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Delito de Opinião

Notas pessoais sobre o Dia Mundial da Língua Portuguesa

Paulo Sousa, 05.05.20

Hoje assinala-se pela primeira vez o Dia Mundial da Língua Portuguesa.

Muito poderá ser dito sobre este património imaterial que nos une, e por praticantes muito mais versados que eu próprio.

Não quero, no entanto, deixar de fazer aqui três pequenas notas.

 

1 – Felizmente a língua portuguesa é de facto imaterial e não pertence apenas ao nosso país. De outro modo ainda poderia ser dada em garantia de dívidas contraídas. Celebremos por isso.

 

2 – Após ter procurado afincadamente por outro caso, em que uma língua coincida com um território, com um país, com uma bandeira e uma identidade nacional, e em que ao cruzar qualquer fronteira a língua aí praticada também seja diferente, encontrei apenas dois países nestas condições. Portugal e o Brasil.

Será que me escapou algum outro caso? E quando falo em fronteiras, refiro-me a fronteiras terrestres. Ilhas não contam.

 

3 – A língua portuguesa, sendo a mais falada no hemisfério sul, já tem relevância global. Mas se não for uma ferramenta de ensino, que acrescenta espessura cientifica aos idiomas locais com que coabita, até pelo desperdício de oportunidade será como um diamante em bruto à espera de ser valorizado.

 

Na sequência do lançamento da moderna Tele-escola, como forma de manter o ensino em funcionamento durante o estado de emergência, reparei que os conteúdos pedagógicos aí produzidos poderiam ser preciosos para outros países da CPLP.

Nem todos os países que hoje connosco assinalam este dia sofrem do mesmo nível de carências de ensino, mas de facto para alguns deles estes conteúdos, produzidos regularmente e abrangendo os diversos níveis de ensino, poderiam valorizar muito as vidas de quem de outra forma acabará por não ter acesso a um nível de instrução inclusiva no mundo actual.

Qualquer coisa dentro desta linha poderia fazer mais pela cultura em língua portuguesa do que vários 1% do PIB sempre na boca dos donos da coisa cultural.

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