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Presidenciais (1)

por Pedro Correia, em 09.12.15

sidonio_pais2_large[1].jpg

 

Longe da fama e das espadas,

Alheio às turbas ele dorme.

Em torno há claustros ou arcadas?

Só a noite enorme.

Fernando Pessoa, À Memória do Presidente-Rei Sidónio Pais

 

Numa entrevista hoje concedida à SIC, António Sampaio da Nóvoa - pessoa cuja cultura, naturalmente, está acima de toda a suspeita - invocou, entre os motivos que o levam a candidatar-se à Presidência da República, o desejo de ver o Norte finalmente representado no Palácio de Belém.

"Gostaria que os portugueses, pela primeira vez na história, elegessem um presidente acima do Douro. Ou mesmo acima do Mondego. Acho que nunca houve nenhum presidente eleito acima do Mondego. Gostaria muito que isso acontecesse", declarou Nóvoa, nascido há quase 61 anos em Valença do Minho.

O antigo reitor da Universidade de Lisboa anda mal informado. Certamente por falta de tempo, ainda não consultou as biografias sucintas dos Presidentes da República Portuguesa. Se o tivesse feito saberia que Sidónio Bernardino da Silva Pais (chefe do Estado entre 27 de Dezembro de 1917 e 14 de Dezembro de 1918) era natural de Caminha - oriundo, portanto, do mesmo distrito que Nóvoa.

Além de ser tão minhoto como o candidato presidencial nascido em Valença, Sidónio Pais foi também o primeiro Presidente português eleito "por sufrágio directo dos cidadãos eleitores", a 28 de Abril de 1918, como esclarece a página oficial da Presidência da República.

António Sampaio da Nóvoa terá, portanto, de encontrar outro motivo para pedir o voto aos cidadãos. Compreendo que gostasse de ser o primeiro Presidente nascido "acima do Douro ou mesmo do Mondego", mas já chega tarde. Chega com quase 98 anos de atraso, concretamente.


18 comentários

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De Nuno a 10.12.2015 às 00:10

São ambos do distrito de Viana e não do concelho de Viana.

Tanto Caminha como Valença são sede de concelho.
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De Pedro Correia a 10.12.2015 às 00:39

Claro que sim. Já emendado.
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De S. Manuel da Silva a 10.12.2015 às 00:16

uma precisão apenas. caminha e valença não pertencem ao concelho de viana do castelo, pertencem ao distrito.
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De Pedro Correia a 10.12.2015 às 00:39

Agradeço o reparo. Alterei quando reli.
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De cristof a 10.12.2015 às 06:09

O respeitado Novoa perdeu o pé.Bem apontado, quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.
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De Pedro Correia a 10.12.2015 às 09:13

O argumento regionalista já era débil num país da dimensão do nosso. Ignorar que houve um PR nascido no mesmo distrito que ele acrescenta o risível ao irrelevante. E nem tivemos tantos presidentes assim. Bastava uma consulta rápida à página oficial da Presidência da República.
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De M. S. a 10.12.2015 às 09:20

Pedro Correia... e comentadores:
Se só conseguem apontar essa «gaffe» ao candidato (aliás, assunto de que ele falou num registo bastante dubitativo, quer quanto à eleição por sufrágio directo, quer quanto à origem geográfica do presidente, basta ouvir a gravação), mal vão as coisas para as vossas pretensões de que a criatura não seja eleita.
Importante é o conteúdo do seu discurso, o que ele diz.
Não estes «fait divers» em que todos escorregam.
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De Pedro Correia a 10.12.2015 às 09:32

Quanto ao "conteúdo", não registei nada. Você registou?
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De M. S. a 10.12.2015 às 10:49

Caro Pedro:
Há muito tempo que registo fragilidades no discurso político na campanha de Sampaio da Nóvoa.
Conheço-me muito bem há quase 30 anos e tenho por ele um enorme respeito e consideração:
- Pelas suas capacidades intelectuais, a sua sólida formação académica, as suas capacidades ilimitadas de gestor de pessoas, que, através do diálogo, consegue formar equipas impensáveis, de contrários, de geometria variável, pedindo o obtendo de cada um aquilo que cada um pode dar.
- Pelo seu desprendimento material, a frugalidade como vive (viveu sempre) a sua vida.
- Pela sua capacidade de fazer impossíveis. É o homem que, de facto, consegue fazer o inimaginável: como foi fundir 2 universidades em Portugal com aqueles pergaminhos.
- Pela relação de afabilidade, educação e respeito com que trata toda a gente (independentemente da ideologia ou outra idiossincrasia de cada pessoa), valorizando sempre o lado bom de cada um (pelo que me espantou o ataquezito de ontem a MR de Sousa).
Mas veio num tempo de fanatismo ideológico extremo, os bons contra os maus, o tempo do ISIS ou DAESH (como preferir), que contagiou e é o ambiente convivial em que decorre a nossa vida social e comunitária, pelo que para muitos parece um OVNI.
Voltando à sua pergunta, registo desde há muito tempo muitas fragilidades no discurso, algumas que me espantaram.
Mas seria fastidioso enumerá-las.
E deslocado, porque este espaço do Delito, no melhor espírito do ISIS ou DAESH, é o espaço da «caça ao Nóvoa» por excelência.
Pouco interessaria eu falar dessas fragilidades para pessoas que reagem como o cão de Pavlov quando ouvem ou lêem o nome Nóvoa.
Para terminar, apesar da enorme consideração pessoal, da amizade e do reconhecimento das capacidades do candidato, está longe de poder contar com o meu voto: só me costumo decidir depois do fim das campanhas eleitorais, tendo em conta o desenrolar das mesmas e após uma noite de confidências com a minha almofada.
Como vê, tudo ao contrário do que se faz e manifesta no Delito demasiadas vezes: que não passa de puro ódio ideológico por parte de alguns «posteiros» e da maioria dos comentadores.
Nem sei bem por que às vezes aqui venho e deixo uns comentários, pura perda de tempo.
Se calhar apenas pela consideração que tenho por si e por mais 2 ou 3 «posteiros», por pouquíssimos comentadores.
----------------------------------------------
P. S. Quer assistir a uma brilhante intervenção, do melhor que alguém é capaz de fazer em Portugal sobre Educação?
Vá hoje às 18h30 à Casa do Artista: «A força que a Escola dá».
Não sairá defraudado.
Infelizmente, por razões de saúde não poderei ir.

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De Pedro Correia a 10.12.2015 às 11:13

Meu caro:
Compara você o DELITO DE OPINIÃO ao "melhor espírito do ISIS ou DAESH". Convenhamos que, por maior que seja a liberdade metafórica aqui concedida aos nossos leitores, esse não foi um dos seus momentos mais felizes.
Mantenho de qualquer modo intacta a consideração por si.
E desejo-lhe, muito sinceramente, boas melhoras.
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De M. S. a 10.12.2015 às 12:50

Caro Pedro:
A sua inteligência o obrigará (obrigou) a reconhecer o sentido metafórico da minha expressão.
Mas escapou-lhe um pormenor importante, que refiro: «no que respeita à "caça ao Nóvoa"».

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De Pedro Correia a 10.12.2015 às 13:50

Meu caro: não há "caça ao Nóvoa".
Há opiniões que se exprimem, civilizadamente, e no registo plural a que já habituámos os nossos leitores.
Aqui há pessoas que votam em todos os candidatos presidenciais, estou certo disso.
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De pSalaberth a 10.12.2015 às 09:31

Tempestade em copo de água? Terá Nóvoa outras razões para avançar? Desde 1918 não há nenhum eleito que venha de algo mais a Norte que o Mondego? Será cedo para outro?
Arranjai vida.
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De Pedro Correia a 10.12.2015 às 11:14

Tempestade num barco rabelo, já que se fala no Douro.
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De pSalaberth a 10.12.2015 às 11:21

No Mondego também.
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De Pedro Correia a 10.12.2015 às 11:44

Faltou falar no Vouga. Achei discriminatória a omissão do Vouga. E os moliceiros estão comigo.
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De pSalaberth a 10.12.2015 às 16:12

Os moliceiros têm vida.
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De Pedro Correia a 10.12.2015 às 16:53

O moliço que o diga...

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