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Não há lei da rolha que resista

por Pedro Correia, em 06.12.14

374770[1].jpg

 

Bem pode António Costa tentar impor a lei da rolha no PS quanto ao caso Sócrates. Do estabelecimento prisional onde se encontra, o ex-primeiro-ministro tudo faz para contrariar este desígnio. Assumindo o máximo protagonismo de que há memória entre nós num cidadão em regime de prisão preventiva, insiste em captar para si próprio a luz dos holofotes. Não para se defender das acusações que lhe são imputadas - e em parte tornadas públicas no acórdão do Supremo Tribunal de Justiça que sustenta a legalidade da sua detenção - mas para acusar indiscriminadamente tudo e todos. Ministério Público, jornalistas, polícia, professores e o juiz Carlos Alexandre. Para apontar o dedo acusador ao Estado de Direito.

 

Imaginando-se na condição de preso político em ditadura - ele que tem todas as garantias processuais conferidas pela legislação produzida durante o seu mandato como chefe do Governo, ao contrário do que sucede com os opositores políticos na Venezuela, onde vigora um regime que ele tanto admira. Opositores como Leopoldo López, sujeito desde Fevereiro a um duríssimo regime de prisão preventiva, impedido de receber visitas dos próprios familiares e sem data marcada para julgamento num país onde a magistratura funciona hoje como mero braço punitivo do poder político.

Como escreve o Luís Rosa, em editorial no jornal i, «José Sócrates quase que se deve ver como um Nelson Mandela - ou tantos outros homens políticos que afrontaram verdadeiras ditaduras totalitárias em nome da liberdade, da igualdade de direitos e de uma sociedade próspera e justa. Não cabe na cabeça de um mitómano como Sócrates que esse tipo de comparação seja insultuosa para a memória dos verdadeiros combatentes contra todas as ditaduras que existiram e continuam a existir por esse mundo fora».

 

Segundo o princípio dos vasos comunicantes, quanto mais Sócrates se esforça por preencher as atenções mediáticas mais se esvazia o capital político de António Costa potenciado pela sua recente eleição como secretário-geral do PS. Imaginar, neste contexto, que as duas realidades funcionarão daqui por diante em compartimentos estanques é pura estultícia.

Razão tem pois Sérgio Sousa Pinto, um dos novos membros do Secretariado socialista, em declarar hoje sem rodeios em entrevista ao i: «Caso Sócrates prejudica objectivamente o PS.»

Como um eucalipto voraz que seca tudo à sua volta.

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40 comentários

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De Nascimento a 06.12.2014 às 17:39


O Maduro? Um "democrata"...O López?Um "Democrata"...ui! Ali prá queles ladecos é tudo uma marabilha, pá! é vêr onde "estudaram"... empregos? É no Pitról,nunca por menos. Tudo com muiiita descendência "... e nem falta o braço com o punho á "lá socialista!!Tem de ser.Nada como ser mais um mártir...
Quanto ao resto da escrita,tá bem..
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De Pedro Correia a 07.12.2014 às 00:18

Maduro ainda é verde. Apesar de vermelho.
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De Rédea Curta a 06.12.2014 às 18:28

Sócrates achava Hugo Chávez muito liberal:

http://www.youtube.com/watch?v=Eeo4aLjEUp8
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De Pedro Correia a 06.12.2014 às 23:52

Este Gato fede.
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De Maria Dulce Fernandes a 06.12.2014 às 21:38

The first rule of Fight Club is: You do not talk about Fight Club. The second rule of Fight Club is: You do not talk about Fight Club... Ou então não...

https://www.youtube.com/watch?v=3588JH9C-wM
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De é que há diferenças a 06.12.2014 às 22:53

Um homem não chega para tudo.E nem sempre há tempo para afinar as leis.
Mas vê-se logo que um pilha-galinhas ou um faquista de fancaria estão sujeitos a preventiva mas nunca um ex-governante e muito menos um ex-primeiro ministro.
Há diferenças.
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De Pedro Correia a 06.12.2014 às 23:56

É mais fácil deter um faquir do que um faquista. O primeiro deita-se em qualquer cama.
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De m. martins a 06.12.2014 às 23:12

"ao contrário do que sucede com os opositores políticos na Venezuela, onde vigora um regime que ele tanto admira."
Pode sustentar esta afirmação? Diga onde e quando JS afirmou tal coisa.
Essa obsessão com JS mais parece paranoia. Isso tem tratamento.
Fazia-lhe bem ir ali ao "tempo contado" do Rentes de Carvalho ( que você diz admirar) e ler os Castelhanos.
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De Pedro Correia a 06.12.2014 às 23:17

Já cá faltava a saudosista da União Soviética. Dos "bons tempos" em que qualquer crítica política exigia tratamento psiquiátrico.
Acorda, kamarada. Esse tempo já passou.
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De m. martins a 06.12.2014 às 23:22

É mais fácil pôr rótulos à laia de insulto do que dar uma resposta concisa sobre afirmações gratuitas.
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De Pedro Correia a 07.12.2014 às 00:01

Não seja paranóica.
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De m. martins a 07.12.2014 às 00:44

Paranóino é Vxa, tendencioso e malcriado. Passe bem.
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De Pedro Correia a 07.12.2014 às 11:13

Chamam-me "paranóino" e eu é que sou malcriado? É preciso ter lata. Adeuzinho.
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De Mário Pereira a 07.12.2014 às 04:28

«ao contrário do que sucede com os opositores políticos na Venezuela, onde vigora um regime que ele tanto admira»???
Nunca ouviu falar em realpolitik, meu caro?
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De Mário Pereira a 07.12.2014 às 18:09

Mas o Pedro tem alguma coisa contra o facto de o Sócrates ter eventualmente feito lóbi a favor da Lena na Venezuela? Isso tem permitido a muita gente continuar a trabalhar, em vez de ir para o desemprego, como aconteceu com tantos milhares de trabalhadores da construção.
Quais são então os limites da realpolitik? Eu não gosto particularmente dela, mas há tantos exemplos de tantos governantes, de tantos regimes democráticos, ao longo da história e mesmo na actualidade que não me parece um argumento particularmente interessante atacar o Sócrates também por isso. Ele já tem pontos fracos que chegue sem ser preciso desvalorizar a própria argumentação anti-Sócrates atacando-o por tudo e mais alguma coisa.
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De Pedro Correia a 08.12.2014 às 11:29

Mário, a resposta à sua relevante pergunta inicial ser-nos-á fornecida no decurso do processo em que JS é indiciado.

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