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Delito de Opinião

Notas breves

Sérgio de Almeida Correia, 03.02.21

Um dia é a notícia de que o presidente da câmara “subtraiu” – termo constante da sentença judicial – dois quadros do atelier de uma artista para os oferecer a uma ministra que agora irá devolvê-los.

No outro é um administrador hospitalar que "à má fila" mandou vacinar a mulher e a prima recepcionista.

Depois é a outra autarca que exerce voluntariado, e que por esta última razão se achou com direito a fazer-se vacinar primeiro que alguns mais necessitados.

Antes tinha sido o imbróglio do currículo do procurador, mais as aulas que não poderiam ser à distância, antes de poderem voltar a ser, de acordo com as razões do ministro do “eduquês” que disse que “estamos melhor preparados do que estávamos no passado”. Nota-se.

Isto sem esquecer as sucessivas listas de deputados da nação para vacinação, ou o clima destrambelhado (será cansaço?) que grassa pelos lados da administração interna.

Como se tudo isso não fosse digno das lendas nocturnas de um castelo no sopé dos Cárpatos, ainda se têm de ouvir as desvergonhas daquela serigaita que tão depressa se queixa da falta de enfermeiros para acudirem às necessidades da pandemia, como logo a seguir recrimina o Governo por querer contratar no estrangeiro os que não há e que fazem falta.

E antes do epílogo, que nunca se sabe quando e como será, ainda há o pandeireiro televisivo que também anima, sabe-se lá porquê, as reuniões do Conselho de Estado, mais conhecido como o topo gigio de Fafe, quando critica as decisões do Governo sobre o confinamento, desdizendo tudo o que ele próprio dissera semanas antes, sem sequer se dar ao trabalho de referir que estava equivocado, mal informado ou que simplesmente se enganara.

De tudo isto se tem feito, como diz um amigo, a espuma dos dias. Afastar a espuma dos dias que nos cega, escapar ao desvario que nos persegue, é o exercício que vos sugiro.

E para isso nada como começar por ler uma interessante entrevista de André Corrêa d’Almeida, na linha do muito que tem dito e escrito, e de onde retirei a seguinte frase: “porque não é preciso muita ciência para se achar inconcebível que um deputado que está na comissão parlamentar que trata da privatização da EDP seja ao mesmo tempo quadro superior do banco que faz a assessoria aos chineses que estão a comprar a empresa. Ou que um conselheiro do Banco de Portugal seja, imagine-se, gestor de um fundo de investimento”. 

Para concluir estas breves linhas, sendo o rectângulo tão pequeno que se torna impossível ficar mais do que alguns minutos a olhar para ele, sob pena de delirarmos, atente-se no que um qualificado anónimo escreve no Politico sob o sugestivo título “To Counter China’s Rise, the U.S. Should Focus on Xi”.

Há mais mundo para lá da nossa porta. É preciso manter a sanidade.

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