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Notas soltas

por Alexandre Guerra, em 18.07.16

1. Grande ambiente em Amarante, cidade banhada pelo Tâmega, com um dos centros históricos mais bonitos do país, que este fim-de-semana recebeu o Festival Mimo, naquela que foi a primeira vez que esta iniciativa decorreu fora do Brasil. Pena mesmo, foi não ter conseguido ver ontem à noite o concerto de Pat Metheny com o lendário Ron Carter. As autoridades locais e os promotores estão de parabéns.

 

2. Já aqui no Delito tinha falado sobre Kendrick Lamar e este fim-de-semana todos se renderam ao seu brilhantismo no Super Bock Super Rock. Mais do que um músico sofisticado, é também já uma figura influente com uma voz activa na cena social e política americana. 

 

3. Marques Mendes disse ontem que o Governo já tinha enviado para Bruxelas a famosa "carta" para evitar as sanções. Hoje, o Público foi atrás e deu também isso como certo. Como é hábito, os outros meios seguiram. Entretanto, a Comissão e o Governo fizeram saber esta manhã que, afinal, a carta ainda não tinha sido enviada. O documento só seguiu para Bruxelas já quase à hora de almoço desta Segunda. É preciso dizer mais?

 

4. Nem sempre aquilo que parece ser mais evidente corresponde ao que aconteceu. É preciso ainda tempo e mais informação para se perceberem os contornos que envolveram o brutal atentado de Nice e a tentativa de golpe de Estado na Turquia. 

 

5. Hoje, começa um grande show político em Clevelend: a Convenção do Partido Republicano para eleger Donald Trump como candidato formal às eleições presidenciais dos Estados Unidos.

 

6. Em Espanha, Pedro Sánchez devia mostrar mais inteligência e menos egoísmo na leitura dos resultados das duas eleições que já se realizaram naquele país no espaço de seis meses e, no mínimo, devia garantir a abstenção do PSOE e permitir a Rajoy formar Governo.

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10 comentários

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De Pedro Correia a 18.07.2016 às 12:52

Sánchez conduziu o PSOE aos dois piores resultados da história do partido, um dos cinco ou seis mais antigos da Europa. Zapatero demitiu-se ao perder as legislativas de 2011, Rubalcaba demitiu-se ao perder as europeias de 2014. Sánchez, que já perdeu três eleições - duas legislativas e as autonómicas - insiste em manter-se agarrado ao que lhe resta do poder interno. Submete toda a estratégia do PSOE à sua luta pela sobrevivência: neste caso já não está em causa o interesse nacional nem sequer o interesse partidário, mas apenas o interesse pessoal.
Será empurrado em breve pelos barões regionais do partido, com Susana Díaz à cabeça. Já o avisaram: não haverá terceiras legislativas, que seriam catastróficas para os socialistas espanhóis.
Em 2010, convém recordar, o PSOE tinha 169 deputados no parlamento em Madrid. Hoje tem 85.
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De Luís Lavoura a 18.07.2016 às 14:15

Não concordo inteiramente com o ponto 6. O PSOE deve viabilizar com a sua abstenção o governo do PP - mas a troco de quê? Que concessões está o PP disposto a fazer em troca da abstenção do PSOE? O que pode o PSOE pedir, e o que pode o PP oferecer, em troca da viabilização do governo? Não se viabiliza um governo a troco de nada! O PP não pode governar com 25% dos votos como se tivesse 50% deles!
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De Vítor Araújo a 18.07.2016 às 14:16

Pena que a meu ver, a organização do Mimo Festival tenha feito um péssimo trabalho, no que toca ao concerto do Egberto Gismonti, um colosso mundial no seu estilo de música. Localizaram o concerto (de piano acústico, com mínima amplificação) num largo típico de passagem e de passeio dos habitantes de Amarante ao cair da noite após o jantar, local de convívio familiar e comunitário (e atenção, essas pessoas não têm culpa nenhuma disso, pois foram ocupar com um concerto, o seu local privilegiado de convívio). Foi mesmo isso que aconteceu, ouviram o concerto, um grupo muito restrito de privilegiados, junto ao palco, em cadeiras reservadas pela organização, ou por todo o tipo de ocupação material (roupa, garrafas de água e afins) a 2 horas antes do espectáculo. Para trás desta linha de fronteira, a única coisa que se ouvia eram conversas cor de rosa e do futebol de todo o típo de grupos de passantes/passeantes na praça. Uma verdadeira demagogia e desperdício de recursos. Se queriam fazer um concerto a sério, tê-lo-iam localizado num espaço onde quem quisesse realmente ouvi-lo, teria que se deslocar expressamente ao local para o efeito. Isso seria um serviço sério feito em prol da cultura. O que eu vi lá, foi um concerto "para inglês ver", mais grave, pago com o dinheiro dos nossos impostos. Podem-se gabar do serviço que lá apresentaram. mas de certeza que ninguém da organização tem espírito crítico suficiente para se ter apercebido de tamanha asneira. Por isso, depois da amostra, embora tivesse muito gosto em ter ido ver esses outros colossos da música, Pat Matheny e Ron Carter, que dificilmente temos oportunidade de ver por estas paragens, decidi ficar por casa. Uma pena.
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De Alexandre Guerra a 18.07.2016 às 14:45

Caro Vítor,

infelizmente, na Sexta já cheguei muito tarde a Amarante, o que me impossibilitou de ver Egberto. Mas, tendo em conta o seu relato, partilho dessa sua observação e concordo inteiramente consigo de que Egberto é um colosso. Na minha opinião, é um dos músicos mais virtuosos e completos que conheço. Músicos desses merecem um espaço adequado para que a sua música possa ser apreciada em toda a plenitude. Esperemos que a sua crítica construtiva seja acolhida pela organização, que já assegurou o regresso do festival no próximo ano.
Cumprimentos,
Alexandre
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De Vítor Augusto a 18.07.2016 às 19:06

Caro Alexandre Guerra, eu até me apetece chorar quando ele interpreta o belíssimo tema "palhaço" do seu álbum "Circense" e eu a desejar ouvir aquela maravilha mas só conseguia ouvir ruído à minha volta. Uma pena. Uma oportunidade perdida. Se eles têm aberto a igreja de São Gonçalo, ali mesmo no largo com o mesmo nome e fazem o concerto lá dentro, aí sim, tinha valido a pena.
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De Luís Lavoura a 18.07.2016 às 16:38

de certeza que ninguém da organização tem espírito crítico suficiente para se ter apercebido de tamanha asneira

Se você acha que eles não se aperceberam, envie-lhes uma carta a chamar-lhes a atenção para o assunto.

É o que costumo fazer. Por exemplo, no outro dia a Junta de Freguesia da minha área organizou um concerto, com entrada gratuita, numa igreja local. Puseram lá um fotógrafo a fotografar o evento com flash, mesmo durante a execução das músicas. Tanto o flash como o ruído da máquina fotográfica me perturbaram a concentração. Escrevi no dia seguinte uma carta ao presidente da Junta a dizer para, da próxima vez, chamar a atenção do fotógrafo para o facto de que só deverá fotografar nos intervalos entre as músicas. É tiro e queda!

No fim de semana anterior, numa praia que costumo frequentar, estava um restaurante junto à praia a tocar "música" altíssimo, mesmo perante a presença da polícia municipal. Escrevi uma carta ao presidente da Câmara a dzer que aquilo não podia ser permitido, era uma violação à lei e a lei é para todos. Este fim de semana voltei a essa praia e o silêncio já imperava.
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De Diogo Noivo a 18.07.2016 às 14:59

Já há acordo entre PP e Ciudadanos para a composição da mesa do Congresso. Mas o PSOE continua a dizer não à investidura - apesar de importantes personalidades do partido (entre as quais Felipe González) apelarem à abstenção socialista. O cenário político em Espanha tem-se desenvolvido mas, como bem referes, falta que Sánchez abandone o egoísmo.
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De Pedro Correia a 19.07.2016 às 09:31

Ninguém quer terceira eleição legislativa. Seria o suicídio do PSOE, que em menos de cinco anos encolheu para metade o seu grupo parlamentar.
O novo Governo espanhol não pode ficar dependente da vontade de um homem só. Um derrotado político, ainda por cima.
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De Vento a 18.07.2016 às 22:20

O ponto 4 de seu texto merece alguma reflexão. A Turquia de Erdogan há já algum tempo deixou de ser para o ocidente uma relação de aliança para ser uma relação conveniente. Na realidade existiu uma tentativa de golpe; e o que falta perceber, para mim, é somente quais foram os batalhões que não avançaram em suas posições e porquê? Uma intentona desta natureza resulta com duas acções combinadas: um golpe de mão às instituições representativas; e tropas no terreno que neutralizassem a reacção de eventuais forças fieis ao regime. A primeira parte foi levada a efeito, e é contrariada porque não se vislumbram movimentos da "segunda coluna".
Seria ingénuo que Erdogam elaborasse um golpe por antecipação. E também não creio que tivesse existido falta de coordenação entre os golpistas que contribuísse para o insucesso do golpe.
O que pode ter ocorrido (é meramente especulativo este meu raciocínio) é que algum sector de inteligência externo, muito bem informado sobre os movimentos na Turquia, tivesse colaborado com as secretas turcas e assim pudesse ter sido neutralizada a dita "segunda coluna".
Tudo o mais, em matéria de apelos, durante as horas do golpe não passou de show-off de Erdogan para poder mobilizar o apoio de seu eleitorado para o que viria posteriormente.
Oportunamente desenvolver-se-á mais argumentos em torno deste golpe.

Nice. Parece ser um acto de loucura que dá jeito às autoridades francesas reivindicar como um acto terrorista ligado ao Daesh, para mobilizar a opinião pública e apelar aos reservistas franceses. Significa isto, para mim, que o golpe na Turquia veio confirmar a necessidade do ocidente rever suas estratégias militares e alianças naquela região do médio oriente.

Quanto ao ponto 6, não vejo necessidade de Pedro Sanchez rever o que quer que seja. Deve ser Rajoy a demonstrar que é capaz de elaborar políticas que congreguem o novo tecido eleitoral. Portanto, Pedro Sanchez deve manter-se nas posições assumidas.
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De lucklucky a 19.07.2016 às 14:20

"Já aqui no Delito tinha falado sobre Kendrick Lamar e este fim-de-semana todos se renderam ao seu brilhantismo no Super Bock Super Rock. Mais do que um músico sofisticado, é também já uma figura influente com uma voz activa na cena social e política americana. "

Pois. Mais um racista americano.

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