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No seguimento do texto anterior

por José António Abreu, em 28.02.15

(Este texto.)

Os partidos populistas, baseando a conquista de votos não apenas em promessas impossíveis de concretizar mas na denúncia da promiscuidade entre os governos dos partidos «tradicionais» e o sector privado, caem numa aparente contradição quando exigem uma moeda - seja esta um euro fraco ou novas-velhas moedas nacionais - capaz de a disfarçar. Uma moeda fraca está inextricavelmente  ligada a regimes mais corruptos e a menores níveis de riqueza geral. Compare-se outro Sul com o Norte de sempre. Os países da América Latina têm tradicionalmente moedas que acomodam a corrupção e os exageros populistas dos políticos - até ao momento em que mesmo isso deixa de ser possível. Os países do Centro e do Norte da Europa favorecem tradicionalmente moedas fortes e estáveis, que obrigam os empresários a apostar na competitividade e os políticos a justificarem opções perante o eleitorado. Por não disfarçar os problemas, a moeda forte torna os eleitores mais exigentes e dificulta a realização de promessas vãs. Ou seja, dificulta os populismos. É por isso que a contradição não passa de aparência e é também por isso que os políticos minimamente honestos enfrentam enormes dificuldades em épocas de crise.


6 comentários

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De da Maia a 28.02.2015 às 16:41

Análises zarolhas são fáceis de fazer, o problema é quando se decide abrir os dois olhos.
A moeda mais forte para os mercados actuais é o Yuan chinês.
http://www.economist.com/blogs/economist-explains/2013/06/economist-explains-13

O que é que o Yuan chinês tem a ver com eleições?
Não tem mais a ver com a falta delas?
Desculpa lá ter saído fora de metade do campo de visão.
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De José António Abreu a 28.02.2015 às 17:40

Não tem nada a ver com eleições. E por isso não é comparável. Tal como moedas de outros sistemas autoritários. O escudo no tempo de Salazar, por exemplo.

E obrigado pelos elogios.
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De da Maia a 28.02.2015 às 20:21

Ora essa, os elogios fazem parte da meritocracia.

Exacto, o escudo no tempo de Salazar, ou o marco no tempo de Hitler.

Portanto, pelo mesmo nível de argumentação, moedas frágeis representariam um sistema mais democrático, ou menos despótico... por exemplo, o bolívar, hem?
Ou será que é para concluir que os países escandinavos estão sob regimes autoritários e despóticos?
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De lucklucky a 28.02.2015 às 23:09

"Exacto, o escudo no tempo de Salazar, ou o marco no tempo de Hitler."

A ignorância ataca de novo.

A gestão da moeda por Salazar e pelos Nazis não tem comparação alguma.

A partir de meados da década de 1935 or 1936 deixou de ser publicado sequer um orçamento detalhado dos gastos na Alemanha Nazi.

A gestão da moeda pelos Nazis foi do mais absurdo keynesianismo manipulatório e assalto à mão armada com uma grande quantidade de dívida escondida em MEFO's- depois parcialmente coberta pelo ouro do Banco central Austríaco e dos Judeus. Em 1938 tinha acabado o dinheiro na Alemanha sem contar com as MEFO's e o Anschluss e o ataque à propriedade dos Judeus em 1938 não foi só coincidência.
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De da Maia a 01.03.2015 às 15:22

Lucky, como largamente demonstrado (já há um par de anos que o aturo), qualquer ataque seu, proclamando ignorância no que escrevo, redunda sempre num equívoco, ou profunda ignorância sua.
Lembre-me lá de alguma vez em que eu tenha cometido um erro? Pois.

No entanto, como habitual, não lhe recuso o esclarecimento.
Até porque se percebesse isto, poderia evitar-lhe os equívocos e disparates que enuncia sucessivamente, talvez fruto de educação limitada ou condicionada.

Sim, o governo Nazi era totalitário e usou o Keynesianismo (ou Alves-do-Reisismo, pois Alves dos Reis, o burlão, apontou essa solução antes de Keynes).
Isso fez com que a riqueza nazi diminuísse?
Não. Pelo contrário, a produção de moeda "do nada", fez com que a Alemanha Nazi se tornasse num prodígio técnico e industrial.
Porquê?
Porque os alemães tiveram fé no regime, a bem ou a mal, e acreditaram nele.
A moeda não se faz do nada, faz-se da "fé" nela.
O roubo não é chamado para o assunto, porque um estado totalitário dispõe da riqueza de todos, assim passa a chamar-se expropriação. O estado nazi não precisava de roubar coisíssima nenhuma, porque a partir do momento em que detinha tecnologia de ponta, poderia comerciá-la melhor do que o ouro judeu. Apenas por via das necessidades de independência e guerra confiscou o ouro para poder negociar rapidamente matérias primas que não tinha na Alemanha. Para efeitos internos da Alemanha, o ouro não interessava pívia.
Hitler foi considerado pela Time personalidade do ano em 1938, justamente pelo seu sucesso industrial, que já era visível em 1936, nos Jogos Olímpicos de Berlim, onde houve pela primeira vez cobertura televisiva.
Portanto, a política de fazer dinheiro, à Alves dos Reis, ou à Keynes, teve um sucesso indesmentível na industrialização e recuperação alemã, a ponto de Hitler ter pensado ser possível desafiar sozinho o Mundo.
A partir desse momento, os marcos feitos do nada, passaram a valer muito, e não apenas internamente, porque permitiam negociar as traquitanas alemãs, então já muito apreciadas.
Depois, só no curso da guerra foi boicotado, e os nazis já só conseguiam transacções com garantida em ouro, especialmente quando se anteveu a sua derrota total.

Sabe qual é o problema actual?
A maioria da educação económica ser feita sem que os alunos tenham a mais pálida ideia do que é o dinheiro. Você mostra sucessivamente aqui não perceber o que é o dinheiro. Também por isso não percebe que os EUA podem pôr a giratória a fazer notas. Você pensa no tempo do padrão ouro, da indexação do dinheiro a um padrão material, finito, e isso já terminou há mais de 70 anos, e foi definitivamente abolido há 45 anos, com Nixon.

Agora, veja lá se nunca mais volta com a retórica da ignorância. Já me cansa, e nem sempre vou ter paciência para lhe ensinar o que desconhece.
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De Vento a 28.02.2015 às 18:31

Situar a moeda como contraponto à corrupção e aos populismos é naíf.

O José esquece que o factor determinante numa governação e na sociedade é o próprio Homem e não a moeda. E não nos traga o norte como exemplo de não existir corrupção porque pode ter um sem fim de exemplos que demonstram assim não ser.
Dê-nos exemplos dos políticos honestos que pretende referir que se vêem envolvidos em dificuldades nestes tempos de crise.

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