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Notas políticas (11)

por Pedro Correia, em 18.02.16

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Imagem da série televisiva Borgen

 

Lembram-se das opiniões que despontaram em Novembro como cogumelos? De repente a Dinamarca era apontada como modelo virtuoso a seguir. Motivo: ali vigora um governo liderado por um partido que não foi o mais votado nas legislativas e o "espírito de pacto" - bem visível na série televisiva Borgen, que de repente todos parecem ter acompanhado em Portugal - era então enaltecido e considerado fundamental para que um político como António Costa ascendesse ao poder por cá, embora sem ter recolhido sequer um terço dos votos expressos no escrutínio de 4 de Outubro.

Que esse modelo fomentasse o radicalismo identitário das forças minoritárias e desvirtuasse a regra número um da democracia - que manda confiar o exercício do poder aos mais votados e não aos que recolhem menos votos - era um pormenor de somenos para os arautos de tal tese, vigente apenas em quatro dos 28 Estados da União Europeia (os outros são a Bélgica, a Letónia e o Luxemburgo.) Que esse modelo assente essencialmente em coligações e não em gabinetes minoritários como aquele que se formou em Portugal era outro irrelevante detalhe.

Esta sinfonia de elogios à Dinamarca ocorreu há três meses - tempo que em política é uma eternidade. Hoje os mesmos que tanto enalteciam aquele país como fonte inspiradora são os primeiros a dirigir críticas ao Executivo de Copenhaga pelas suas leis de exclusão dos imigrantes ditadas pelo mais persecutório espírito xenófobo. De repente, já com Costa instalado em São Bento, a Dinamarca passou de virtuosa a viciosa. Na boca e na pena dos mesmos que tantos adjectivos derramaram em louvor do sistema político da monarquia nórdica.

Presumo que alguns, como protesto, tenham deixado de seguir a série Borgen até ao fim.


28 comentários

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De Anónimo a 18.02.2016 às 12:12

A Dinamarca já não é o que era e sabe bem, o porquê. A Dinamarca mudou de governo e esse governo, tem tido atitudes altamente reprováveis. Uma delas é o retirarem tudo, aos refugiados, excepto as alianças quando as têm. Quando se faz isto, a alguém que está desprotegido, sofrido e que clama socorro, tudo se pode esperar deste país que se esqueceu que é humano, para ser um povo sem alma e que o outro, pouco lhe importa. Se já foi referência, deixou de o ser porque já mostrou que o material é mais importante que o ser humano.
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De Pedro Correia a 18.02.2016 às 13:16

Se bem entendi essa verborreia oca, você também interrompeu a série 'Borgen'. Faz mal. Vale a pena vê-la até ao fim.
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De Anónimo a 18.02.2016 às 13:40

Verborreia oca é sua que dá mais importância a uma série televisiva que aos direitos humanos. Observe o que faz esse governo de direita, aos refugiados e depois fale da série televisiva.
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De Pedro Correia a 18.02.2016 às 14:01

Noutra caixa de comentários já lhe recomendei o filme 'Adeus Lenine'. Verá que gosta.
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De Anónimo a 18.02.2016 às 14:29

Mais uma vez está a pôr a sua vidência à prova. Como vidente não vai lá.
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De Pedro Correia a 18.02.2016 às 14:49

Experimente dizer isso em dinamarquês. Para eu perceber melhor.
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De Anónimo a 18.02.2016 às 17:24

Estive lá no princípio do Outono, mas como não passou de uma semana não sei. Lamento, mas repito-lhe a vidência não é consigo.
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De Pedro Correia a 18.02.2016 às 18:47

Nada de novo no Reino da Dinamarca.
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De ariam a 18.02.2016 às 18:47

Ainda agora, deixei um 2º comentário no seu outro poste #Centeno de errata em errata" de 17-02-2016, para um outro anónimo que, como este, dizem qualquer coisa ou, neste caso, mente descaradamente, algo que não ajuda e só servirá para acrescentar idiotice, aos graves problemas que a Europa atravessa.
Quero acreditar que seja por ignorância e porque será mais fácil, repetir disparates do que investigar e procurar a verdade dos factos.
Essa de retirarem tudo, exceto as alianças não é verdade e, apesar de poucos percebermos dinamarquês, podemos, no mínimo, ler vários artigos em inglês:

"It also raised the amount refugees will be allowed to keep from 3,000 kroner to 10,000 following objections.
The government has said that the policy brings refugees in line with unemployed Danes, who also face having to sell assets above a certain level to claim benefits."

Quando os cidadãos do próprio país, para receberem benefícios, também não podem ter valores, bens ou dinheiro, acima de determinado valor, tendo de os vender para poder receber esses subsídios que raio de justiça seria essa, de pôr os direitos dos refugiados acima dos direitos dos próprios cidadãos dinamarqueses, realmente, só ideias saídas de pessoas que, definitivamente, já lhes fizeram uma, tão grande, lavagem cerebral que já acham que, para uns, vale tudo e, para os outros, só lhes resta a resignação, mesmo que vivam no próprio país onde nasceram.
Os políticos conseguem fartar-nos mas, pior do que eles só, estes, os moralistas "de meia tigela".

No entanto, como este, há muitos, com a mentalidade sinuosa da esquerda. Basta reparar na Câmara de Lisboa, governada por um que foi eleito por Costa, onde foi criado um fundo de dois milhões para os refugiados onde parte será para alojamento. Tudo parece muito correto, até ao momento em que começamos a pensar que os nossos impostos, vão mais depressa para os refugiados do que, para os portugueses que vivem em habitações precárias, algumas que nem sequer se comparam às habitações que, noutros países, foram recusadas por migrantes porque, já se chegou ao ponto, de fazerem exigências maiores que os habitantes locais que são os que pagam os impostos.

Pena que, quando passam aquelas reportagens "a puxar ao sentimento", nos noticiários nacionais, andem a sonegar muita informação que, só através dos meios de comunicação independentes, se consegue saber ou até ver os vídeos do que se anda a passar por essa Europa. Outro problema, é continuarem a chamar refugiados, quando a maior parte, nem sequer tem esse estatuto.

A versão fantasiosa de que todos vêm "desprotegidos, sofridos e que clamam socorro", quando se cai na real, como aqueles dois jornalista que foram, cheios de boas intensões, para nos mostrar, as terríveis condições dos refugiados em Calais foram, esfaqueados e roubados e, como esta, já se perde a conta das atrocidades sofridas por cidadãos europeus mas, infelizmente, essas notícias, são sonegadas, porque será?
Porque não falam das multas pagas por alemães por falarem de acontecimentos reais ou até fecharem páginas do Facebook se houver queixas contra os migrantes? Porque tentam esconder as violações? Porque não dizem que a maioria, não são famílias mas rapazes dos 15 aos 30 anos?
Porque não falam que já há países que perderam, totalmente, o rasto de várias centenas de migrantes? Quais serão as suas intensões para se quererem manter no anonimato e poderem andar à vontade pelo espaço Espaço Shenguen? Talvez seja mais uma razão para, determinados países, quererem fechar fronteiras porque, infelizmente, a vida real não tem nada a ver com fantasias do coração.

Já agora, era bom começarem a pensar, sobre quem estará mais interessado em trazer milhões de migrantes para Europa e quais as suas verdadeiras e reais intensões ou será que ainda não suspeitaram de nada?
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De T a 18.02.2016 às 12:13

Os mesmos que enchem os jornais e as noticias sobres "ataques" à soberania do seu país e de que este está diminuído por estar na UE - desconhecendo por completo o que é a soberania e em que moldes esta se manifesta nos actos diários e contínuos dos Estados - ou às acusações de ingerência por parte de outros, são os mesmos que votam na sua assembleia contra políticas INTERNAS de um outro Estado soberano.
A dissonância cognitiva é forte, ou secalhar é apenas ignorância.
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De Pedro Correia a 18.02.2016 às 13:17

Esse é outro clássico dos tudólogos de turno. Tão depressa batem no peito a exigir reforço de "soberania" nos estados-membros da UE como rasgam as vestes perante demonstrações concretas do exercício da soberania.
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De Luís Lavoura a 18.02.2016 às 15:08

Que post tão disparatado. É evidente que elogiar-se a forma como na Dinamarca se negoceia para formar governo não tem nada a ver com concordar-se com a forma como o povo dinamarquês vota nem com as decisões do governo dinamarquês. O povo dinamarquês tem votado ultimamente num partido nacionalista e xenófobo e, como consequência, o governo dinamarquês toma medidas nacionalistas e xenófobas; discordar dessas medidas nada tem a ver com discordar da forma como na Dinamarca se forma governo.
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De Pedro Correia a 18.02.2016 às 15:32

A tese da geometria variável no seu esplendor. A Dinamarca de Novembro era um exemplo a seguir, a Dinamarca de Fevereiro é um caso a evitar. Modelos "à la carte" em nome das conveniências de ocasião.
Estes duplos mortais à retaguarda dão jeito jeito em ano de Jogos Olímpicos. Assistiremos a muitos ao longo dos meses que vão seguir-se.
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De Luís Lavoura a 18.02.2016 às 15:10

a regra número um da democracia - que manda confiar o exercício do poder aos mais votados e não aos que recolhem menos votos

Não sei onde é que o Pedro foi descobrir essa "regra número um".

Eu as regras que descubro são: o parlamento tem deputados de acordo com o número de votos em cada partido e, depois, esses deputados arranjam entre si forma de sustentar um governo.
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De Pedro Correia a 18.02.2016 às 15:28

Os deputados "arranjam entre si"? Curiosa expressão.
Um "arranjo", seja ele qual for, não transforma três forças derrotadas numa força vitoriosa. Esta é a marca genética da legislatura em curso.
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De Luís Lavoura a 18.02.2016 às 16:02

não transforma três forças derrotadas numa força vitoriosa

Esses adjetivos "derrotadas" e "vitoriosa" não não passam de interpretações feitas por comentadores políticos. Não têm qualquer utilidade prática. Os governos não se formam com adjetivos, formam-se com deputados. Na verdade e na prática, o que há é quatro forças políticas que elegeram certos números de deputados. Depois, esses deputados arranjaram-se entre si para sustentar um governo. Arranjaram-se de uma certa forma, poder-se-iam ter arranjado de outras formas.
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De Pedro Correia a 18.02.2016 às 18:49

"Arranjaram-se de uma certa forma, poder-se-iam ter arranjado de outras formas."
Doutrina marxista, versão Groucho.
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De Anónimo a 21.02.2016 às 22:04

"Arranjaram-se de uma certa forma, poder-se-iam ter arranjado de outras formas."

Um verdadeiro kamasutra eleitoral.
Não admira, são todos prostituíveis e prostituídos.
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De Rui Mateus a 18.02.2016 às 19:40

O que tem a ver a bota com a perdigota???
Uma coisa é a forma de constituição de governos maioritários outra coisa é as suas políticas... Não esquecer aliás que os socialistas do reino da Dinamarca apoiaram a posição reaccionária contra os refugiados...
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De Pedro Correia a 18.02.2016 às 21:09

Já cá faltavam os chavões comunistas. E a posição do camarada Putin não será, ela sim, "reaccionária"?
A propósito: quantos refugiados sírios já encontraram asilo na Rússia?
Ah, espera: os russos não asilam. Eles bombardeiam, que é muito mais "democrático" e até talvez "socialista". Têm sido eles os carrascos da Alepo, a segunda cidade síria, atingida pelas bombas "amigas" de Moscovo. Mas isso não provoca um frémito de indignação dos pseudo-"ruis mateus" da blogosfera.
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De ariam a 18.02.2016 às 21:19

Quanto a refugiados, nem na Rússia nem, na maioria, dos países muçulmanos e, já agora por falar em Putin:

"Any fourth grade history student knows, socialism has failed in every country, at every time in history" - Vladimir Putin



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De Rui Mateus a 19.02.2016 às 18:05

Bem gostava de saber a sua resposta ao meu comentário e não divagar sobre russos e americanos...e já agora quem diferencia de terroristas amigos e inimigos são os americanos e seus aliados...e já agora quem começou esta guerra fratricida foram os seus elogiados americanos e companhia... E eu sou mesmo Rui Mateus não preciso de pseudónimos!
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De Pedro Correia a 19.02.2016 às 18:23

Enquanto Putin manda matar civis na Síria você aponta a culpa... aos americanos. Um clássico. Já o Muro de Berlim erguido pelos comunistas era responsabilidade... dos capitalistas.
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De Rui Mateus a 19.02.2016 às 18:37

Claro que não quer responder ao meu comentário original, pois... E já agora nunca me viu defender os actos do Patins e Obama, o meu caro é tem as suas escolhas. O meu lado são os interesses do povo sírio e os demais nesta região sempre colonizada por todos e mais alguns. O meu lado são os refugiados e não com certeza os reinos da Dinamarca e quejandos.
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De Pedro Correia a 19.02.2016 às 18:51

Nem uma palavra de condenação das atrocidades do Daesh na Síria. Nem uma palavra de censura à brutal ditadura do clã Assad, responsável por mais de 250 mortes no país.
O seu lado está mais que visto qual é: nunca falha uma censura aos americanos. Assad é bom, Obama é mau.
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De Rui Mateus a 19.02.2016 às 19:42

Nem uma palavra sobre o meu primeiro comentário... Está visto, deve ser como os jornalistas fazem...ainda por cima deturpando o que as pessoas dizem. Nada mais a dizer.
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De Pedro Correia a 19.02.2016 às 22:34

Nada mais a dizer também pelo meu lado.
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De Anónimo a 19.02.2016 às 23:45

Por acaso a Rússia está na UE? Não desvie o assunto para a Rússia. Olhe para a UE que tapa os olhos a comportamentos xenófobos, de muitos dos países que fazem parte da UE, mais desunida que nunca. Depois de analisar e ver os defeitos desta União desunida, é que pode pôr outros ao barulho. Até lá, fixe-se na falta de solidariedade e maldade encapotada existente na Europa e só depois olhe os outros que não merecem que os olhem porque não são exemplo de nada de bom. Se queremos ser bons, devemos olhar os bons exemplos e não os maus.

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