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Não é o país dela, nem o meu, mas duvido que ele tenha percebido

por Sérgio de Almeida Correia, em 08.04.14

"Eu gostava de dizer ao actual Presidente da República, aqui representado hoje, que este país não é seu, nem do governo do seu partido. É do arquitecto Álvaro Siza, do cientista Sobrinho Simões, do ensaísta Eugénio Lisboa, de todas as vozes que me foram chegando, ao longo destes anos no Brasil, dando conta do pesadelo que o governo de Portugal se tornou: Siza dizendo que há a sensação de viver de novo em ditadura, Sobrinho Simões dizendo que este governo rebentou com tudo o que fora construído na investigação, Eugénio Lisboa, aos 82 anos, falando da “total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.” - Alexandra Lucas Coelho


10 comentários

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De Habituado a 08.04.2014 às 18:03

No Brasil é que se está bem.

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/04/traficantes-atacam-tropas-que-ocupam-o-complexo-da-mare-no-rj.html
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De Carlos Duarte a 08.04.2014 às 18:20

Caro Sérgio,

Li, noutro lado, o texto completo. Concordo com muito dele, mas fiquei bloqueado na enormidade de estupidez que é esta frase:

"Eu gostava de dizer ao actual Presidente da República, aqui representado hoje, que este país não é seu, nem do governo do seu partido. É do (...)" - e depois elenca uma lista de personalidades maiores ou menores, mas irrelevantes para o caso.

A não ser que a senhora desconheça o significado de democracia representativa, esses senhores (o PR, o PM, os deputados) estão lá porque alguém (leia-se, os eleitores) os colocou lá. Portanto, o país não é efectivamente deles, mas está legitimamente mandatado para ser gerido por eles. Se não estamos satisfeitos, temos o direito de nos manifestar (que tem ocorrido, apesar de cada vez com menor frequência) e temos o direito (ou o dever, para quem assim o entenda) de votar em alternativas nas próximas eleições. Tudo o resto ou é demagogia (e da perigosa) ou é estupidez.
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De Miguel a 09.04.2014 às 11:45

"Se não estamos satisfeitos, temos o direito de nos manifestar (que tem ocorrido, apesar de cada vez com menor frequência)"

Nos primeiros anos do Estado Novo também se deram muitas revoltas (nunca ouviu falar do Reviralhismo ?), depois acalmou e ficou tudo pacífico por muitos anos. O português não tem grande experiência política, e também não se poderia esperar outra coisa depois de 500 anos de absolutismo, 300 de inquisição, longas centúrias de educação condicionada por jesuítas, um liberalismo que pouco fez por mudar as estruturas económicas do país, uma I República eivada de crises e sitiada por vários inimigos, desde os monarcas à cleresia até aos estrangeiros, mais 50 anos de ditadura , e uma II República que ao fim de 40 anos parece a muita gente uma tremenda desilusão. Claro que as pessoas se manifestam com pouca frequência. Como alguém perguntou uma vez, O povo aguenta? Aguenta, aguenta!

Também pode acontecer que a frequência das manifestações baixaram porque, como no caso daqueles que participaram no Reviralhismo (Jaime Cortesão ou Adolfo Casais Monteiro, por exemplo, que se exilaram no Brasil ), os que se manifestavam perceberam que Portugal é um caso perdido e foram criar uma vida com dignidade em países a sério como Estados Unidos e Alemanha, ficando por cá a lamuriar-se apenas o moado .
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De Anónimo a 10.04.2014 às 09:57

Caro Miguel,

O meu post não é sobre a eficácia das manifestações (ou a capacidade organizativa cá do burgo). É sobre o facto de, apesar de tudo, vivermos num estado democrático representativo, que com isso acarreta uma estrutura específica de poder e representação. E alguém dizer que o país "não é" do PR ou do Governo ou, sei lá, da AR é real em stricto sensu mas não de forma lata (para efeitos práticos, o país É da responsabilidade dos eleitos durante a vigência dos seus mandatos). Se se tivesse ficado por aí, tudo bem. Mas depois resolveu disparatar e dizer que não era dos representantes eleitos (goste-se ou não deles) mas sim de meia dúzia de individualidades (algumas pelas quais tenho respeito, outras menos e uma aparentemente saída do Portugalex, o "Changuito"). E, de uma só penada (ou teclada), escreveu a enormidade que Portugal não deve ser governada por representantes eleitos mas antes pela fina flor da cultura e da ciência (ou menos fina, no caso do "Changuito").
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De Miguel a 12.04.2014 às 10:56

Caro Anónimo,

Reli o discurso dela e não encontrei nenhuma declaração que se pareça com uma afirmação de que o país devia ser governado pela "fina flor da cultura e da ciência." O que ela fez, mediante o facto de que hoje as personalidades mais estadeadas são os políticos, que consomem horas e horas de tempo de antena, foi evocar e valorizar grandes portugueses que deveriam deixar todos nós orgulhosos pelos seus feitos, tão extraordinários considerando as condições em que labutam: cientistas, arquitectos, artistas. São estas pessoas que contribuem para o prestígio de Portugal e que levam a nossa cultura para o estrangeiro. O Cavaco Silva jamais o poderia fazer pois ele de cultura não sabe nada, nem os tecnocratas e economistas que o rodeiam. Mais importante, são os artistas e cientistas que nos vão dando esperança, que nos vão lembrando que estamos vivos, que nos vão lembrando que a vida não se resume à embrutecedora subsistência do dia-a-dia, que a vida começa apenas depois disso, quando nos realizamos através das artes e ciências.

Eu não tenho qualquer admiração ou orgulho pelos nossos políticos, mas por um Eugénio Lisboa, por um Siza Vieira, por um poeta ou pintor? Sim, bastante. Quando os políticos forem esquecidos, quando outros chegarem para em breve serem também esquecidos pela história, são eles que ficarão. Ou posso ler os poemas de Sá de Miranda publicados há 500 anos atrás. Quem é hoje publica os escritos dos políticos do século XIX? Quem é que amanhã quererá saber dos escritos deixados por Cavaco, Sócrates, Santana Lopes e afins? Ninguém, esses vão para o cadoz .
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De Vento a 08.04.2014 às 20:27

É caso para dizer: Ah mulher do catano, assim é que é falar! Na, realidade no momento em que a cultura é vista como uma espécie de contra-poder, como sempre foi, ainda vemos alguém que centre suas atenções na mesma, e em locais de governação, melhor de animação da gente.
Nos habituais rodopios pelas informações no mundo, dei hoje com o seguinte artigo, aqui no nosso burgo:

http://www.omirante.pt/noticia.asp?idEdicao=54&id=71045&idSeccao=544&Action=noticia

É de louvar, sim.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 08.04.2014 às 21:05

O que é surpreendente é ouvir pessoas que são tidas como referências dizerem os maiores disparates, como é o caso de Siza Vieira e Sobrinho Simões. Nem Portugal está perto de ser uma ditadura, e vindo de um comunista ainda é mais surpreendente, nem este governo "rebentou com tudo o que fora construido na investigação". Lamentável.
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De ijt a 09.04.2014 às 01:25

A. Lucas Coelho sobre o acordo ortográfico:

"Mas noutro meio ou em livro não farei o editor não seguir o acordo, tal como não quero que me façam segui-lo."

Assim se fica a saber do imenso respeito por que ALC tem por aquela gente, pelos... como se chamam eles? Ah, sim os "leitores"! É isso mesmo: os leitores.
Esses estão ausentes das preocupações. É suposto que comam dos que se lhes servir, e sem protestos.

Também não é deles, o país?
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De Jorg a 09.04.2014 às 09:11

A cachopa também pouco de muito pouco parece perceber...E não é de agora, mas enfim...
Dai, talvez, o tal prémio literário!
Qualquer dia 'tá na Aula Magna - ou seja, ainda nos vamos divertir mais..:-))
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De Miguel a 09.04.2014 às 12:00

O discurso da senhora está bonito, mas o facto de seguir o acordo é um bom motivo para não perder o meu tempo com este romance. Aliás, acho estranho e engraçado que, na sua cruzada contra o governo e os políticos, e no seu posicionamento como defensora dos portugueses, pobrezinhos, não tenha percebido a ironia de usar uma ortografia que a maioria repele e que apenas vai usando por imposição do governo e das companhias que o querem cortejar. É uma verdadeira guerrilheira da contra-cultura, a Alexandra.

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