinheiro tem que ter audiências. Para ter audiências, neste caso tem que dramatizar, porque o vizinho do lado também o faz e portanto, se não o fizer deixa fugir as audiências. Não está bem nem mal, é o jogo, é assim.
E, claro, se dramatizam e têm audiências isso significa o quê? que as pessoas vêem, não é? Ou seja, somos nós, somos sempre nós, eles limitam-se a dar-nos o que queremos ver, talvez exagerem um bocadinho mas limitam-se a ir ao nosso encontro. Claro que se perguntarmos isso aqui vamos encontrar precisamente as únicas 80 pessoas que não senhor, não gostam e não se deixam manipular, não é?
Diga-me, a terminar - quem nunca ficou horas numa fila de trânsito porque há um pequeno acidente, e toda a gente passa devagarinho para ver e fazer o orçamento? Pois é....
Cumprimentos
Basta

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