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No país dos governantes que não se cansam de repetir o mantra da escola pública, já reparámos que esta não é o elevador social que deveria ser. Se o fosse, os filhos dos pobres poderiam ambicionar ter uma vida melhor que os seus pais, mas quase meio século depois do 25 de Abril, só em sonhos poderão um dia vir a ter uma vida desafogada. Existirão excepções, mas que infelizmente confirmam esta regra.

Quem se relaciona com o mundo do ensino, e eu faço parte do universo dos pais, sabe como pertencer a uma turma mais ou menos pacata tem influência nos resultados escolares. Esse facto resulta de uma quase lotaria. Com sorte calha-se numa turma com boa onda e com azar calha-se numa turma problemática.

A realidade das explicações na situação actual do nosso ensino é o tema deste texto. De que modo se encaixa a dimensão da procura de explicações fora da escola no discurso político?

Existem aulas de apoio nas escolas mas, permitam-me perguntar, quantos alunos portugueses recorrem a explicações pagas depois da escola? Quanto pagam em média por hora de explicação? Qual o encargo mensal para o seus pais? Que hipóteses têm os filhos dos pobres num sistema de ensino em que os alunos necessitam de pagar para ter explicações fora da escola?

Greve após greve, os professores conseguiram tornar-se no epicentro das grandes preocupações do Ministério da Educação e isso é uma parte significativa do problema. O enfoque do sistema devia ser o aluno.

Ao acabar com as retenções o governo assumiu a derrota. Mesmo com fraco aproveitamento escolar, os pobres, que não podem pagar explicações fora da escola, ficarão sempre em desvantagem, mas o nosso bondoso governo conforta-os ao lhes garantir que já não chumbam. Os empregos de menor qualificação e mais mal pagos esperam por eles. E o ciclo de pobreza eterniza-se.


18 comentários

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De Bea a 16.01.2020 às 22:37

O ensino está minado por um grande enrolo. Teoricamente, este modelo pedagógico que não penaliza com chumbos é mais saudável. Teoricamente, vai permitir que, no ano seguinte, o aluno retome do lugar onde ficou e vá evoluindo de acordo com um ritmo que é seu, individual, portanto. Teoricamente, permite que haja avanços significativos num ano ou em parte dele, que o aluno, digamos, desemburre de repente e ganhe novo ritmo sem que tenha sido penalizado com uma retenção.
Na prática, com o modelo de ensino que temos e que não foi minimamente adaptado à lei, não é possível individualizar o ensino a este ponto. São demasiados alunos para que um só docente dê conta de tanta aprendizagem individualizada. Os professores estão gastos por tanta reforma inábil, cansados de tanta burocracia inútil, fartos de tanto modelo de avaliação artilhado onde são simultaneamente avaliadores externos e avaliados, obrigados a formações em que se aprende quase nada, algumas em aparelhagens e modelos técnicos que nunca chegam às escolas. Acresce que os alunos são cada vez mais barulhentos e irresponsáveis. E os pais, nem sempre se lembram serem eles os primeiros educadores dos seus filhos e que a luta pela educação dos alunos é processo conjunto, eles e os professores.
Sintetizando: prevejo esse fim dramático: a escola que se pensou ser um meio de igualizar as diferenças, só ficticiamente o fará. No papel. O sinal menos que os mais pobres trazem de casa vai converte-se em sinal menos menos.
Sobre o mundo das explicações tenho outra opinião. Onde os pais têm um papel fulcral. Determinante. Mas não é coisa para desenvolver agora.
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De Paulo Sousa a 17.01.2020 às 00:01

Teoricamente este modelo pedagógico é inatacável. Na prática não satisfaz.
Ter o privilégio de ir à escola é completamente diferente de ter a obrigação de ir à escola. Muitos dos problemas que refere resultam desta diferença, seja a relação dos alunos com os professores, seja dos pais com a escola.
Recuar no ensino obrigatório não parece solução, mas o actual sistema necessita de uma abordagem focada nos alunos e com maior reconhecimento aos professores. O sindicalismo tem demasiado peso no sistema e acaba por minar a imagem dos professores. O benefício imediato com que o sindicato acena custa-lhe o isolamento enquanto classe.
E isso é mau para todos.
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De Fernando a 17.01.2020 às 12:08

Subscrevo integralmente. Análise lúcida e esclarecida.
Há muito que os docentes deixaram de ser o foco da ação governativa. Esse está ocupado, a meias, pelos Pais e pelos Alunos.
Os professores foram alvo de uma tão ignóbil quanto persistente campanha de descredibilização e de desautorização, que a sociedade pagará (muito) caro!
Infelizmente, consecutivos governos patrocinaram sórdidas campanhas de inveja e ódio sociais dirigidas aos Professores. E a fatura está a chegar...
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De Anónimo a 16.01.2020 às 23:15

1. As instituições nunca servem o fim para que supostmente foram criadas: o ministério da educação serve os professores; o da saúde, os médicos; o das forças armadas, os militares; o governo, os partidos...

2. O fim da normalidade das retenções no ensino obrigatório é um mal menor, embora por razões diferentes das do governo: basicamente porque elas não resolvem problema nenhum, acrescentando outros ainda mais graves.

3. As explicaçőes são um negócio que apenas adestram a malta para os exames, sendo isso possível apenas pela imbecilidade dos mesmos.

4. Quanto ao elevador social, esqueçam: a tedência, justificada pelos pontos anteriores, é não haver elevação nenhuma, a não ser que se entenda como tal os caixas dos supermercados, os enfermeiros do SNS, os próprios médicos quando não for mais conveniente o corporativismo que os segura...

5. O ensino regular há muito que se tornou uma espécie de lar de dia para a estudantada (atente-se na obrigatoriedade até ao 12% ano), constituindo-se, ele próprio, uma gigantesca escola de consumismo e uma impressionante fábrica de carne para canhão.

6. A não ser que aconteça um milagre, assim continuarão as coisas, porque ninguém está interessado em acabar com elas, como ninguém está interessado em acabar com o tráfico de armas ou de droga.

João de Brito
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De Paulo Sousa a 17.01.2020 às 21:26

Gostei da expressão, lar de dia da estudantada, e concordo que a escola é também antecâmara do consumismo.
Obrigado pelo comentário
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De Luís Lavoura a 17.01.2020 às 09:43

Grande parte da culpa do atual estado de coisas, no qual, como o port bem diz, os filhos de pobres não têm qualquer hipótese, é dos professores, que, em vez de ensinarem na aula somente o que têm a ensinar, e de fazerem exigências razoáveis aos alunos em termos de aprendizagem, sobrecarregam os alunos com complexíssimos trabalhos para casa, os quais, na prática, só podem ser realizados ou pelos pais desses alunos, ou pelos seus "explicadores".

Cria-se assim um sistema de avaliação em que somente os alunos cujos pais têm uma cultura, inteligência e riqueza (muito) acima da média conseguem que os seus filhos apresentem bons trabalhos de casa na escola, e adquiram dessa forma uma boa nota.

Acabar com este sistema de seleção social na escola implica, necessariamente, acabar com as exigências completamente malucas e descabidas que os professores fazem aos alunos em termos de trabalhos de casa.
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De Eça a 17.01.2020 às 16:12

A culpa é dos professores, pois claro... 😊 O que me causa estranheza é os professores enviarem trabalhos de casa para os explicadores fazerem... Nunca me ocorreu, mas vou ter esta ideia em consideração da próxima que enviar trabalho de casa. Grato pela excelente ideia!...
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De Anónimo a 17.01.2020 às 11:50

Quando não temos a menor ideia sobre o que escrever, escreve-se sobre o ensino; resulta sempre. Quando se fala sobre ensino, é inevitável, fala-se das greves dos professores (já é um clássico!).
Por uma questão de honestidade intelectual convinha que, quem escreve, tivesse uma pequena noção sobre o assunto.
1. Em 32 anos de profissão, nunca fiz qualquer greve e como eu muitos outros.
2. Consegue dizer-nos quando foi a última greve às atividades letivas dos professores? Eu nem me recordo mas posso garantir que, quando ocorreu, não ultrapassou o período de um dia. Culpar as greves dos professores de todos os males do ensino público, não me perece honesto.
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De Paulo Sousa a 17.01.2020 às 21:44

Podia contra-argumentar falando, por exemplo, de como as procura de explicações encaixam no mantra da escola pública, mas é mais fácil desvalorizar o autor do texto, lamentando que este não tenha uma pequena noção sobre o assunto. É que não diz que devia estar bem informado, porque acha que não tem nem mesmo uma pequena noção. É obra.
Já agora, como tem o contador afinado, consegue informar-nos sobre quantas greves de professores foram feitas nos últimos 32 anos, desde que tem essa digna profissão?
Será que conseguimos debater um assunto sem o pessoalizar? Eu não falei sobre o seu caso, de quem nem sequer sei o nome, estava a falar do colectivo que designamos por professores. Se pelo texto interpretou que as abusivas greves dos professores são a causa de todos os males do ensino, devia reler o texto.
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De Psicogata a 17.01.2020 às 12:43

O problema começa logo na base, não deveria ser necessário um aluno ter explicações para conseguir ter aproveitamento e para conseguir passar nos exames. Quando terminei o 12 ano tinham acabado de surgir os exames nacionais, foi caótico, estávamos completamente despreparados para a exigência dos mesmos e se na altura, os filhos das famílias abastadas já recorriam a explicações, até sem precisarem, a partir desse momento o recurso às mesmas foi-se generalizando.
A escola cada vez mais diferencia alunos pobres de ricos, porque só com explicações é que se consegue ter boas notas, é claro que existem exceções, mas de um modo geral o nível de escolaridade dos pais e o estatuto social dita o sucesso escolar dos filhos, o que é triste, quando a escola deveria permitir a mobilidade social está cada vez mais a condiciona-la.
A ausência de chumbos teve apenas um objetivo, poupar dinheiro ao Estado.
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De Paulo Sousa a 17.01.2020 às 21:59

Uma amiga, que dá explicações, disse-me que algumas matérias que eram dadas no 11º ano pertencem agora ao programa do 8º.
A carga horária é digna de uma linha de montagem.
Hoje o ministro apresentou um projecto que 'vai permitir' aos alunos ficarem a tempo inteiro nas escolas, das 9h às 17h. Oito horas por dia. Agora finalmente ficarão com os horários completamente preenchidos. As famosas AEC's que tanto sub-emprego criaram quando foram lançadas no primeiro ciclo, até que enfim, vão ser alargadas aos outros ciclos.
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De Psicogata a 20.01.2020 às 12:19

Escrevi sobre essa medida hoje, sinceramente não consigo vê-la com tão bons olhos, as crianças passam demasiado tempo nas escolas, não é essa a solução.
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De Morais CL a 17.01.2020 às 14:47

O principal e melhor elevador social é a cunha e o cartão do partido, seja pobre ou remediado...
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De Paulo Sousa a 17.01.2020 às 22:01

Funciona tão bem que nem os ricos se fazem rogados.
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De Manuel da Rocha a 17.01.2020 às 19:56

Na verdade, 99% dos alunos que tem explicações, conseguia melhores resultados, se estudasse em casa, em vez de estar a usar o telemóvel, de 1500 euros que o paizinho lhe comprou... porque "lhe dá toda a instrução que pode necessitar para qualquer situação do mundo". É ou não é assim, Paulo Sousa?
E isto acontece deste o primeiro dia de aulas até ao último dia do 12 ano.
É a diferença entre o que se passa no público e no privado. A grandíssima maioria dos colégios privados, não permitem que os telemóveis estejam na sala de aula. E se algum aluno sacar do telemóvel, tem 40 fichas para fazer, assim como realizar uma dúzia de relatórios sobre o tema que não estava a ter atenção. Na escola pública, se um professor aplica a mesma aos alunos, tem os pais a clamar que "as crianças tem trabalhos de casa a mais" (e não podem estar a jogar ou a fazer vídeos para serem famosos).
Trabalho com jovens (numa área não pedagógica) em que foi duríssimo conseguir que os pais percebessem que os filhos não podem ter o telemóvel 24 horas por dia. Depois de conseguido, muitos desistiram, curiosamente a grandíssima maioria filhos de pessoas da classe média-alta ou alta. Os outros melhoraram as notas, BRUTALMENTE, com os pais a aplicarem aquilo que se aplicou no campo de jogos e nos balneários. Mesmo assim, apanham muitos encarregados de educação que chegam a organizar manifestações, porque um professor não permite que os alunos usem o telemóvel na sala de aula...
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De Paulo Sousa a 17.01.2020 às 22:20

Interditar telemóveis na sala de aulas é uma medida delicada que muitas escolas tem dificuldade em implementar, porque já sabem a trabalheira que dá preencher os impressos cada vez que são agredidos. Estou a ironizar.
Existe na sociedade, e onde a escola está incluída, uma grande confusão entre conhecimento e informação. A escola que temos está formatada para descarregar mais dúzia de terabytes de dados aos alunos e não para os formar como pessoas. Veja a repulsa que existia há uns anos com as aulas de Religião e Moral (a que chamávamos Religião Imoral) e que depois de quase extinta está agora ser a reciclada para os temas da moda.
A vivência do desporto extra-escolar não é devidamente promovida. O relacionamento que proporciona entre os jovens marca-os positivamente para vida e preenche-lhe as memórias futuras. Quem dá o seu tempo a essas causas, a criar os filhos dos outros, muitas vezes com despesa pessoal (faço parte de uma associação desportiva dessa natureza embora não esteja envolvido nessa área) merece o meu maior reconhecimento. Perante esse esforço abnegado (no nosso caso não remunerado) irrito-me só de pensar nas largas dezenas de "professores" que se dedicam a tempo inteiro ao sindicalismo.
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De s o s a 17.01.2020 às 23:22

uma serie de equivocos, noto ainda no inicio da leitura.

A escola é um elevador social, só que o elevador nao é imenso, nao cabe toda a gente. O problema nao é do elevador, mas da pobreza tradicional e hereditaria. E os filhos, enquanto filhos vivem incomparavelmente mais melhor que viveram esses seus pais, cujos andaram descalços.

Vou continuar a leitura.

Nao percebi a pergunta. No entanto o Paulo Sousa parece afirmar que a busca de explicaçoes é generalizada e portanto o sistema está ineficiente. Explicaçoes fora da escola sempre houve, ainda no tempo de salazar, mas nao conheço a dimensao de entao nem de agora.

Voltando atras, ao elevador social. Pergunta que hipoteses tem ? Imediatamente e indenpendentemente do grau de escolaridade, o mercado bancario nao comporta empregar toda a gente. Pior que nao ter um grau elevado, é o caso dos que tem esse grau estarem a ocupar empregos... de pobres. Pois, é bem exemplo, os doutores a caixa de supermercado.

Pois, acabei a leitura, o o Paulo remata justamente com o essencial, embora equivocado. Vou repetir : hajam ao menos esses empregos destinados aos pobres : sejam esses empregos proibidos aos "ricos ".

Ou seja, o Paulo nao só nao arrisca dizer como faria, como finge ignorar a realidade : aqui e no mundo sobram qualificaçoes, e faltam empregos. Portanto, o tal elevador generalizado é um sorvedor de recursos, muito politico, mas desperdicio.
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De Paulo Sousa a 18.01.2020 às 12:40

Está a confundir ricos e pobres com com instruídos e sem instrução. Concordo que faltam empregos que remunerem condignamente quadros qualificados. São muitos desses que emigram. Sem empresas que remunerem acima do call center ou do caixa de supermercado acabamos, como já alguém aqui disse, a exportar o excesso de mão de obra qualificada.
De facto, afinar o elevador social da educação sem conseguir atrair empresas que gerem valor acrescentado acabará por levar a novas vagas de emigração qualificada.
Em resumo concluo que precisamos de uma escola menos centralizada nos corredores do poder do Ministério da Educação, o que resultaria numa abordagem mais liberal da coisa, e de uma abordagem mais amigável ao investimento que permita atrair capital gerador de valor acrescentado, no fundo de algum liberalismo económico. Quando defendo esta liberalização não defendo o liberalismo utópico, mas apenas uma inflexão na procura de soluções dentro do esgotado socialismo. A estagnação e o aumento exponencial do endividamento dos últimos anos provam que só por masoquismo devemos insistir na fórmula.

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