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Navegar é preciso

por Pedro Correia, em 16.06.16

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Filho e neto de emigrantes, com familiares espalhados por quatro continentes, aos 25 anos eu próprio emigrei. Tinha emprego em Portugal, tinha aquilo a que hoje se chama uma "carreira" por cá. Mesmo assim, emigrei. Passei dez anos longe do País. Regressei com horizontes mais largos, novos conhecimentos, uma enriquecedora experiência profissional adquirida junto de gente com crenças, culturas e línguas diferentes. Foi uma etapa insubstituível da minha vida que jamais esquecerei. Depois, quando colegas mais jovens confrontados com desafios profissionais além-fronteiras me pediam opinião sobre a opção a tomar, sempre os incentivei a partir também. Alguns confiaram no que lhes disse, nenhum deles lamentou ter feito a mala e demandado outras paragens. A vocação universalista dos portugueses confirma-se nesta constante procura de novos horizontes: somos capazes de edificar o nosso lar em qualquer recanto do mundo.

Por tudo isto, venho acompanhando com perplexidade o debate em curso sobre o novo ciclo de emigração eventualmente aberto aos portugueses. Descendentes não dos que partiram mas dos que ficaram, muitos dos que agora se insurgem contra esta perspectiva eram os mesmos que há meia dúzia de anos recomendavam que Portugal devia receber de braços abertos imigrantes oriundos das mais diversas origens, sugerindo até que esse fluxo migratório permitiria salvaguardar a segurança social pública nacional. Alguns deles foram assistindo nos últimos anos sem um esgar de espanto à contínua partida de compatriotas para Angola, onde passaram a residir mais de 150 mil portugueses. São os mesmos que só agora lamentam o facto de haver jovens prontos a trabalhar a milhares de quilómetros do habitual local de residência de pais e avós. Não entendo a contradição: por que motivo havemos de saudar a imigração e chorar a emigração?

Faz-me impressão esta visão paroquialista do mundo contemporâneo que pretende ver cada povo arrumado no seu reduto. António Costa, por exemplo, anda a ser muito criticado por ter apontado França como possível destino de professores portugueses. Como sucedeu a Passos Coelho antes dele. Esquecem tais críticos que vários países são o que são também porque noutras épocas, já recuadas, houve outros portugueses que lá chegaram - quando ainda nem países eram. Basta pensar no Brasil.

Nada mais óbvio: os países lusófonos e os nossos parceiros comunitários, tal como nós inseridos no Espaço Schengen, são um destino natural para qualquer cidadão deste vasto espaço cultural e afectivo alicerçado no idioma que nos é comum ou na cidadania europeia que nos irmana a 27 Estados. Porque haveria isso de ser motivo de controvérsia pública?

Situar as questões no seu contexto é um dos requisitos básicos para um debate político civilizado e construtivo. O resto é ruído.


42 comentários

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De Luís Lavoura a 16.06.2016 às 14:34

Muito bem. Concordo plenamente com este post.
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De Tiro ao Alvo a 16.06.2016 às 15:37

Caro Pedro, as críticas justas que ouço por aí, não se referem ao "aconselhamento", por parte do António Costa, feito aos professores desempregados para emigrarem. Ele, como no passado o Passos Coelho, não convidou quem quer que seja a emigrar, ele limitou-se a dizer o óbvio: se não há empregos aqui e se os há em França (ou em Angola, ou em Moçambique, etc.) os desempregados devem aproveitar essa oportunidade, até porque, por regra, é uma experiência enriquecedora.
O que é censurável é a atitude dos Partidos e, sobretudo, de alguns políticos e de alguns sindicalistas, que se fartaram de censurar o Passos Coelho e um seu Secretário de Estado - o tal que se referiu à zona de conforto - tentando ridicularizá-los, acusando-os de terem cometido uma falta gravíssima, por desrespeito, contra os nossos compatriotas desempregados, coisa que os média repetiram amiudadamente, sem que aparecesse, que me lembre, alguém que os defendesse, tal como fez agora, e muito bem, o Pedro Correia.
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De Pedro Correia a 16.06.2016 às 17:44

Meu caro, neste caso limito-me a reiterar a posição que anteriormente expressei. Desde logo porque as declarações são em tudo idênticas, como vários dos meus colegas de blogue já demonstraram. Com a ligeira diferença de Passos ter apontado como eventual destinos Angola e o Brasil, nossos parceiros da CPLP, e Costa ter mencionado França, nosso parceiro da UE.
Percebo bem um e outro: nada há a criticar no que referiram. Desde logo porque os professores portugueses que exercem funções fora do espaço nacional são muitas vezes apoiados pelo Estado português, directa ou indirectamente - a começar pelo Instituto Camões. Há também diversos programas, como o INOV Contacto, que incentivam e financiam estágios internacionais para a formação de quadros.
Criticável é, isso sim, a atitude daqueles que rasgaram as vestes em 2011 e se calam ou até aplaudem agora. Como é a atitude daqueles que então se calaram e agora criticam o primeiro-ministro.
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De M. S. a 16.06.2016 às 15:49

Caro Pedro:
Os que criticaram, primeiro, Passos Coelho, agora António Costa (por terem dito coisas muito semelhantes, coisa rara entre ambos), estão muito bem uns para os outros.
De facto, estamos demasiado poluídos pelo ruído.
Logo nós que, com uma massa cinzenta tão perto dos ouvidos, mas que, mesmo trabalhando a 100%, não provoca ruído algum.
É só esses receosos experimentarem: verão que não dói nada nem faz barulho nenhum.


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De Pedro Correia a 16.06.2016 às 17:46

De facto, meu caro, há demasiado ruído no espaço comunicacional. E há também um notório défice de rigor quando se discutem as mais diversas questões. Assistimos a uma crescente futebolização do debate político, polvilhado de tudólogos de trincheira que nada sabem sobre coisa alguma mas encontram eco um pouco por toda a parte.
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De Sérgio de Almeida Correia a 16.06.2016 às 15:50

Pois é, Pedro, tens razão em quase tudo. Mas como bem sabes não é a mesma coisa emigrar aos vinte ou aos cinquenta ou sessenta, e ainda por cima contrariado, deixando pais, filhos e às vezes netos para trás. Por falta de futuro e de um horizonte digno de vida, e não por desejo de uma nova experiência, de outra carreira ou apenas de conhecer mundo.
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De Luís Lavoura a 16.06.2016 às 17:07

Nem Passos Coelho nem António Costa fizeram qualquer referência à idade nem às situações familiares de quem procure emprego no estrangeiro.
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De jo a 16.06.2016 às 15:54

Uma coisa é querer imigrar.
Outra coisa é um governante dizer: Não sei governar isto o melhor é porem-se a andar.
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De Pedro Correia a 16.06.2016 às 16:26

Não ouvi nenhum governante dizer isso. Se você ouviu queira fazer o favor de indicar a fonte, com a transcrição exacta. Confesso que já ando farto de conversa de barbeiro.
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De jo a 16.06.2016 às 17:23

Conversa de barbeiro é um primeiro ministro discursar dizendo que a emigração é uma oportunidade.
Temos primeiros ministros que confundem a governação com a barbearia e depois é o que dá.
Repare que não é o conselho em si ser mau. É quem tem por obrigação evitar que a vida seja tão má cá que mais vale imigrar ter o desplante de dá-lo.
Parece que o barbeiro diz: Pois é: as tesouras não prestam e não sei cortar é melhor ir a outro lado. Pensamos logo que se não se não sabe do seu trabalho porque é que o escolheu.
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De Pedro Correia a 16.06.2016 às 17:34

Conversa de barbeiro ou de taxista, tanto faz.
Vai dar no mesmo.
E com idêntica falta de rigor.
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De jo a 16.06.2016 às 20:31

Escolheu o tema, citou os primeiros ministros e seguidamente diz que é conversa de barbeiro.
O Sr. lá sabe qual é a sua profissão.
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De Pedro Correia a 16.06.2016 às 22:07

Típico comentador tuga. Manda um bitaite, não sustentado em factos. Quando lhe são solicitados factos, e as fontes que os sustentam, dá de frosques. Mas continua lá de longe a mandar bitaites.
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De ariam a 16.06.2016 às 18:17

...e ainda há outra que nem no barbeiro se fala, a chantagem do governo Turco que passa a receber, todos os anos, 3 biliões de euros, para ir segurando parte dos migrantes e, se os cidadãos Turcos não tiverem livre circulação no Espaço Schengen, já ameaçaram, abrir "as comportas" dos migrantes retidos.

Pode confirmar no vídeo que lhe vou deixar e, no final, ouvir um discurso feito no Parlamento Europeu que, não serve para nada, a não ser para recolher informação, por quem esteja interessado nela. (Penso que até já tinha deixado o discurso, tirado diretamente do Parlamento Europeu mas, como links é para passar à frente, só vão servindo para deixar a prova de que falei no assunto, cá em Portugal, há esta mania de dizer que ninguém disse nada, nem avisou)

A mim também... "Faz-me impressão esta visão paroquialista do mundo contemporâneo" onde o que foi, não tem nada de semelhante com a aquilo que se passa hoje, aliás, é mesmo esse o perigo, não saber o que se anda a "costurar" nas nossas costas. Só quem procura, encontrará parte dessa informação. Os outros podem ir vivendo na nostalgia do passado mas, isto da livre circulação, migrações e afins, ainda agora está no começo e, o pior, está para vir e há quem esteja a informar, corretamente, antes da votação do referendo britânico:
YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=9rBGmSc8YrE
BREXIT & The Future of Merkel's Europe
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De ariam a 16.06.2016 às 16:36

"Porque haveria isso de ser motivo de controvérsia pública?"

Pela simples razão que, no fundo, nada tem a ver com emigração ou imigração mas o facto, de nos terem mentido descaradamente, porque se era para acabar com a Democracia e com os direitos e liberdades dos povos europeus, devia ter sido um processo transparente, não tentando enganar com a conversa de ser só um espaço para trocas comerciais ou de livre circulação, somando o descaramento das eleições dos Deputados Europeus que, não servem para nada, não podem propor ou vetar Leis. Tem sido um lento, mas contínuo, encurralar "do gado" na sua própria prisão.

Foi preciso, documentos serem desclassificados, para alguns começarem a acordar e, mesmo assim, conseguiram continuar a enganar, obviamente que, com o tempo e, a cada referendo, outras pessoas vão acordando e, até com os novos Tratados que andam a ser assinados à socapa, muitas das nossas liberdades e direitos, são para acabar, de vez, como a simples Segurança Social, o SNS, ou pensam que uma grande Corporação não esteja interessada no negócio? Quem tiver dinheiro paga, quem não tiver, morre (não ouvem pessoas dessa elite, fartarem-se de repetir que há demasiada gente, algo que prejudica o clima?)

Se é para acabarmos pior, obviamente que os ingleses começaram a perceber que esta, talvez seja a última hipótese de dizer não. Apesar, disso não trazer a liberdade garantida porque, se a uns, como nós, nem perguntaram, aos que respondem negativamente, vão repetindo os referendos até saírem como eles querem.
Neste momento, as duas correntes do sim ou do não, vejo de um lado, os que ganham regalias, se apoiarem os "donos da quinta" e, do outro lado, "as ovelhas" que se recusam a entrar "no redil" .

Mas porque será que a verdade é tão difícil de perceber quando, agora, começa a ser transparente?
Só quem não quiser informar-se, procurar quem mente, quem fala verdade ou até ver, que há pessoas e instituições que recebem muitos milhões da UE, só falam por interesse, seja pessoal ou financeiro.

Só posso deixar links, para que cada um tente descobrir a verdade porque, neste momento, seja sim ou não, nada será bom mas, guardar o pior para mais tarde que adiantará aos ingleses?
Com sorte, saindo os ingleses, talvez cada país consiga voltar a ter controlo sobre o seu futuro ou, no mínimo, não perder a esperança que pode ter sempre voto nessa matéria.

YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=XJmYGu7j0Nk
Dr PAUL CRAIG ROBERTS - Brexit, EU, CIA, Washington

Porque, quanto aos políticos, os que estiverem interessados no "maná" de carreiras longas e bem remuneradas, não terão nenhum interesse em falar do Futuro, em que o deles será ótimo e o dos cidadãos europeus, uma eterna escravatura à elite do 1% que ainda tem o descaramento de se achar superior e dizer que sabe o que é melhor para aqueles que nem sequer precisam votar, bastará, apenas, obedecer e pagar.
Neste caso, é fácil de perceber para quem viu:
BREXIT THE MOVIE FULL FILM
YouTube:https://www.youtube.com/watch?v=UTMxfAkxfQ0

Quanto a isso da emigração ou imigração, será outro debate inútil, como chover no molhado porque, quem estiver a par de mais informação, sobre uma outra União, EUA/ Canada/ México, saberá que o Mundo será divido em meia dúzia de "quintarolas", até à globalização final. Até já existem estudos para separar zonas, onde só algumas poderão ser habitadas, portanto, por este caminho, não farão as malas para ir para onde querem mas, para onde forem mandados.

Curiosamente, já vi várias pessoas que, em Inglaterra, pensavam como eu mas, de repente, mudaram de opinião e, eu fiquei a pensar... por quanto ou em troca de quê, eu passaria a "vender banha da cobra" porque, isto de se ser Humano tem muito que se lhe diga, Santos e Santinhos há poucos mas, deixar um Mundo Orwelliano aos netos, provavelmente, por muito poder ou muitos milhões que tenham, ainda me resta a esperança que deve haver muitas pessoas que não conseguem comprar e, essas, passaram a ser, os verdadeiros heróis, os que, verdadeiramente, arriscam muita coisa, quando enfrentam gente muito poderosa que já detém mais de 70% das riquezas do Planeta Terra.
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De Anónimo a 16.06.2016 às 17:09

Querer emigrar porque se quer, é uma coisa, ter de emigrar porque aqui, no seu país, não têm hipótese de sobreviver é outra bem distinta. O interessante é não haver ninguém que diga, fechem os cursos, por dois ou três anos porque há excesso de profissionais, neste ou naquele ramo.
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De Pedro Correia a 16.06.2016 às 17:32

Falar em "sobrevivência" num país da União Europeia é banalizar uma palavra que deve ser usada com toda a precaução.
Questões de sobrevivência colocam-se aos países com rendimento médio 'per capita' inferior a dois dólares diários (Portugal tem 20 mil dólares).
Há muitos, infelizmente.

Indico vinte:
Sudão do Sul
Malaui
Burundi
República Centro-Africana
Madagáscar
Níger
Moçambique
Gâmbia
Libéria
República "Democrática" do Congo
República da Guiné
Afeganistão
Togo
Uganda
Guiné-Bissau
Serra Leoa
Burquina Fasso
Tajiquistão
Ruanda
Comores
Fonte: http://www.statista.com/statistics/256547/the-20-countries-with-the-lowest-gdp-per-capita/

Como se verifica, nenhum deles pertence à UE. Talvez por isso quem luta pela sobrevivência faça tudo para rumar ao espaço onde Portugal se insere, não para fugir de cá.
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De ariam a 16.06.2016 às 19:24

Exatamente, querem vir desses países todos, para a UE e, como mais acima lhe falei dos Turcos, que também querem circular livremente na UE, estamos a falar de um país com uma população total de 76.667.864 pessoas (provavelmente mais porque o censos é de 2013). A Turquia é um estado secular, sem religião oficial; a constituição consagra a liberdade religiosa e de consciência Mas, O Islão é a religião dominante no país em número de seguidores — 96,1% da população é muçulmana "praticante".

Como quem quer vir, de muitos dos países que referiu, será maioritariamente praticante do Islão, sei bem, quem acabará por querer fugir daqui para fora ou não sabe o que acontece aos cristãos ou, aos que não se queiram converter ao islão, quando a quota passar os 50%? Sabe que na UE, os europeus não podem casar com 2 mulheres, mas os muçulmanos têm permissão de ter até 4, todas guardadinhas em casa, no seu papel de ter muitos filhos e receber da segurança social que os europeus descontam. Acaba por beneficiar quem? Uma boa desculpa para depois dizer que não há mais dinheiro e entrarem as Corporações. Aqui, presumo que a reação dos muçulmanos não vá ser muito boa...
A quem convirá criar este caos na UE ? e para quê?

Não está mesmo a perceber que não há só invasões territoriais com armas, basta 50% mais 1 para se mudarem as leis de um território. Francamente, há discursos no Parlamento alemão que até dizem quanto tempo falta para os alemães deixarem de ser maioria e, parece que só alguns ouvem o que se passa.
Suécia (e não só), onde já há cidades onde os naturais estão em minoria e já nem se atrevem a circular em determinados Bairros (território já conquistado). Mas anda tudo a dormir ou a fingir que não vê?

Acordar até vão mas, tarde demais, provavelmente no meio do pesadelo e, no entretanto, o Costa sempre sorridente, deve estar à espera de, depois, poder seguir a sua carreira, como um Durão Barroso ou um António Guterres... algo que lhe encha as medidas e os seus grandes desejos políticos, mostrados desde a sua infância (esta de política na infância, saiu num jornal indiano, quando foi eleito 1º Ministro e, sem ganhar eleições).
Mas pronto... por enquanto, quem quiser, ainda pode continuar a enfiar a cabeça na areia... e, eu, nem me devia preocupar porque, os mais velhos, talvez, ainda escapem ao pesadelo, com sorte... morrem antes. Só que não consigo deixar de pensar nos filhos e netos.
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De campus a 17.06.2016 às 10:00

Bem pode gritar que o rei vai nu, está tudo anestesiado...
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De Pedro Correia a 17.06.2016 às 11:35

A Turquia não é - nem será - membro da União Europeia. Cerca de 80 milhões de turcos a circularem livremente pelo espaço comunitário, em vez de "acelerarem" a integração europeia só acelerariam a implosão da Europa.
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De ariam a 17.06.2016 às 16:19

Ainda não percebeu que a Merkel pôs a UE entre a "espada e a parede" em relação à Turquia, primeiro, venham todos os migrantes, provocando o êxodo que vai continuar e, para resolver as vozes contra, quando começou tudo a dar para o torto, passou a pagar à Turquia, anualmente, para ir segurando a "maré" mas, foi como dar "a faca e o queijo" aos Turcos que, tão bem conhecemos a "boa qualidade" e, o presidente turco está mesmo a fazer chantagem, portanto, pode crer que, não vai demorar muito para conseguir o que quer, aliás, ele pode causar o caos quando quiser e lhe apetecer, basta deixar passar os milhões de migrantes de uma só vez e, infelizmente, não causaria implosão da UE mas mais controle.

No fundo, até isso interessa a Merkel (que apenas obedece aos que verdadeiramente mandam e ainda querem mandar mais), precisam de caos e, se for outro a fazê-lo ainda melhor.

Terrorismo, islamismo, tudo necessário para arranjar uma boa desculpa para aumentar o poder, a censura e o policiamento, só assim as pessoas aceitam perder direitos e liberdades civis, e, se reparar, a polícia de segurança pública é para acabar porque para controlar só precisam de pôr na rua, mais do que polícia, mas militares de elite, equipados como se estivéssemos em tempo de guerra.
Basta estudar História e sabemos como se aumenta o controle nos países, basta fazer como tantas vezes fizeram, "False flag operations" ("são operações conduzidas por governos, corporações, indivíduos ou outras organizações que aparentam ser realizadas pelo inimigo de modo a tirar partido das consequências resultantes. O nome é retirado do conceito militar de utilizar bandeiras do inimigo").

Estão, descaradamente, a manipular-nos e, tudo se passa em camadas, portanto, se começar a investigar, vai percebendo que nada é o que parece ser e nada acontece por acaso, aliás, só assim começa a entender a verdadeira finalidade de certos acontecimentos. Não me diga que não vê, como todas as maravilhas vendidas na entrada da UE e, agora estamos a sentir o autoritarismo, as ordens, os custos da desobediência e, pelos vistos, nem se pode sair, mesmo que os cidadãos estejam a ficar pior do que antes e, o queiram fazer. Se isto não é uma prisão, não sei que nome lhe quer dar.

O pior de tudo é que, lhe garanto, é mesmo para ficar pior, todas as leis que vão passando e parecem ser tão inócuas, são as sementes de uma verdadeira Ditadura, esta, pior que todas as outras que alguma vez existiram porque não se pode depor ou matar o ditador porque é um Sistema a nível Global e, com a ajuda da tecnologia imagine o que isso dará.
Como é algo tão diferente, dar um nome até fica difícil porque será como uma mistura de ditadura (fascista/comunista), desta vez, com a tecnologia para rematar e com tentáculos espalhados nos 4 cantos da Terra.

Pode não acreditar mas se, rapidamente, a maioria não abrir "a pestana", estão quase a fechar-nos num feudalismo tecnológico. A Razão dos próprios americanos sentirem que está tudo a mudar e a perderem liberdades inscritas na Constituição (aquela de um juiz do supremo, morrer sem causa aparente e nem se fazer a habitual autópsia, curiosamente, um defensor da Constituição) por lá, estão no começo de fazer o mesmo que aqui, o Mundo está a ser aprisionado e a maioria está a dormir.

A Inglaterra é um país que lhes está a atrasar o plano, nesta altura, já deviam ter mais controle para rebentar com o sistema financeiro e uma nova moeda, na vontade deles, virtual. Alguma vez na História da Humanidade, ouviu falar de Juros negativos? Primeiro compraram tudo o que havia a comprar, agora estão a transferir o resto da riqueza, pagar ao Banco para ter lá o dinheiro? Se não se despacharem com o dinheiro virtual, as pessoas cada vez mais, desconfiarão dos Bancos, mas dinheiro virtual será o controle absoluto.

Automatizar, robotizar e ainda se acabará por trabalhar a troco de um prato de comida. Acabar com as pequenas e médias empresas, é o processo e,
se estudar as grandes Corporações a nível mundial, acaba por descobrir que indiretamente, todas acabam por pertencer à mesma meia dúzia. Quanto mais se sabe, mais assustadora fica esta globalização e, infelizmente, se os que ainda resistem, cederem, lembre-se do aviso de George Orwell porque isto não foi conseguido num dia.
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De Pedro Correia a 17.06.2016 às 20:34

Meu caro, creio já ter deixado aqui textos em quantidade suficiente para que se perceba que sou favorável à globalização. Aliás nós, portugueses, fomos o primeiro povo globalizador da história - por que raio haveríamos de estar hoje contra a globalização?
Quem anda assustado tem bom remédio: compre um cão.
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De ariam a 18.06.2016 às 12:01

"por que raio haveríamos de estar hoje contra a globalização?"

Depois de lhe tentar explicar que, com essa da globalização, já conseguiram anular o nosso voto, acabando com a possibilidade de fazermos escolhas, sobre o nosso futuro. Onde nos puseram a gastar dinheiro por conta das gerações futuras e, em tal quantidade que implicará uma perda Total, da sua Liberdade de escolha, num sistema, de onde, jamais, poderão sair.

Gerações que vão ter de se sujeitar a um tipo de Governança corporativa e a tudo o que isso implica, um conjunto de processos, costumes, políticas, leis, regulamentos e instituições que vão regular tudo, da mesma maneira como é dirigida, administrada ou controlada uma Grande Corporação.
Onde os seres humanos, sem voto na matéria, passarão a ser simples ativos, pertencentes a Corporações que, como já sabemos, só se interessam pelo lucro dos seus próprios acionistas que, neste caso, está cada vez mais visível, a elite do 1% que, nos bastidores, já controla políticas e políticos.
Sem nada que os impeça, nem quero imaginar, até que ponto poderão chegar, essas mentes calculistas e doentias, relativamente aos "ativos" que não produzam ou lhes prejudiquem os Lucros.

Gostava de saber com que direito se intitula defensor de um Globalismo que, como se vê, pelos Tratados que andam a assinar, querem submeter a humanidade a um poder Totalitário, que dá ao Banco Mundial, ao FMI e às Grandes Corporações poderes legislativos, executivos e judiciários.

Há milhares de exemplos mas vejamos, por exemplo, o TTIP, um Tratado já assinado, só à espera de poder sair da gaveta, onde, por exemplo, se um país não quiser usar produtos geneticamente modificados, por achar que fazem mal à saúde dos seus cidadãos, essa Corporação terá direito, a um sistema judicial próprio que condenará o país a uma multa por lhe provocar perda nos lucros. Bastaria ler os que explicam, as consequências deste Tratado, para começar a ter noção dos perigos "deste" Globalismo:
"John Hilary, o diretor da ONG "War on Want", que está à frente da luta contra o TTIP"
"TTIP quer baixar padrões e aumentar lucros de multinacionais"
"sustentabilidade do planeta em prol dos lucros das multinacionais"
"Um verdadeiro atentado à vida humana a favor do lucro. Com o TTIP ficaremos reféns das multinacionais"

E estão, mesmo, a fazê-lo a nível Global:
"As discussões sobre um acordo de livre-comércio entre o Canadá e a U.E foram concluídas. Um bom presságio para o governo dos EUA, que espera firmar uma parceria desse tipo com a Europa. Negociado em segredo, permite às multinacionais processar qualquer Estado" (por Lori Wallach)

"Sob tal regime, as empresas serão capazes de contrariar as políticas de saúde, de proteção ambiental ou de regulação das finanças em vigor, em qualquer país, exigindo uma indenização em tribunais extrajudiciais. Compostos por três advogados da área empresarial, essas cortes especiais que atendem às leis do Banco Mundial e da ONU estarão habilitadas a condenar, a pesadas reparações, quando sua legislação reduzir os “lucros futuros esperados” de uma corporação."

Manda-me comprar um cão??? Só me apetece acrescentar aquela frase de Oseias 4:6 "O meu povo perece por falta de conhecimento"

Isto, para não pensar que pode ser pior, apenas um colossal egoísmo geracional, onde só conta o Hoje e o usufruir das benesses e privilégios adquiridos e garantidos que, nunca foram, nem nunca mais serão, dados a outra geração do passado ou do futuro.
A geração do presente que não se contenta em hipotecar o futuro económico das próximas gerações mas, também, a roubar-lhes qualquer sonho de Liberdade porque, sem a liberdade de escolha e de poder decidir e votar, como quer viver a sua própria vida, só poderão vir a ser, gerações obrigadas a viver numa prisão.

Sem qualquer obrigação política ou partidária, enquanto me for possível e, por uma simples razão de consciência, seguirei as palavras de George Orwell:
"In a time of universal deceit - telling the truth is a revolutionary act."
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De AntónioF a 17.06.2016 às 17:08

Caro Pedro,
permita-me que responda somente a este seu comentário sobre a Turquia e não ao texto que o origina, com uma frase de Churchill, presumo ser ele o autor, e mal estão os europeus em não a entenderem: «Constantinopla, é para os europeus, a porta da Ásia»
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De Pedro Correia a 18.06.2016 às 23:40

É bem verdade, como hoje se nota cada vez mais. Já com Santa Sofia - que tinha sido transformada em museu por Ataturk - novamente transformada em mesquita, com rezas diárias, o que está a provocar sonoros protestos na Grécia. Os gregos bem conhecem, melhor do que qualquer outro povo europeu, as tentações hegemónicas e expansionistas dos turcos.
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De AntónioF a 20.06.2016 às 10:44

Caro Pedro,
desculpe novamente em falar neste seu post sobre um assunto secundário que foi trazido a debate (este secundário, como entenderá, é na hierarquia dos assuntos aqui debatidos e não na importância do mesmo).
Este desvio e consequente reforço do peso islamita na Turquia, preocupante aos nossos olhos ocidentais e com os valores cristãos, não deixa de ser entendível em duas perspectivas: - a primeira e quiçá a mais importante, é o desânimo por ainda não terem entrado na UE - lembro que as negociações remontam à década '60; a segunda, é o reforço, como de resto em toda a Europa, dos valores da direita conservadora - que na Turquia a face é o Erdogan.

P.S.: Isto por certo poderia ser objecto de um texto seu para que este assunto pudesse aqui, neste seu espaço, ser debatido com uma maior profundidade. Fica o desafio!

Trago, como podendo servir de base, um texto de Bernardo Pires de Lima:
«É curioso que as instâncias comunitárias reiterem periodicamente os bons ventos que passam pelo processo de adesão da Turquia, quando alguns dos seus mais importantes membros defendem constantemente o contrário. Há uma narrativa institucional em cima de uma outra, nacional e eleitoral, que a fragiliza. A França e a Alemanha estão evidentemente à cabeça desta última. Simplificadamente, é este o retrato dos pontos de vista europeus: façamos de conta que sim, que a Turquia vai aderir, sabendo que isso provavelmente nunca acontecerá. No mínimo, é pouco sério.
Desde que Davutoglu assumiu os Negócios Estrangeiros, as birras europeias tornaram-se insuportáveis. Ancara percebeu que o seu dinamismo económico contrastava com a crise europeia, acelerando o retorno das comunidades emigrantes, e intensificou o arco de acção. A adesão à UE continua a ser importante mas deixou de esgotar o seu projecto internacional. A par disso, a religião recentrou-se com sucesso no debate político e na relação com os militares. E se a tensão com Israel ajudou, aquilo a que estamos a assistir pelo Magrebe e Médio Oriente projecta o «modelo turco» como o mais apelativo. Não é coincidência ser hoje a Turquia quem desperta maior fascínio na região, pela pujança económica, modelo político e autonomia estratégica. Isto não significa que a «matriz turca» vingue nestas sociedades, mas parece convincente que a Turquia se projecta como potência atractiva sem rival à altura.
Seria, por isso, do interesse geopolítico europeu que a Turquia se tornasse um dos seus actores maiores: redimensionava a política mediterrânica da Europa, a sua acção no Médio Oriente, e a sua eficácia no Cáspio e na Ásia Central. Deixar a Turquia à porta acentuará uma Europa fragilizada, com visão de curto prazo e refém dos fantasmas habituais. Está na altura de os espantar.»

LIMA, Bernardo Pires de - A Síria em pedaços. 1ª ed. Lisboa : Tinta-da-china, 2015. pp. 54, 55
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De Pedro Correia a 20.06.2016 às 12:12

Meu caro, esse livro do Bernardo Pires de Lima é muito recomendável. Com base em crónicas publicadas no DN - várias das quais tive o privilégio de ler em primeira mão.
A Turquia nunca poderia ter entrado na UE - apesar do que alguns, com destaque para Durão Barroso, andaram a proclamar durante anos.
Por motivos geográficos, por motivos demográficos (são 80 milhões), por motivos relacionados com os direitos humanos e a legalidade internacional.
Basta olhar para o mapa. Menos de 5% do território turco integra o continente europeu. Incluir a Turquia na UE seria um inevitável precedente para incluir a Rússia, por maioria de razão. Ora uma UE com uma Rússia e uma Turquia asfixiaria ainda mais os pequenos e médios países, hoje já quase só com uma expressão residual nos circuitos de decisão europeus.

Acrescem, no caso turco, sérias dificuldades de outra ordem:
- O desrespeito claro pelos direitos de minorias étnicas, designadamente os turcos;
- O desrespeito pelas minorias religiosas, designadamente os cristãos ortodoxos gregos na Trácia.
- O desrespeito pela legalidade internacional desde 1974 com o reiterado apoio à auto-proclamada república do Norte do Chipre, que apenas Ancara reconhece.

O 'flirt' com o fundamentalismo islâmico que Erdogan tem cultivado nos últimos anos, associado à repressão das liberdades de imprensa, de manifestação e de reunião, permite hoje concluir como foi sábia a decisão de alguns dirigentes europeus, com destaque para o Presidente francês Nicolas Sarkozy, de impedirem a adesão turca à UE.
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De AntónioF a 20.06.2016 às 18:41

Pois caro Pedro, permita-me que discorde e que remeta para o meu primeiro comentário: uma União Europeia sem a Turquia é uma Europa coxa...
Sim existem muitas arestas na Turquia para limar... imensas digo eu - e parece que com o tempo ainda vão sendo mais, como a que reporta.
Compete, contudo, aos líderes europeus terem a sabedoria (rara nos dias que correm) para compreender a importância deste país no contexto geo-politico e terem a clarividência de levar os políticos turcos, salvaguardando a identidade própria deste povo integrá-lo no seio da UE.
Existem reticências de alguns países? Sim, muitas direi eu!
O Chipre? Sim é um deles.
Deveria ter este país entrado sem a sua situação resolvida?
Não creio que não.

Provavelmente desconhecerá, mas o rei de Portugal - Afonso V - creio que foi o único rei europeu que quando foi a conquista de Constantinopla, respondeu afirmativamente ao chamamento do papa para organizar uma cruzada com a finalidade de reconquistar essa cidade. Não creio que seja este o espírito que deva presidir à nossa visão sobre este país!
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De Pedro Correia a 20.06.2016 às 21:00

Meu caro, um regime autocrático e xenófobo, que não respeita minorias étnicas, religiosas e sexuais, ameça liberdades básicas (como a liberdade de imprensa), viola a legalidade internacional em Chipre e adultera as bases laicas da república instaurada em 1922 por Ataturk, não pode - de forma alguma - ser premiado com a adesão à UE.
A entrada da Turquia proto-ditatorial, com os seus 80 milhões de habitantes com direito a livre acesso em todo o espaço comunitário, tornaria coxa - ela sim - a União Europeia. E tendo a Turquia, com apenas de 3% do seu território no continente europeu, entrada na UE, porque não franqueá-lo também à Rússia? Autocrata por autocrata, Putin pede meças a Erdogan.
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De AntónioF a 21.06.2016 às 09:03

Caro Pedro,
Provavelmente não me terei feito entender, mas:
- Defendo a entrada da Turquia na UE. Uma Turquia com os valores de Ataturk aprofundados, um país islâmico sim - é a sua natureza - mas próximo dos valores laicos ocidentais.
- Não defendo «esta Turquia de Erdogan» crescentemente islamizada, do mesmo modo que na Europa os valores de uma certa direita, crescentemente fascizante: são muitos os exemplos: Hungria, França (onde os herdeiros de Petain suplantam os de e Gaulle), Alemanha, Austria, etc. onde por certo se revêm.
Seriam os desejos de Erdogan mais contidos se a Turquia estivesse na UE? Não tenho dúvidas, relembre-se o exemplo austríaco de Jörg Haider.
As minorias? As minorias nacionais turcas, numa Turquia dentro da EU, seriam iguais a qualquer outra minoria nacional num qualquer outro país da UE: sem direito à sua independência - seguindo o exemplo catalão!

A Rússia é, como sabe, um outro bloco. Ela própria, pela sua dimensão, é um continente. Porém a pergunta não se coloca se deve entrar ou não na UE, eles próprios nunca o quererão, a pergunta que se pode colocar é se os países da antiga URSS (Ucrânia, Geórgia, etc.). As repúblicas bálticas, como saberá, não servirão de exemplo.
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De Pedro Correia a 01.07.2016 às 16:39

A Turquia contará sempre com o veto de algum país. Desde logo, o veto grego. Nenhuma adesão pode ocorrer sem o parecer unânime de todos os Estados membros.
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De Anónimo a 16.06.2016 às 22:55

Talvez o sobreviver tenha sido excessivo, mas que muitos, têm de emigrar para terem uma vida condigna, disso não há dúvidas. Emigrar porque se quer ver novos horizontes porque se quer ter outras experiências, é uma coisa completamente diferente, daqueles que o têm de fazer para terem e darem aos seus, aquilo que aqui, jamais teriam hipóteses.
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De Pedro Correia a 16.06.2016 às 23:15

Há diferenças, claro. Mas emigrar a salto, sem documentos nem bagagem, indo parar ao 'bidonville', como aconteceu com tantos milhares de portugueses nas décadas de 60 e 70, sem condições mínimas de higiene nem esperança de regresso, tem muito pouco a ver com a emigração actual - para empregos muito mais qualificados e geralmente para países onde os portugueses gozam dos mesmos direitos de que dispõem em Portugal e partilham da moeda que aqui circula, com viagens rápidas e baratas, e o skype à disposição de quase todos.
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De JAB a 17.06.2016 às 09:41

Eu era professor numa escola superior pública e disse isso há uns anos numa reunião geral de professores. A resposta do Presidente do Conselho Científico foi: "a nós compete asssegurar o nosso posto de trabalho; os nossos alunos se forem parar a uma qualquer secretaria isso não é problema nosso..." No fim do ano fui dispensado por "incómodo".
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De Pedro Correia a 17.06.2016 às 11:33

Pois. Uns são 'Charlie' mas é só para consumo externo. Dentro de portas viram do avesso.
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De João André a 17.06.2016 às 11:13

Pedro, também eu saí do país (e não voltei, pelo menos até agora) há já quase 13 anos (antes já tinha estado um outro ano fora) e tenho cerca de um ano de experiência profissional acumulada em Portugal (e apenas se adicionar um estágio semi-profissional no meu último ano de estudo).

Como emigrante e profissional (e até mesmo comentador) eu estou como tu: aconselho a saída do país. É uma experiência gratificante (embora seja também bastante difícil, muito mais que a maioria das pessoas que está entusiasmada com a ideia quando parte pensa) e se resulta no regresso dessas pessoas ao país, é também enriquecedora para Portugal.

Não coloco nada disto em causa.

Aquilo que coloco em causa é o "convite" que governantes fazem ao dizer o mesmo. Se Passos Coelho ou António Costa, os políticos sem responsabilidades governativas o disserem, eu vejo isso com naturalidade. No momento em que são primeiros-ministros, então passam a imagem de não acreditarem no futuro dos profissionais no país. Se o fizessem em tempos de vacas gordas e baixo desemprego, eu compreenderia, porque seria um incentivo ao enriquecimento pessoal e até público. No caso actual aquilo que deveríamos procurar era manter as pessoas que temos, especialmente porque as que saem são habitualmente as melhores (não exactamente com educação superior).

Não gosto de, em tempos de crise (que continuo a considerar existir), ver governantes a incentivar pessoas a sair. Se disserem que compreendem quem sai, é normal. Apontar para opções fora do país sem serem perguntados por tal é que não gosto. É uma forma de dizerem que não vêem alternativas no futuro próximo. Isto piora ainda mais quando se fecham consulados e acabam com serviços de ligação aos emigrantes (como fez o governo anterior e este ainda não modificou).

Não vejo contradição entre imigração e emigração. A imigração é sempre desejada: devemos sempre querer ter pessoas boas. Ajuda o país. Em tempos de vacas gordas ou magras, devemos sempre querer atrais outros bons profissionais (mesmo que sejam varredores de ruas). Isso aumenta a competitividade no mercado de trabalho e habitualmente melhora o mercado em si memso. Abrir as portas à imigração não é o mesmo que não incentivar outros a sair. Também não defendo que se fechem as portas à saída ou que se peça às pessoas para ficarem. Apenas peço que não os convidemos, directa ou indirectamente, a sair.

Quanto à vocação unversalista dos portugueses, aí torço sempre o nariz ao termo. Portugal está entalado entre o mar e Espanha. Se não formos para Espanha só nos resta o mar e o ar. Talvez por isso nos tenhamos espalhado. No entanto nunca vi mais "vocação" nos portugueses que noutras culturas. Somo talvez mais subservientes e aceitamos mais facilmente submeter-nos às culturas dos países de acolhimento. Na falta de massa crítica e de dinheiro (tradicionalmente por emigrantes portugueses são poucos e/ou pobres) não temos a possibilidade de criar verdadeiros "bolsos de portugalidade". De resto diferenciamo-nos noutros aspectos, mas não considero que sejam todos positivos e não considero essa "vocação universalista" como assim tão boa quando é verdadeira. É parte da razão de Portugal ser quase desconhecido noutros países apesar de, por vezes, estar profundamente entranhado na história deles.
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De Pedro Correia a 17.06.2016 às 11:26

João, o teu extenso comentário dá pano para mangas.

Respondo telegraficamente.

1. Há tanto para criticar nos governantes. Vê-los apontar pontos de destino profissional pontual aos países que são nossos parceiros na UE ou na CPLP nada tem de criticável, quanto a mim. Vivemos num espaço globalizado, integrado, com fronteiras diluídas. Isso não é mau. É bom.

2. Se defendemos a imigração também defendemos a emigração. Não podemos ficar a meio caminho. Porque o imigrante daqui é o emigrante de lá.

3. Até pelo motivo que apontas (e que vários historiadores, como Sérgio ou Cortesão, apontaram) a vizinhança do oceano fez de nós navegadores e aventureiros. Isto molda o carácter de um povo. Emigrar está no nosso ADN social. Não por acaso, integramo-nos sempre bem nos locais de acolhimento. Não por acaso também, construímos países longe do nosso 'habitat' natural - começando pelo Brasil - e levámos o nosso idioma a quase todos os recantos do mundo. Não é drama nenhum. Pelo contrário, deve ser motivo de orgulho. Fomos globalizadores antes da globalização.
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De João André a 17.06.2016 às 16:53

No 1. já dei a minha opinião. Não consigo, pelo menos hoje, explicar-me melhor.

2. A minha opinião é que os governos não têm que defender nenhuma delas. Devem criar condições para que a população emigre apenas se o desejar, não porque se veja num beco sem saída. Devem também criar condições para os imigrantes poderem ser integrados, mas não necessariamente andar a publicitar Portugal no estrangeiro. Em suma: dar condições para que todos os profissionais se sintam bem no país. Quem quiser vir, que venha. Quem quiser ir, que vá. Mas por opção.
Uma adenda: a dicotomia emigração-imigração poderia ser vista desta forma: um imigrante vem educado noutro lado - o investimento foi de outrém. Um emigrante foi educado no país - o investimento é (pelo menos parcialmente) perdido.
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De Pedro Correia a 17.06.2016 às 20:47

Sou contra essa dicotomia, João. Como sou contra as fronteiras rígidas. O programa Erasmus - uma das maiores conquistas das novas gerações, directamente beneficiárias da integração europeia - altera os dados da questão. É cada vez mais difícil falarmos em compartimentos estanques, também em matéria educativa.

Não sei se os governos portugueses têm criado ou não condições para evitar a emigração. Sei, isso sim, que Portugal com os seus cerca de 20 mil dólares anuais de rendimento 'per capita' está muito acima da média dos países do mundo em termos de rendimento.
http://statisticstimes.com/economy/projected-world-gdp-capita-ranking.php

O nosso salário mínimo - 520 euros mensais - é mais do que o salário médio de quase metade dos países do mundo. Vigora aqui o rendimento mínimo, algo que é impensável em pelo menos dois terços dos restantes países.
E se o facto de Portugal figurar entre os cinco países mais pacíficos do globo terrestre não funcionar como poderoso incentivo para atrair a imigração e travar a emigração, nos tempos que correm, não sei o que será:
http://www.publituris.pt/2016/06/08/portugal-e-o-5-a-pais-mais-pacifico/
Os restantes são a Áustria, a Dinamarca, a Islândia e a Nova Zelândia.

Eu sei que as boas notícias têm má imprensa - não me lembro sequer de ter visto isto destacado. Mas não é por acaso que continuamos a bater recordes sucessivos de receitas turísticas, ano após ano.
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De Tiro ao Alvo a 17.06.2016 às 13:45

Não me parece que o João tenha razão quando defende que "aquilo que deveríamos procurar (fazer) era manter as pessoas que temos, especialmente porque as que saem são habitualmente as melhores (não exactamente com educação superior)".
Digo isto por me parecer que actualmente Portugal dispõe de muita gente jovem habilitada com formação profissional e não somente superior, que excede, de longe, as necessidades do país. Ou, dito por outras palavras, o nosso estado de desenvolvimento não permite a colocação de todos os técnicos, sobretudo os habilitados com curso superior, que vão saindo das nossas escolas. O mesmo é dizer que as empresas portuguesas, essencialmente pequenas empresas, não têm capacidade/necessidade para dar trabalho a técnicos de elevada craveira.
Era bom que assim não fosse, mas parece-me que essa é a realidade.
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De João André a 17.06.2016 às 16:48

Curiosamente não discordo uma linha que seja do que escreve. Poderei duvidar se a oferta excede ou não as necessidades, mas assumindo que assim é, não posso discordar do resto.

Só que isto não é incompatível com o que eu escrevi. Não existir emprego para os profissionais não significa que eles nada tenham que fazer. É da responsabilidade dos governos criar condições para que estes profissionais possam encontrar emprego ou criar o seu. Se tivermos 10 profissionais sem posição disponível, nada impediria em princípio que um ou dois criassem empresas que acabassem a empregar os restantes.

Pode não existir oferta actual, mas se existir inovação, a oferta pode aumentar. É por isso que lamento a saída destas pessoas. Algumas poderiam criar empresas e emprego, outras poderiam preferir trabalhar nesse tipo de empresas. Os governos têm é que criar as condições para este cenário.
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De Tiro ao Alvo a 17.06.2016 às 17:14

Inteiramente de acordo. O que me parece é que este governo não está a fazer os mínimos para que isso aconteça (investimento, inovação) e as medidas anunciadas ontem pelo Ministro da Economia, se implementadas, não creio que irão ajudar muito, sendo que algumas dessas medidas me parecem mais exercícios académicos do que outra coisa. A ver vamos.

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