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Notas sobre o Focus Group e assim

por Rui Rocha, em 26.11.17

1 - É óbvio que o governo utilizou o estudo do focus group e o evento de hoje em Aveiro como instrumento de propaganda política. É, pois, uma imoralidade utilizar dinheiros públicos para financiar uma acção promocional descarada de Costa y sus muchachos.

2 - A validade da metodologia e a probidade de quem agora ou antes (Carlos Jalali ou Marina Costa Lobo) conduziu o estudo não estão em causa. Mas o que é claro é que os académicos não perceberam (ou não quiseram perceber) que uma coisa é a validade científica e outra, bem diferente, é a instrumentalização do seu trabalho para uma manobra de lavagem e promoção de imagem à custa do dinheiro do contribuinte. A intervenção de hoje de Jalali, focada na metodologia e na sua credibilidade, é bem o exemplo disso. Não é obviamente esse o ponto fundamental da discussão. É penoso ver alguém com créditos académicos prestar-se ao papel de idiota útil ao serviço dos propósitos do governo.

3 - O evento está, em todo o caso, morto e enterrado. Aquilo não funciona. Não há entusiasmo. Não há sequer aparência de contraditório que crie uma percepção de credibilidade. Nada daquilo é verosímil. Se o que Costa pretendia era projectar uma imagem de proximidade e transparência, tudo o que conseguiu provocar foi um enorme fastio. Não fosse a polémica prévia e ninguém teria suportado aquilo mais de 10 minutos. Assim, os mais resistentes terão chegado aos 15. Este modelo de comunicação não conseguiria entuasiasmar um exército de formigas ainda que lhes acenasse com um pacote de açúcar.

4 - O governo deu este fim de semana dois sinais claros de que se encontra numa situação fragilizada e que sente que perdeu o contacto emocional com os eleitores. Ontem, pôs todos os ministros na estrada, nas mais diversas iniciativas um pouco por todo o lado. Eduardo Cabrita esteve na inauguração do Centro Regional do Sistema de Alerta de Tsunamis, no Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Centeno visitou a Alfândega do Aeroporto de Lisboa. Manuel Heitor, da Ciência e do Ensino Superior, foi a Matosinhos e a Braga para lançar uma nova iniciativa – «Manhãs Com Tecnologia». Hoje, foi o que se viu. Uma tentativa falhada de falar com o país em ambiente controlado, fazendo lembrar, nos propósitos e no contexto, as Conversas em Família de Marcello Caetano. Seguramente, não será pondo os membros do governo a esvoaçar como libelinhas tontas ou com iniciativas de comunicação postiças que Costa recuperará da imagem que, por sua inépcia, viu degradar-se nas últimas semanas.


7 comentários

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De kika a 26.11.2017 às 23:48

Não são dinheiros públicos são dinheiros do governo...
O governo no nosso país pertence aos que lá estão.
Nunca imaginei que um dia iria ler semelhante falta de vergonha
e de respeito pelos cidadãos.
Pisam a linha vermelha todos os dias sem que nada lhes aconteça.
Até as esganiçadas me enganaram.


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De Anónimo a 26.11.2017 às 23:50

"fazendo lembrar, nos propósitos e no contexto, as Conversas em Família de Marcello Caetano" Não exagere, arrisca-se a perder a credibilidade.
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De JgMenos a 27.11.2017 às 12:59

Tem razão.
O Caetano falava por sua conta e risco, não metia figurantes.
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De JS a 27.11.2017 às 00:25

Sim. Teatro absurdo. Uma incongruente maioria parlamentar -que em campanha eleitoral se odiou mútua e publicamente- apoia um grupo de comparsas denominados -por "inbreeding" constitucional- Governo da Nação. Teatro triste, absurdo.
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De lucklucky a 27.11.2017 às 03:50

Absurdo é precisamente a palavra para isto, considerando que este Governo tem a protecção do complexo jornalista Marxista e do Presidente Marcelo "Tomáz".
Por isso para que é que precisam desta manipulação se já tem manipulação em todos os Telejornais e capaz de jornais?

Fosse um Governo da Esquerda não Marxista (PSD/CDS) bastaria Pedrogão para Governo ter caído quanto mais na tragédia subsequente.

O que bastou para o Governo Santana Lopes ter sofrido um Golpe de Estado - Presidente Sampaio ainda não explicou a razão. - ?
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De Alexandre Policarpo a 27.11.2017 às 01:13

Este triste episódio mostra apenas o estado de degradação a que o PS chegou pela mão dos oportunistas que o tomaram de assalto. O governo é um bando de baratas tontas, sem rumo e sem ideias que precisa destes espectáculos para mostrar que está vivo. Mas no fim do dia, o que ficou foi a imagem de um enorme tiro no pé do 1º ministro e dos amigos que ele levou para o governo.
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De am a 27.11.2017 às 15:37

O senhor ministro da Cultura, adorou o espectáculo...

Para o ano, será no Teatro S. Carlos!

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