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Delito de Opinião

No limbo

jpt, 02.12.21

Guy_Verhofstadt_June_2021.jpg

Interrompo-me, bebo um chá escaldante enquanto enrolo o Amber Leaf e o fumo. Ligara a tv a ver como segue o mundo. A Deutsche Welle repete uma entrevista de ontem do antigo Primeiro-Ministro belga e actual deputado europeu Guy Verhofstadt - que alguns dos meus "amigos-FB"/leitores de blog rugirão como um "tipo da direita" e outros clamarão como um pérfido "eurocrata federalista". Fala ele, de modo que eu direi veemente e evidente, sobre impasses e necessidades da União Europeia, sobre possíveis reformulações na prática e na arquitectura institucional e nas políticas (de migração, de defesa, de reforço dos "Estados de Direito", etc.). Fala com uma acutilância e pertinência que nunca ouvimos em qualquer político português, eurodeputado ou outro... Deixo a ligação (25 minutos riquíssimos) para quem tenha interesse bem para além dos obscurantistas epítetos em que os doutores lusos são useiros e vezeiros.
 
Termina esse programa "Conflict Zone" e segue-se o noticiário das 9 horas. Abre com a notícia de que na Alemanha o governo determina fortes restrições devido ao Covid-19 enquanto centenas de cientistas pedem o confinamento total. Apago o segundo Amber Leaf (já chega, a esta hora) e - sarcasmo mudo - vou ver o que se passa naquela "nova" estação televisiva portuguesa, onde pululam "vozes livres e independentes". Ali o noticiário também abre com o Covid-19... pois o capitão Coates acusou positivo e há que dissecar os efeitos disso no Benfica-Sporting de amanhã.
 
Sorrio, nem entristecido. Pois são já décadas de constatação deste mediocridade. E sigo até ao 107 (Stingray Classic) e está "How to get out of the Cage - a year with John Cage", algo que exige atenção exclusiva. Gravo, para quando voltar aqui. Sigo ao 112 (um dos Mezzo) e deixo estar.
 
E venho aqui apenas para botar: o ataque ao pluralismo opinativo necessário à democracia liberal - que não é aquilo que os neo-comunistas identitaristas e os democratas clientelistas querem - não está nas redes sociais (ou no Algoritmo do FB, como o próprio Verhofstadt clama). Está na estuporização estuporizadora da imprensa, nesse Algoritmo que são as direcções de informação e seus mandantes. E nos políticos que nesse limbo elegemos.

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