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Não, o PSD não pode dormir descansado.

por Luís Menezes Leitão, em 07.03.18

Estou no essencial de acordo com esta análise de Miguel Pinheiro. Estou, porém, frontalmente em desacordo com a sua conclusão. É verdade que o CDS desde sempre viveu num grande equívoco, que é o facto de o partido ter uma base eleitoral colocada claramente à direita, mas ter dirigentes que nunca assumiram esse cariz ideológico e, ou passaram a vida a lutar contra ele, como foi o caso de Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa, ou rapidamente o abandonaram, como foi o caso de Lucas Pires. O CDS viveu sempre com o problema de os seus dirigentes não gostarem do seu eleitorado, e até quererem mudar de eleitorado. Já os eleitores gostavam dos seus dirigentes, mas não percebiam o seu posicionamento político.

 

Foi assim com Freitas do Amaral e Amaro da Costa, que nunca quiseram ligar o CDS à herança do antigo regime, impedindo-o de ter o papel que a Aliança Popular, e depois o PP, teve em Espanha. O CDS apenas assumiu esse papel uma vez, quando votou contra a constituição marxista, o que de facto lhe valeu uma enorme subida eleitoral, mas rapidamente abandonou esse posicionamento, fazendo uma coligação com o PS, coisa que os eleitores de ambos os partidos acharam absolutamente incompreensível. Hoje a história oficial do CDS renega Freitas do Amaral e louva Amaro da Costa, mas a verdade é que o posicionamento dos dois não era distinto, tendo sido até Amaro da Costa o artífice da coligação PS/CDS. Aliás o sonho do CDS na altura, com a denominada teoria das duas bossas, era partir o PSD em dois ou mais partidos, fazendo do CDS e do PS os dois esteios do regime. Isso nunca viria a concretizar-se em virtude de os ministros do CDS terem percebido que era insustentável governarem com o PS e de Sá Carneiro ter conseguido resolver a cisão dos inadiáveis. Foi assim que se formou a AD, como uma coligação de direita reformista, transmitindo uma mensagem clara em que todo o eleitorado do CDS se reviu com entusiasmo. O colapso da AD, com o abandono de Freitas do Amaral, gerou uma surpresa, com a vitória do nacionalismo liberal de Lucas Pires, quando toda a gente esperava a eleição de Luís Barbosa, mais de acordo com a linha tradicional do CDS. Lucas Pires, no entanto, seria derrotado por Cavaco Silva e demitir-se-ia, transitando do nacionalismo liberal para o europeísmo mais convicto. Chegou Adriano Moreira, mas foi incapaz de impedir a maioria de Cavaco Silva, que transformou o CDS no partido do táxi.

 

O CDS entrou então na fase de O Independente, caso em que pela primeira vez um jornal tomou conta de um partido, primeiro com a candidatura presidencial de Basílio Horta, e depois com o lançamento de Manuel Monteiro, em ambos os casos com Paulo Portas na sombra. O CDS assumiu então uma vertente populista e eurocéptica, tendo até mudado de nome para PP, posição que lhe rendeu muitos votos, mas a incapacidade de Manuel Monteiro em gerir o ascendente de Paulo Portas no partido ditou a sua queda. Não deixando de manter algum populismo, Portas fez passar o CDS de eurocéptico a eurocalmo, o que lhe permitiu ascender duas vezes ao governo em coligação com o PSD, com o interregno de Ribeiro e Castro. Hoje já ninguém se lembra do acrescento PP. Mas Portas teve a inteligência de se ir embora, após a formação da geringonça, apostando numa renovação com Assunção Cristas, ao contrário do que erradamente Passos Coelho fez.

 

Assunção Cristas não tem uma posição ideologicamente marcada, tendo sido a meu ver até a Ministra mais à esquerda do governo de Passos Coelho. Isso, porém, não significa que não dê ao eleitorado do PSD um voto de refúgio, em caso de escolhas desastradas de candidatos, como se viu em Lisboa, onde obteve 20% dos votos, o que foi decisivo para a desistência de Passos Coelho. Com isto Assunção Cristas mostrou que a regra de que o CDS não consegue crescer eleitoralmente à custa do PSD já não está em vigor. E por isso, ou o PSD apresenta uma proposta eleitoral clara, e com candidatos credíveis, ou pode obter mais uma derrota. Deixar Cristas a fazer oposição sozinha é um erro que se vai pagar muito caro.


33 comentários

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De Lucklucky a 07.03.2018 às 10:52

Continuam a pensar que o PSD e o CDS existem...

Se chegassem ao Governo quais a leis que o PSD e CDS retirariam do Diário da Republica?

Resposta: nenhuma.
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De V. a 07.03.2018 às 11:30

Nem mais. Todavia gostei do epíteto "eurocalmo". Dá para estender para "eurochulos" no caso dos socialistas e dos seus aliados de um lado e de outro.
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De Vlad a 07.03.2018 às 10:58

Todos defendem que o PSD deve demarcar-se ideologicamente do PS se pretender ser novamente um partido de Poder - mudança defendida pelos "passistas".

Mas pergunto:

Antes de Passos o PSD não ganhava eleições? Antes de Passos, o que diferenciava, substancialmente, PS e PSD? Muito pouco, em meu entender.

Se existe um perfil sociológico do eleitorado o PSD faz muito mal em pretender derivar para a Direita - não estou a ver as gerações mais novas embarcarem na cantiga da flexibilização laboral, perda de Direitos Sociais, um abaixamento inevitável dos rendimentos em nome da produtividade....etc.
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De Luís Menezes Leitão a 07.03.2018 às 11:07

Não falei em derivar para a direita, já que nem o CDS o fez. Falei em fazer oposição, que é o que o CDS está a fazer.
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De Vlad a 07.03.2018 às 11:28

Luís, não entendo a ideologia do CDS....temos de um lado, Nuno Magalhães, e no outro o eurodeputado Nuno Melo....ismos para aqui, ismos para ali, uma grande salganhada....dentro dos Partidos existem fações, do tipo, ideologias virais dentro de partidos hospedeiros.

Cada vez são mais importantes os lideres que a ideologia de partido A ou B....

Voltamos ao tempo do Carisma! Ao tempo dos Césares!
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De Vlad a 07.03.2018 às 12:01

Cristas desafiada a assumir “morte” do CDS como partido democrata-cristão

Raul Almeida considera que a moção da líder ao próximo conclave, de 10 e 11 de Março, é “um cheque em branco a Assunção Cristas” que permite “transformar [o CDS] no tal partido pragmático, despido de ideologias, avesso aos valores, gerido à vista em função da opinião pública do momento”. Assinalando que não é referida “uma única vez a palavra democracia-cristã” nem há alusão “aos valores fundacionais do partido”, o ex-parlamentar critica a falta de “compromisso” da líder com questões como a “escolha de deputados, funcionamento interno e respeito pelas estruturas, uma prática mais saudável para a secretaria-geral e mais transparência e independência para a jurisdição”. Assim, conclui, “o partido é meramente instrumental na prossecução dos seus interesses individuais”.

https://www.publico.pt/2018/03/01/politica/noticia/cristas-desafiada-a-assumir-morte-do-cds-como-partido-democratacristao-1804857

Ou muito me engano, ou vai sair fumo preto
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De Lucklucky a 07.03.2018 às 12:34

Acordou tarde esse Raul Almeida, não percebeu que a Assunção Cristas é uma criação jornalista que a promoveu para chegar a líder e existe para agradar às redacções dizendo coisas que ficariam bem na boca do Bloco ou PS.
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De Vento a 07.03.2018 às 17:20

Vlad, a afirmação de que o CDS irá aonde for necessário, sem nunca ir longe demais, de Freitas do Amaral, adapta-se à afirmação de LML:"Não, o PSD não pode dormir descansado".

O PSD de Santana é aquele que mais se ajusta ao perfil do CDS. Isto é, existe uma facção do PSD que pede uma nova leitura histórica relativamente às eleições em que se formou a geringonça. E o CDS, que perdeu a hipótese de ir à boleia com Rui Rio, sabe que só pode ser através do cisma no PSD que poderá alcançar um novo estatuto político.
As mudanças eleitorais um pouco por todo o mundo Ocidental indicam que o eleitorado é volátil, e já não se encontra ligado a questões ideológicas para ver satisfeito o seu bem-estar. Aliás, esta tem sido a força quer dos movimentos de esquerda quer dos movimentos de direita ditos extremistas.
Portanto, Cristas tem no eleitorado do PSD o seu crescimento. E vai conseguir.

Aliás o PS de Costa e o BE de Catarina cresceram precisamente com este eleitorado. Mas este eleitorado não quer sacerdotisas e sacerdotes feministas, também dados a dietas com pouco sal e açúcares, preconceituodo(a)s com o cigarro, mas descobrindo sempre as virtudes de um bom charro, cuidadosos nos discursos sobre as alterações climáticas, mas deixando arder hectares de matas que ceifaram vidas humanas. Rigorosos na implementação de leis gratuitas que levam por nome piropo e assédio, mas pouco rigorosos a guardar armas nos quarteis... A castração anda na ordem do dia em nome de uma nova virtude. Tal como a virtude a que se deu o nome de "avanço civilizacional" para matar crianças nos ventres maternos.
Em suma, o eleitorado não quer gajos avançados e gajas avançadas. Quer malta que saiba ir ao encontro das verdadeiras necessidades de um povo.

O PIB cresceu, não foi a dívida que baixou. E as políticas do sal e do açúcar não resolvem o problema dos doentes que deixam de comprar medicamentos por falta de dinheiro. Os 8% de desempregados oficiais não compensam os cerca de 18% dos desempregados reais que não aparecem nas estatísticas.

Cristas, ao contrário de Rio que ainda não sabe ao que vem, tem muito por onde crescer. Rio quer dar somente um passinho de tango com o Costa. E o país não está para festivais dançantes.
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De Vlad a 07.03.2018 às 20:26

Vento como o herético Lavoura já apontou é a economia deixar de bombar, ou outro descalabro como o do verão passado e temos novamente o PSD no governo.

Em Portugal são os partidos do governo que perdem eleições. Não é a oposição que as ganha
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De Vento a 07.03.2018 às 22:22

A bombar andam as pessoas sem ver efeito na sua economia. A troika actual, e em particular o PS e o BE, andam a pretender governar para os clientes: função pública, feministas, abortistas, os alérgicos a açúcares e sal, ao cigarro, a quem não gosta da queca... E vão tão longe que até encontram nos eucaliptos os seus principais opositores.

Sabe qual é o problema desta política? O mesmo dos revolucionários latino-americanos e outros mais. Tudo queriam mudar. Mas depois do opressor derrotado, chegou-se à conclusão que a riqueza e opressão somente mudou de mãos.
Estes, os de que falamos, são capaz de tudo mudar, para alguns.

Acontece, meu caro, que isto não vai nem com a economia a bombar nem com ela parada.
Ser cristão é andar em busca de alimento. Cristo não está no pão. Está no pão compartilhado (talvez por isto muitos sintam dificuldade em compreender a Eucaristia). Por isto mesmo, Ele é o "Pão vivo descido do céu". E partir o pão em sua memória, o Sacramento, é precisamente partilhá-l´O com tudo quanto por Ele alcançamos.
Anunciar-se a morte de Deus não fez sentido. Só fez sentido para aqueles e aquelas que querem que nada faça sentido.

Estes políticos parecem-se "filhos" e "filhas" dos que fizeram os caminhos de Katmandu, os que de lá saíram com uma mão cheia de nada. Logo, nada tendo para oferecer, tudo tomam.
O reino de Deus e Sua justiça não é para ser feito no outro mundo, mas fazer deste um mundo diferente.
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De Anónimo a 07.03.2018 às 21:01

A sua descrição sobre o PS e o BE mostra que o "vento" levou o seu cérebro.
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De Vento a 07.03.2018 às 21:30

Não meu caro, ventania foi o que passou por si e o deixou atordoado. O PS de Costa não é o PS; e o BE de Catarina não é o BE de Portas, de Louçã e de uns quantos poucos mais.
http://rr.sapo.pt/noticia/94703/308_sufragios_e_no_fim_ganha_o_ps_os_numeros_das_autarquicas

O BE de hoje cobre-se de sacos e coloca cinzas na cabeça, para fingir ter pena dos pobrezinhos e dizer que o papão é o Costa. O BE diz que governa quando o vento lhe corre de feição, mas é oposição quando as coisas não lhe calham bem. Até os eucaliptos servem como opositores. Isto é hipocrisia, e eu não tenho muita pachorra para estes cenários.
Costa compreenderá que governar por qualquer preço deixá-lo-á sem trocos. Mas cá está o país para pagar a conta.
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De V. a 07.03.2018 às 11:39

As gerações mais novas quiseram mudar o regime dando a maioria a PC e 15% a PP em 2011 — a ideia era mudar tudo para que mais adiante se pudesse fazer de novo. Mas desbarataram esse capital com as excepções e uma cobardia fatal. Agora as gerações mais novas já não votam. Estão à espera que o regime caia.
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De Vlad a 07.03.2018 às 12:16

Votam, votam...é deixá-las entrar no mercado laboral, através de empregos da gaita.

A juventude, mais militante, costuma ser de extremos (falta um partido à direita do CDS, que não seja beto e beato), não do Centro.

Os velhos conservadores do centro (PS/PSD).

Sendo que os velhos irão estar em maioria, quem não mexer nas pensões, independentemente do resto, tem o país na mão.


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De Lucklucky a 07.03.2018 às 12:22

O Governo PSD-CDS Durão Barroso foi eleito com maioria para a privatização da RTP do canal 2 no programa eleitoral.

O Governo PSD-CDS Durão Barroso acabou a não fazer nada disso antes pelo contrário a criar mais um canal e Morais Sarmento quem estava encarregado do dossier a aparecer como comentador da RTP...

Esta foi a altura em que acabou para efeitos práticos o regime democrático em Portugal.

Apesar do barulho Passos foi só um gestor do Socialismo. Deixou tudo pior com o Estado com ainda mais poder e ainda mais grupos alimentados pela possibilidade de violência do estado.
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De Pedro a 07.03.2018 às 13:05

Sim, pois. Com uma diminuição do subsidio de desemprego, e a sua cobertura, das pensões e salários, e abono de família, com a privatização de empresas estatais, em monopólio natural....tudo politicas socialistas, clarinho...
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De Lucklucky a 07.03.2018 às 14:23

Boa parte do subsídio de desemprego, as pensões e os salários eram pagos pela dívida. Caso não saibas quando o Governo Socrates teve 12+ % de défice( em relação ao PIB) isso quer dizer 25% do Orçamento(+-50% do PIB) era pago pela Dívida- ou seja mais de 3 meses de 14 meses de pensões.

Não leste Keynes o ídolo dos socialistas de esquerda e direita? Ou já é um perigoso neoliberal também?

Privatização não quer dizer liberalismo se o monopólio é mantido. Sabes a diferença entre mercantilismo e liberalismo não?
Quando a ANA foi privatizada e continuou o monopólio nem ouviste um ui da CGTP.
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De Vlad a 07.03.2018 às 16:13

O Mercado Internacional vive de Divida...do parasitismo

A Divida alimenta esta economia parasitária....quanto aos outros modelos "puramente" liberais nunca vi nenhum...assim como os verdadeiros regimes comunistas....também nunca vi nenhum...assim como as verdadeiras teocracias...nunca vi nenhuma....

A dívida mundial aumentou para os 223 biliões de dólares (cerca de 185 biliões de euros) no terceiro trimestre de 2017. Os dados revelados esta sexta-feira pelo Instituto de Finanças Internacionais apontam para um aumento na ordem dos 16 biliões de dólares (13 biliões de euros), em comparação com o ano anterior.
Ainda assim, a percentagem da dívida no Produto Interno Bruto (PIB) mundial caiu pelo quatro trimestre consecutivo. Os dados macroeconómicos, veiculados pela Bloomberg, indicam que a dívida bruta em % do PIB se fixou nos 318%, três pontos percentuais abaixo da percantagem registada em igual período do ano passado.

Sugestão de um livrinho que pode baixar em PDF da net:

https://en.wikipedia.org/wiki/Debt:_The_First_5000_Years

A major argument of the book is that the imprecise, informal, community-building indebtedness of "human economies" is only replaced by mathematically precise, firmly enforced debts through the introduction of violence, usually state-sponsored violence in some form of military or police.
A second major argument of the book is that, contrary to standard accounts of the history of money, debt is likely the oldest means of trade, with cash and barter transactions being later developments. Debt, the book argues, has typically retained its primacy, with cash and barter usually limited to situations of low trust involving strangers or those not considered credit-worthy.
Graeber shows how the second argument follows from the first; that, in his words, "markets are founded and usually maintained by systematic state violence", though he goes on to show how "in the absence of such violence, they...can even come to be seen as the very basis of freedom and autonomy".

The New York Review of Books called the book "an encyclopedic survey...an authoritative account of the background to the recent crisis...an exhaustive, engaging, and occasionally exasperating book".


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De Lucklucky a 08.03.2018 às 12:48

Vlad nem sequer percebes que é o socialismo que quer e precisa da dívida?
Julgas que a bolha de crédito imobiliário com leis a facilitar - e no caso dos EUA a obrigar e com 2 organisações estatais a servirem de seguradoras Fannie Mae, Freddie Mac.- a sua concessão aconteceu porquê?

Porque é que julgas que o Portugal Socialista tem uma enorme dívida e o Chile Neoliberal tem uma dívida diminuta e com regras para limitar o endividamento quando a escola de Chicago mandava lá?

Diz lá quem é que é amigo dos bancos e da finança outra vez Vlad?
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De Tiro ao Alvo a 07.03.2018 às 17:58

O Vlad estaria mais certo se escrevesse "com uma diminuição (...) das pensões" de valor mais elevado.
Para mim, privatização de empresas estatais não corresponde a uma política socialista.
O que me parece que está a fazer falta, em Portugal, é um Partido que se afirme liberal, mas, se calhar, iremos é ter, qualquer dia, um ou dois Partidos populistas, tal como aconteceu noutras paragens...
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De Vlad a 07.03.2018 às 20:20

Verdade. Mas também não seria expectável diminuir as que mal dão para viver
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De Luís Lavoura a 07.03.2018 às 11:18

o PSD apresenta uma proposta eleitoral clara, e com candidatos credíveis

Eu diria que os candidatos credíveis são muitíssimo mais importantes do que a proposta eleitoral clara.

O PSD nunca apresentou propostas eleitorais claras, porque o PSD não tem, nunca teve, uma ideologia clara. O PSD sempre ganhou o poder por causa do descalabro do PS e/ou da força dos candidatos do PSD.

Se e quando o PS voltar a entrar em descalabro (o que significa, a economia parar de bombar), ganhará o PSD ou o CDS, consoante aquele que tiver candidatos mais credíveis. Não consoante aquele que tiver propostas eleitorais mais claras.
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De Pedro Correia a 07.03.2018 às 11:38

A conclusão desse artigo não faz sentido. Como se as autárquicas de Outubro passado nunca tivessem existido, com Assunção Cristas a ultrapassar e a humilhar a candidata do PSD.
Estas eleições demonstraram, pelo contrário, que CDS e PSD funcionam de acordo com o princípio dos vasos comunicantes: enquanto os segundos hibernam, os primeiros amealham votos. Já sucedeu o contrário, num passado mais remoto e mais recente.
Assunção Cristas tinha seis anos quando Amaro da Costa morreu tragicamente em Camarate. Muita coisa mudou desde então: a começar no século, que é diferente. A memória "identitária" dos partidos está muito longe de explicar a sua dinâmica actual, excepto no caso do imutável PCP.
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De Luís Menezes Leitão a 07.03.2018 às 11:46

Caro Pedro: Eu não deitaria totalmente fora a memória identitária dos partidos, que é um factor estruturante do nosso sistema político e que tem impedido a entrada de novos partidos, ao contrário do que se vê lá fora. Mesmo o sucesso do PRD de Eanes foi transitório e as posteriores tentativas de Manuel Monteiro e Marinho e Pinto de fazer novos partidos fracassaram. Já quanto aos vasos comunicantes entre o PSD e o CDS, eles existiram antes, mas apenas a favor do PSD, como foi o caso extremo com Cavaco Silva. Estar agora a ocorrer a favor do CDS é que é a meu ver um fenómeno novo.
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De Pedro Correia a 07.03.2018 às 12:48

De facto, Luís, é a primeira vez que funcionam claramente a favor do CDS - numa prova inequívoca, mais uma, de que a política tem horror ao vácuo.
E a estratégia do PSD para as autárquicas de Lisboa (não apenas na cidade, mas ao nível do próprio distrito) pode classificar-se assim mesmo: foi um imenso vácuo.
Se esta tendência persistir agora a nível nacional - e há amplos sinais nesse sentido, que venho referindo aqui no DELITO - aí estará o CDS pronto a preenchê-lo. O n.º 2 do partido em Lisboa, João Gonçalves Pereira, deixou já isso bem claro numa entrevista esta manhã à SIC Notícias.
Cabe ao PSD optar se quer brincar às oposições ou ser oposição a sério.
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De Luís Lavoura a 07.03.2018 às 17:02

a memória identitária dos partidos é um factor estruturante do nosso sistema político e tem impedido a entrada de novos partidos

Eu diria que os novos partidos não têm tido sucesso, não devido a qualquer (falta de) memória identitária, mas sim devido à (falta de) implantação local. Todos os novos partidos que têm sido formados dependem de algumas grandes "cabeças pensadoras" a nível nacional, mas não têm uma implantação local, em termos de figuras gradas ("caciques"), que lhes dê profundidade. Aliás, é por isso mesmo que o CDS é um "partido do taxi": porque não tem uma implantação local profunda, ancorada em caciques (re)conhecidos em cada vila.

A meu ver não se trata de uma questão de memória identitária, mas sim de uma questão de contrução paciente de uma estrutura de poder local.
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De Vlad a 07.03.2018 às 11:48

Pedro, se me permite:

Não entendo a força do "passismo", dentro do PSD actual, quando nas autárquicas nem candidatos de "jeito" arranjaram....
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De Pedro Correia a 07.03.2018 às 12:49

Qual "passismo" dentro do PSD actual, Vlad?
Não foi Rui Rio quem ganhou a eleição do PSD?
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De Pedro a 07.03.2018 às 13:09

Queria dizer, no Parlamento....não entendo como Rio ganhou e Montenegro nem sequer concorreu....mistérios!
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De Pedro a 07.03.2018 às 12:47

Pedro, nada mudou de substancial desde os tempos das "cavernas". Por essa razão ao lermos um livro, seja ele um romance de ideias, ou de história do sécXIX, entendemos a sua actualidade. Ninguém supera Marx/ Nietzsche/Hobbes na teoria histórica - A luta pelo Poder/Reconhecimento.

"Esse mundo é a vontade de potência — e nada além disso! E também vós próprios sois essa vontade de potência — e nada além disso!” – Nietzsche, Fragmento Póstumo."

"A ideia de reconhecimento em Hobbes é determinada por sua concepção de competição ou luta pelo poder."

"Luta de classes, refere-se a um fenómeno social de tensão ou antagonismo que existe entre pessoas de diferentes classes sociais com o objectivo de aquisição de poder."

Poder=Reconhecimento=Liberdade==»Desigualdade===»Luta (Ciclo fecha-se)


A tecnologia do pensamento é mais lenta que a evolução da máquina.
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De Vlad a 07.03.2018 às 18:36

Os vasos "comunistas" são entre PSD e PS, ou entre o PSD e CDS?

Sinceramente não sei.
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De JS a 07.03.2018 às 19:33

Os PMs em Portugal, sejam do PSD ou PS -enquanto poder político- são apenas os gestores da massa falida do ex-País, Portugal. Perguntem a todos os PMs que passaram por S. Bento, e ao que lá está agora. Dentro do PSD e do PS até se dorme bem. São funcionários da UEE. E cá fora?.

A armadilha inventada por Wolfgang Schäuble / Alemanha, incrementou desatrosamente a dívida nacional dos Países da UE, primeiro em relação a instituições bancárias, agora "vendida" ao cobrador de fraque, o BCE.
Transformou os políticos nacionais, dos Países envolvidos, em meros gestores da massa falída.

O Euro -como moeda ÚNICA- foi o remate final.
Se se contentassem em criar uma moeda comum europeia - cambiável, para concorrer com o dolar- talvez esta castástrofe não tivesse acontecido.
Os políticos dos diferentes Países -como no Reino Unido- seriam obrigados a controlar, na medida das legalidades internas, a sua balança de pagamentos. As suas Economia, as suas Finanças.

Esta UE foi criada pela incorrigível malandrice alemã e sustentada por funcionários não-alemães (para disfarçar, como Juncker, Tusk e Cia), em nome da Alemanha, já durou até demais.
Agora vamos a ver como acaba.
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De Anónimo a 07.03.2018 às 21:00

"quando votou contra a constituição marxista"
Marxista? Não escreva disparates...

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