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Em relação a estas eleições, não há muito a dizer. Marcelo Rebelo de Sousa foi fazendo uma campanha inteligente, cuidada, pensada ao mais pequeno pormenor, com aparições frequentes mas não excessivas - nem excessivamente prolongadas - e sempre a cultivar uma imagem de sageza, inteligência, reflexão e moderação. Esta década (ou à volta disso) de campanha que Marcelo leva trouxe-lhe um enorme dividendo político que os outros candidatos não puderam - ou souberam - quebrar na campanha (incluindo pré).

 

Marcelo venceu, tal como Marisa Matias. O primeiro porque venceu as eleições - elogo à primeira volta - e Marisa Matias porque excedeu expectativas e demonstrou ter bom peso político. Paulo Morais poderá ter atingido os seus objectivos de passar a sua mensagem. Para os outros as eleições terminaram num assim-assim ou derrota.

 

Há quem elogie a Marcelo Rebelo de Sousa a bonomia, a simpatia, o charme, a inteligência, a comunicação. A minha primeira impressão e aquela em que estou tão certo quanto possível é: não será pior que Cavaco Silva, possivelmente o pior Presidente da República que Portugal alguma vez teve (até nos tempos da ditadura poderão ter sido melhores, dado que não contavam). Marcelo não traz a bagagem de Cavaco Silva, não é movido a rancores e ao menos compreende para que significam as palavras ao comunicar.

 

Tenho no entanto reservas. A inteligência de Marcelo soube dizer-lhe que tinha de cultivar a imagem que tem. Marcelo será mais calculista que simpático. Nos primeiros tempos saberá ser calmo e tentará certamente manter a estabilidade política, mas vamos a ver o que se passa dentro de um ano ou dois, caso as políticas do governo não lhe agradem. Também no PSD não deverá haver líderes acomodados.

 

Marcelo disse as coisas certas no discurso de vitória, mas sinceramente não esperava outra coisa dele. Só que palavras poderão valer para pouco se os actos não estiverem de acordo com elas (a única coisa boa de cavaco é que era implincitamente claro nos seus discursos repletos de ameaças veladas). Vou esperar para ver, mas se como presidente fizer o mesmo que como comentador, já não estaríamos mal servidos. Como refiro acima, (quase) qualquer alteração seria uma melhoria.


3 comentários

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De João de Brito a 25.01.2016 às 12:38

Escrevi na concorrência:
A vitória de Marcelo nem me agradou nem me surpreendeu.
Mas reconheço o mérito do seu discurso, após a vitória.
Recordo o último discurso homólogo de Cavaco, despudorada e assustadoramente revanchista.
Politicamente, Marcelo pode ser próximo de Cavaco.
Pessoalmente, identifica-se muito mais com o povo que o elegeu.
Boa sorte!
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De cristof a 25.01.2016 às 15:42

Os orfãos do cavaco vão precisar dum alvo para as suas cronicas; prevejo que dentro de dois anos esse alvo vai ser o Marcelo; se olharmos para factos vemos um Cavaco que com os xuxas ou os Paf pouco interferiu (basta lembrar as guerrilhas do papa Soares), publicamente para guerrear os governos; e nos diplomas manteve sem grandes alardes o recurso ao TC como normal com as suas dúvidas pessoais e legitimas. Enfim uma posição independente dos partidos, tal e qual o Marcelo, que nada em aguas próprias, literalmente e na prática.
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De lucklucky a 26.01.2016 às 14:51

"Rancores": a narrativa em construção.

Se há alguma coisa notória foi o rancor da Esquerda a Cavaco.
Ou isso, como vem de boas famílias é chamado de "indignação"?

Não que aprecie o personagem que deixou Sócrates e o PS levar o país para a bancarrota mas tivemos piores Presidentes desde o golpista Sampaio - até ao dia que explicar porque é que demitiu Santana como deve fazer em respeito pela Constituição foi um Golpe- a Mário Soares intervir no PS e a fazer Oposição. Mas para si devem ter sido boas Presidências.



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