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Negócios Estrangeiros

por Diogo Noivo, em 28.03.18

Moscovo está apostada na desestabilização política da Europa. Interferiu no referendo que culminou com o Brexit, como interferiu também no supuesto referendo de 1 de Outubro na Catalunha (de acordo com a organização Securing Democracy, os perfis russos no Twitter aumentaram em 2000% a sua actividade a favor da independência catalã na véspera da alegada consulta popular). Nas presidenciais francesas os sinais de interferência foram menores, mas o flirt com a Frente Nacional de Marine Le Pen foi claro. Embora as consequências destas intromissões sejam difíceis de aferir, o propósito de criar brechas no espaço europeu é inegável.

São, contudo, factos com contornos difusos quando comparados com o sucedido na Crimeia, com a constante violação do espaço aéreo de países do Norte e Leste da Europa, com os ataques cibernéticos a países europeus, ou com a exploração de antagonismos políticos existentes no seio de países como a Áustria, o Chipre, a República Checa ou a Eslováquia. O envenenamento de Sergei Skripal, antigo espião russo a residir no Reino Unido, é apenas o último de uma longa e penosa lista de episódios condenáveis.

Perante a sucessão de casos, 23 países ocidentais decidiram levar a cabo a maior expulsão de diplomatas russos na História contemporânea. Após anos de interferência e de pressão, há uma frente democrática que se opõe ao acosso vindo da Federação Russa. Portugal pôs-se de fora. Informa o Palácio das Necessidades que prefere a “concertação” no quadro da União Europeia para “responder à gravidade da situação presente” – nesta matéria, parece que a concertação não é uma “feira de gado”.

A prudência é sempre boa conselheira. No entanto, importa ter presente três aspectos. Primeiro, o silêncio da Europa não deu bons resultados – as intromissões russas tornaram-se cada vez mais agressivas e danosas para a salubridade democrática na Europa. Segundo, Portugal deve estar atento porque, depois de ter sido um dos últimos países a aderir à Cooperação Estruturada de Defesa, convém que não existam dúvidas sobre o nosso compromisso com a estabilidade e a segurança europeias. Terceiro e muito importante, o Governo não deve confundir os interesses nacionais, que no plano externo assentam em grande medida na União Europeia e na Aliança Atlântica, com os interesses paroquianos que estão na base da solução política que sustenta o Executivo de António Costa.


47 comentários

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De Anónimo a 28.03.2018 às 10:47

Chamaram o embaixador para consultas - notícia de hoje.

«o propósito de criar brechas no espaço europeu é inegável»- temos cá dentro muito quem o faça sitemáticamente, e tanto lhes faz que seja Putin como Trump a promover-lhes a missão.

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De Anónimo a 28.03.2018 às 10:48

Por norma não faço juízo de intenções, nem valorizo motivações clandestinas.
Encaro os factos.
E, para já, o Governo marcou um ponto positivo:
- não alinhou cega e completamente, como é costume, com os do costume.
Muito bem!
João de Brito
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De Diogo Noivo a 28.03.2018 às 11:30

Os últimos quatro anos estão pejados de factos. No Leste da Europa são agressões de facto. Não querer vê-los é uma opção.
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De Anónimo a 28.03.2018 às 12:49

E, por exemplo, na Catalunha?...
Não há factos?
Ou não há agressões?
Ou os factos e as agressões são ou não são conforme a geografia política?
João de Brito
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De Anónimo a 28.03.2018 às 15:15

Pela atenção, obrigado!
Pela mensagem, não, muito obrigado.
João de Brito
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De Pedro Correia a 28.03.2018 às 11:21

Portugal esqueceu-se, lamentavelmente, dos compromissos inscritos na sua aliança histórica com o Reino Unido - aliás a mais antiga relação diplomática ininterrupta da história.
Quando se fala em linhas de continuidade na nossa política externa, eis uma que se quebrou.
Aguardo com alguma curiosidade o pronunciamento de Diogo Freitas do Amaral, que era vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros do Executivo da Aliança Democrática, que em 1980 decidiu expulsar quatro diplomatas russos num mecanismo de solidariedade com a diplomacia ocidental, quando ainda nem éramos membros do espaço comunitário europeu.
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De Diogo Noivo a 28.03.2018 às 11:35

De momento, estamos na belíssima companhia de países como a Áustria, a Bulgária, o Chipre, a Grécia, o Luxemburgo e Malta (até a Irlanda já tomou a decisão de expulsar um diplomata russo). A "concertação" portuguesa existe, mas não é com a União Europeia.
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De Vlad, o Emborcador a 28.03.2018 às 12:12

Sobre Malta e Chipre até se entende pois, ambos, são paraísos para o branqueamento de capitais russos.

Maltanistan'
The influx of Russians also poses questions on the quality of Maltese due diligence in rooting out fraudsters and other undesirables.

The Maltese government has fiercely denied criticism that it was turning the island into the kind of haven for illicit Russian money that Cyprus has become.

Cyprus, which also sells passports in return for a €2 million investment, issued 2,000 new ones in the past two years, almost half of which went to Russians.

A leaked German intelligence report said in 2012 that Russian criminals had stashed billions of euros in Cypriot banks, amid questions to what extent the financial ties shaped Cyprus' Russia-friendly foreign policy.

The Maltese scheme is cheaper than the Cypriot one and does not require new nationals to regularly visit Malta.

https://euobserver.com/justice/140512

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De Pedro Correia a 28.03.2018 às 22:46

Já nem estamos na companhia de Malta e Luxemburgo, Diogo: ambos os países acabam de anunciar também sanções à Rússia.
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De Pedro Correia a 28.03.2018 às 23:27

E eis que a Bélgica anuncia também a expulsão de um diplomata russo:
https://www.sabado.pt/mundo/detalhe/belgica-tambem-vai-expulsar-um-diplomata-russo
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De Vlad, o Emborcador a 28.03.2018 às 11:36

Nem mais!
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De Vlad, o Emborcador a 28.03.2018 às 11:35

A afirmação de Jaime Nogueira Pinto ontem na SIC notícias foi, em meu entender , absurda - talvez na linha dos que defendem a posição, actual, de não alinhamento do Governo de Portugal.

"Não é do intesse nacional a expulsão de diplomatas russos de solo nacional "

Impõe -se a pergunta :

Então para que diabo servem as Alianças de Defesa Transnacionais?

Levado ao absurdo uma posição da NATO poderia não ser respeitada, caso fosse contra os interesses nacionais dos países signatários. Então para que serviriam as Alianças Militares?

Aliás Portugal depende totalmente dos Serviços Secretos Alemães, Franceses e Americanos para a sua protecção contra o terrorismo (já para não falar na Aliança Anglo Portuguesa )

Esta posição diplomática de Portugal faz-me lembrar a infame neutralidade de Salazar e do Estado Novo....quietinhos a ver no que irá isto dar.

PS: Segundo a CNN o gás é de fabrico russo , já para não falar no modus operandi típico de Putin.

https://www.independent.co.uk/news/uk/crime/russia-eu-salisbury-attack-nerve-agent-donald-tusk-european-council-highly-likely-no-other-plausible-a8269556.html?amp
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De Nuno Frederico a 28.03.2018 às 12:34

Tenho bastante dificuldade em "comprar" as teorias das interferências russas nos resultados do Brexit ou das eleições dos EUA.
Basta estar atento ao mundo real para perceber que há uma insatisfação enorme com o "status quo" e com todos os que dele vivem.
O tais partidos/políticos que têm feito da rotação de cadeiras um modo de vida. Só que já não estamos numa altura em que não há informação e em que a maioria dos cidadãos se contenta em ser "operário", "trabalhar no campo" ou ser "trolha".

Além disso, a teoria de que foi o FB o responsável por influenciar os resultados cai pela base quando se verifica a demografia dos votos que viabilizaram o Brexit ou as eleições nos EUA.

A verdadeira interferência russa, como o Diogo e bem destacou, foi a anexação da Crimeia, tem sido o medir o pulso constante aos ocidentais e é o controlo que está a fazer do Oriente entrando pela Síria com o apoio da Turquia.
E nisto que fizeram Merkel ou Obama? Tomaram a posição de força que agora exigem a Trump como o "culpado" de todo o mal que ocorre no mundo?
Um país soberano invadido às portas da Europa, anexado à força e com um referendo ilegal, e nada aconteceu? Umas sanções ridículas...

O que está a verificar-se é que os líderes europeus e americanos(EUA e Canadá), estão tão presos no politicamente correcto e na preocupação em vender uma imagem "tolerante" que não sabem como combater Putin. Governam para os comentadores e não para o mundo real, que está bastante perigoso.
E assim como Hitler assumiu em crescendo a sua posição, também Putin está em crescendo e sendo mais inteligente: passando uma imagem de serenidade enquanto as baratas tontas da União Europeia andam preocupados com assuntos menores.

Quando Putin passar à fase seguinte, que passará por controlar novamente algumas das antigas RS Soviéticas e tomar como parcialmente sua a Síria tendo aí um protectorado para controlar grande parte do petróleo, será demasiado tarde.
E o que fará Israel quando o petróleo roubado que vem através da Síria deixar de fluir?
São demasiadas variáveis. E líderes para tratar disto? Nem um.
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De JS a 28.03.2018 às 13:08

" ...Embora as consequências destas intromissões sejam difíceis de aferir...".
O problema é esse. Pensar e agir sem todos dados é pensar e agir mal. Em qualquer dos casos em apreço.

Este episódio -do evenenamento do espião, da filha e do polícia- será a suficiente gota de água para entornar o copo das relações Russia/ UE / EUA ?.
Reagir assim, radicalmente, a um episódio ainda não totalmente comprovado ?.

Há com certeza quem já saiba muito mais, e muito melhor, o que realmente terá acontecido.Não é de crer que o governo do Reino Unido promenorise todos os dados que já tem sobre o episódio, ao governo português, nem a outros.

Neste tom os governos que não entornaram o copo por causa de mais uma, por enquanto não esclarecida, gota de água até demonstram algum nexo.

Será tudo apenas o conveniente clássico alimentar de um inimigo externo para, magicamante, escamotear os seus próprios gestos?. O nunca perder uma oportunidade para ...
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De Diogo Noivo a 28.03.2018 às 14:40

As intromissões em actos eleitorais são conhecidas e inegáveis, muito embora seja difícil aferir quantitativamente o seu impacto - o qual, para efeitos de identificação de ameaça, é irrelevante. Porém, são conhecidos, inegáveis e mensuráveis as violações de espaços aéreos europeus, os atropelos legais e políticos resultantes da intervenção na Crimeia, ou a forma como Moscovo condiciona e manipula sentimentos de insatisfação popular e partidária em países do Norte e do Leste europeu. Em política nunca se tem todos os dados, mas no que toca à Federação Russa o que existe chega perfeitamente para tirar conclusões - se houver vontade e compromisso com a estabilidade europeia, claro.
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De Luís Lavoura a 28.03.2018 às 16:31

As intromissões em actos eleitorais são conhecidas e inegáveis

Está bem, mas elas são basicamente o equivalente, nos modernos tempos com internet, da antiga prática de enviar programas de rádio em onda curta para países estrangeiros.

É normal fazer propaganda (incluindo verdades ou falsidades) para países estrangeiros, e já desde há decénios que isso é feito.

Não me parece particularmente escandaloso que a Rússia espalhe contra-informação (chamemos-lhe assim) em países europeus.
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De Luís Lavoura a 28.03.2018 às 16:36

atropelos legais e políticos resultantes da intervenção na Crimeia

É verdade que esses atropelos existem, mas que dizer do completo atropelo de todas as normas internacionais que foi a intervenção da NATO no Kosovo?

Quando o "Ocidente" atropela as normas, não pode depois carpir-se que a Rússia também as atropela.

É claro que se pode argumentar que a intervenção no Kosovo foi por uma boa causa (os pobrezinhos dos albaneses oprimidos, etc), mas então a intervenção na Crimeia também o terá sido (a população russa da Crimeia oprimida por ferozes nacionalistas ucranianos, etc).

Ao menos a intervenção russa na Crimeia teve a vantagem de não ter feito mortos nem feridos. O mesmo não se pode dizer da intervenção da NATO no Kosovo, que consistiu num bombardeamento selvagem de cidades sérvias.
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De Vlad a 28.03.2018 às 17:08

"É verdade que esses atropelos existem, mas que dizer do completo atropelo de todas as normas internacionais que foi a intervenção da NATO no Kosovo

"os pobrezinhos dos albaneses oprimidos, etc"

Sobre os etc:

Massacre de Račak
https://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Račak

https://www.youtube.com/watch?v=_TtTeGbPC5c

https://www.youtube.com/watch?v=TUWiy04sH5A

Comparar a Crimeia à intervenção da NATO é absurda!!
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De Anónimo a 28.03.2018 às 19:31

"ferozes nacionalistas ucranianos, etc)." Isto é fascistas e nazis. Banderas é o herói.
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De jo a 28.03.2018 às 13:53

Se foi a sucessão de casos, tinham a obrigação de afirmar isso inequivocamente, não o fizeram.

Limitaram-se a apresentar um caso não provado, fazendo lembrar umas armas que tinham de existir e não existiam.

Os governos destes 23 países não têm de prestar contas a Putin como é óbvio. Mas entrar numa escalada de agressão, que pode provocar uma catástrofe, sem procurar explicar aos seus governados o que se passa, não é lá muito democrático.

No Iraque, primeiro havia armas, depois os países iam ganhar muito dinheiro com a ocupação, depois iam restabelecer a democracia e trazer a paz à região. Não aconteceu nada disso e ninguém foi responsabilizado.

Fico sempre muito desconfiado quando um bando de incompetentes como May e Trump começam a soprar trombetas de guerra.
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De Vlad, o Emborcador a 28.03.2018 às 14:05

Grã Bretanha e EUA são iguaizinhos nos métodos à Rússia. ....cristalino:

https://en.m.wikipedia.org/wiki/List_of_journalists_killed_in_Russia

https://www.google.pt/amp/s/www.washingtonpost.com/amphtml/news/worldviews/wp/2017/03/23/here-are-ten-critics-of-vladimir-putin-who-died-violently-or-in-suspicious-ways/

O modo de acabar com Putin, tal como com Kim, é através de um ataque nuclear devastador justificado do mesmo modo como os americanos o fizeram aquando de Nagasaki e Hiroshima. O sacrifício de alguns em nome dos mais que sobreviveriam.

Ou usando a lógica dos fundamentalistas islâmicos. A população civil russa não é inocente quando maioritariamente vota em Putin.
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De Vlad, o Emborcador a 28.03.2018 às 15:19

Vladimir Putin Is Campaigning on the Threat of Nuclear War

https://www.google.pt/amp/s/www.newyorker.com/news/our-columnists/vladimir-putin-is-campaigning-on-the-threat-of-nuclear-war/amp

Semear o medo , no seio da população russa, para Putin, em nome da Segurança , continuar sistematicamente a violar os mais básicos Direitos Humanos e Políticos, mais a Constituição Russa. Uma receita antiga.
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De Diogo Noivo a 28.03.2018 às 14:34

Sim, jo, porque o actual Executivo tem dado bastas provas de altíssima competência em matéria de políticas de segurança e defesa. E o que é que o Iraque tem que ver com isto? Ai essa cegueira...
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De Anónimo a 28.03.2018 às 20:08

O modo de operar parece muito similar ao que foi utilizado no Iraque. Muito barulho, poucas ou nenhumas provas, dois líderes fracos com muitos problemas internos. Não há provas concretas no incidente que é a causa próxima. Repare que para justificar a expulsão de diplomatas vai-se falar no Brexit e nas eleições americanas como se fosse coisa nova. Porque não se agiu então?
Há diferenças e espero que as tenham em conta: Putin não é Saddam e a Rússia não é o Iraque. Espero que os nossos fazedores de guerra percebam isso.
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De jo a 28.03.2018 às 21:47

O seguidismo acrítico do executivo de Durão Barroso às alegações de Bush e Blair, foi altamente lucrativo para José Manuel Barroso. Para o país não sei se terá sido assim.
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De Diogo Noivo a 28.03.2018 às 22:28

Numa discussão sobre qual deve ser a postura de Portugal face à Rússia em 2018 o jo vai buscar Durão Barroso. Não vê que isso é doença?
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De jo a 29.03.2018 às 13:43

Quem não se lembra da história está condenado a repeti-la.

Vem afirmar que Trump expulsou diplomatas russos porque estes intervieram nas eleições dos EUA a seu favor?
Até para Trump isso é um pouco estranho.
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De Diogo Noivo a 29.03.2018 às 13:49

Sei que a ideia é um pouco bizarra, mas, ainda assim, fica a sugestão: que tal ler o post antes de tirar conclusões sobre ele? E, já agora, sei também que pode parecer um pouco exótico, mas que tal comparar o que é comparável?
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De jo a 29.03.2018 às 20:47

O problema é que para justificar algo que ninguém compreende vai-se procurar o que está mais a jeito. Depois dá nisto.
Começa o seu post a falar nas interferências russas nas eleições (está lá - leia), mas os principais arautos das expulsões são dois benificiários do processo Trump e May, logo não deve ser por isso.
Fala na Crimeia, concordo que é grave, quando foi? Anteontem ou há alguns dias? É que parece-me que já foi há algum tempo, porque não houve esta reação?

Porquê agora? Porque não quando os factos gravíssimos aconteceram?

Não me diga que não tem a sensação de que está a ser manipulado.
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De Rui Henrique Levira a 29.03.2018 às 15:54

Vamos lá, então, à doença...
Se a memória me não falha, foi o Sr. Durão Barroso que disse que tinha visto, com os próprios olhos e na sequência do seu serviço de mordomo nos Açores, as provas da existência das armas de destruição massiva de Saddam Hussein. Iniciou-se uma guerra que matou um milhão de iraquianos (já previamente tinham, à data, morrido meio milhão de crianças iraquianas devido ao embargo ao Iraque) e que sabemos nós hoje? Era MENTIRA.
Os mesmos jornais, cadeias televisivas e "spin doctors" que venderam tal patranha são os mesmíssimos que hoje apontam a dedo o maquiavélico Putin.
Doença é, a meu ver, torcer factos para que eles encaixem numa determinada narrativa de demonização e de preparação de uma agressão armada. Vejamos:
A) O Sr. Skripal é, para todos os efeitos, um traidor à Federação Russa (foi recrutado pelo MI6);
B) O Sr. Skripal foi descoberto, julgado e condenado a prisão na sua pátria, cumprindo 4 anos de pena e sendo posteriormente trocado por um espião russo preso nos EUA (pergunta: se o queriam assassinar, por que não o fizeram na prisão?; pergunta: se o senhor sabia segredos tão importantes, por que o deixaram ir para o Reino Unido, país onde viveu nos últimos 10 anos?; pergunta: por que cargas de água, a quererem assassiná-lo, cometeria o FSB a imprudência de o fazer em altura tão azada quanto as antevésperas de um campeonato mundial de futebol, as vésperas das eleições presidenciais russas e utilizando um meio tão "sui generis" (e, para mais, potencialmente letal para o próprio assassino) quanto uma arma química facilmente detectável?;
C) A polícia britânica afirmou que não tem pistas de natureza nenhuma quanto à identidade dos atacantes do Sr. Skripal e da sua filha; não obstante, o governo britânico já encontrou e condenou o culpado: o diabólico Sr. Vladimir Putin;
D) No seguimento do dislate apontado na segunda afirmação de C), o Sr. Boris Jonhson cometeu a infâmia de comparar implicitamente o chefe de estado de um país herdeiro de um outro que perdeu 25 milhões de cidadãos na luta contra o nazismo a Hitler (fê-lo ao cotejar o Mundial de Futebol com as Olimpíadas de Munique);
E) A Federação Russa assinou e cumpriu o Tratado para a erradicação de armas químicas, tendo acabado de destruir o seu arsenal químico em 2017 (presumo que algum agente do FSB tenha guardado uns restos de Novichek no bolso das calças "just in case...").
Por tudo o que atrás afirmei, não deixa de ser extraordinário que alguém rasgue as vestes por o Governo da República não acompanhar a geral histeria demonizadora da Federação Russa e do seu presidente que varre a UE e os EUA. Das duas uma: ou tal postura é produto de puro e duro sectarismo que vê em tudo o que Costa faz algo de mal feito ou estamos nós perante mais um daqueles momentinhos pré grande bernarda do género dos do Iraque ou da Líbia.
Se optarmos pela segunda leitura, só uma coisa podemos confirmar: doença é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes dos da costumeira carnificina que, invariavelmente, resulta desses actos.
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De Diogo Noivo a 29.03.2018 às 17:10

Agradeço o extenso comentário - e ter escrito a palavra 'mentira' em maiúsculas, pois, apesar de novo, já vou tendo problemas de vista - mas ninguém aqui rasgou vestes. Quanto à comparação da situação presente com a do Iraque, as diferenças são tantas que não há caixa de comentário que aguente - começaríamos pela (falta de) razoabilidade e pela (alucinada) possibilidade operacional de uma hipotética intervenção militar em solo russo.
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De Rui Henrique Levira a 29.03.2018 às 17:43

Não tem nada que agradecer. Fiz tal coisa não por delicadeza para com os seus problemas de vista, mas devido ao facto de haver muitíssima gente que ainda não compreendeu o alcance catastroficamente sangrento dessa MENTIRA.
Quanto ao ponto de contacto da actual situação com a das supostas armas de destruição massiva iraquianas, ele é do tamanho de um elefante: uma série de MENTIRAS jamais comprovadas e que levam (ou poderão levar) aos mesmíssimos resultados a que anteriormente levaram.
Por fim, fico extremamente sossegado pelo facto de o caro Diogo Noivo ter a certeza absoluta de que este histérico espicaçar em crescendo do urso russo outros resultados não terá do que uma momentânea troca de expulsões de diplomatas (comboio que o senhor, pelos vistos, lamenta que o Governo da República não tenha, sabiamente, apanhado). Valha-nos como calmante, caro Diogo Noivo, a sua fé. E ter fé é ter tudo sobre uns alicerces feitos de nada.
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De Rui Henrique Levira a 29.03.2018 às 23:29

Correção: os Jogos foram os de Berlim, em 1936; o agente químico é o "Novichok" e não o "Novichek" como erroneamente escrevi.
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De Anónimo a 28.03.2018 às 13:56

São até agora 20 os países europeus que condenam os abusos de Putin com medidas diplomáticas. Além desses, Canadá, Austrália e Estados Unidos também alinharam.

Os atrasados mentais que nos governam não perceberam que Portugal opta por estar fora desse mundo civilizado, aliando-se à ralé de paises atrasados ou de (semi)ditaduras ?

É preciso procurar para encontrar paises democráticos que NÃO tenham tomado medidas contra a intervenção russa no Reino Unido.

Unidos estiveram Alemanha, França, Polónia, Lituânia, República Checa, Dinamarca, Holanda, Itália, Espanha, Irlanda, Islândia, Croácia, Estónia, Finlândia, Roménia, Hungria, Suécia, Letónia, Noruega, Ucrânia e até a Macedónia e a Albânia !!

Esta é a minha Europa. Portugal, com a Áustria, a Sérvia e a Grécia, faz parte dos cobardolas. Não é de agora. Toda uma tradição de demissão face aos desafios internacionais.

Sr. Augusto Santos Silva, 'brilhante sociólogo', ainda "está a pensar"? Tenha vergonha. Só mostra quanto depende do CES/UC do Sr. Boaventura.
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De João Pedro Pimenta a 29.03.2018 às 03:46

A Sérvia, até pelo apoio que tiveram nos anos noventa, e a Grécia têm fortes ligações culturais e políticas à Rússia, pelo que a sua atitude não espanta. A Áustria deve ser porque o FPO, que entrou para o governo, tem boas relações com Putin (e provavelmente recebe dinheiro dele).
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De Anónimo a 29.03.2018 às 16:47

O que tem 'graça' é que são, ou governos de direita radical, ou governos de esquerda socialista. Estão 'unidos' no respeitinho pelo protoimperialismo protofascista russo.
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De João Pedro Pimenta a 28.03.2018 às 15:26

Sim, mas aparentemente tudo isso é para proteger a Rússia do cerco do ocidente, das humilhações ocidentais, dos territórios que historicamente lhe pertencem, etc, etc.

Olha se a Alemanha tinha a mesma ideia e começava a falar de Konigsberg/Kaliningrado. O que não se diria.
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De Diogo Noivo a 28.03.2018 às 15:44

Nem mais, João Pedro.
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De Anónimo a 28.03.2018 às 15:47

Penso que o mais correcto seria em primeiro lugar fazer uma cimeira numa qualquer ilha da Europa e declarar inequivocamente a existência de armas de destruição massiva na Rússia, sempre seria verdade ao contrário de outras estórias que nos contam.

WW

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