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Notas políticas (10)

por Pedro Correia, em 07.12.15

"Na primeira grande entrevista como primeiro-ministro", como o Público hoje justamente lhe chama na primeira página, António Costa deixa bem claro: "Não temos condições financeiras para eliminar integralmente a sobretaxa para todos os contribuintes."

É perceptível, nestas declarações do chefe do novo Governo, o primeiro recuo numa das mais emblemáticas  promessas eleitorais dos socialistas: a eliminação geral para metade (isto é, de 3,5% para 1,75%) da sobretaxa do IRS no próximo ano e a sua eliminação integral em 2017.

Haverá portanto uma redução mais gradual do que fora inicialmente previsto. Enfim, nada muito diferente do que tinha sido anunciado por Maria Luísa Albuquerque.

Ao que parece, a isenção abrangerá de imediato os contribuintes com rendimentos colectáveis até sete mil euros por ano. São 68% do total, mas pagam apenas 67 cêntimos por ano, como salientou o Jornal de Negócios - o que basta para se perceber até que ponto tem sido feita demagogia em torno do "impacto social" da eliminação da sobretaxa.

Como os contribuintes com mais elevados rendimentos (acima de 80 mil euros anuais) são apenas 0,23% do total, não restam dúvidas sobre os encargos adicionais que afectarão a classe média (entre sete mil e 80 mil euros de rendimento colectável anual) para garantir o equilíbrio das contas públicas em 2016.

O que diz Costa de concreto na entrevista, surgida no mesmo dia em que se confirma o PS atrás do PSD nas intenções de voto? Fiel a um hábito recente, refugia-se num nevoeiro de palavras: "Há várias soluções possíveis e estão a ser trabalhadas de forma a poder beneficiar o mais rapidamente possível um maior número de contribuintes, mas dentro daquilo que são os limites da capacidade financeira do Estado."

Ah, como é consolador sabermos que "a austeridade terminou".


30 comentários

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De lucklucky a 07.12.2015 às 13:53

A Austeridade acabou, começou outra coisa precisamente igual mas que tem um nome diferente e se chama Rigor. Rigor é uma palavra bonita, Austeridade é feia. Foi a política de François Mitterrand do socialismo nacionalizador para o rigor num ápice...

Jacques Delors(Ministro das Finanças)
"Nous ne pouvons pas continuer à consommer plus que nous produisons, à acheter plus que nous ne vendons à l'étranger. Depuis trois, quatre ans, la France est dans cette situation. Il faut que cela change, et vite. Il y va de notre indépendance nationale, de la préservation de notre niveau de vie et de la réussite de l'effort que nous faisons pour moderniser notre appareil de production afin de demeurer dans le peloton de tête des nations."

Vamos ver como a palavra Austeridade vai desaparecer dos jornais.
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De Pedro Correia a 07.12.2015 às 22:22

Depois da rigorosa austeridade, o austero rigor. Soa melhor.
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De am a 07.12.2015 às 13:57

!Com papas e bolos se enganam os tolos!


Boa Bolada Natalícia
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De Pedro Correia a 07.12.2015 às 22:10

Nestas festas natalícias vou erguer a minha sobretaxa.
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De Manuel a 07.12.2015 às 16:01

A fase da disputa e da beleza das palavras já passou. Já entramos na fase da pornografia.
Isto é como a conquista, ás vezes custa, mas depois de entrar é um tal encavar.
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De Pedro Correia a 07.12.2015 às 22:11

Primeiro entranha-se e depois estranha-se. Ou o contrário, já não sei.
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De Ali Kath a 07.12.2015 às 17:33

há 70 anos o forneiro dizia para a burra:
'.tás ca mosca, ou chêra-ta palha'
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De Pedro Correia a 07.12.2015 às 22:16

C'a mosca a burra faz birra. E berra. E borra.
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De João de Brito a 07.12.2015 às 18:40

Começa mal, este governo.
Se, de facto, não conseguir equilibrar um pouco os rendimentos, que até agora tombam escandalosamente para uns poucos, então a mudança não terá valido a pena.
A frustração será avassaladora e alguém vai sair muito mal desta experiência.
Seria trágico para quem acredita que uma maior justiça social é possível.
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De Pedro Correia a 07.12.2015 às 22:14

Centeno hoje em Bruxelas:
«O défice abaixo dos 3% é uma meta muito importante para o País.»
Plus ça change plus c'est la même chose.
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De Pedro F a 08.12.2015 às 11:59

Verdade seja dita que, se houvesse de facto vontade de mudança, o PS teria obtido, pelo menos, mais votos que o PSD.
Quando um candidato a Primeiro-Ministro (que afinal era "apenas" candidato a deputado pois "é na AR que se formam Governos") não consegue sequer ter mais votos que "o Primeiro-Ministro do Rigor, digo, Austeridade" então parece-me que estamos perante um Lider natural, capaz de cumprir todas as promessas que fez e assim não defraudar os mais crédulos.
A Winner!
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De Pedro Correia a 09.12.2015 às 09:25

Quem derruba um camarada por ter ganho "poucochinho" e conduz o partido a uma derrota eleitoral depois disso habilita-se a fazer "poucochinho". Está na lógica das coisas.
But miracles still happens... (para terminar em inglês também)
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De do norte e do país a 07.12.2015 às 19:21

OS 3 partidos já começaram a fazer o que sempre criticaram: fazer a classe média pagar a crise. Mais mentirosos era impossível.
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De Pedro Correia a 07.12.2015 às 22:12

Três partidos e meio. Convém não esquecer o semipartido da engenheira Apolónia.
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De Anónimo a 07.12.2015 às 23:04

O PS ainda não governou. O PS só agora começou. O PS nunca disse que acabaria com a austeridade de imediato. O PSD está à frente nas sondagens, vamos ver até quando. Este comentário revela o quanto António Costa incomoda e quanto ainda vai incomodar. Ainda não teve tempo para fazer nada e é isto, imagine-se quando fizer algo que alivie, os massacrados do PSD/CDS...
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De Pedro Correia a 07.12.2015 às 23:16

"O PS ainda não governou."
Importa-se de repetir?
Nos últimos 20 anos, o PS governou treze.
Por outras palavras: 65% do tempo, nestas duas décadas, Portugal teve quatro governos socialistas. E Costa participou em três deles.
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De Anónimo a 08.12.2015 às 17:21

Continua a fazer que não entende. Este governo, PS, só agora começou. Entendido? Espero que sim.
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De Pedro Correia a 08.12.2015 às 19:48

"Continua a fazer que não entende."
Continua quem?

Quem não entende, pelos vistos, é você.
Escreve você, com uma candura quase lacrimejante:
«O PS nunca disse que acabaria com a austeridade de imediato.»
Nunca disse?!
Lembro a frase de Centeno que citei no meu texto:
«A austeridade terminou.»
http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/mario_centeno_diz_que_a_austeridade_em_portugal_terminou.html
Frase de 19 de Novembro. Já a registei nos meus arquivos.

Compreendo que fique baralhado. Qualquer um ficaria. De facto, não é fácil de entender...
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De isa a 07.12.2015 às 23:19

Depois do comentário que deixei no poste anterior, do Luís Naves... aqui, já só posso acrescentar... What else ?
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De Pedro Correia a 08.12.2015 às 00:10

E eu aproveito para trazer aqui um pinheirinho de Natal:
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De isa a 08.12.2015 às 10:05

Então eu aproveito, para deixar, já, umas prendinhas no pinheirinho ... não vá, à conta do défice, o Costa começar a taxar as peúgas, os cachecóis e os barretes
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De Pedro Correia a 08.12.2015 às 19:49

Sobretudo os barretes, Isa, sobretudo os barretes...
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De isa a 08.12.2015 às 17:27

Quanto à austeridade acabar, leu a última novidade aqui para Lisboa?
"Obras na frente ribeirinha de Lisboa vão custar 18 milhões e durar ano e meio.
Fernando Medina, autarca da capital, anunciou que em meados de 2017 zona junto ao Tejo estará "como nova", com reabilitação do Campo das Cebolas, Corpo Santo e Cais do Sodré."
Diário Económico - Há 3 horas

Para uns, a despesa dobra, como com aquela da Taxa dos Esgotos que foi dobrada com a Taxa de Proteção Civil, aqui, com estas obras, deduzo que, com uma despesa de 18 Milhões, vai mesmo acabar com a austeridade de "alguém"... ora, sabendo que somos dez milhões de portugueses e, esta obra, só deve ficar a pesar, nas contas do Município de Lisboa... quantas taxas nos esperarão no futuro, quando acabar este novo logro, em que basta uma distribuição de amendoins à "macacada" e, novamente, nos irão aparecer as contas "dos almoços grátis" e das distribuições das "prendas" destes "velhos reis magos"...
...apenas um desabafo... parece que estou a viver num país de loucos, de "cegos" e de imbecis que ainda acreditam em "Contos de Fadas" e no "Pai Natal"... Os Gregos também acreditaram e, agora, estão a levar com cortes de 50% e ainda têm que preencher na declaração de IRS o que tiverem em casa, em dinheiro ou de algum valor... suponho que, neste Natal, nem se devem esquecer de brindar ao Syrisa e às suas promessas utópicas...
Aflige ver, como conseguem repetir, sempre, a mesma velha receita... "com papas e bolos se enganam os tolos".
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De Pedro Correia a 09.12.2015 às 09:31

Claro, Isa. E o problema é que são cada vez menos a pagar para cada vez mais. A grande maioria das pessoas está isenta de obrigações fiscais.
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De Manuel a 08.12.2015 às 21:54

Ade chegar o dia em que vão perceber que austeridade não é um sacrifício temporário, é antes a nova realidade de um país que viveu 3 décadas de prosperidade artificial. Acabaram-se os fundos comunitários e agora lentamente saímos dessa artificialidade para engrenarmos na realidade.
Chamar o trauma deste choque de Austeridade, como se de um pesadelo se tratasse, só significa que ainda estamos fase da negação, mas todo este tempo ainda em negação só acontece porque os nossos políticos, e a comunicação social, exploram e usam muito bem os sentimentos das pessoas. Mas este tema por muito bom que seja esgota-se, vai acabar por perder força e com isso virá a fase da aceitação e do luto, a que se segue a fase do ultimo adeus, do adeus àqueles foram os bons velhos tempos.
Desde há séculos que este nosso país sempre esteve habituado a ter uns bons extras para explorar. Quando se acabou com o colonialismo lá vieram os fundos comunitários, mas agora não há mais o que explorar. Agora há apenas terra para cavar e uma imensidão de manias de país desenvolvido, mas que não tem meios para as sustentar.
Querem sair da austeridade? - Encarem, aceitem a realidade e mandem cortar nas manias. É assim que falidos fazem, é assim que os pobres vivem.
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De Pedro Correia a 09.12.2015 às 09:30

Pois. E desde logo é fundamental que o Estado não se aproprie do essencial da riqueza gerada pelos cidadãos. Andamos meio ano a trabalhar só para engordar o Estado. Olhando para o caderno reivindicativo dos parceiros menores do novo Governo, que reivindicam o aumento significativo da despesa pública, algo me diz que esse esforço redobrará a partir de agora.
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De isa a 09.12.2015 às 10:34

Exatamente... e o que chateia, mesmo, é o PS não "Encarar, nem aceitar a realidade e mandem cortar nas manias" mas, se calhar, até sabe que tem de cortar, só que não quer cortar aos "seus clientes que ganham milhões" preferindo roubar cada cêntimo aos cidadãos. Como pode, num país em austeridade, um Município fazer uma obra de 18 milhões que nem sequer é prioritária? Embelezamentos? O tanas... pura e simples rapinagem de fundos dos contribuintes...
Pior... um Presidente de Câmara que nem foi eleito, apenas "parido" pelo Costa que entregou o lugar a um "Delfim" que pudesse garantir o funcionamento da "central das negociatas"... ando mesmo "virada do avesso" e prefiro, 1000 vezes, trabalhar menos e, assim, ganhar menos porque me recuso, determinantemente, a sustentar burros a pão-de-ló. Investir? Criar riqueza? Para quem? Para uma cambada de incompetentes que se alimentam dos sacrifícios dos cidadãos? Mais aqueles 2 Milhões do dinheiro da Câmara, para arrendarem casas para os migrantes, como se fossem "muito bonzinhos" quando o negócio deve ser para servir os senhorios "amigos" do PS... francamente, só quem for muito burro ou se contentar com migalhas, acredita nesta facção do PS...
Na vida, não mudamos por acaso, foram precisas muitas "pauladas" para eu deixar de ser socialista e perder as "manias" de esquerda, o ser humano tem demasiados defeitos no ADN e, um deles, é tramado, se puder, faz logo fila para "se sentar à sombra da bananeira" e os totós que arrisquem, trabalhem e se esforcem... andei quase toda a vida, a aprender uma dura lição mas... já aprendi.
Os piores de todos, são os que nunca geriram nada na vida e entram na política sem, sequer, saber gerir o pouco, quanto mais o muito... Alguns, parecem, eternos miúdos que, nem devem ter conseguido, gerir as mesadas...
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De do norte e do pais a 09.12.2015 às 11:56

Cara Isa,
agora também temos de aguentar com uma malta (quase) nova de ideias muito antigas e bafientas mas muito fina que ainda consegue ser pior. É a nossa esquerda caviar, o maior amontoado de oportunistas e que já existiu em Portugal.
Estes garantiram explicitamente que iam acabar com a sobretaxa! E foi o que se viu... Pelo poder vale tudo.
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De Anónimo a 09.12.2015 às 11:23

A demagogia é um tóxico altamente viciante e contagiante, como tal devia estar reservada para situações muito pontuais. Mas não é, muito pelo contrário, o consumo da ilusão é uma bolha em crescimento que elabora uma realidade alternativa e absatra que pode ser mais ou menos distante das condições mais elementares e concretas a que estamos inevitavelmente presos.
Todos estamos presos a um ciclo de vida e nele todos estamos presos aos frutos do nosso mundo. Acontece
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De Manuel a 09.12.2015 às 11:51

A demagogia é um tóxico altamente viciante e contagiante, como tal devia estar reservado para situações muito pontuais. Mas não está, muito pelo contrário, o consumo da ilusão é uma bolha em crescimento que elabora uma realidade alternativa e absatra, e esta pode ser mais ou menos distante das condições mais elementares e concretas a que estamos inevitavelmente presos.
Todos estamos presos a um ciclo de vida e nele todos estamos presos aos frutos do nosso mundo, da nossa Terra. Essa é a nossa base, portanto é nela que devemos ter os nossos pés bem assentes. Chegamos a um estado que já quase não pisamos o chão. Aqui, no nosso território, este que a natureza não foi muito generosa em termos de objectos de desejo universal, vive um povo convencido de que pode ser mais do que aquilo que a sua terra tem e do que aquilo que nela se transforma, mas não pode. Somos demasiados a viver como os afortunados do nosso mundo, mas temos muito pouco para os aguentar.
O que fazer para resolver este problema?

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